sábado, 24 de julho de 2010

Resgate de Amor (12)

Durante o trajeto, Roberto aproveitou para mostrar a Sílvia algumas novidades na cidade surgidas após a ida dela para Valverde. Chegaram, em torno de 11 horas, ao Parque Ibirapuera. Roberto soltou Lola da guia. Parecia reconhecer todos os recantos do parque, apesar de nunca afastar-se muito deles.
- Eu sempre a trago, quando não estou trabalhando, para ela passear um pouco. Normalmente não tenho muito tempo para isso. Quem costuma levá-la para dar a sua volta diária é a Dolores, que trabalha para mim durante a semana.
- Ela é um encanto.
- Que bom que você gostou dela...
- Sempre gostei de animais, mas minha mãe não permitia que tivéssemos bichos de estimação. Dizia que faziam muita sujeira e podiam transmitir doenças. Assim, eu acabava brincando com os animais de estimação de meus amigos na vizinhança.
Ele a olhou com ternura, estendeu-lhe a mão e a convidou:
- Venha vamos dar uma volta.
De mãos dadas, saíram a caminhar, até chegarem ao lago, de onde podiam avistar as fontes em funcionamento. Lá já estava Lola a sacudir o rabo, feliz da vida por estar andando livre de sua guia e acompanhada por seu dono.
O dia estava lindo. Não podia haver um sábado mais perfeito que aquele. Sílvia sentia-se ela própria dentro de um filme romântico, que tudo levava a crer teria um final feliz. Pelo menos era este o seu desejo. Acreditava que o de Beto também.
Depois de terminarem sua caminhada e o passeio de Lola, deixaram-na em casa e foram almoçar no local escolhido por Roberto.
Era um restaurante muito bonito, com um pátio interno onde ficavam mesas ao ar livre, cercadas de lindos vasos com folhagens e flores. Lembrava muito as fotos que ela já havia visto de moradias da Toscana, na Itália. Realmente devia ser esta a intenção, pois a especialidade da casa era a cozinha italiana. Logo em seguida foram encaminhados a uma pequena mesa, num canto discreto do restaurante.
- É lindo aqui.
- Que bom que gostou. A comida é excelente. Espero que você goste.
Fizeram seus pedidos, quando Roberto lembrou-se:
- Vou aproveitar e ligar para a Alice, minha secretária. Vou pedir que ela entre em contato com o serviço de van. Ou você prefere voltar de avião? – Começou a procurar alguma coisa nos bolsos da sua jaqueta.
- Não há porque ir de avião. A distancia não é tanta assim. A viagem de carro é tranquila.
- Droga! Esqueci do celular em casa.
- Não tem problema. Tenho o meu aqui - falou já lhe entregando o aparelho.
Ele não estava acostumado com aquele modelo de telefone e apertou em algumas teclas até conseguir fazer a ligação. Sílvia notou que ele foi mudando de expressão enquanto fazia isto. Tornou-se emburrado. Falou asperamente com sua assistente, pedindo que ela reservasse a van de Sílvia para a terça.
- Horário? O que você conseguir! Me avise depois! - ordenou e desligou o telefone abruptamente.
- O que houve? Porque foi tão grosseiro com ela? E que história foi essa de reservar "o horário que conseguir"? Esperava que você pedisse o horário mais tarde que pudesse reservar. O que há com você? Porque essa cara de poucos amigos, assim, de repente?
- Você andou ligando para o Dirceu antes de vir para cá? - perguntou irritado, mostrando o visor do celular, mostrando a última ligação feita por ela.
- Sim, liguei... Qual o problema?
- O problema é que você sabe que eu não gosto dele.
- E você sabe que ele pode me ajudar a ficar mais perto de você. Esqueceu, senhor ciumento?
Ele estava fazendo força para se acalmar e controlar aquele ciúme descabido. Ficou mudo, desviando do olhar de Sílvia. Ela tentava manter-se serena.
- Eu liguei para ele quando estava a caminho daqui, pois me lembrei de pedir uma indicação do nome de quem devo procurar no hospital Lusitano. Pensei em contatá-los diretamente, já que vinha para cá. Assim Dirceu não ficaria com todo o mérito de conseguir um lugar para mim. E você não ficaria tão chateado. Mas pelo que vejo, não adiantou muito o meu empenho.
Roberto começou a sentir-se envergonhado com sua atitude grosseira.
- Desculpe, Sílvia... É que fiquei doido quando vi que você tinha ligado para ele. Eu sou assim, meio possessivo, meio rude. É o meu jeito, infelizmente.
Não conseguiram continuar sua discussão, pois foram interrompidos por duas jovens mulheres, que chegaram, sem eles perceberem, em sua mesa, com olhares melosos para cima de Roberto.
- Oi...Você é o Roberto Vergueiro, não é?
- Sim?
- Eu sabia! Não lhe disse? - exclamou a loura para a morena, depois de um gritinho de felicidade. Mal notaram o mau humor dele.
- É que nós estamos cursando o curso de Análise de Sistemas e admiramos muito o seu trabalho. Nós estávamos presentes na sua última conferencia, no mês passado.
- Fico muito agradecido pelo reconhecimento. Espero que tenham aprendido alguma coisa na conferencia.
- Claro... Foi muito elucidativa – responderam sem muita certeza – Podíamos tirar uma foto com você?
Sílvia sentiu que ele fez um esforço sobre-humano para forçar um sorriso, mas acabou cedendo ao pedido das estudantes. Depois de alguns comentários e olhares invejosos para Sílvia, que apenas sorriu timidamente para a dupla, foram embora, saltitantes.
- Posso fazer uma cena de ciúmes agora, também?
- Sílvia! Elas eram admiradoras do meu trabalho, que chegaram numa má hora.
- Mas você até que pareceu gostar, depois. Deu até abraços e beijinhos nelas.
- Foram para as fotos... Ah, você sabe disso! Está implicando comigo, por causa da cena que eu fiz antes – disse sorridente.
- Elas fizeram bem a você. Já está ficando alegrinho... – falou, fazendo cara de enciumada.
- Está bem. Você venceu. Vou tentar não fazer mais cenas de ciúme. Tentar.
- Elas sempre aparecem assim, do nada?
- É muito raro, felizmente. Este é o resultado da mídia. A nossa empresa começou a ter clientes importantes. Nós criamos vários programas para particulares poderosos e para o governo. Isto começou a repercutir de modo muito positivo. Tenho participado de vários encontros sociais e científicos.
- E aparecido nas colunas sociais, eu imagino. Como naquela revista que estava no meu consultório. Posso imaginar. Uma empresa poderosa, com um diretor charmoso. É tudo o que as colunas sociais querem, não é mesmo?
- Eu imagino que sim – disse, esboçando um sorriso.
- Bem, então considere o Dirceu como a minha mídia, que vai me ajudar a conseguir uma colocação aqui em São Paulo.
Pela expressão aborrecida que surgiu na face de Roberto, ela notou que não tinha sido feliz na comparação.
Sílvia acabou por rir, olhando para o “bico” que ele estava fazendo, já seu conhecido, pois sempre surgia quando algo o estava incomodando.
- Do que você está rindo? – perguntou sério, acentuando o cenho franzido.
- De você. Dá para parar de ficar bicudo e me dar a mão?
Desarmando-o completamente com o seu pedido, obteve em troca um belo sorriso e a mão solicitada, que apertou a sua carinhosamente.
- Nós temos pouco tempo, portanto não vamos desperdiçá-lo com briguinhas inúteis. Não acha?
- Você tem razão. Estou agindo como um tolo.
- Por outro lado, não vou mentir e dizer que não estou gostando desta demonstração de ciúmes. Mas não exagera - falou quase sussurrando.
Seus pedidos chegaram e continuaram sua conversa.
- E então, está gostando?
- Confesso que me dá um pouco de medo.
- Medo? – perguntou confuso com os temores de Sílvia.
- Tudo parece um sonho lindo. Tenho medo de acordar e cair na realidade. Você leva uma vida muito distante da minha realidade. Às vezes, sinto como se eu não pudesse fazer parte disto.
- Meu amor, não tem porque ter medo. Eu estou aqui ao seu lado. A sua realidade agora será a minha.
- Eu sei. Na verdade, estou assustada com tudo isto que está acontecendo. Eu não estou acostumada com tanto luxo, lidar com suas “admiradoras”. Não sei como vou reagir a tudo.
Roberto baixou a cabeça, com olhar tristonho e disse:
- Está pensando em desistir?
Sílvia sentiu seu coração doer ao ver aquela expressão no rosto de seu amado.
- Desculpe ter falado isso, querido. Eu não estou pensando em te deixar. Só disse que estou assustada. Vou precisar da sua ajuda para me sentir mais segura diante de todas estas novidades. Eu sou uma médica do interior de São Paulo, quase um bicho do mato, que nunca tinha saído de Valverde, a não ser para estudar na capital do estado e voltar para o interior. Não conheço nada do mundo, a não ser por fotos e Interne, e muito menos uma vida em alta sociedade. Tudo é uma grande novidade para mim... Agora, olhe para cá – pediu-lhe, enquanto estendia a mão para afagar e levantar o seu rosto, para que pudesse ver aqueles lindos olhos cor de mel que sempre a faziam esquecer qualquer problema – Roberto, atualmente, só tenho certeza de uma coisa. Eu estou apaixonada por você e vou fazer de tudo para poder ficar do seu lado. Amanhã vou até o Hospital Lusitano batalhar por um emprego, para ficar em São Paulo. Estou pensando em abandonar tudo que tenho em Valverde por você. Portanto, quem tem de ficar com medo de ser abandonada sou eu, e não você.
- Sílvia, não vai se arrepender de ficar comigo - disse isso olhando-a profunda e apaixonadamente.
Ela abriu um lindo sorriso e disse:
- Bem, finalmente o nosso almoço está chegando. Estou morrendo de fome. Aliás, se eu continuar comendo do jeito que estou vou virar uma pipa e você não vai mais querer saber de mim.
- Eu vou te amar do jeito que for – declarou-se, segurando a mão de Sílvia com ternura, acariciando-a e lançando um olhar de derreter qualquer coração.
Com os joelhos tremendo e o coração disparado, ainda conseguiu responder em tom de brincadeira:
- Isso você diz agora. Deixe só eu virar a mãe dos trigêmeos, Jason, Fred e Vlad... Lembra?
Ele soltou uma gargalhada que fez com que os frequentadores das mesas vizinhas olhassem para os dois com espanto.
- Você vai ficar linda com um barrigão de trigêmeos.
Entre risos e carinhos, acabaram por esquecer, aparentemente, de seus receios e seguiram em seu almoço.
- Que tal irmos dançar hoje à noite? Ainda não dançamos juntos.
- Pelo jeito, você gosta muito deste tipo de “exercício”.
- Principalmente quando bem acompanhado. Adoro a vida noturna e dançar é uma coisa muito relaxante nesta minha vida corrida entre os negócios, o trabalho no nosso laboratório de informática e as conferencias.
- Eu também sempre gostei muito de dançar, mas depois que voltei para Valverde, a única oportunidade que tinha era nos bailes da igreja local, onde a música predominante era a sertaneja e os pares para dançar não tinham mais que 12 anos ou menos que 70 anos. Sem contar os pisões nos pés que era obrigada a suportar, quando era arrastada para a pista.
Ele não conseguiu segurar o riso.
- Então hoje, a senhorita está convidada para dançar num lugar menos santo que a igreja e melhor acompanhada. Pelo menos, prometo não pisar nos seus pés.
Quando terminaram, Roberto perguntou-lhe o que gostaria de fazer a seguir, ao que ela respondeu:
- Eu vim aqui para ficar com você. Se quiser passear, caminhar pelas ruas ou simplesmente ir para casa ouvir música ou ... – e lançou um olhar sedutor para ele.
- Gostei da última proposta... – disse ele olhando-a com desejo – São Paulo não tem grandes atrativos. Pelo menos não maiores que o que tenho, hoje, aqui ao meu lado...
- Adoro este seu lado galanteador...
- Tenho muitos lados que você não conhece. Pretendo mostrar-lhe todos... Se você deixar – falando isso, pegou-lhe a mão, acariciando-a e beijando a palma, sensualmente, fitando-a com intensidade.
- Estou ansiosa por isso... – respondeu, sentindo um arrepio percorrer-lhe todo o corpo.
Imediatamente, Roberto chamou o garçom e pediu a conta.
Já em casa, ele foi para a sala e colocou uma música de uma banda islandesa Sigur Rós, da qual ela nunca ouvira falar. Sílvia o observava em cada movimento, já sentindo o desejo por ele crescer. Foi quando ele lhe ofereceu a mão e levou-a até o grande sofá da sala, onde se sentaram para ouvir a melodia que parecia vinda das estrelas. Ele a abraçou carinhosamente. Aproximou seus lábios de sua orelha e sussurrou:
- Eu te amo, Sílvia...
Não resistindo àquela declaração, ela virou o rosto e, inevitavelmente encontrou aquela boca deliciosa convidando-a para um beijo. Um beijo apaixonado e inebriante, que ao som etéreo que os cercava deu início as preliminares do amor.

A música continuava a tocar, tornando aquele momento de descontração, depois do amor, ainda mais celestial.
Perderam a noção de quanto tempo havia se passado, quando Roberto saiu de seu silencio e perguntou:
- Você vai querer sair para jantar, e dançar depois?
- Acho que podemos comer alguma coisa por aqui e sair para dançar mais tarde. O que acha?
- Acho ótima idéia. Olha, eu conheço um restaurante japonês excelente que faz tele-entrega. Você gosta de comida oriental?
- Adoro! Pena que em Valverde não tenha nenhum lugar que faça este tipo de comida.
- Viu? Mais um motivo para você vir morar comigo.
- Você tem razão. Não havia pensado nisso. Acho que só isso pode me convencer a vir para cá – disse ela, sorrindo ironicamente.
- Então eu não conto, é? – perguntou, começando a fazer-lhe cócegas, arrancando gargalhadas de Sílvia.
- Pare... Pare! Eu confesso... Eu confesso... – suplicou, para que ele parasse.
- Confessa o que?
- Eu confesso que fico por sua causa... Só por sua causa.
- Ainda bem... Agora temos que selar esta confissão – disse aproximando-se ainda mais dela.
- E como você pretende fazer isso? – perguntou Sílvia num sussurro.
- Com um beijo... – respondeu Roberto, quase tocando seus lábios aos dela.
- Gostei deste selo... – falou com voz quase sumida e olhos fechados para receber a boca macia e úmida que vinha ao seu encontro.

Assim que chegaram, o espocar de flashes fizeram-se ouvir quando saíram do carro. Sílvia assustou-se, mas foi pega firmemente pelo braço por Roberto, que a levou com rapidez para dentro do prédio.
- O que está acontecendo? – perguntou Sílvia, surpresa com todo aquele aparato.
- Esqueci de lhe avisar... Esta casa noturna está sendo inaugurada hoje. Quando recebi os convites, logo pensei em você. Não imaginava que teria toda esta recepção.
Foram alegremente recebidos por um dos donos do local, que parecia conhecer Roberto muito bem.
- Obrigado por ter vindo. Estejam à vontade – recepcionou-os, indicando uma mesa próxima à pista de dança
Lá dentro, custaram a acostumar-se com a escuridão. Apenas as luzes neon coloridas brilhavam intensamente, ofuscando as pessoas e o ambiente.
Quando Sílvia conseguiu definir o que estava a sua volta, já se sentando numa das mesas, próxima à pista de dança, ouviu uma voz de mulher em meio ao som alto da música.
- Roberto!
Ela era uma morena linda, trajando um vestido verde curto e justíssimo. Inacreditável como ela podia respirar dentro daquela roupa.
Parecia muito animada com a presença dele. Mais surpresa Sílvia ficou quando, inesperadamente, esta estranha atirou-se ao pescoço dele e tacou-lhe um beijo na boca. Roberto pareceu ficar meio sem jeito, mas não fez nada para impedir o "ataque". Pelo contrário, correspondeu ao beijo. Foi um instante apenas, mas correspondido.
Sílvia sentiu o sangue fervente subir à cabeça. Nunca fora ciumenta. Pelo menos nunca tinha tido esta oportunidade. Não imaginava que reagiria desta maneira ao ver-se ameaçada por outra mulher.
- Sílvia, esta é Gina. Gina, esta é Sílvia – apresentou-as, visivelmente atrapalhado.
- Muito prazer... Está de amiguinha nova, hein? – disse baixinho no ouvido dele, mas de uma maneira que Sílvia percebeu, apesar do barulho no ambiente.
- Prazer... E você, quem é? Uma amiguinha antiga?
- Sílvia... – ele chamou a sua atenção, preocupado com a expressão de “vulcão prestes a explodir” estampado no olhar dela.
- Pode deixar, Beto. A culpa foi minha. Eu entendo a sua reação. Me desculpe. Eu estava brincando com ele. Na verdade nós somos apenas amigos, não é, querido?
- Não estou acostumada com este tipo de brincadeira.
- Sílvia, o que Gina está dizendo é a verdade. Somo amigos de longa data – ele estava realmente perturbado com a situação.
Para tentar aliviar a tensão no ar, resolveu dar uma explicação a Gina:
- Sílvia e eu estamos nos relacionando seriamente. Mais sério do que nunca – disse esta última frase olhando diretamente nos olhos de Sílvia, que gostou da maneira como ele havia se expressado. Sentiu-se mais segura, mas ainda olhando com desconfiança para a assanhada a sua frente. Eles pareciam muito íntimos para serem apenas amigos.
- Bem, se a Sílvia permitir, será que podemos dançar um pouco?
Não fosse Roberto ter apertado sua mão fortemente, ela teria se jogado sobre a sirigaita.
- Hoje não, Gina. Tenho certeza que você não vai ter dificuldade em arranjar um par dançante.
"Como assim, hoje não?", pensou Sílvia, quase devorando Roberto com os olhos.
- Que pena... É difícil arranjar alguém que dance bem como você. Bem... Sei quando estou sendo de mais.
- Ainda bem... – disse Sílvia entre dentes.
- Até mais, meu querido. Tchau, Sílvia! – despediu-se com um ridículo aceno de mão.
- Tchau, Gina!
Quando ele voltou-se para Sílvia, sentiu que teriam mais uma discussão parecida com a do restaurante.
- Sílvia, você está com ciúmes? O que nós tínhamos combinado?
- Ela certamente não é só mais uma admiradora , pois o Dirceu jamais me beijou daquele jeito na sua frente ou longe da sua vista.
- Ela é só uma amiga.
- Amiga? Quem tem uma amiguinha com aquele corpo e aquela sensualidade à flor da pele e fica só amigo? Só se você fosse gay, coisa que tenho certeza que você não é!
- Meu amor – disse ele sentando-se ao seu lado e abraçando-a – Está bem... Não vou negar. Já tive um afair com ela, no passado. Nada de importante. Foi logo que a conheci. Isto já faz muito tempo. Não passou de uma noite, um passatempo, uma companhia alegre. Nada mais. Depois disso nos tornamos apenas bons amigos.
- Olha, vou tentar acreditar nisso e seguir o conselho que eu mesma lhe dei antes. Nada de brigas inúteis nestes dias. Mas vou ficar de olho, senhor Roberto Vergueiro.
- Sou todo seu, Dra. Sílvia - falou, estreitando o abraço. Com os lábios roçando-lhe o pescoço, até chegar ao seu ouvido, sussurrou-lhe, fazendo-a sentir um delicioso arrepio:
- Vamos dançar?
- Vamos - respondeu secamente, ainda séria.
Logo, compreendeu o que Gina falara sobre ele dançar bem. Aos poucos, foi relaxando ao som da música e ao embalo dos braços de Roberto. Depois de duas ou três músicas mais animadas, começaram as românticas. Foi quando ele a puxou contra si e ela colocou seus braços em torno de seus ombros, descansando a cabeça no seu peito. Sentia-se inebriada com a mistura dos odores de Roberto. O perfume delicioso que ele usava e o cheiro do seu suor. Sentia-se flutuar naqueles braços que a embalavam docemente. Já quase esquecera os ciúmes e a causadora deles, quando sentiu o olhar invejoso de Gina, fulminando-os a poucos metros dali, onde estava agarrada a um tipo efeminado e sem graça. Não deixou por menos. Olhou para Roberto e, segurando sua cabeça, forçou-o a abaixar-se e beijou-o apaixonadamente. Ele, surpreso com aquela demonstração em público, correspondeu à altura. Precisaram voltar à realidade quando a musica parou para uma mudança no ritmo.
- Quer tomar alguma coisa?
- Sim – respondeu Sílvia, sentindo-se vitoriosa ao ver a cara de Gina, mordendo-se de inveja pela cena que acabara de ver.
Ainda dançaram várias vezes antes de sentirem o cansaço tomar conta e resolverem ir para casa.

(continua...)


Nosso casal começou a ter algumas turbulências no seu relacionamento. Mas nem imaginam o que ainda vem pela frente. Aguardem...
Mas deixando a Sílvia e o Roberto de lado, um pouquinho, acredito que tenham lido sobre as BOAS NOVAS. Nem preciso dizer que estou felicíssima e empolgada com as novidades. Espero a ajuda de todos nesta nova fase. PARTICIPEM DA ENQUETE! Muito obrigada mais uma vez.
Beijos!!!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Resgate de Amor (11)

As vinte e três horas seguintes de plantão em Valverde transcorreram como habitualmente. No início da noite, Elaine ligara para Franco avisando que Mariana estava melhor e sem febre, traquilizando-os. Nenhuma grande intercorrência surgiu a não ser por um telefonema, atendido no celular de Sílvia, às 00h30min. Naquele momento, Franco deu uma desculpa qualquer, saiu da pequena sala junto à recepção do posto e foi para o dormitório.
- Ainda acordada? – soou a voz rouca tão ansiada.
- Estava te esperando – respondeu, com o coração acelerado.
- E o plantão? Está calmo? Nenhum desmemoriado a vista? – brincou.
- Nenhum, por enquanto... – disse rindo.
- Olha, acho que vou ter uma folga no fim de semana. A reunião que teria no sábado pela manhã foi adiada. Assim vou ser liberado por dois ou três dias.
- Que notícia ótima, Beto! Você vem para cá no sábado? – conteve-se para não gritar de alegria, prevendo seu retorno muito antes do que imaginava.
- Pensei que talvez você pudesse vir para cá, conhecer o lugar onde eu moro, onde trabalho. O que acha?
- Bem, posso ver isso amanhã. Reservar passagem...
- Não precisa se preocupar. Já pensei em tudo. Aliás, já está tudo preparado. Só queria ver com você se não teria problema.
- Sério? – enterneceu ao sentir que ele também estava ansioso para vê-la.
- Sim. Um carro vai te pegar no final da tarde de sexta feira e te trazer para São Paulo. Vou estar te esperando em casa. Você deve chegar aqui em torno de 21h.
- Nossa, o esquema já está todo armado? E se eu não pudesse ir?
- Eu faria o caminho inverso e ia para aí. Não pense que vai se livrar de mim tão fácil... Estou louco para te ver...
- Ah, Roberto. Estou morrendo de saudades...
- Eu também...
- Eu vou ter de desligar agora, meu bem. Tenho de dormir, pois amanhã começo a trabalhar cedo.
- Eu também, vou aproveitar que o plantão está calmo e descansar. A gente se encontra amanhã à noite, então...
- Até amanhã, meu amor... Um beijo... Durma bem...
- Um beijo... Boa noite...
E desligaram. Sílvia deu um longo suspiro e foi para o dormitório descansar. Franco já estava roncando.
Mal pode conciliar o sono naquele final de plantão. Apesar de não ter havido mais nenhum chamado, Sílvia custou a relaxar, excitada que estava com o encontro com Roberto, a viagem, voltar a São Paulo, depois de tanto tempo... Já era em torno de três horas da manhã, quando adormeceu.
O dia seguinte chegou rápido. Logo estava na hora da troca de plantão.
- Bom dia, doutora Sílvia. Como foi sua noite depois do telefonema de ontem? – perguntou Franco assim que a viu.
- Apesar de eu ter dormido pouco, foi ótima. Eu vou vê-lo hoje à noite! Acredita? – não se conteve. Precisava dividir com o amigo a sua felicidade.
- Tão rápido? Puxa! Ele deve estar bem interessado mesmo... Ele vem para cá?
- Não. Vai mandar me buscar. Vou para São Paulo.
- Ora, ora... Que bom, Sílvia. Fico contente por você. Vai ser bom conhecer como ele vive por lá.
- Acho que sim... Não vejo a hora de reencontrá-lo.
- Bem, minha boa doutora. Tenha um ótimo dia, pois a noite, pelo jeito promete.
- Um bom dia para você também, Franco.
Após as despedidas, Sílvia foi para casa tentar descansar um pouco. Ainda teria de atender o consultório à tarde.

As horas pareciam arrastar-se. Sílvia olhava seu relógio de pulso com frequência. Conseguira dormir um pouco pela manhã. Não o suficiente, mas a ansiedade em ver o final da tarde chegar, a viagem e, finalmente, o reencontro com Roberto, a deixavam tão excitada que não sentia cansaço ou sono. Sentia-se como medicada com um estimulante poderoso.
Logo ao chegar ao consultório, pediu que Suzi ligasse para os pacientes que costumava visitar pela manhã e para os já marcados no consultório à tarde, avisando-os sobre o cancelamento de seus horários até terça feira. Todos seriam remarcados para a próxima semana. Motivos? Motivos pessoais. Já previa que esta sua saída inesperada da cidade já daria assunto para mais de uma semana entre os habitantes de Valverde.
Ao encerrar o atendimento de seu último paciente, despediu-se de Suzi e correu para o seu apartamento para terminar de arrumar a mala e preparar-se para a viagem.
Às 18 horas, tocaram a campainha. Era o motorista do veículo que a levaria até São Paulo.
- Boa tarde, senhorita. Meu nome é Francisco. Posso ajudá-la com as malas?
- Boa tarde. É apenas uma mala pequena e uma valise de mão. Obrigada.
Sílvia fechou a porta de casa e seguiu atrás de Francisco. Viu-se diante de uma pequena van Chevrolet, azul escura. Ele abriu-lhe a porta, ajudando-a a entrar, para logo acomodar sua bagagem no porta-malas.
- Dra. Sílvia, recebi ordens de levá-la em segurança até São Paulo Qualquer dúvida que tenha, por favor, pergunte.
- Está bem, Francisco. Muito obrigada – sorriu, divertindo-se com tamanha formalidade por parte do motorista.
- Melhor irmos agora, pois podemos pegar algum movimento na estrada, devido ao início do fim de semana. Não podemos nos atrasar.
Logo entravam na rodovia estadual, a caminho da capital paulista.
Na estrada, fizeram uma pequena parada para tomar um café. De lá, resolveu ligar para Dirceu e pedir orientação de como proceder e com quem deveria falar no hospital Lusitano. Pegou seu celular. Lá estava o número do telefone dele. Fez a ligação e ficou aguardando ser atendida.
Logo ouviu a voz do amigo:
- Alô?
- Alô, Dirceu! Boa noite.
- Sílvia? É você? Que bom te ouvir. Onde você está? Está em Ribeirão?
- Não. Estou a caminho de São Paulo.
Ela sentiu que a voz do outro lado da linha emudeceu durante alguns segundos, como se não conseguisse encontrar as palavras necessárias para continuar a conversa.
- Você está indo para São Paulo agora? Por quê?
- O Roberto vai ter uma folga e mandou me buscar. Mas isso não vem ao caso, Dirceu. Estou te ligando porque pensei em aproveitar minha viagem para visitar o hospital Lusitano. Seria possível você me dar algumas informações? Sei que ainda é cedo para que você tenha tido algum retorno de seu ex-professor sobre uma vaga para mim, mas quem sabe indo pessoalmente as coisas não se tornem mais fáceis? O que você acha?
- Na verdade já tive contato com ele e já consegui contatar com o diretor clínico. Você tem onde fazer uma anotação?
- Mas que ótimo! Pode falar – respondeu ela, já com uma caneta e sua agenda de telefones e endereços a mão.
- Então anote...
Logo, Sílvia estava de posse do telefone e do nome do diretor que poderia ajudá-la a conseguir o seu intento.
- Vou avisá-lo da sua ida. Falo com ele, novamente, ainda hoje. Quando acha que vai poder ir ao hospital?
- Creio que na segunda feira. Provavelmente, ficarei em São Paulo até terça. Pelo menos já desmarquei meus compromissos até este dia.
- Bem, lhe desejo boa sorte. Qualquer dificuldade me liga, ok?
- Ok! Pode deixar. Vou ter de desligar. Temos que seguir viagem, para não chegar muito tarde. Nem sei como lhe agradecer, Dirceu. Muito obrigada! Um abraço.
- Um beijo, Sílvia...
Ele ouviu o sinal da ligação desaparecer, pensando “... Um abraço... É só isso que eu mereço? O tal Roberto parece mesmo estar interessado nela. Não ficaram separados nem uma semana! Miserável!”. Com tais pensamentos, preparou-se para deixar o hospital e enfrentar mais uma noite de leituras de artigos médicos, depois de um jantar comprado na seção de congelados do supermercado e requentado no microondas . Pensou que estava na hora de ter alguém para compartilhar seus bons e maus momentos. Desde que reencontrara Sílvia, a solidão, que antes não o incomodava, começara a doer...

Enquanto isso, Sílvia seguia viagem com Francisco.
Em pouco menos de três horas, vislumbraram as luzes da cidade de São Paulo.
A van estacionou na frente de um luxuosíssimo prédio de apartamentos localizado no Morumbi. Francisco abriu a porta para que ela descesse. Pegou sua pequena maleta e levou-a até o saguão do edifício. Ali, se despediu, desejando-lhe uma boa noite. O porteiro parecia já saber de sua chegada, sendo muito solícito, acompanhando-a até o elevador, segurando sua mala. Apertou no andar de número 15. A cobertura. Quando a porta se abriu, deu de encontro com o sorriso radiante de Roberto. Largou a mala no chão e retribuiu o carinho, enrolando-se no seu pescoço, matando a saudade no calor de seus braços.
- Como foi a viagem? – perguntou, depois de um beijo apaixonado.
- Muito longa, mas compensadora...
- Ainda bem que pensa assim. Melhor sairmos do elevador. Vem aqui para dentro...
O coração de Sílvia estava em disparada.
- Prefere sair para jantar ou ficar em casa?
- Na verdade, comi alguma coisa no caminho. Não estou com muita fome.
- Então está resolvido. Participei de um happy hour com Marcos e uns amigos. Também não estou com fome. Você já conhecia São Paulo, não?
- Claro. Fiz a faculdade e a residência médica aqui.
- De qualquer jeito já faz algum tempo que não vem aqui. Podemos passear amanhã. Curtir o sábado – disse enquanto a conduzia para dentro do apartamento, carregando sua mala.
- Acho que sim. Mas ... Depois – falou Sílvia, de um jeito sedutor.
- Depois?... – perguntou Roberto, sorrindo maliciosamente.
Não havia dúvida do que fariam antes do “depois”...
Conseguiram manter-se compenetrados até o hall de entrada. Assim que a porta foi fechada, a bagagem foi jogada ao chão e entregaram-se um ao outro, escandalosamente. Parecia que séculos haviam se passado desde a última vez que se viram.
- Você não quer conhecer o apartamento antes? - perguntou ironicamente entre um beijo molhado e outro.
- Estou mais interessada no dono do apartamento, no momento.
Mesmo através da calça jeans, podia sentir todo o desejo dele, rijo e pulsante.
Foi abrindo rapidamente os botões da camisa branca e desnudando o tórax magnífico, começando a beijá-lo, encostando a cabeça no seu peito, acariciando com as mãos, os braços que a envolviam, tentando puxá-la contra si.
Arrancando gemidos, foi descendo em direção a sua cintura, beijando o abdômen sarado, sensualmente. Sem muito esforço desabotoou o jeans, podendo entrever a cueca branca que a separava do objeto de seu desejo. Lentamente, foi libertando-o peça por peça. Logo pode senti-lo de encontro ao rosto, excitando-o ainda mais. Já não resistindo mais a provocação de Sílvia, Roberto puxou-a com força para cima, até poder olhar dentro de seus olhos. Ai foi a sua vez de despi-la, não menos provocativamente. À medida que a desnudava, suas mãos acariciavam a pele arrepiada. Com a boca e a língua seguia o trajeto das mãos, quase a levando a loucura. Quando a sentiu pronta, pegou-a no colo e a levou para o grande e confortável sofá da sala. Lá a possuiu, entre suspiros e sussurros, chegando ao clímax quase que ao mesmo tempo. Depois de tudo, só a sensação de paz e relaxamento. Ali ficaram por um bom tempo de olhos fechados, abraçados, esperando as respirações voltarem ao normal, curtindo a sensação de felicidade emergente.
- Que tal tomarmos um banho, irmos para a cama e planejarmos o nosso final de semana?
- Apoiado. Quero aproveitar ao máximo estes dias.
- Até quando vai poder ficar?
- Até terça.
- Ótimo. Vamos poder aproveitar bastante... - dizendo isso, beijou-a novamente. A lassidão e a saudade os mantiveram por vários outros minutos naquela posição, fazendo-os aproveitar cada segundo daquele momento de reencontro. O tempo pertencia somente a eles.
Finalmente, Sílvia levantou-se e perguntou onde era o banheiro. Ficou surpresa com o luxo e a beleza da peça. Todo decorado em mármore branco, com rajadas verdes, além do vaso, uma pia com duas cubas douradas e um chuveiro, trazia uma banheira, no centro do ambiente, que parecia saída de uma fotografia dos famosos banhos romanos. Ao vê-la, ocorreram-lhe idéias de como aproveitar aquele espaço durante o seu final de semana. Encaminhou-se para o chuveiro, sob o olhar faminto de Roberto O jato quente e forte fustigou-lhe a pele, mas de uma maneira deliciosa. Mal tinha começado a ensaboar-se, ainda de olhos fechados, quando sentiu a presença de mais alguém, atrás de si.
- Posso ajudá-la a ensaboar-se? - disse a voz rouca conhecida.
- Não vai ficar muito tarde para depois conversarmos sobre o nosso tour pela cidade? – perguntou Sílvia, já se insinuando para trás contra o corpo de Roberto.
- Acho que prefiro fazer "este" roteiro antes...
Deu-lhe um beijo na nuca e tirou o sabonete das mãos de Sílvia, começando a ensaboá-la lentamente, começando pelos seios, onde ficou algum tempo, deliciando-a com aquele carinho íntimo. Durante todo o tempo, permanecia colado a ela, que por sua vez, já sentia os efeitos daquele "passeio". Seguiu por seu abdômen, em movimentos circulares, até alcançar seus pelos pubianos. Logo estava com o sabonete entre suas coxas, num lento movimento de vai e vem, levando-a a gemer baixinho.
- Agora é a minha vez... - conseguiu dizer em meio à excitação.
Virou-se lentamente, fixando seus olhos nos dele, que transbordavam desejo. Pegou o sabonete de suas mãos e colocou-se atrás dele, invertendo suas posições. Agora era a sua vez de ensaboá-lo, esfregando seu próprio corpo nas costas dele, em movimentos sensuais, enquanto seus braços o envolviam e as mãos acariciavam seu tórax, seus cabelos do peito, deslizando lentamente pelo abdômen, descendo ao púbis, onde sua virilidade já era evidente, rija e latejante.
Roberto já não podia mais resistir. Virou-se e abraçou-a com força, colando seus lábios aos dela com ardor, invadindo a sua boca com paixão.
Levantou-a até a altura de seu quadril, forçando-a a enroscar suas pernas em torno da cintura dele e, pressionando-a contra a parede do box, penetrou-a com força, arrancando-lhe um grito de dor e prazer, continuando a invasão com movimentos cadenciados, cada vez mais intensos. Ela agarrava-se aos seus cabelos com uma mão, enquanto com a outra o arranhava nas costas. Logo, chegaram ao êxtase completo. Totalmente satisfeitos, sob os jatos de água quente, permaneceram agarrados, esperando a volta à normalidade.
Já refeitos, terminaram seu banho e, vestidos apenas com roupões de banho, foram conversar na sala. Pouco falaram, pois as palavras não eram tão necessárias. Só importava a intimidade daquele momento. Sílvia acabou adormecendo nos braços de Roberto, vencida pela fadiga, enquanto ouviam um pouco de música. Tinha sido uma noite cheia de emoções, depois de plantão de vinte e quatro horas e uma viagem de quase de 300 quilômetros na estrada.
Roberto precisou carregá-la no colo e colocá-la na cama. Tirou seu roupão, com cuidado para não acordá-la. Despiu-se e deitou-se ao seu lado, admirando seus contornos e traços. Sentiu uma enorme necessidade de tocá-la, fazer um carinho. Suavemente deslizou a palma da mão sobre as curvas de seu corpo. Sua respiração era calma. Sua presença ali lhe transmitia uma serenidade que há muito não experimentava. Quando foi retirar uma mecha de cabelo que caía sobre o seu rosto, Sílvia entreabriu os olhos, muito sonolenta, e murmurou:
- Mal consigo abrir os olhos... - falou meio que enrolando a língua, cansada.
- Vamos dormir, meu bem... Descanse. Vamos ter um longo dia amanhã.
Dizendo isto, depositou um beijo suave em seus lábios. Acomodou-se atrás dela, abraçando-a protetoramente. Ouviu-a soltar um gemido de prazer, que o fez sorrir satisfeito. Cobriu aos dois com o lençol e fechou os olhos. Assim passaram sua primeira noite em São Paulo.

No dia seguinte, Sílvia foi acordada pela luz do sol que subitamente invadiu o quarto. Apertou os olhos, para depois começar a abri-los devagar, lutando contra a luminosidade que impedia sua visão. Logo pode ver Roberto segurando uma bandeja, com seu café da manhã, e ouvir um sonoro:
- Bom dia, sua preguiçosa. Pensei que não fosse acordar.
Espreguiçando-se languidamente, notou que estava sem suas roupas.
- Eu não me lembro de ter vindo para este quarto ontem à noite.
- Eu fiz isso por você. Pegou no sono enquanto estávamos ouvindo música depois do banho e eu não quis acordá-la. Só isso... Apesar de eu ter tido muita vontade de fazer algo mais além de colocá-la para dormir...
- Você é um amor, sabia? - com este elogio, esticou os braços na direção dele, pedindo sua ajuda para levantar-se. Diante deste pedido, ele largou a bandeja rapidamente, e ajudou-a a sentar-se na cama.
- Nossa, quanta coisa gostosa! Foi você que arrumou tudo? Até flores... Me dá um beijo... – exigiu projetando os lábios à frente e cobrindo-se com o lençol, tardiamente recatada.
- Melhor você tomar logo o seu café – ordenou, logo após um beijo afetuoso – Teremos uma programação intensa hoje.
- Sério? Então me diga... Sou toda ouvidos.
- Bem, primeiro vou levá-la para conhecer alguém muito especial, que nos fará companhia em nosso passeio.
- Alguém especial? Quem? Sua mãe está aqui?
Ele soltou uma gargalhada e falou:
- Não, não é minha mãe. Mas se ela não gostar de você, acho que teremos que terminar tudo – enfatizou, com ar dramático.
- Estou começando a ficar preocupada. Quem é ELA, Beto?
- Surpresa! Acabe o seu café. Já provou estes biscoitos amanteigados?... São uma delícia..humm... Vou tomar uma ducha rápida e me arrumar.
Assim que saiu do banho, Sílvia comentou:
- Você não tem empregados, Beto? Imaginei que com um apartamento grande como este, precisasse de alguém para cuidar.
- Dei uma folga para minha auxiliar este fim de semana. Não se preocupe, que na segunda já terá alguém para dar conta da bagunça que vamos fazer nestes dois dias.
Trinta minutos depois, estavam saindo de casa. Sílvia estava curiosa para saber quem seria esta desconhecida que Beto pretendia apresentar-lhe. Pouco depois, ele estacionou o carro diante de uma pet shop. Pediu para esperá-lo e entrou na loja.
Saiu de lá carregando uma linda labrador, de pêlo cor de caramelo.
- Oh, Beto! Que gracinha!
- O nome dela é Lola e até há pouco tempo era a minha companhia feminina mais frequente.
Sílvia desceu do carro e quis afagá-la. Lola logo se acomodou entre os braços dela, retribuindo com lambidas no rosto e nas mãos que a acarinhavam.
- Ela é um doce, Beto. Jamais pensei que você pudesse ter um cão.
- Adoro animais... Folgo em saber que você também gosta... – disse aliviado e continuou. – Muito bem! Vamos entrar. Prontas, meninas?
Lola latiu forte.
- Prontas! – confirmou Sílvia.

(continua...)





Oi! Mais uma postagem feita. Espero que estejam gostando e peço que desculpem e relatem algum erro que encontrem no texto, como nomes errados ou algo que pareça desconexo no relato. Graças à minha querida amiga Tânia, pude corrigir uma falha ocorrida na parte 7 desta estória, onde houve uma troca do nome de Sílvia por Helena. Como falei no início, este romance era originalmente uma fanfic, passada nos EUA e com outros nomes. Já a reli várias vezes, mas mesmo sendo meio obsessiva, deixo escapar alguns detalhes.
Parece que tudo corre às mil maravilhas, não? Acho que vamos ter que agitar um pouco para não ficar muito monótono...hihihi!
Um grande beijo a todas(os)!!!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Resgate de Amor (10)

Ainda era cedo quando voltaram para a cabana. Queriam aproveitar cada segundo das últimas horas em que ficariam juntos. Enquanto conversavam, agora sem a preocupação com a falta de memória ou o risco de estarem sendo perseguidos por malfeitores, sentiam um grande bem estar. Tentavam não lembrar que a hora da despedida estava chegando. Naquela noite, apenas deitaram-se abraçados, trocando idéias, sonhos e planos para o futuro, até que o cansaço e o sono venceram.
Mais um dia de sol e calor os esperava, quando despertaram cedo pela manhã. Precisavam apressar-se em tomar o café e pegar a estrada. Roberto quis dirigir até Rio Claro, para ver como estava na direção. Ele era um bom motorista também. “Será que tem alguma coisa em que ele não seja perfeito?”, indagou intimamente Sílvia, suspirando involuntariamente.
- Porque suspiras, minha flor? – perguntou um Roberto sorridente.
- Nada... É que sou meio suspirosa de vez em quando – respondeu com um sorriso brejeiro.
Ele apenas retribuiu o sorriso e continuou com os olhos fixos na estrada.
Chegando a Rio Claro, foram direto para o fórum à procura do Juiz Breno Assis. Este já os aguardava, com os documentos prontos para serem assinados.
- Fico contente em ver que tudo foi esclarecido, senhor Vergueiro. Seu advogado já esteve aqui para esclarecer tudo. Bem que a Dra. Sílvia desconfiava de alguma coisa. Já pensamos em contratá-la como investigadora aqui na polícia local. Seria uma bela adição ao nosso pessoal – disse, querendo ser simpático – Acho que agora pode retornar a sua vida tranquilamente. Já está liberado pela lei.
Despediram-se. Sílvia não pode deixar de olhar o relógio mais uma vez, lembrando do pouco tempo que ainda lhes restava. Começava a ficar angustiada com a aproximação da separação.
- Que tal irmos para o hospital e falar de uma vez com o Dr. Dirceu. Assim já o informamos que recuperei a memória e você pergunta se é possível ele te indicar para São Paulo? Prefiro estar por perto, durante este encontro de vocês, para poder vigiá-lo.
- Beto! Você ainda está preocupado com isso?
- Só por precaução...

Dirigiram-se para o Hospital Geral. Foram direto ao setor de Neurologia, onde Dirceu tinha um consultório. Lá a secretária pediu gentilmente que eles aguardassem enquanto o doutor terminava de atender um paciente. Não demorou mais que dez minutos e foram recebidos pelo ex-colega e amigo de Sílvia. Ao vê-la, esboçou um grande sorriso, que foi apagando-se ao ver a cara de poucos amigos de Roberto, que entrou logo atrás dela.
- Vejo que continuam colados, andando por aí. Não esperava que viessem tão cedo. Os aguardava somente na próxima sexta feira. Aconteceu algum problema?
- Como vai, Dirceu? Então você não foi avisado? – perguntou Sílvia.
- Avisado? Do que? – indagou surpreso.
- Antonio, ou melhor, Roberto, recuperou a memória.
Sílvia passou a contar um resumo do que acontecera desde a volta dela para Valverde, não entrando em muitos detalhes. A tudo, Roberto ouvia sem dizer uma única palavra.
- Bem, então está voltando a sua vida agitada, cercado de mulheres, em São Paulo? Sim, porque, rico e bonitão, o assédio deve ser grande – perguntou em tom sardônico.
- Bem menos do que você pensa. Tenho uma empresa para administrar, que toma grande parte do meu tempo – respondeu Roberto, claramente aborrecido com o comentário do pretenso rival.
Sílvia, pressentindo o clima tenso que se iniciava, resolveu ser direta e fazer logo a sua solicitação ao amigo:
- Dirceu, na verdade, além de virmos para te contar sobre o desenrolar desta história toda, vim aqui para te pedir duas coisas.
- Você sabe que sempre poderá contar com minha ajuda, se estiver ao meu alcance...
- Eu sei. Por isso estou aqui. Lembro que depois da residência, você foi contratado para trabalhar no Hospital Lusitano, que é referencia em São Paulo.
- Sim. Mas porque você está lembrando isso agora?
- É que estou pensando em trabalhar em São Paulo.
- Não acredito que você vai atrás dele – disse apontando para Roberto, que imediatamente reagiu, quase levantando da cadeira onde se encontrava, já de punhos fechados. Não fosse Sílvia segurar seu braço, ele já estaria encima do neurologista.
- Dirceu, não estou pedindo conselhos a respeito de minhas atitudes. Apenas uma indicação. Se você não puder me ajudar...
- Sílvia, acho melhor irmos embora. Eu tenho muitos conhecidos e amigos em
São Paulo. Você não precisa mendigar nada para este camarada.
- Para seu conhecimento, conheço a Sílvia há muito mais tempo que você. Estou tentando evitar que ela faça uma besteira, por causa de alguém que ela mal acabou de conhecer.
- Rapazes, por favor! Vamos parar com esta bobagem. Talvez você tenha razão, Roberto. Melhor irmos embora – falando isso, foi levantando de sua cadeira, acompanhada pelo empresário, que já fazia menção de ir embora.
- Esperem! – quase gritou Dirceu, fazendo-os parar no mesmo instante – Olha, Antonio, Roberto, Beto, seja lá seu nome qual for. Sempre tive muito carinho por Sílvia. Apenas não quero que ela sofra. Acho que não tivemos a oportunidade de nos conhecer melhor. Talvez eu esteja errado. Tenho de reconhecer que Sílvia sempre foi uma pessoa sensata e, se ela está pensando em mudar toda a vida por sua causa, ela deve ter bons motivos e, talvez, você não seja má pessoa. Que tal nos sentarmos e começar tudo de novo. De nada vai adiantar ficarmos brigando. Creio que nós dois queremos o bem de Sílvia.
- Pelo menos já estamos concordando em um ponto – reconheceu Roberto, já aparentando menos irritação, mas desconfiado da repentina boa vontade do médico.
- Que bom que os meninos estão começando a se entender – parabenizou-os Sílvia.
- Então, por favor, sentem-se novamente e vamos conversar como pessoas civilizadas. Realmente, Sílvia, eu conheço muito bem a direção do Hospital Lusitano. Fiquei muito amigo do Dr. James Chen da Neurologia, que por sua vez tem ótimo relacionamento com o diretor médico, Miguel Lorenzoni. Talvez eu possa conseguir uma vaga no corpo clínico. Entro em contato com eles ainda hoje, se você está com tanta pressa.
- Não, Dirceu, eu não estou com pressa. Só quero começar a reorganizar minhas coisas, mas com calma. Aí, entra o meu segundo pedido. Vou precisar de alguém que me substitua em Valverde. Tenho muitos pacientes e não posso deixá-los a deriva.
- Claro, eu entendo. Vou ver o que posso fazer. Temos alguns médicos recém saídos da residência, interessados em um trabalho fora do hospital. Quanto a isso acho que não será difícil. Algo mais?
- Não. Obrigada, Dirceu. Eu sabia que podia contar com você.
Foram interrompidos pelo celular de Roberto, deixado por seu irmão, para poder manter contato.
- Sim? Ah! Entendo... Já estou indo.
Sílvia e ele entreolharam-se no mesmo instante. Uma sensação de angústia tomou conta deles.
- Mas, já? Tão cedo? – protestou Sílvia.
- O que houve? – perguntou Dirceu, curioso.
- É a minha condução para voltar a São Paulo. Acabou de chegar – respondeu sem tirar os olhos de Sílvia.
- Então, eu acompanho vocês até a saída do hospital – falou Dirceu, com expressão de contentamento.
- Não!... Por favor, nós sabemos encontrar a saída, se não se importa – objetou Roberto, que não admitia ter o seu suposto rival presente na sua despedida de Sílvia.
- Tudo bem. Vocês é que sabem. Estava apenas tentando ser gentil.
- Obrigada, Dirceu. Preferimos ir só os dois. Muito obrigada. Falamos-nos depois.
- Ok! Boa viagem, Roberto Vergueiro – despediu-se, querendo parecer simpático e estendendo-lhe a mão.
- Obrigado – respondeu polidamente, mas internamente desconfiado daquele ataque de civilidade. Certamente ele estava tentando ser agradável para reconquistar Sílvia. “Maldita hora em que tenho de voltar para São Paulo”, pensou. Mas apertou a mão oferecida.
Saíram dali e foram caminhando abraçados. Pegaram a caminhonete, desta vez dirigida por Sílvia, que os levou até o campo de futebol onde o helicóptero estaria pousado.
- Promete que liga?
- Prometo. Todos os dias...
- Pegou o número do meu celular? Do telefone de casa? Lembra que eu tenho plantão na quinta e não vou estar em casa. Mas vou estar com o celular.
- Eu sei, meu amor.
Após estacionar junto ao campo, beijaram-se apaixonadamente, tentando gravar na memória todos os momentos em que tinham passado juntos, para que pudessem relembrar quando estivessem separados e, dessa maneira, tornar as horas de solidão mais amenas.
Lá estava o helicóptero, com as hélices ainda em movimento, lançando uma tempestade de vento e grama pelos ares. O barulho era ensurdecedor. Logo o piloto apareceu e pediu que Roberto o acompanhasse, pois já estavam atrasados.
- Está bem! Já vou!
Olhou mais uma vez para Sílvia, abraçou-a forte e deu-lhe mais um beijo.
- Eu te amo, Roberto Vergueiro! – gritou, para que ele a ouvisse em meio aquele redemoinho.
- Também te amo, Dra. Sílvia!
Com dificuldade, separaram-se. Roberto seguiu correndo sob as hélices furiosas do helicóptero. Seus olhares cruzaram-se tristonhos até a distância tornar isto impossível. Sílvia ficou paralisada enquanto via aquela máquina levar o seu amor. Sentiu um imenso vazio ao perdê-lo de vista no horizonte.

O sol intenso e o calor do meio-dia fizeram Sílvia sair de seu transe. Saiu dali, obrigada a pegar sua camionete e voltar para Valverde onde seus pacientes a esperavam no consultório às 14h30min. Pensou em comer alguma coisa, mas perdera totalmente o apetite. Sentia-se perdida no vácuo. Será que tinha conseguido fazê-lo sentir o quanto o amava? Talvez ele chegasse a São Paulo e a esquecesse, no meio de todos os seus compromissos e mulheres interessantes que, como havia dito Dirceu, deviam viver a cercá-lo. Mil pensamentos, a maioria pessimistas, rondavam sua mente. Esperaria a sua ligação. Devia confiar nele e esperar. O trabalho ajudaria a afastar estas idéias obscuras.

O resto do dia transcorreu calmo. Após terminar seu atendimento, resolveu passar a noite na cabana. Só teria que acordar um pouco mais cedo para poder pegar o seu plantão no dia seguinte. Queria ficar mais próxima das recordações dos últimos dias. Mais perto de Roberto. A cada toque do celular, seu coração entrava em taquicardia. Já no seu refúgio, tomou um banho e fez um sanduiche. Comeu sem muito prazer. Após uma tentativa de prestar atenção a um programa de televisão, foi deitar-se. Tentou ler o seu “livro de cabeceira”, mas não conseguiu passar da primeira linha. “Estou chegando à conclusão que este livro é uma droga. Ou eu durmo ou não consigo ler nenhuma linha”, pensando assim, levantou-se da cama e jogou o volume na pilha de revistas que tinha sobre sua escrivaninha.
Já estava ficando deprimida com a falta de notícias de Roberto, quando o telefone tocou. Correu para atender.
- Alô, alô!!!
- Sílvia, alô?
- Roberto! Ah, que bom te ouvir. Já estava sem esperanças que você me ligasse.
- Estou com saudades... Desde que cheguei aqui não tive uma folga. Já tive reuniões com a Polícia Federal e com o pessoal da empresa. Amanhã, pela manhã vou a um especialista para fazer uma nova avaliação neurológica, para que se certifiquem que estou bem para continuar o trabalho. Só agora o Marcos saiu daqui, de meu apartamento. Mal podia esperar para ficar só e te ligar. Como você está?
- Também estou com saudades... O trabalho ajudou um pouco a não ficar pensando sobre isto durante o dia. Mas agora, à noite... Estava ficando difícil.
- Onde você está? Eu liguei para o seu apartamento e ninguém atende. Por isso acabei ligando para o celular.
- Ah! É que resolvi passar a noite na nossa cabana.
- Mas você não tem plantão amanhã?
- Tenho, mas não tem problema. Levanto um pouquinho mais cedo e vou para Valverde. Não é tão longe assim.
- Você não tem medo de ficar aí sozinha?
- Até hoje, nunca tive. Agora, faço de conta que você está aqui comigo.
Após alguns segundos de silêncio, Roberto perguntou:
- Você já está deitada?
- Não, por quê?
- Então deita... Eu estou na cama ...
- Roberto... No que você está pensando?
- Você nunca transou pelo telefone?
- Não! Que loucura é essa? Beto...
- Então pode ser a primeira vez... O que acha?
- Não sei... – respondeu curiosa.
- Faz de conta que estou aí ao seu lado, te abraçando... Imaginou?
- Não é difícil de imaginar.
- Você está nua?
- Não, mas posso dar um jeito nisso...
Rapidamente Sílvia livrou-se de sua camisola e foi para baixo dos lençóis, deixando o viva-voz do celular ligado
- Pelo jeito você tem prática neste campo, Sr. Roberto...
- Nem tanto. É que a vontade de ter é tanta que me veio esta idéia.
- Estou pronta...
- Então imagina as minhas mãos te acariciando...
Sílvia, de olhos fechados, passou a viajar nas palavras murmuradas por Roberto, sentindo suas mãos imaginárias percorrerem todo o seu corpo, até as áreas mais íntimas. Logo foi a vez dela de fazê-lo sentir sua presença. Jamais pensara em ter sensações como aquelas, daquela maneira.
Ouviam-se gemidos em São Paulo e na cabana perto de Valverde. As palavras continuavam, excitando o casal cada vez mais, até que terminassem por gozar, cada um em sua cama, separados pela distancia, mas unidos em mente e desejo.

Passados alguns instantes, Sílvia ouviu aquela voz rouca do outro lado da linha:
- Gostou?...
- Adorei... Nunca pensei que pudesse ser tão bom...
- Podemos repetir outras vezes, quando você quiser. Pelo menos até a gente poder se ver e fazer pessoalmente.
-Vou adorar... Quando a gente pode se falar de novo?
- Amanhã, eu ligo.
- Só não vamos poder fazer nada deste tipo, senão vai ficar chato eu tendo um orgasmo na frente do Franco.
- Ah! Até já tinha esquecido o seu plantão.
- Mas não deixa de ligar. Ao menos para eu poder ouvir a sua voz...
- Pode deixar. Eu ligo sim.
- Vou fazer de conta que você está dormindo aqui comigo.
- Durma bem, meu amor...
- Você também... Boa noite...
- Boa noite...
Os telefones foram desligados e Sílvia acabou por ter uma ótima noite de sono. Tão boa, que não conseguiu ouvir o despertador tocar cedo naquela manhã. Ao abrir os olhos, verificou assustada que o rádio-relógio já marcava sete horas. Levantou-se de um pulo da cama, correu ao banheiro, onde tomou um banho rápido, arrumou-se e saiu de casa sem tomar café. Ainda tinha de dirigir dez quilômetros até Valverde. Conseguiu chegar com apenas cinco minutos de atraso. Franco não pode deixar de comentar:
- O que houve? Viu um fantasma ou aconteceu alguma coisa séria?
- Desculpe o atraso – falou, depois de despedir-se do seu colega da noite, que a esperava para a troca do turno – Dormi demais. Ainda por cima, estava na cabana, fora da cidade, por isso me atrasei um pouco.
- Calma, já está aqui e não temos nenhum chamado, por enquanto. Você tomou café?
- Não. Ainda não.
- Então vamos à cafeteria que tem aqui do lado. Eu também saí de casa sem comer nada. A Mariana teve febre esta noite. Por isso dormimos pouco, lá em casa.
- Mas, ela ficou bem?
- Acho que sim. Se a febre continuar hoje, a Elaine vai levá-la ao seu consultório amanhã.
- Porque ela não traz ao nosso plantão? Posso examiná-la aqui no posto. Elaine ficaria mais tranquila.
- Não queremos te incomodar.
- Não é incomodo nenhum. Depois ligue para ela e diga que traga a Mariana, se a febre persistir.
- Está bem, obrigado. Eu ligo sim.

Sentaram-se numa das pequenas mesas do boteco que Franco insistia em chamar de cafeteria. O café era horrível, mas serviam um delicioso pastel de forno, preparado pela mulher do dono.
- Agora me conte, porque foi passar a noite na cabana?
- Deu vontade...
- O Antonio, quer dizer, o Roberto voltou para São Paulo?
- Voltou ontem, no final da manhã.
- E você, está bem?
- Na medida do possível, sim – respondeu, enquanto remexia o café aguado, sem muita animação.
- Vocês vão continuar se vendo?
- Franco, porque tanto interesse?
- Por que eu sou seu amigo e estou vendo que você está triste. Mas se você não quiser falar sobre o assunto, tudo bem.
- Desculpe... Estou triste mesmo.
Franco resolveu não perguntar mais nada e deixar que ela tomasse a iniciativa. Após alguns segundos de silencio, Sílvia acabou por desabafar:
- Eu me apaixonei por ele... Acho que ele também está gostando de mim. Estou pensando em me jogar de cabeça nesta relação. Com isso vou acabar mudando todo o rumo da minha vida, mas tenho medo do que me espera. E se não der certo? Se ele me deixar? A gente teve tão pouco tempo para se conhecer. Por outro lado, eu sempre racionalizei tanto a minha vida e vivia reclamando da solidão e da falta de um companheiro. De repente, o Roberto apareceu e tudo virou de cabeça para o ar. De uma hora para outra descubro que ele não mora aqui, que é um rico empresário e... – não pode mais segurar as lágrimas que passaram a escorrer lentamente por sua face.
Franco alcançou-lhe um lenço de papel e tentou consolá-la:
- Sílvia, acho que conselhos nesta hora não ajudam muito. Só atrapalham. Se você está realmente apaixonada e acha que vale a pena investir neste cara, vai em frente. Aqui em Valverde você sempre terá um lugar reservado. Todos te conhecem. Se as coisas não correrem direito com o Roberto, você volta para cá, para os seus amigos.
- É isso que estou pensando desde que ele partiu. O meu coração diz que vale a pena. Eu preciso tentar... Entende?
- Entendo. Vá em frente com seus planos. O velho Franco vai ficar aqui esperando com o seu ombro, caso não de certo. Também posso ir lá tirar satisfações dele, se ele aprontar muito com você. Afinal eu participei do início deste romance. Tenho meus direitos de padrinho – disse isso, fazendo uma cara de zangado, que acabou por arrancar um sorriso dos lábios de Sílvia.
- Puxa, Franco. Obrigada pelo apoio. Eu sei que posso contar com você.
Neste momento o rádio, na cintura de Franco, deu um sinal que estavam chamando.
- Alô? Pode falar.
- Um chamado na Rua Sete de Setembro, número 19. Mulher de 50 anos, queixando-se de dores no peito, suores frios e dizendo que não consegue engolir, porque tem uma “bola” na garganta que a sufoca.
- Ok! Já estamos indo!
Olhou para Sílvia com um sorrisinho irônico.
- Parece que temos mais um faniquito à vista. Araújo, põe na nossa conta! – gritou para o dono do bar.
- De repente, pode ser alguma coisa séria, Franco. A gente não pode perder a esperança... Vamos logo! – disse Sílvia retribuindo o sorriso, já se levantando e caminhando em direção a porta do bar.
Saíram correndo e pegaram a ambulância. Ligaram a sirene e partiram em direção a Rua Sete de Setembro.

(continua...)



O que o futuro reserva para nossa heroína? Será que os medos dela têm algum fundamento? Aguardem...rsrsrs
Beijos!

sábado, 17 de julho de 2010

Resgate de Amor (9)

O dia amanheceu. O telefone tocou.
- Com quem? Ah! Sim... Só um momento... – pediu Sílvia, já passando o aparelho para Roberto – É para você...
- Alô? – perguntou com a voz rouca, amarrotada pelo sono.
- Roberto! Sou eu, Marcos! Onde você está? Eu cheguei a Valverde agora pela manhã. Estou aqui na delegacia. Eles estão esperando que você apareça para dar o seu depoimento. Temos que viajar ainda hoje para São Paulo.
- O quê ? – perguntou ainda sonolento, tentando entender as palavras de seu irmão.
- Beto! Você está me entendendo?
- Sim, claro! Estou sim. É que acabei de acordar. Vou me arrumar e já vou para aí. Me espere.
- Espero sim. Até mais, então!
- Até! – falou e desligou, lançando um olhar para Sílvia que já estava com expressão de tristeza na face.
- Era o meu irmão, o Marcos. Ele está com nosso advogado, nos esperando para dar o depoimento na delegacia. Depois... – não conseguiu completar a frase, pois temia o que estava por vir.
- Depois... Você vai ter que voltar para a sua vida, não?
- Sílvia, nós temos que conversar. Vamos encerrar este assunto do meu sequestro e falar sobre o nosso futuro.
- Você acha que temos futuro? – ela tentava ser forte e realista, mas seu coração estava quase arrebentando com medo da separação próxima.
- Quero pensar que sim – disse ele, aproximando-se mais dela para um beijo.
Sílvia esquivou-se, para surpresa dele, dizendo:
- É melhor nos arrumarmos, ir para delegacia e acabar logo com isso.
Levantou-se bruscamente, coberta com o lençol e correu para o banheiro. Lá, longe da vista de Roberto, não conseguiu mais segurar o choro. Tomou seu banho, enrolou-se na toalha e saiu para colocar uma roupa adequada ao que teria de fazer a seguir.
Roberto a olhava inseguro e curioso por saber o que se passava por trás daquele olhar tristonho. Tinha ouvido o seu choro, mas resolveu não falar nada. Apenas respeitá-la. Foi a sua vez de ir para o banho e aprontar-se para o depoimento que os aguardava. Em silencio, seguiram para a garagem para pegar a caminhonete.
- Sílvia, as coisas entre nós não precisam acabar assim. Você está me preocupando com sua reação. Sei que está triste pensando que não vamos nos ver mais. Mas não é bem esta a minha intenção – disse, segurando-a pelo braço, forçando-a a parar e a olhá-lo nos olhos.
- Roberto, tem que ser realista. Nós não temos futuro juntos.
- Porque não? O que nos impedirá? Você pode ir para São Paulo comigo...
- Não posso largar meus pacientes assim, deste jeito, de uma hora para outra. Não sou nenhuma irresponsável...
- E eu sou? É isso que você está dizendo? – falou já irritado com ela – Você está tentando me dizer que não quer mais saber de mim? É isso?
- Não, não é isso!
- Mas é o que está parecendo!
- Roberto, eu me apaixonei por você de verdade e não sei o que vai ser de mim se não puder mais vê-lo– disse com voz tremula, já com as lágrimas escorrendo por seu rosto – Era isto que você queria ouvir?
- Era exatamente isto que eu queria ouvir... – disse, abraçando-a ternamente e colando seus lábios aos dela, num beijo quente, úmido e apaixonado – E era isso que queria te dizer também – falou, quase sussurrando junto ao seu ouvido, provocando um arrepio gostoso que percorreu todo o corpo de Sílvia.
- Mas como vai ser isso? Levamos vidas completamente opostas, em lugares diferentes...
- Nós vamos dar um jeito. Cada um cede um pouco aqui, um pouco ali, e conseguimos o que parece impossível. Não podemos é desistir antes de tentar... – sua voz, bem como seu olhar, era quase de súplica.
- Você tem razão. A gente vai dar um jeito... Estou agindo feito uma boba.
Mais uma vez, ele a fez calar-se com um beijo, que a fez sentir-se mais segura a respeito da ligação que se criara entre eles naqueles últimos dias.
- Melhor irmos logo para a delegacia para os depoimentos. Depois vamos ter muito que conversar, entre outras coisas... – insinuou ele, já exibindo um lindo e cativante sorriso.
Entraram no carro e seguiram para a delegacia de polícia. Lá encontraram Marcos, que esperava ansiosamente por Roberto. Abraçaram-se saudosos.
- Que susto você nos deu, rapaz!
- E o resto da família? Você chegou a avisá-los?
- Não tive coragem. Fiquei com medo que alguém viesse para cá e chamasse a atenção da imprensa. Por um lado foi bom, pois não os preocupamos. Agora que está tudo bem, você mesmo poderá contar o que aconteceu, com calma.
- Claro... Ah, Marcos, deixe-me apresentá-lo a minha salvadora, Sílvia.
- Muito prazer, Sílvia. Você tem muita sorte, Beto. No meio desta tragédia toda, ainda consegue um anjo da guarda como ela.
- É... Eu tenho muita sorte mesmo... – confirmou o comentário de Marcos e olhou para Sílvia com carinho.
Depois de feitas as apresentações, iniciaram a tomada dos depoimentos. Os prisioneiros da noite anterior já haviam confessado seus crimes. O corpo do pobre senhor Meyer já havia sido recuperado e aguardava autópsia. A polícia de Rio Claro e a federal já tinham sido informadas. Aos poucos tudo ia sendo esclarecido. Franco também compareceu e prestou seus depoimentos sobre o telefonema de Sílvia e a participação na prisão dos criminosos.
Ao final da manhã, depois de tudo esclarecido e a transferência da prisão de Clélio e Leon já ter sido decretada, Marcos aproximou-se de Roberto e falou:
- Beto, agora nós teremos de ir embora.
Sílvia engoliu em seco e ficou esperando a resposta dele, que imediatamente se fez ouvir, para seu alívio:
- Marcos, sei que tenho inúmeros compromissos me esperando, mas tenho de resolver uma coisa mais importante que tudo o mais. Preciso de pelo menos mais um dia aqui em Valverde. Depois, prometo que volto para cumprir a minha agenda em São Paulo.
Marcos lançou um olhar compreensivo para Sílvia, mostrando que já esperava por aquele pedido do irmão.
- Está bem... Eu seguro as pontas mais um dia. Espero que vocês possam resolver tudo da melhor maneira possível – disse, já com um largo sorriso estampado na face.
- Eu sabia que você ia entender, Marcos.
- Preciso lembrar que somos irmãos?
- Obrigado
Depois de uma troca de abraços, despediram-se na saída da delegacia. Também Franco veio despedir-se de Sílvia e de Roberto. Quando se viram sozinhos, Roberto pegou em sua mão e, levando-a aos lábios e beijando-a carinhosamente, perguntou:
- Aonde podemos ir agora para conversar?
- Que tal irmos para a nossa cabana?
- Nossa? – perguntou surpreso.
- Porque não? Se você quiser... Além do mais, foi lá que tudo começou... - disse Sílvia, com olhar sedutor.
- Não precisa falar duas vezes. Vamos!
Foram abraçados até a caminhonete, sob os olhares curiosos de alguns transeuntes. Nada mais importava, a não ser viver o mais intensamente possível aquele amor que surgira de maneira tão imprevista e acidentada, mas que tinham a certeza de que viera para durar e vencer os obstáculos que pudessem surgir em seu caminho.

Quando chegaram à cabana, Sílvia resolveu preparar um lanche rápido para os dois. Enquanto saboreavam seus sanduíches, sua melhor e única especialidade, tentavam estabelecer como ficaria o seu relacionamento dali para frente. Que havia uma vontade recíproca de continuarem juntos, não tinham a menor dúvida. Teriam algumas dificuldades no início devido a distancia entre suas cidades e a diversidade entre seus trabalhos, mas estavam resolvidos a não deixar nada disso interferir naquele sentimento tão bom que os envolvia agora.
- Sílvia, tenho que terminar alguns negócios que estava fazendo, antes de tudo isto acontecer. Isto deve ocorrer dentro de, no máximo, um mês. Mas antes disso, darei um jeito de vir te ver. Na primeira folga que tiver corro para cá.
- De repente, eu também posso tirar uns dias. Só não quero atrapalhar o seu trabalho.
- Isso seria ótimo! É claro que não atrapalha. Só vai melhorar o meu desempenho... – falou com aquele sorrisinho safado nos lábios.
- Sempre pensando em bobagens, não?
- Você acha que isso é bobagem? – disse já se insinuando para o seu lado, como um gato pronto para enroscar-se em sua dona.
- Roberto, – falou, procurando se esquivar daquele assédio – temos que conversar mais... Não fica me tentando...
- Não vou ficar tentando... Eu só vou te beijar – dizendo isso, selou seus lábios com um beijo faminto, como se nunca a tivesse beijado antes.
Entre um beijo e outro, quase sem fôlego, Sílvia só conseguiu dizer, já vencida:
- A gente pensa melhor depois...
- Também acho... – falou Beto num sussurro, ao seu ouvido.
Obviamente ela não conseguiu mais afastá-lo. Ela também o desejava mais do que nunca, principalmente agora na iminência de ficar um bom tempo sem vê-lo. Ainda tentou reagir, preocupada:
- E o seu ferimento? Temos que dar uma olhada nele...
- Então, vamos para o quarto logo, que eu mostro o ferimento e tudo o mais que você quiser ver e examinar – disse provocativamente, já despindo a camisa, pegando-a pela cintura e levando-a, em meio a abraços e mordiscadas na orelha e no pescoço, na direção do quarto.
- Roberto...
- Adoro quando você me chama assim...

Enquanto descansavam abraçados, na cama, Sílvia lembrou uma coisa e começou a falar:
- Talvez eu possa arranjar um trabalho em São Paulo. O que acha?
Ele abriu os olhos instantaneamente.
- Sério? Você faria isto por mim?
- Eu faço qualquer coisa para não ficar longe de você...
- Eu posso ver com alguns conhecidos se eles podem indicar um hospital ou clínica onde você possa trabalhar.
- Olha – falou, interrompendo os pensamentos de Roberto -, lembrei de alguém que poderá me ajudar.
- É mesmo? Quem? – perguntou meio desconfiado.
- O Dirceu já trabalhou em São Paulo. Logo depois que terminou a residência em neurologia, conseguiu colocação em outro hospital, como contratado.
- O quê? Não quero que você fale com aquele sujeito.
- Porque não? Ele pode me ajudar e me indicar para este hospital de São Paulo
- Eu vi o interesse dele em você aquele dia em que tive alta. Só faltava comer você com os olhos, na minha frente.
- Roberto... Eu nunca tive nada com ele.
- Você pode não ter tido nada, mas ele queria ter e ainda quer. Disso não tenho nenhuma dúvida.
- Você não confia a mim? – falou com tristeza na voz.
- Confio em você. Não confio é nele. Além do mais, se ele conseguir uma colocação para você, vai se achar no direito de cobrar depois.
- Roberto, não seja bobo. Não precisa ser tão ciumento assim. Deixa ao menos eu tentar... – falou quase em tom de súplica – Além do mais, ele agora trabalha em Ribeirão Preto. Eu vou ficar mais longe dele do que estou agora... Não esqueça.
- Está bem... Convenceu-me. Eu tenho medo de te perder. Só isso... – disse, abraçando-a com mais força.
- Você não vai me perder assim fácil... – e foi aproximando-se do seu rosto, até tocá-lo com os lábios e começar a beijá-lo suavemente, passeando por sua face, até chegar a sua boca entreaberta, que aguardava apreensiva a chegada de seus carinhos.
Como era de esperar, entregaram-se novamente ao amor.
No meio da tarde, o celular de Roberto tocou, tirando-os de seu relaxar. Era Marcos.
- Beto, desculpe incomodá-lo, mas parece que você vai ter de ir até Rio Claro, apresentar-se ao juiz de lá para concluir o inquérito que foi aberto por ocasião do seu acidente. Falei com os advogados e eles acharam melhor que você vá pessoalmente, principalmente por estar aí perto ainda. Será que você pode fazer isto amanhã pela manhã? Acho que hoje já está muito tarde para ir até o fórum de lá.
- Claro. – disse, achando ótima a possibilidade de ficar um pouco mais na companhia de Sílvia.
- No final da manhã, um helicóptero irá pegá-lo num campo de futebol em Rio Claro. Parece é o único local onde eles podem pousar. Dali, ele vai te trazer para São Paulo. Nós o queremos no meio da tarde, sem falta, entendeu?
- Sim, senhor! Entendi. Tudo bem. Estarei aí amanhã à tarde.
Desligou o telefone e contou a Sílvia o que teria de fazer no dia seguinte.
- Ótimo! Assim vamos juntos e já aproveito para falar com Dirceu, que deve estar por lá amanhã. Eu soube que quarta feira é o outro dia em que ele faz as avaliações em Rio Claro. Beto fez uma cara péssima, mas não falou nada.
- Roberto, não fique assim. Você concordou comigo que deixaria. É pelo nosso bem, querido...
- Eu não disse nada.
- Mas pensou.
- Estou pensando em outra coisa – disse com olhar guloso.
- Nossa! Você só pensa nisso?
- Nisso o que? O que você pensou? – foi falando e já desatando a rir – Só ia dizer que estou esfomeado e que pensei em irmos até a cidade jantar no Alvorada. O que acha da idéia?
- Acho ótima! Também estou morrendo de fome.
- Que tal tomarmos um banho juntos, você refaz o meu curativo e nos aprontamos para sair?
- Se você prometer se comportar no banho...
- Prometo. É que com este ferimento acho que vou precisar de uma ajuda para passar o sabonete no corpo – pronunciou com o ar mais inocente do mundo.
- Ahan... Claro, precisa de ajuda, é? Vou ser obrigada a fazer este sacrifício...Vamos lá!

Durante o jantar, Sílvia aproveitou o tempo juntos para perguntar mais sobre Roberto. Afinal, depois que ele recuperara a memória ainda não tinha tido oportunidade de conhecê-lo melhor. Estava apaixonada por alguém que mal conhecia. Já soubera que ele era solteiro, o que era um fator importante, segundo ela. Agradecia por aquela história de esposa e gêmeos ter sido apenas uma invenção dele para afastar o assédio de Suzi.
- Beto... É assim que você prefere ser chamado?
- Sim, mas adoro quando você diz o meu nome por extenso. Soa diferente na sua voz.
- Roberto, queria saber mais sobre você. Já sei que é um empresário de sucesso, que não é casado, que o seu irmão se chama Marcos e que é paulista. Mas só isso é muito pouco para o currículo de alguém por quem pretendo mudar toda a minha vida.
- E o amor, não conta?
- Claro que conta... Mas eu quero saber mais , ou melhor, tudo sobre você.
- Estou brincando. É claro que você tem me conhecer melhor – disse mirando-a com os olhos verdes , que ainda a faziam estremecer.
A partir daí, passou a contar detalhes de sua infância, a ida para os Estados Unidos com sua mãe, após a separação de seus pais, a adolescência rebelde, o reencontro com seu pai no Brasil aos 16 anos, a volta para os Estados Unidos e o curso de Engenharia da Computação em Massachussetts, estimulado por seu pai, que, era engenheiro e interessado pelo assunto. Ele falecera três anos atrás. Relatou como ele e Marcos montaram sua empresa em São Paulo e o sucesso consequente. Especializaram-se em sistemas de segurança. Por isso o interesse do governo. A tudo Sílvia ouvia atenta, valorizando cada palavra dita por ele, deixando-se encantar cada vez mais pela força de vontade de Roberto ao enfrentar todas aquelas reviravoltas e tornar-se a pessoa e o profissional bem sucedido que era. Só esperava poder conviver mais com ele para poder usufruir tudo isso.
- E então? Decepcionada? Vai desistir de mudar a sua vida por mim? – enquanto perguntava, pegou a mão de Sílvia entre as suas e a beijou. Ao que ela retribuiu, colocando a sua mão livre a acariciar o rosto dele, com muita ternura no olhar, respondendo:
- Se tudo isso que você contou é verdade, e eu sinto que é, só me faz ficar mais convicta de que você é exatamente tudo que eu sempre quis para mim.

(continua...)


BESOS!!!