domingo, 13 de março de 2011

Pelo de Punta (Arrepiada) - Capítulo IV


Curaçao



Apesar da companhia de Bryan, do cansaço e da irritação devida aos incidentes ocorridos naquele início de suas férias, que a impediam de reencontrar Miguel, acabou contagiada pelo colorido do centro de Willemstad, com seus nativos alegres, falando o estranho dialeto papiamentu, uma mistura de espanhol, holandês e português, e turistas do mundo todo, andando sorridentes e despreocupados através do burburinho das ruas lotadas.


Curaçao à noite
Caminhavam em silêncio. Bryan parecia aborrecido com alguma coisa. Estranhou que ele não estivesse falante como antes, mas achou por bem não perguntar o motivo, com medo de ouvir algo desagradável. Além disso, não queria muita intimidade com seu companheiro de quarto. Já estava arrependida de ter aceitado seu convite para jantar. Ele parecia conhecer bem a cidade, pois andava com passos largos e rápidos, forçando Júlia a quase correr para não ficar para trás.
- Será que pode ir mais devagar, por favor? – exigiu.
Parecendo dar-se conta da dificuldade dela em segui-lo, diminuiu um pouco a marcha, sem objeções.
- Você está bem? – voltou a perguntar.
- Já estamos chegando ao restaurante. – respondeu olhando rapidamente para trás como se procurasse algo perdido na multidão.
- Tudo bem...
Logo estavam diante de um antigo prédio, de dois andares, pintado em amarelo sol, com mesas e cadeiras avançando pela calçada. Parecia não ter lugares livre e uma fila formava-se na entrada, mas isso não impediu que Bryan entrasse e falasse com o rapaz que estava no balcão servindo bebidas. Em poucos minutos foram levados por um garçom ao segundo andar, onde encontraram uma mesa posta e desimpedida próxima à sacada. Antes de sentar, ele se aproximou da pequena varanda e olhou para baixo, como se estivesse procurando por alguém.
- Está preocupado com algo? Viu algum conhecido?
- Não. Só precaução... – Voltou para a mesa e sentou-se, sem encará-la – Dizem que o índice de criminalidade aqui é baixo, mas quando se anda com um farol como este seu no dedo, precaução nunca é demais – Falou apontando com o olhar para o anel de brilhantes no dedo anular direito de Júlia.
- Você acha perigoso andar com jóias aqui? – perguntou, rapidamente escondendo a mão sob a mesa, temerosa de perder o presente de Miguel.
- Considero um chamariz desnecessário... Meio exagerado este seu noivo, não?
- Ele apenas quis demonstrar o seu... afeto por mim – respondeu com uma expressão de júbilo – Se você gostasse muito de alguém, não daria um anel como este?
- Primeiro: eu não teria dinheiro para comprar um diamante como este. Segundo: acho um desperdício de dinheiro... E terceiro: creio que existem maneiras muito mais interessantes e íntimas de demonstrar amor por alguém – sugeriu com os olhos e a voz o que seria o seu mais “interessante e íntimo”.
- Você costuma vir a Curaçao? – desviou o olhar e mudou de assunto, embaraçada por ele ter tocado em assuntos que não lhe diziam respeito: sua situação econômica e sua vida amorosa.
- Não. É a primeira vez – respondeu estreitando os olhos ao percebê-la encabulada.
- Então... Como...? – indagou com um gesto de dúvida.
- Como chegamos aqui? – ele sorriu – Enquanto você repousava hoje à tarde, dei uma volta, vi este lugar e fiz uma reserva. No hotel me disseram que eles servem uma excelente comida caribenha. Sem mistérios. Satisfeita?
- Olhe, já que estamos juntos nessa situação infeliz, que tal se parar de ser... – enquanto tentava achar a palavra exata para defini-lo, mordeu graciosamente o lábio inferior enquanto franzia as sobrancelhas. – ...Sarcástico.
Ele deu um meio sorriso, entregou-lhe um cardápio e fixou-se no seu próprio.
- Sinto muito... – continuou a olhar para o menu – Não estou de muito bom humor esta noite. Talvez não seja uma boa companhia.
- Ok! Vamos escolher o que comer – comandou, lutando contra a vontade de perguntar o que o tinha deixado mal-humorado.
Como ele manteve a atenção no pedaço de cartão retangular em suas mãos e aparentemente ali mergulhou a procura de uma sugestão para o jantar, ela passou a admirar o ambiente a sua volta. Talvez fosse a melhor solução no momento. Júlia observou as paredes caiadas em tons de amarelo, com algumas pinturas representando figuras nativas, além de quadros de santos, gaiolas de passarinho penduradas no teto, utilizadas como luminárias. Ao lado desta decoração casual, de forma inusitada, as mesas de madeira antiga eram ladeadas por variadas poltronas e cadeiras clássicas, em estilo século XVIII, forradas de veludo bordô, ou com revestimento de couro marrom.



Interior do Restaurante
- Ya elegido? – perguntou o garçom de pele reluzente.
- Para empezar, una margarita. Voy a tener la sopa de langosta y pescado a la parrilla. – falou em perfeito espanhol, entregou a carta ao garçom e olhou para Júlia – E você?
- Vou confiar no seu gosto e pedir o mesmo – afirmou, guardando sua admiração.
Ele não conseguiu esconder a surpresa ao ouvi-la.
- Agradeço a confiança – disse com um aceno de cabeça e continuou falando ao garçom – Para los dos, por favor.
Após alguns instantes de incômodo silêncio, ele perguntou:
- Está noiva há muito tempo? – apurou olhando para a mão direta de Júlia, que voltara a ficar sobre a mesa.
- Na verdade, ficaremos noivos lá em Santa Cruz. Ele quer a família presente.
- Ah, então ele é boliviano? Que interessante... Em que ele trabalha? Poços de petróleo?
- Não. A família dele tem uma empresa de importação e exportação – respondeu, ignorando a nova ironia.
- Importa e exporta o quê? Se é que posso perguntar...
- Alimentos. A agroindústria está muito desenvolvida em Santa Cruz.
- Deve estar mesmo e enriquecendo muita gente pelo visto.
- É... Acho que a família de Miguel não tem do que se queixar.
- Miguel... É este o nome do afortunado.
- É... – Foi interrompida pelo garçom que surgiu com duas margaritas sobre a bandeja.
Após a retirada dele, Bryan levantou seu drink e propôs um brinde.
- À uma possível amizade?
- Talvez... – respondeu incerta, mas acabou por erguer sua taça.
- E você ... Em que trabalha?
- Sou um humilde funcionário público.
- Está a serviço?
- Em férias. Vou visitar alguns parentes que moram na Bolívia – Sua expressão nublou-se momentaneamente, mas logo voltou ao normal.
- Alguém doente?
- Não. Por quê?
- Você pareceu preocupado.
- Impressão sua – objetou, enquanto chamava a atenção do outro rapaz que servia naquele andar – Por favor, dos más – solicitou sinalizando com o copo de margarita vazio.
- Não está tencionando me embebedar,está?
- Pode ter certeza... Que não. – respondeu com um sorrisinho no canto dos lábios – Além disso, eu estaria correndo sério risco de ser morto por um noivo enciumado.
- Isso sim pode ser uma certeza – confirmou bebericando o final da sua primeira margarita.
- Ele é violento, então? – insinuou.
Para alívio de Júlia, a sopa de lagosta chegou logo em seguida e ela preferiu não responder a inconveniente questão.
- Que delícia! Não imaginei que fosse ser tão boa... Picante...
- A culinária caribenha é bem temperada – explicou olhando-a como se estivesse estudando seus movimentos e expressões.
- Você parece conhecer bem o Caribe...
- Como eu disse, venho muito para estes lados.
As margaritas chegaram, interrompendo por alguns segundos a conversa.
- Que tipo de funcionário público é você para viajar tanto para estas ilhas?
- Um funcionário público que adora fazer turismo no Caribe em suas férias anuais.- redarguiu – E você? O que faz quando não está noivando?
- Quando não estou noivando – ela sorriu divertida – trabalho para uma empresa americana de cartões de crédito.
- Interessante...
- Eu sou advogada e desisti de fazer carreira solo. Acabei sendo contratada pela filial do Rio de Janeiro. Estou na chefia do setor de cobranças da empresa há um ano.
- Então fica confinada em um escritório o dia todo.
- Eu gosto do serviço burocrático e eles apreciam conselhos para melhoria do serviço. Agora mesmo, fui chamada pela matriz em Nova Iorque como prêmio por meu trabalho.
- Ora, parabéns! Você deve ser muito eficiente no que faz.
- Tento fazer o meu melhor.
- E... Como conheceu seu noivo? Não deve ter muito tempo para namoros. Além do mais ele sendo boliviano...
- Conheci Miguel durante uma exposição de arte lá no Rio. Vamos fazer oito meses de namoro.
- Ele mora no Rio?
- Não. Ele viaja muito por causa dos negócios da família, mas mora em Santa Cruz – comentou dando mais um gole em seu drink.
- Então não o vê com muita frequência.
- Ele costuma ir ao Rio a cada 15 dias.
- Ele deve estar mesmo apaixonado para enfrentar aeroportos e aviões a cada duas semanas.
- Ele é um amor... – disse com um brilho sonhador nos olhos, que provocou uma passageira sombra de reflexão no rosto de Bryan.
- Está apaixonada também, pelo visto.
- Dá para perceber? – perguntou sorridente.
A segunda margarita começava a fazer efeito.
- É evidente.
- Tudo seria perfeito se não houvesse um problema.
- Qual?
- Ter que deixar meu emprego e morar em Santa Cruz.
- Casando com ele você não vai precisar mais trabalhar, minha cara. Ele não é milionário?
- Sim, mas é que eu batalhei tanto para conseguir chegar onde estou... E sei que ainda tenho muito pela frente... Não sei se vou gostar de perder minha independência econômica, deixar de trabalhar para ficar em casa... Não sei... – divagou mais para si mesma do que para Bryan ouvir e terminou de emborcar o resto do seu copo. Olhou para o prato vazio da sopa.
Sem perceber, Bryan fez sinal para o garçom trazer mais dois coquetéis de tequila, cointreau e limão.
- Fale mais deste seu noivo... Talvez ajude falar dele para tomar sua decisão – argumentou diante da expressão perdida de Júlia.
- Ele é carinhoso, gentil, engraçado, mas...
- Mas?
Foi a vez de o garçom retirar os pratos fundos e trocar pelo apetitoso e alto filé de peixe-espada grelhado, acompanhado por bananas fritas. Assim que ele se retirou, após desejar bon apetit em papiamentu, Bryan voltou a insistir com Júlia sobre o seu “mas”.
- Como você estava dizendo, ele é muito bom, mas...?
- Por que está tão interessado?
- Talvez para conhecer melhor meu rival.
- Rival? – ela soltou uma gargalhada – Você não leva nada a sério...
- Está bem. Estou brincando, mas fiquei preocupado com sua dúvida.
- Dúvida? Preocupado? Por quê?
- Casamento é um passo muito sério.
- É casado?
- Já fui – respondeu com certa tristeza.
- Não deu certo?
Sem desviar o olhar do seu rosto respondeu:
- Ela morreu.
- Oh, sinto muito – Sem saber o que dizer ou perguntar, tomou um grande gole da terceira margarita. Sentiu-se tonta assim que baixou a cabeça e largou o copo sobre a mesa. – Acho que estou bebendo demais.
- Vai ser bom para relaxar depois de tudo que aconteceu.
- Só imagino a preocupação de Miguel quando souber. Vai querer processar a AA.
- Ele deve gostar muito de você...
- Ás vezes acho até um pouco exagerado. Ele me liga quase todo o dia, querendo saber tudo o que fiz, se estou bem, se nada está me afligindo... Às vezes fico com medo deste jeito dele... – receou em voz alta.
- Possessivo?
- Eu diria ...Ciumento... Não sei por que estamos falando disso. Eu nem o conheço direito e estou aqui a falar sem parar sobre a minha vida.
- Estamos nos conhecendo. Afinal vamos ter que dividir um quarto de hotel.
- Nem me lembre disso. – Ela fechou os olhos por alguns instantes e quando os abriu, disse – Vou ter que ir ao toalete. Acho que bebi um pouco demais.
- Quer ajuda?
- Não, obrigada. Acho que consigo chegar lá sozinha. – terminou de falar, pegou a bolsa e levantou-se – Puxa, estou um pouco tonta – observou sorrindo.
- Tem certeza que não quer ajuda?
- Absoluta. – respondeu com a voz um pouco mais alta que o normal e seguiu na direção da porta onde se encontrava um leque colorido indicando o banheiro feminino, que por sorte era naquele andar e não no inferior.
Bryan ficou atento a sua desenvoltura, temendo que ela pudesse cair, mas tranquilizou-se ao vê-la chegar sem dificuldades ao seu destino. Tão logo a porta do toalete se fechou, ele dirigiu-se até a sacada em frente à mesa e olhou para baixo. O homem que os seguira até o restaurante continuava ali, encostado na parede, fumando um charuto.

(continua...)


Como vêem estou tentando fazer capítulos mais curtos e conseguindo postar mais cedo. Não sei se vou poder continuar neste ritmo, mas vou tentar.
Estão gostando? Espero que sim, pois estou adorando escrever e viajar por Curaçao, que estou conhecendo através deste romance. Esse é uma das coisas que me atraem ao escrever. A possibilidade de pesquisar locais, costumes e tantas outras coisas. Viajar sem sair do lugar e levar os amigos junto...rsrsrs. Pelo menos essa é a intenção.
Até a próxima...
Beijos!!






segunda-feira, 7 de março de 2011

Pelo de Punta (Arrepiada) - Capítulo III

Um suspiro geral da tripulação e dos passageiros pode ser ouvido quando o vôo 1278 finalmente estacionou sobre a pista do Aeroporto de Curaçao. Depois da confusão normal, reclamações de quem tinha compromissos ou negócios em Santa Cruz, que era a grande maioria, explicações do representante da AA e do comandante, foi informado que todos ficariam hospedados num dos bons hotéis do centro de Willemstad, capital da ilha localizada há 10 quilômetros do aeroporto, com despesas de refeições incluídas, pelo prazo máximo de dois dias, tempo necessário para que fosse feito o conserto do equipamento avariado, já que não havia aeronaves disponíveis para substituição.
Cansada e desanimada pelo adiamento de seu encontro com Miguel, Júlia entrou no ônibus que levaria os descontentes viajantes para a hospedagem compulsória. À chegada, na recepção, foram orientados a aguardar a chamada pelo nome para pegar as chaves de seus quartos. Aos poucos, todos foram sendo acomodados. De repente, o recepcionista chamou o nome de Júlia e de outro desconhecido.
- Mr. Bryan Phillips e Mrs. Júlia Monteiro!
Estranhou ter sido chamada de senhora e por ter seu nome unido ao de outra pessoa. De qualquer forma seguiu em frente. Coincidentemente seu “colega” de viagem se colocou ao seu lado diante do funcionário. Depois disso veio o pior. Saber que dividiriam o mesmo quarto.
- O quê? – exclamou Júlia perplexa diante do que acabara de ouvir do homem gordo, suarento, de voz fina e trejeitos femininos, que se encontrava parcialmente protegido de suas mãos atrás do balcão da recepção – Está me dizendo que vou ter de ficar no mesmo quarto com este homem? Está brincando?
- Parece que não querem nos separar, querida. – ironizou Bryan apoiando seu braço na bancada de mármore, atraindo os olhares do recepcionista gay.
- Sinto muito, senhora... – se desculpou piscando os olhos nervosamente.
- Senhorita!
- Sinto muito, senhorita Monteiro, mas o hotel está lotado. Estamos tentando fazer o possível para acomodar a todos da melhor maneira.
- Eu me recuso a dividir um quarto com ele. Eu nem conheço este homem!
- Muito prazer... Bryan Phillips, a seu dispor – brincou ele oferecendo-lhe a mão em cumprimento, que obviamente foi recusada – Por mim, não tenho problema em ficar com você. Você ronca? – fez a pergunta em tom mais baixo, junto ao seu ouvido, de forma que o funcionário da recepção não ouvisse.
A face de Júlia tingiu-se nas cores do vermelho ao roxo diante da grosseria da pergunta.
- Prefiro dormir na recepção – disse cada vez mais indignada.
- Infelizmente isso não é possível, senhora – retrucou o jovem efeminado, lançando um olhar para cima indicando que sua paciência estava no limite, pois havia mais hóspedes para atender.
- SENHORITA! – Sua paciência também se esgotara – Não é possível que não tenha lugar em outro hotel nesta cidade. Quem é o representante da companhia aérea que está administrando esta hospedagem?
- Posso lhe afirmar que não há lugares em nenhum outro local da ilha, pois é alta temporada e todos estão lotados.
- Júlia, não existe outro jeito. – falou Bryan subitamente mais compenetrado. – Peço perdão pelo meu comportamento. Prometo que não serei inconveniente e agirei como se você não estivesse no mesmo apartamento. Será apenas uma noite, talvez duas...
- Não acredito no que está acontecendo... – lamentou sacudindo a cabeça inconformada.
- Senhor, o quarto já está pronto. Os cartões estão aqui. Logo mandaremos o mensageiro levar suas malas. É a suíte 402, no quarto andar. O elevador fica neste corredor em frente, à esquerda – finalizou com um sorriso arreganhado muito semelhante ao da aeromoça Mae.
- Ótimo. Muito obrigado. Vamos?
Júlia lançou um olhar gélido que fez murchar o sorriso recém nascido em seus lábios. Em vista disso, Bryan seguiu para o elevador. Júlia totalmente contrariada saiu pisando duro logo atrás dele, procurando o celular dentro da bolsa, lutando contra o peso da maleta de mão.
- Quer ajuda com sua maleta? – disse gentilmente ao entrarem no elevador.
- Não, obrigada! – respondeu sem despregar o olho do aparelho em sua mão que insistia em não dar sinal de vida.
- Deve ser a bateria...
- Não tem sinal...
- Quer usar o meu?
- Não, obrigada. Vou ligar do apartamento.
- Olhe... Sei que é uma situação desagradável dividir um quarto com alguém desconhecido e por quem você não nutre a mínima simpatia. Eu posso entendê-la perfeitamente – completou a frase dando ênfase na última palavra, com um brilho de ironia no olhar.
- Vou ligar para o meu noivo e sei que ele vai resolver esta situação.
- Ah! E quem é o seu noivo, se me permite perguntar?
- Não lhe interessa – rebateu sem despregar os olhos do celular em sua mão, ainda com esperança que algum sinal surgisse no visor.
Desceram do elevador. Foram até o número 402. Bryan abriu a porta e, com um gesto cortês, permitiu que ela passasse na sua frente. Ato contínuo, sentiu ela deter o passo. O motivo... Uma cama de casal. Enorme e convidativa.
- Não é possível...
- O sofá parece bem confortável – sugeriu Bryan, com voz bem humorada, indicando a peça que ocupava um recanto próximo à janela.
- Você não cansa de ser tão otimista?
- Desculpe por tentar ver as coisas pelo lado bom...
Enquanto ele olhava as instalações do banheiro, ela foi diretamente para a mesinha de cabeceira onde se encontrava o telefone. Primeiro pediu camas de solteiro na recepção, recebendo a informação de que não seria possível satisfazer sua solicitação por não haver qualquer cama a disposição no momento. Acabou por solicitar uma ligação para Miguel. Depois de várias tentativas sem sucesso, olhou a cama de casal, colocou a mão esquerda na cabeça, apoiando o cotovelo sobre o braço direito, e começou a chorar em silêncio.
- E então? Conseguiu? – indagou Bryan, que já estava na janela analisando o movimento intenso da rua diante do hotel e o colorido dos prédios a sua volta. Eram quase seis horas da tarde e o sol já batia em retirada.
Como não obteve resposta, voltou sua atenção para Júlia e a viu em pranto silencioso. Concluiu que ela fora vencida pela desesperança de melhorar sua situação. Reconheceu que estava pegando pesado com a jovem e acabou por sentar-se ao seu lado, na beira da cama, com o intuito de tentar consolá-la.
- As coisas não são tão ruins assim... Imagine se o avião tivesse sofrido uma pane mecânica e tivesse caído no mar... – Notando que esta observação não havia feito a expressão dela melhorar, continuou. – Pare de chorar, por favor... Não posso ver uma mulher chorando... E pegue o meu celular e faça esta ligação de uma vez.
Fungando e limpando os olhos discretamente, finalmente falou.
- Obrigada... Não vou insistir. Se conseguir falar com ele, só vou preocupá-lo. Provavelmente nem ele pode me ajudar mesmo – lamentou com voz chorosa e resignada.
- Eu insisto – parecia determinado a fazê-la ligar. – Talvez ele possa lhe dar um melhor consolo que eu... Só não diga que está comigo neste quarto, pois não quero ser vítima de um noivo ciumento.
Pela primeira vez, desde que se conheceram, a viu esboçar um sorriso.
- Está bem... – Aceitou o oferecimento e teclou o número de Miguel.
Depois de três tentativas, em que ouvia a voz mecânica dizendo para deixar o seu recado, desistiu, devolvendo o celular a Bryan.
- Então, eu vou dar uma saída, enquanto você toma um banho e relaxa. Volto dentro de uma hora. Por favor... Esteja decente – recomendou sério, batendo de leve com a mão em seu joelho, levantando-se imediatamente e saindo antes que ela pudesse criticar o deboche dele.
Seguindo o conselho, tão logo se viu sozinha, pegou uma muda de roupa íntima, que sempre levava em sua bolsa de mão em viagens, e foi verificar se o hotel dispunha de roupão de banho. Vestiria um até que sua mala fosse entregue. Dentro do armário havia dois robes brancos atoalhados. Pegou um e foi para o banheiro. Enfiou-se debaixo do chuveiro depois de ter certeza que a porta estava trancada. Sob os fortes jatos de água quente, perguntava-se onde estaria Miguel para ter tanta dificuldade em encontrá-lo. Pouco depois, seus pensamentos voltaram-se para Bryan. Ele, afinal, tinha sido gentil emprestando o celular e saindo do quarto para que ela ficasse à vontade para tomar banho. Talvez não fosse uma pessoa tão desagradável como tentava parecer. Esta impressão poderia ser fruto da sua irritação com o que ocorrera no aeroporto de Nova Iorque. Ele apenas tivera o azar de cruzar a sua frente no momento errado. Claro que ele era um sujeito extremamente sarcástico e convencido, mas... Era melhor manter uma distância razoável, sem intimidades, porém sem atritos ou rancores, já que teriam que dividir o mesmo quarto.
Terminado o banho, já seca, envolveu-se no roupão e, como as malas ainda não haviam chegado, deitou-se para descansar um pouco. A hora que fora determinada por Bryan ainda estava correndo. Esperava que suas roupas chegassem antes dele retornar. Contudo, o cansaço acabou por vencê-la. As pálpebras foram pesando mais e mais, o conforto felpudo e macio do roupão envolveu-a e o sono foi inevitável.
Nem a exclamação em alto e bom som que Bryan pronunciou, anunciando sua chegada para evitar constrangimentos, foi suficiente para acordá-la. Quando entrou, encontrou-a em sono profundo, encolhida sobre a cama. Parou por alguns momentos para observá-la mais atentamente. Nem parecia a mesma mulher irritada, contendo-se para não atirar o que estivesse à mão sobre ele, que encontrara no JFK. Sentia que tinha exagerado um pouco com ela, mas este costumava ser o seu jeito de defender-se das mulheres que o atraíam. Infelizmente ela o atraía... E muito. Tentava racionalizar os pensamentos, quando tocaram a campainha. Era o carregador, conforme verificou quando atendeu a porta. A bagagem foi deixada sobre um maleiro de madeira. Deu uma gorjeta ao rapaz e dispensou-o.
Olhou para Júlia. Agachou-se ao lado da cama e afastou com cuidado alguns dos fios castanho-claros que caiam sobre seu rosto. Parecia tão serena que achou por bem deixá-la descansar mais um pouco. Sentou-se no sofá, segurou seu Iphone e começou a teclar. Cansado como estava, acabou por cair no sono também.
Já era quase nove horas da noite quando Bryan despertou com a boca seca, efeito provavelmente provocado pelo ar condicionado. Júlia continuava na mesma posição em que a vira pela última vez. Foi até o banheiro, tomou um banho e arrumou-se para o jantar. Depois de pronto aproximou-se da cama, inclinando o corpo na direção de Júlia.
- Júlia... Júlia... – murmurou – Acorde...
Ela apenas franziu a testa, virou-se de frente e continuou dormindo. Quando se preparava para deixá-la, ouviu-a sussurrar o nome de Miguel e, curioso, aproximou-se um pouco mais. De súbito, teve o pescoço envolvido ternamente por um par de braços macios e quentes. Irresistivelmente atraído, com a boca muito próxima de seus lábios, ficou tentado a beijá-la, o que só não aconteceu porque ela abriu os olhos.
- O que está havendo? – exclamou surpresa libertando Bryan de seu abraço e empurrando-o para trás – O que você está fazendo?
- Quem estava me atacando era você! – defendeu-se indignado.
Confusa, levantou da cama e cingiu o roupão em torno de seu corpo mais firmemente, numa atitude de defesa.
- Eu estava tentando acordá-la para convidar para jantar. Acho que você estava sonhando com seu noivo...
- Por que diz isso?
- Você disse o nome dele e me agarrou. Homem de sorte, ele... – comentou malicioso.
- E o que você estava fazendo tão perto?
- Olhe – tentou mudar o assunto para evitar mais enfrentamentos – Já são mais de nove horas da noite e estou faminto. Queria convidá-la para jantar, mas pelo jeito o sono não lhe devolveu o bom humor. Assim, quero apenas anunciar que estou saindo. Boa noite!
Já estava quase batendo a porta quando a ouviu chamar.
- Bryan.
Por alguns segundos ele ficou paralisado, pensando se deveria voltar ou simplesmente fazer que não escutara sua voz. Voltou.
- Desculpe... – disse ela desconcertada – Eu também estou morrendo de fome. Pode esperar que eu me arrume? Vi que as malas chegaram...
- Eu a espero lá na recepção – disse secamente e virou as costas.

(continua...)


Pronto! Mais um capítulo... Curiosas? Acho que este Bryan vai atrapalhar um pouco a vida da Júlia. O que acham?...rsrsrs
Um feliz final de feriado a todas vocês.
Mil beijos!

quarta-feira, 2 de março de 2011

Pelo de Punta (Arrepiada) - Capítulo II



Parecia que o mundo resolvera tirar férias. Era pleno mês de Fevereiro e o Aeroporto JFK de Nova Iorque estava lotado. Filas imensas tomavam conta dos balcões das diversas empresas aéreas. Depois de vários esbarrões, despacho da bagagem e tentativas para localizar seu portão de embarque, entrou na fila para verificação da bagagem de mão e passagem no detector de metais. Sabia que o serviço americano era extremamente exigente devido ao constante medo de terroristas. Certa de que seguira todas as recomendações e que estava tudo em ordem, passou tranquila pelo detector. Qual não foi sua surpresa quando o alarme ensurdecedor soou e ela foi cercada por três agentes, sendo duas mulheres. Tentou explicar que não entendia o que havia acontecido, mas a simpatia não era uma das qualidades daqueles policiais. Sob protesto foi levada a uma sala privada, onde foi revistada minuciosamente e passada por outro aparelho de Raios X. Indignada, foi liberada, depois de ter toda sua bagagem aberta e revirada, sob o olhar desconfiado do chefe de segurança do aeroporto.
Quando saía da sala, esbarrou violentamente com um sujeito alto e forte. Ela esbravejou e o xingou. Sentindo dor no braço esquerdo, onde sofrera o maior impacto, curvou-se para pegar a bolsa de viagem que caíra no chão devido ao choque. Sem notar que ele se abaixara para ajudá-la, levantou de súbito e bateu com a cabeça no queixo dele, fazendo-o uivar de dor. Quando o viu com a mão a massagear a mandíbula, sua primeira reação foi a de pedir desculpas, mas lembrou-se de sua própria dor e calou-se. Só não disse bem feito, pois temeu uma represália por parte do estranho, que devia medir 1.90 de altura e fazer musculação diariamente. Apenas lançou um olhar raivoso e virou-se para ir embora. Antes que desse o primeiro passo ouviu a voz grave e aveludada.
- Não se machucou?
- Não foi nada... – retrucou seca.
- Quer que a ajude com sua bolsa? Ela parece pesada.
- Não, obrigada. Preciso ir, pois estou atrasada.
- Eles pegaram você?
- Como? Quem? – perguntou confusa olhando para ele, sentindo-se culpada por algo que não fizera, tal a forma que seu “agressor” fez a pergunta – Ninguém pegou ninguém. Foi uma confusão.
- Ah...Sei... – disse em tom de escárnio, olhando-a de cima a baixo, como se a estivesse vendo por outro aparelho de RX, mais íntimo.
- Era só o que me faltava! Primeiro quase me nocauteia e agora insinua impropriedades.
- Eu não disse nada... Não precisa ficar tão melindrada. Só queria pedir desculpas – continuou, aproximando-se dela com a mão estendida – Muito prazer. Meu nome é...
- Não me interessa. Tenha um bom dia!
Virou-se bruscamente e tomou o rumo da sala de embarque, temendo perder seu vôo, deixando o desconhecido com um estranho sorriso nos lábios.
Mal teve tempo de sentar-se quando ouviu o chamado da formal voz feminina:
- Atenção! Última chamada para embarque imediato do vôo 1278, da American Airlines com destino à Santa Cruz de La Sierra, com escala em Miami, no portão 6.
Correu até o portão indicado, entregou seu cartão à funcionária uniformizada e atravessou o túnel que ligava a aeronave aos corredores do aeroporto. Conferiu o lugar. Ficava no corredor, como fizera questão de frisar quando adquiriu o bilhete, ainda no Brasil. Odiava viajar longos percursos de avião e gostava de estar próxima ao corredor para facilitar a ida ao toilette e poder esticar as pernas com mais facilidade. Infelizmente ainda era obrigada a viajar na classe econômica. Sonhava um dia poder viajar em grande estilo. Esta era uma das coisas que, casando com Miguel, seria possível. Graças aos bons negócios de sua família ele só viajava na primeira classe ou em jatos particulares. Ele bem que havia insistido em pagar-lhe a passagem, mas ela negou o presente veementemente.
Aparentemente todos os passageiros já haviam entrado e ela notou os dois lugares ao seu lado vazios. Regozijou-se pela boa sorte, antevendo a possibilidade de esticar-se e ter algumas horas melhor dormidas. Apertou o cinto de segurança, soltando um suspiro de satisfação, quando notou uma presença de pé, ao seu lado.
- Acho que a senhorita está ocupando o meu lugar.
Reconhecendo a voz, olhou para cima e deu de cara com o homem que a abalroara no aeroporto.
- O que o senhor disse?
- Que a senhorita está ocupando o meu lugar.
- Acho que o senhor está enganado. Este é o meu lugar.
- Posso ver?
- Claro – falou irritada abrindo a bolsa e retirando de lá o seu bilhete.
Sem intimidar-se, ele pegou o cartão da mão de Júlia e sorriu.
- Como pensei...
- Não falei? O senhor se enganou.
- A senhorita se enganou. Seu lugar é o da janela.
- Como? – ela saltou, arrancando o cartão da mão dele – Não é possível! Eu averiguei antes... Eu pedi que me colocassem no corredor... – Incrédula, podia jurar que tinha visto o número e a letra da poltrona certos.
- Sinto muito, mas... Pode chegar para lá, por favor? – ordenou, indicando a janelinha.
Júlia mal cabia em si de tanta raiva. Entretanto respirou fundo e abriu seu melhor sorriso.
- Será que o senhor não faria a gentileza de trocar comigo?
- De maneira alguma... A não ser que a senhorita tenha algum problema de bexiga. Tem?
- Não! Claro que não! – “Que petulância!... Grosso!”, pensou.
Sem olhar para ele, destravou o cinto e foi se sentar junto a janela, bufando de descontentamento. Ficou olhando para o lado de fora, sem ver a movimentação de pista para que o avião decolasse. Só conseguia maldizer a sua má sorte naquela manhã em que tudo parecia dar errado. Fechou os olhos e suspirou contida, ansiando para que as próximas horas não proporcionassem novas surpresas desagradáveis.
Finalmente, a voz do comandante ecoou através da aeronave, dando as boas-vindas e informando sobre as condições de tempo em Miami e o provável horário de chegada.
Sem olhar para o lado do corredor, evitando a presença desagradável que a tinha atropelado e depois a deslocado de seu assento, sentiu o forte zunido dos motores do avião levantando vôo, seguido pela sensação de tamponamento dos ouvidos, devido ao aumento de pressão na cabine. Assim que tudo normalizou, reclinou sua poltrona ao máximo, não mais que um ângulo de 30º, e fechou os olhos.
- Não dormiu bem à noite?
“Que cara-de-pau! Ainda tem coragem de falar comigo como se fosse íntimo”, pensou, mantendo-se calada.
- Não quer conversar um pouco? ... Gosto de falar para que o tempo passe mais rápido. Odeio estes vôos muito longos.
- Azar o seu! – exclamou secamente.
- O seu dia não está sendo dos melhores hoje, não?
- Não é da sua conta.
- Olhe...Vamos ter que passar várias horas juntos. Que tal uma trégua?
Ela continuou de olhos fechados, sem responder.
- Talvez mais tarde? – insinuou em voz mais baixa.
Como não obteve resposta, calou-se, para alívio de Júlia.
Na metade do caminho para Miami começou o movimento para o serviço do lanche, que consistia em um copo de refrigerante e uma porção de amendoins tostados. Júlia optou por beber a Coca-Cola oferecida e comer uma barra de cereal que trouxera na bolsa, rejeitando os amendoins. Seu vizinho de poltrona aceitou tudo que foi oferecido e ainda pediu uma dose de uísque. Quando ele começava a degustar seu mísero lanche, Júlia resolveu realizar sua primeira ida ao banheiro para escovar os dentes. Pediu licença obrigando-o a interromper o que fazia, fechar a mesinha e levantar, dando passagem a ela, já que o espaço entre as fileiras de poltronas era muito estreito e ele tinha pernas longas. No íntimo, ela regozijou-se por demonstrar a ele como seria desagradável tê-la na janela. Não agradeceu e sem olhá-lo atravessou rapidamente o corredor em direção aos banheiros de bordo. Quando voltou ele já havia terminado e levantou-se imediatamente ao vê-la aproximar-se.
- Ainda está chateada comigo? – perguntou quando ela tentava retornar ao seu lugar e espremia-se entre a poltrona da frente e ele.
Ela acomodou-se, tirou um livro da bolsa e fez menção de que começaria a ler e de que não gostaria de ser interrompida.
- Pelo que vejo, sim... – disse ele finalmente diante da falta de reciprocidade por parte de Júlia.
- Qual é o seu problema? – disse entre dentes para não chamar a atenção – Primeiro, quase me joga no chão no aeroporto, depois se nega a trocar de lugar, insiste em falar comigo e fazer gracinhas... Por que eu tenho que ser simpática com você?
- Você é sempre assim irritadiça? – queixou-se – Lá no aeroporto, além de não pedir desculpas pelo esbarrão que me deu, ainda quase me quebrou o queixo. Quanto ao lugar, eu tinha escolhido o corredor com antecedência, pois não suporto ficar na janela neste tipo de viagem... Outra coisa... Não me incomodarei de lhe dar passagem sempre que precisar... Estou tentando ser agradável, ao contrário de você.
- Olhe! Eu quero apenas ficar quieta, ler o meu livro e esperar que o tempo passe o mais rapidamente possível.
- Tem medo de avião... – continuou sondando.
- Não! – “Ele é insistente!”.
- Não quer conversar a respeito disso? Tenho uma amiga que morre de medo de avião e quando é obrigada a viajar vira a pessoa mais desagradável do mundo. Deve ser o seu caso, não?
Ela segurou-se nos braços da poltrona para não pular no pescoço dele. Fulminou-o com o olhar a ponto de ele dar-se por vencido e dizer:
- Ok! Não falo mais... Porém, se precisar se abrir, estarei aqui – finalizou, olhando em frente com um quase imperceptível sorriso nos lábios.
Neste instante, uma das aeromoças aproximou-se. Devia ser a décima vez que ela chegava até ele para perguntar se não precisava de nada. “Existem mulheres que não se dão ao respeito”, lamentou Júlia em pensamento.
- Está satisfeito? Se quiser mais um a porção de peanuts, posso conseguir, pois sempre temos algums de reserva.
- Não, honey. Muito obrigado, mas estou satisfeito – respondeu piscando charmosamente para ela, arrancando-lhe um grande sorriso.
- Se precisar de algo é só me chamar. Meu nome é Mae.
- Claro que chamo... Mae...
“Honey? Se precisar é só chamar? Mae? Desde quando as aeromoças cantam seus passageiros?”, Júlia questionava-se intimamente, enquanto a jovem continuava seu caminho pelo corredor rebolando um pouco mais que o normal sob o olhar fixo de seu vizinho.
- Este pessoal da Airlines é muito simpático, não acha? – perguntou, percebendo que ela estava observando a cena toda.
Sisudamente, deitou os olhos sobre o livro e se manteve muda. Logo o inconveniente estranho também fechou os olhos e pareceu pegar no sono.
Na chegada a Miami, o comandante voltou a falar anunciando que a parada seria breve e que os passageiros em trânsito permanecessem sentados enquanto a aeronave era limpa. Apesar de todo o movimento naquele intervalo, o homem continuou de olhos fechados. Parecia ter desistido de entabular conversa com ela e pegado no sono. Não se passaram mais que trinta minutos para que o avião levantasse vôo. A partir dali teria que aguentar mais 9 horas de viagem conforme a informação do novo comandante, que Júlia acabara de ouvir. Olhou para o lado e, pela primeira vez se deteve na fisionomia de seu impróprio vizinho. Ele tinha uma testa ampla, com algumas poucas marcas de expressão. Devia ter entre 30 e 35 anos. O cabelo era castanho-claro, ondulado e revolto, com alguns fios grisalhos, emoldurando o rosto escanhoado, bronzeado e másculo. Olhando-o assim, de lado e de boca fechada até podia entender o interesse da aeromoça.
- Está gostando do que vê? – disse ele repentinamente, abrindo os olhos e pegando-a em flagrante a analisá-lo.
- O quê? – sobressaltou-se.
- Está a um bom tempo a me observar. Está repensando na sua atitude em relação a nós?
- Ora! Eu não estava... – interrompeu a frase indignada com a petulância daquele sujeito, voltando a atenção para o livro que tinha nas mãos, tentando encontrar a última linha lida.
- Tinha esperança que mudasse de idéia ... – anunciou sarcástico.
Finalmente o avião decolou novamente.
Passadas cerca de duas horas, começou a turbulência. Júlia olhou pela janela e viu as nuvens densas e cinzentas aglomerando-se e os relâmpagos intermitentes, prenunciando uma tempestade. Instintivamente, ela apertou um pouco mais o cinto.
- Não se preocupe – falou seu “companheiro” de viagem tentando acalmá-la – Este tipo de coisa é bem comum por aqui no Triângulo das Bermudas. Se precisar de uma mão para segurar, eu estarei aqui.
“Confiado!” ajuizou intimamente”. “Triângulo de Bermudas!”... – Apavorou-se. Pensou em Miguel. Seria bom se ele estivesse ali ao seu lado. Foi então que a nave sofreu um baque. Podia-se perceber a queda de altitude brusca, que durou alguns segundos, e a tentativa de retorno ao estado anterior. Alguns passageiros chegaram a emitir gritos de alarme. Os sustos repetiram-se várias vezes. As aeromoças solicitavam que todos retornassem aos seus lugares e ficassem presos aos cintos. Elas próprias seguiram esta ordem. Mais alguns minutos de agitação se passaram quando a voz do comandante se fez ouvir.
- Peço a atenção de todos. Em vista do mau tempo, seremos obrigados a um pouso de emergência em Curaçao. Permaneçam em seus lugares e aguardem novas instruções. Fiquem calmos. Não há motivo para pânico. Estamos com tudo sob controle. Obrigado.
O simples mencionar das palavras “emergência”,“pânico” e as frases “fiquem calmos” e “está tudo sob controle” foi o estopim para que o controle da ansiedade dos passageiros fosse totalmente perdido. O burburinho na aeronave começou. As aeromoças foram obrigadas a sair da segurança de seus lugares para tentar acalmar as pessoas mais assustadas e preocupadas, além de auxiliar aqueles que começavam a passar mal devido aos movimentos provocados pelos fortes ventos no exterior do avião.
A figura alta ao seu lado, sem fazer alarde, levantou-se calmamente de seu assento e dirigiu-se à cabine de comando, onde, surpreendentemente foi acolhido, pois a porta fechou-se atrás dele. Lá ficou por alguns minutos e saiu com expressão preocupada, voltando ao seu lugar ao lado de Júlia.
Vencida por sua curiosidade e medo, se obrigou a dirigir-lhe a palavra.
- O que está acontecendo? O que lhe disseram lá?
- Agora está falando comigo?
- Ah, por favor! Só quero saber se vamos morrer ou não!
- Lastimo lhe dizer que por hora não. Vamos realmente pousar em Curaçao.
- Pelo menos estaremos em terra firme... – comentou aliviada – Obrigada.
- De nada... – respondeu, porém a expressão sombria em seu rosto persistia.
- Tem alguma coisa mais?... – insistiu ansiosa ao estranhar a seriedade dele
- Depois do pouso, não temos previsão de saída.
- Como assim?
- Um dos equipamentos de navegação entrou em pane e antes que ele seja consertado, não teremos como voar novamente.
- Ah, não... Como você conseguiu todas estas informações? Por que só você pode entrar lá? – ela voltou seu olhar para a cabine do comandante, onde um dos comissários impedia os passageiros de entrar.
- Digamos que sou conhecido do piloto. Costumo viajar muito com esta companhia aérea. Satisfeita? – Júlia percebeu-o tenso, mas achou melhor não perguntar mais nada.
Com um leve aceno da cabeça sugeriu estar satisfeita e acomodou-se em seu lugar, voltando a ficar muda, aguardando os próximos acontecimentos.
(continua...)




Estão gostando? Complicou um pouco mais? Parece que a Júlia está tendo o seu dia de azar... Ou será de sorte?...rsrsrs.
Hoje quero mandar um beijo para as novas seguidoras do blog, como a Brih, a Nine, a Rapha e a Andréia. Sei que a minha proposta pode parecer estranha e já vi outros blogueiros com propostas semelhantes desistirem, ou por falta de inspiração ou por falta de audiência. Porém, escrever virou uma paixão para mim. Desde que comecei timidamente a publicar meus contos no Orkut, nas comunidades de fãs do Gerard Butler, há cerca de cinco anos, não consegui parar mais. O meu "muso" inspirador passou a não ser mais tão importante (apesar de eu continuar sua fã fidelíssima) quanto o desejo de ser simplesmente uma contadora dos romances.Sei que existem muitas pessoas que torcem o nariz para este tipo de histórias de amor romântico que expresso aqui, mas também sei que, como eu, as românticas são em grande número, mais do que se possa imaginar. Eu não estou sozinha e isto é ótimo. Contudo, mesmo que isso não fosse verdade, eu continuaria escrevendo, pois é algo que me dá imenso prazer e torna a minha vida muito mais agradável de ser vivida. Eu diria que escrever é o meu Prozac.
Ao lado de tudo isso, tenho as minhas leitoras fiéis, que me acompanham há anos, pacientes, amigas e incentivadoras, que me estimularam a publicar livros impressos, que estão me dando tantas alegrias. A vocês minhas queridas (acho que não preciso citar nomes, pois vocês estão nos comentários e recados espalhados por todo o blog e nos agradecimentos da minha primeira publicação - Na Rede do Pescador)), minha eterna gratidão e todo o meu amor. Para quem chega, o carinho e as boas-vindas dessa escritora amadora que adora compartilhar suas fantasias românticas.
Beijos!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Pelo de Punta (Arrepiada) - Capítulo I

O clima estava pesado no escritório improvisado em um povoado próximo à fronteira com o Paraguai. Quatro homens discutiam a respeito de um lote de armas ilegais que havia sido interceptado por um grupo de militares locais.
- Como isso pode acontecer? – gritou o homem mais velho, assustando os outros três com a forte batida da mão que caiu pesada sobre a mesa de madeira carcomida. Apesar de nenhum deles querer deixar transparecer, o temor pelas reações violentas de seu chefe quando contrariado era algo quase palpável – Alguém nos traiu! Descubram este traidor e tragam-no até mim. Cancelem a próxima operação e aguardem minhas ordens. Lito está para chegar. Eu o colocarei a par do que está acontecendo e ele logo assumirá em meu lugar. Vocês dois – disse apontando para os dois sujeitos que ladeavam o terceiro homem – Saiam! Preciso falar a sós com meu amigo aqui. Assim que os homens saíram, o comandante aproximou-se afavelmente de Juan e passou o braço em torno de seus ombros.
- Por que está tremendo, meu amigo? Não diga que está com medo de mim... Depois de todos esses anos? – disse olhando a frente e lhe apertando o abraço.
- Se tremo, senhor, é de raiva diante do que aconteceu com o nosso carregamento.
– Lembro como se fosse hoje, Juan – interrompeu-o, como se não ouvisse o que o outro dizia –, quando você nos procurou oferecendo seus serviços, pois tinha sido impiedosamente descartado pelo governo. Você sempre se mostrou eficiente, Juan... Um amigo nas horas difíceis, um guerreiro que defendia os interesses de nossa família antes de tudo mais...
- E continuarei defendendo, meu comandante – respondeu olhando firmemente para seu superior.
- É realmente tocante poder contar com amigos como você, Juan – continuou o discurso de amizade, afastando-se do mercenário que o servia a um par de anos.
Com olhar apreensivo, Juan começou a suar, sentindo que alguma coisa estava errada naquela conversa supostamente amistosa.
- Como vai sua esposa? – continuou súbito, para alarme do questionado.
- Minha esposa? ... Mas eu sou solteiro...
- Você sabe, Juan, o que acontece com aqueles que traem a minha confiança, não?
- Não sei do que o senhor está falando – sua tensão aumentava a cada segundo, percebendo que não só fora descoberto, como seu contratante não fizera um bom serviço ao proteger sua família. Começou a procurar por possíveis rotas de fuga da pequena saleta sem janelas.
- Tenho certeza que ela vai trabalhar muito bem para pagar os prejuízos que você e seu mandante nos proporcionaram – Nem bem havia terminado de falar, sacou o revólver que trazia sob o cinto da calça, às costas e apontou para o traidor que já o olhava com desespero – Tenho certeza que ela fará grande sucesso no nosso cabaré em La Paz... Me disseram que ela é muito bonita.
Juan soltou um grito de terror, sacou sua própria arma e atirou. Desesperado, ao verificar que a pistola estava sem balas, jogou-se contra o traficante. Naquele momento, os dois homens que haviam abandonado a sala minutos antes, entraram acompanhados por outros dois. Partiram para cima dele, que lutou para desvencilhar-se dos brutamontes, sem êxito.
- Quero que o enforquem na árvore mais alta que encontrarem por aqui e chamem todos os homens para ver. Que ele sirva de exemplo para quem estiver pensando em me trair.
Com o rosto sangrando pelos cortes na boca e no supercílio esquerdo, Juan olhou com ódio para seu carrasco, cuspiu contra ele e conseguiu dizer:
- O teu fim está próximo! Espero que tua morte seja agonizante!... Pode ter certeza que eu estarei te esperando no Inferno!
- Deixe-me ser o primeiro a satisfazer seu desejo, seu traidor de m... – Virando-se para seus auxiliares, continuou impiedoso – Antes do enforcamento, podem usá-lo para treinar boxe... Conduzam-no às portas do Inferno... Agora!




A milhares de quilômetros dali, alheia a toda essa violência, Júlia Monteiro, executiva de uma grande empresa internacional de cartões de crédito, aproveitava os louros de seu excelente desempenho no ano anterior, na cidade de Nova Iorque. Júlia trabalhava como advogada nos escritórios da filial brasileira, situada no Rio de Janeiro. Seu esforço havia sido reconhecido e, antes de entrar em seu período de férias de verão, fora convidada a conhecer a matriz americana, com direito a passagens aéreas de ida e volta, hospedagem e uma visita guiada ao prédio monumental da companhia, no coração de Manhattan. Acabara de participar de uma reunião dedicada aos melhores funcionários das filiais internacionais. Ao lado deste reconhecimento, Júlia aguardava com grande ansiedade os dias que viriam depois de sua saída de NY. O motivo era o encontro com Miguel, seu noivo boliviano, que a esperava em Santa Cruz de La Sierra para apresentá-la a família. Há dois meses ele a pedira em casamento. Tudo fluía muito bem no relacionamento até que ele demonstrou o desejo de que ela fosse morar na Bolívia após o casamento. Esse pedido a perturbou. Nunca fora tão amada por alguém como por Miguel. Ele parecia ter nascido para satisfazer seus desejos. Enchia-a de mimos quando estavam juntos. Telefonava diariamente quando estava viajando a trabalho para a empresa de importação e exportação de sua família. Além de tudo isso, era lindo, gentil e carinhoso. Suas amigas morriam de inveja de sua boa sorte. Ali, debruçada sobre a murada do seu apartamento no Gotham Hotel, sentia o ar frio penetrando em suas narinas e a pele do rosto congelando, enquanto observava fascinada as luzes da Big Apple. Ao som de sirenes, buzinas e do burburinho da 46th Street de início de noite, lembrou a primeira vez que viu Miguel.
Ela o conhecera durante um vernissage de esculturas de um artista em ascensão no mundo das artes, patrocinada por sua companhia em uma galeria do Leblon. O homem alto e moreno a fez lembrar de Josh Brolin, o ator americano do qual era fã, na sua versão com bigode e de tez um pouco mais bronzeada. Ele estava parado diante de uma das esculturas com um olhar intrigado, mão no queixo quadrado, tentando ver sentido nas formas entrelaçadas esculpidas em granito e que sugeriam corpos de amantes. Pelo menos era o que estava escrito na pequena placa no pedestal onde o objeto de arte descansava. Achou graça do modo como ele observava a peça e mal pode disfarçar o sorriso que a denunciou quando ele olhou em sua direção.
- Você vê alguma pessoa nesta... escultura? – perguntou-lhe com uma voz de timbre suave e um forte
sotaque espanhol.
Pega de surpresa, olhou para trás a procura de outra pessoa com quem ele pudesse estar falando. Como não encontrou ninguém e ele continuava a encará-la, pressupôs que falava com ela.
- Não sou uma perita, mas acho que há uma insinuação de dois corpos aí – respondeu com ar de crítica.
Sem cerimônia, aproximou-se dela, pegou-a com gentileza pelo braço e levou-a até onde ele estava anteriormente.
- Jura que consegue ver alguma forma humana nesta coisa? – continuou irônico, com expressão bem humorada.
Não resistindo, acabou por se juntar a ele em sua opinião.
- Aqui entre nós, que o artista não nos ouça – sussurrou em seu ouvido –, mas acho que ele deve ter problemas de relacionamento.
Ele explodiu numa gargalhada, assustando os convivas ao seu redor. Júlia conteve-se, mostrando apenas um sorriso malicioso. Estava encantada com a mecha de cabelo liso e negro que caía displicentemente sobre sua testa tornando-o ainda mais charmoso. Ele certamente tinha menos idade que Brolin, pois a pele era praticamente lisa, apresentando algumas poucas marcas de expressão no contorno dos olhos amendoados e da boca de lábios cheios. Assim que parou de rir, apresentou-se.
- Miguel Vasquez, seu novo admirador... – denominou-se oferecendo a mão para cumprimentá-la.
- Júlia Monteiro... – disse aceitando o cumprimento. Corou quando ele pegou sua mão e a levou até a boca, tocando de leve os lábios em seu dorso.
- É um prazer conhecê-la, senhorita Monteiro – pronunciou com a voz rouca enquanto encarava-a de um modo diabolicamente sensual.
Júlia não se considerava uma mulher bonita e tão pouco romântica. Certa vez um de seus affaires chegou a chamá-la de frígida, o que a chocou bastante. Gostava de sexo. O problema era tempo e com quem fazer, pois se tornara exigente ao longo de tantos e curtos casos amorosos. Sua vida era dedicada ao trabalho e um namorado não se encaixava muito no seu dia-a-dia. Contudo, às vezes sentia-se muito só. Naquele momento, Miguel parecia saído de um daqueles filmes antigos que ela gostava de ver, nas horas em que se permitia algum lazer, onde os homens eram bonitos, cavalheiros e amorosos. Hipnotizada por aquele olhar, não conseguiu dizer nada mais além de sim quando ele perguntou se poderia acompanhá-la na exposição.
- Confesso que entrei aqui por acaso e não entendo nada de arte. Vi uma aglomeração de pessoas bem vestidas e achei que era uma festa.
- Também não me considero uma entendida. Na verdade estou aqui por uma formalidade. Foi o meu chefe quem organizou esta exposição e me senti na obrigação de comparecer para agradá-lo. Ele é uma pessoa ótima e...
- Então, que tal se sairmos de fininho e ir a algum lugar para jantar? Você fica responsável pela escolha do restaurante já que é nativa. O que acha?
A princípio ficou apreensiva com tal convite, mas ao deparar-se com o sorriso e a expressão de cumplicidade de Miguel, olhou para os lados, conferiu o relógio de pulso, lembrando que estavam numa quinta-feira e que precisaria acordar cedo no dia seguinte. Pensou há quanto tempo não saía com um homem tão interessante e decidiu.
- Acho ótimo. Só não posso voltar muito tarde para casa.
- Seu papa não permite? – perguntou sério.
Aí foi a vez de ela rir alto, cobrindo a boca logo em seguida para não atrair a atenção.
- Não... Não tenho mais idade para ser controlada por meu papa. Além do mais, ele não mora aqui. É que eu trabalho amanhã muito cedo... É por isso.
- Prometo que a entrego cedo em sua casa – prometeu solenemente.
Neste momento começou um relacionamento que já durava oito meses. Apesar de morar em Santa Cruz e viajar com muita frequência, Miguel vinha ao Rio de Janeiro pelo menos duas vezes por mês. Ele dizia que antes a prioridade de sua estadia na cidade maravilhosa era o trabalho, mas nos últimos tempos era o prazer de ver e estar com Júlia. Sempre atencioso e apaixonado, surgira com a proposta de casamento há dois meses e desde então não descansara, insistindo que ela conhecesse sua família e de como seria bom terem mais tempo juntos. Às vezes mostrava uma irritação com a alegação de Júlia de não estar preparada ou de achar que era muito cedo para pensar num compromisso tão sério.
- Então não me ama? – perguntava aborrecido.
- Não é isso, Miguel. Estamos indo bem assim. Por que a pressa?
- Quero ter certeza de que você é minha.
Aquela afirmação deixou Júlia mais alerta. Não gostava da ideia de posse sobre ela. Tinha medo de perder sua independência... Tornar-se propriedade de alguém. Porém, ao lado destes receios, estava Miguel... Nenhum outro homem a tratara tão bem ou demonstrara tanto amor como ele. Tinha medo de perdê-lo e arrepender-se mais tarde. Nunca tinha se apaixonado antes, mas achava que esta era a sua vez e Miguel era o homem certo.
O ar enregelante na sacada do hotel a fez voltar à realidade. O melhor a fazer era dormir. Partiria no voo das dez da manhã, mas tinha que acordar cedo, terminar de fazer sua mala, tomar café e ir para o aeroporto JFK. Olhou mais uma vez para as luzes multicores do centro de Manhattan, sorriu e se perguntou se a viagem do dia seguinte definiria o seu futuro... Ao lado de Miguel... Ou não. Voltou para a suíte, fechou a porta da varanda e foi se deitar.

( continua...)



Como havia prometido, volto antes deste mês de Fevereiro acabar, animadíssima para começar a postagem do meu novo romance. Vocês devem estar estranhando o título em espanhol. Acho que nestas férias tive tanto contato com esta língua que resolvi guardar os sabores de Buenos Aires e Punta Cana no título. Além disso, enfrentei alguns probleminhas durante a viagem semelhantes ao de minha heroína, mas que não valem à pena revelar aqui...kkkkk. E não... Não conheci nenhum homem parecido com Josh Brolin. Nem poderia pois estava acompanhada pelo meu digníssimo e mui amado marido.
Sendo assim, inicio hoje mais esta empreitada. Vou colocando os capítulos a medida que os escrevo, como sempre. Até o próximo!
Beijos a todos!
 

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Divagações Íntimas


Passei hoje por aqui especialmente para divulgar o livro de uma grande amiga, também blogueira e escritora, Aline Kodama (Blog Papéis Avulsos). Ela acaba de lançar uma antologia poética escrita ao longo de sua adolescência. Vale a pena conferir! O pouco que pude ler, pois ainda estou na fila para adquirir meu exemplar, me deixou arrepiada e com aquele gostinho de quero mais.
Deixo aqui o link para aquisição do seu exemplar:

http://www.clubedosautores.com.br/book/37960--DIVAGACOES_INTIMAS

Capa do livro
 SUCESSO, ALINE!!



Em tempo: Acabo de ganhar mais um selinho de um blog amigo, Kalanit Flowers( http://kalanitflowers.blogspot.com/?zx=7f4baff52f3cc6e4 ), da Cildinha , uma pessoa adorável e que, como eu, adora um bom romance.



Beijos, querida!


PRÁ SEMPRE... VOCÊ!

Por uma terrível falha minha deixei de colocar aqui o lançamento do livro de outra amiga muito querida, a Carla  Blackhawk. O livro foi lançado há cerca de 1 mês, sendo motivo de grande alegria das leitoras que já acompanhavam os lindos romances da Carlinha na comunidade de autoras Estante de Livros do Orkut. O nome da obra é "Prá sempre...Você!" e conta a incrível história de uma quituteira e um bombeiro escocês charmosíssimo. É um romance repleto de emoções do início ao fim. Ele está disponível no site Clube de Autores.


http://www.clubedosautores.com.br/book/35335--PRA_SEMPRE_VOCE


Não percam!
Sucesso, Carlinha!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Blog Romance no Deserto

Acabo de ganhar mais um selinho de aprovação de um blog amigo e parceiro, o ROMANCE NO DESERTO ( http://romancenodeserto.blogspot.com/2011/02/que-gracinha-ganhei-meu-primeiro.html ) , e estou muito contente com este reconhecimento.


 

Juntamente com este lindo presente vieram alguma regras que deverei seguir.
A brincadeira é contar 3 segredos e passar o selo para outros amigos fazerem a mesma coisa.Mas há regras para revelar os segredinhos!
A- Postar selo no seu blog,
B- Deixar um comentario nesse post com o link do seu post no seu blog;
C- Dizer 3 coisas que a maioria das pessoas nao sabem sobre você. Mas não é tão simples assim!
São 3 coisas nesta ordem:
1- Uma coisa que o seu leitor vai pensar: Hmm, interessante!
2- Uma coisa que o seu leitor vai pensar: Uau, nunca iria saber isso!
3- Uma coisa que o seu leitor vai arregalar os olhos e dizer: O quê? (e vai ficar de boca aberta!)

Não tenho grandes segredos, pois adoro contar tudo sobre mim, mas vou tentar surpreender minhas leitoras.

1 - Estou escrevendo um romance a quatro mãos com uma grande amiga.
2 - Quando termino de escrever um romance sinto como se fosse o parto de um filho muito querido. Sinto-me a pessoa mais feliz do mundo.
3 - Tenho um banco de idéias onde coloco todas minhas inspirações em forma de sinopses, para que um dia elas possam virar romances. Só espero ter tempo para escrever todas estas histórias um dia.



award

Mando este selinho de aprovação para:

Doida y Romântica




Papéis Avulsos

 
 
 






Romance no Deserto
http://romancenodeserto.blogspot.com/2011/02/que-gracinha-ganhei-meu-primeiro.html



Beijos!!
PS: Agora que consegui fazer um award, já tenho uma pequena lista de blogs merecedores. Aguardem!