domingo, 15 de novembro de 2009

Meu Doce Vampiro - O Reencontro (parte 8)


Finalmente consegui voltar para postar a oitava parte deste romance. Mas antes, gostaria de fazer um breve comentário, com três dias de atraso, sobre o aniversário do meu querido ídolo, o ator escocês Gerard Butler. Ele acabou de completar 40 anos, no dia 13 de Novembro. Como não é possível felicitá-lo pessoalmente, deixo aqui os meus parabéns e votos de muita felicidade e sucesso na sua carreira, pois ele merece muito mais do que conseguiu agora, por seu esforço, talento, perseverança e por ser o ser humano maravilhoso que é e que fascina a todos que o conhecem. Homenagens emocionantes foram feitas nos blogs e nas comunidades dirigidas a ele. Aqui tento homenageá-lo de uma maneira diferente, colocando um pouquinho do que imagino que ele seja, como homem e como pessoa do mundo, em cada um de meus personagens masculinos.





FELIZ ANIVERSÁRIO,

GERARD BUTLER!!!





Há muito tempo a passagem secreta que ligava o primeiro ao terceiro andar não era usada. Hoje, para que pudesse ter uma visão privilegiada e distante de todo o movimento em sua propriedade, Cássia lançou mão daquele túnel estreito, com precárias escadas de pedra, que a levou até uma minúscula sala, mas cujas janelas descortinavam uma privilegiada vista panorâmica da frente e das laterais da edificação. Podia ter usado outros meios para chegar àquele local, evitando o uso da abominável escada, mas não queria gastar energias com metamorfoses desnecessárias. De seu mirante pode ver o encontro de Monique com um estranho, a fuga de Victor de sua mãe e o encontro desta com aquele ator, motivo de sua maior preocupação. Principalmente agora que ele dera indícios de ter sua memória em franca recuperação, após insinuar seus direitos sobre o menino. Por sorte sua audição a grandes distâncias continuava intacta e pode captar este diálogo. Luísa não estava conseguindo lidar, com distanciamento suficiente, com este problema. Seu envolvimento emocional com aquele humano era demasiado. Não podia esperar nada menos que isso, levando em conta o seu passado. Seria obrigada a interferir para que seus planos pudessem vingar. Aquela invasão em seus domínios... Não contava com isso. Nada mais era como antigamente. Nos tempos do conde, seu marido, não havia condescendências. Sempre achou um pouco exagerada a forma como ele mantinha seu poder, mas talvez ele estivesse certo. Ao contrário dele, ela tinha preferido manter-se ao lado de sua pequena comunidade, nunca acima. Mas nas últimas semanas isto estava ficando impossível. Não queria ver o sofrimento de Luísa... Gabriele tinha razão. Apesar de tudo, ela era sua favorita. Sua admiração por ela só aumentou quando ela deixou aquele homem para trás na Grécia e seguiu junto a elas, carregando a esperança de sua raça no ventre. Graças à Gabriele, ela estava sendo posta à prova novamente. Infelizmente, parece que as exigências atuais eram excessivas demais. Tudo levava a crer que ela sucumbiria à atração pelo humano. Amor. Uma palavra tão pequena, mas com tanta força. Presente em todas as espécies, com diferentes contextos e intensidades. Ela já conhecera este sentimento, muitas vezes negados a sua espécie em função de sobrevivência, quando conheceu o conde. Violento, sedento de poder, muitas vezes frio, mas com ela conseguia demonstrar seu lado mais doce. Apenas com ela. Sofrera imensamente quando sua vida foi ceifada. Algo se congelou dentro dela a partir daquele momento. Pela memória dele ainda lutava e não deixaria de persistir nisso, por mais que tudo insistisse em perecer. Foi à seu pedido que Luisa dera o nome de seu companheiro ao filho. Esperava que aquele nome pudesse levar não só sua memória, mas sua força e liderança. Estava um pouco cansada de lutar contra o inevitável, mas, quando suas forças queriam deixá-la, lembrava de Victor e seguia adiante. Se Robert realmente se tornasse um empecilho, teria de ser eliminado, gostasse Luisa disso ou não.

As últimas palavras proferidas por Robert deixaram Luísa perplexa. A menção de direitos sobre Victor a fez estremecer. Imaginava se ele tinha realmente recuperado a memória ou se estava apenas fazendo um jogo de palavras para forçá-la a ficar com ele. Não sabia o que pensar. E se ele recuperasse completamente a memória e a odiasse por tê-lo enganado, fugindo e deixando-o sem as lembranças de algo tão importante como fora a relação deles e ignorante a respeito do fruto gerado naqueles dias na Grécia? Certamente agiria como Cássia previra, exigindo a guarda do filho... Não queria nem imaginar as consequências de tal atitude de Roberto. Ela o amava demais e seria capaz de por sua própria vida em risco para poupar a dele. A dor que corria em seu peito ao pensar que ele poderia odiá-la era terrível demais. Tão grande quanto a agonia da possível perda de seu filho. Pior ainda se algo de mal lhe acontecesse em decorrência de tudo isto. Precisava esclarecer o que estava acontecendo. O quanto antes...



CÁSSIA




Gabriele procurava por Cássia, quando seu instinto a levou até a velha passagem escondida que levava aos andares superiores do castelo. Certamente ela estaria lá controlando seus domínios. Silenciosa e rapidamente, com mínimo esforço físico, vencendo os vários metros que a separavam do local, em poucos segundos chegou onde estava a condessa.
- O que quer, Gabriele? – perguntou Cássia sem sequer virar-se para ver a recém-chegada.
- Preciso conversar com você – respondeu, controlando a tonalidade da voz para disfarçar o tremor que a pergunta da outra lhe provocara. Apesar de parecer distraída, sua percepção era aguçadíssima. – Aconteceram alguns fatos novos que podem mudar o rumo das nossas vidas.
Só então, Cássia virou-se para concentrar-se na presença de Gabriele e nas palavras que ela tinha a lhe dizer.
- Que fatos novos? – questionou franzindo a testa.
- Fatos inusitados que podem mudar totalmente nossas perspectivas atuais – respondeu com entusiasmo, que esperava contagiar Cássia.
- A que tipo de fatos você se refere? O que está acontecendo? – sua voz demonstrava irritação com o mistério que Gabriele lhe apresentava em rodeios e com a ela própria pela possibilidade de ter deixado passar algo importante despercebido, provavelmente por sua preocupação com aquele humano infeliz – Fale, por favor.
- Hoje à noite teremos visitantes que poderão esclarecer melhor os detalhes. Mas posso adiantar que a nossa preocupação por estarmos sozinhas neste mundo já não existe.
- O que você está dizendo? – estava incrédula.
- O que você ouviu. Existem outros como nós. Muitos outros.
Cássia estava perplexa com a afirmação de Gabriele. Como não percebera a presença de outros vampiros na região? Estaria perdendo sua força interna? Era possível, levando a vida como levavam atualmente, que seus poderes estivessem enfraquecidos, muito aquém do que tinham no passado... Por outro lado, a notícia podia ser redentora dentro do presente quadro.
- Você os receberá? – perguntou Gabriele ansiosa.
- Tem certeza que não são hostis a nós?
- Tenho. Este era o medo deles em relação à nossa comunidade. Por isso demoraram tanto a entrar em contato. Eles têm uma comunidade na Grécia e souberam de nossa existência quando estivemos lá. Você nunca soube deles?
- Na verdade, o conde me falou sobre eles mas não tinha certeza se eles haviam sobrevivido depois de tantos séculos passados e a falta de comunicação.
- Você não gostou das boas novas, Cássia? – indagou decepcionada com a frieza da líder.
- Antes de regozijar-me, preciso saber exatamente o que está acontecendo e se realmente são boas novas, Gabriele.
- Garanto que são. Você verá – disse com firmeza, indo para a janela que dava para a frente do seu abrigo – Como vão as coisas por aqui? Algum imprevisto ou incomodo com nossos visitantes humanos?
- Por enquanto não. Ainda estou preocupada com a relação entre Luísa e o tal de Robert.
- Mas agora não tem porque preocupar-se com eles, já que nossa perpetuação está assegurada junto ao clã grego.
- Nada está certo até que eu possa saber as intenções deles. Eles devem ter lhe falado os motivos de existirem em Santorini. Ou não?
- Sim, mas... Cássia, tive a mesma preocupação que você quando eles se identificaram. Você saberá que ela é infundada quando os conhecer.
- Pelo jeito eles a conquistaram, ou devo dizer apenas um deles?
Gabriele não queria perder o controle, por isso resolveu não argumentar mais com ela para não cair numa discussão infindável.
- Você conversará com eles e depois me dirá o que resolveu. Afinal você é a nossa líder – não custava bajulá-la um pouco.


Ela não soube definir o que sentiu ao vê-lo. Quando ele adentrou o salão principal, sentiu uma autoridade e uma determinação que só havia sentido uma vez na vida... em Victor. Era um líder nato. A pele mais escura dava-lhe um aspecto mais selvagem, menos nobre, mas não menos atraente. O rosto másculo, emoldurado por cabelos negros e lisos, que lhe caíam despretensiosamente sobre a testa larga, imprimiam-lhe certa jovialidade. Mas a força vinha de seus olhos. Olhos negros, perspicazes e inteligentes, dos quais nenhum detalhe ou movimento escapava. Eram normalmente frios, exceto quando cruzavam com os seus. Sentiu que seu coração, há muito congelado desde a perda de seu marido, fora atingido por uma fagulha ardente que começava a espalhar-se por todo seu ser. Quem era, na verdade, Arnold Paole? Pouco sabia sobre ele. Queria saber mais. Precisava saber mais... Sua voz grave acariciava seus ouvidos enquanto explicava a que tinha vindo.
- Cássia, é um grande prazer estar de volta a minha terra e encontrar mulheres deslumbrantes como você e suas “irmãs” – cumprimentou-a educadamente, pegando a mão que ela estendeu-lhe e depositando um beijo suave em seu dorso.
- Porque demorou tanto tempo a voltar à Romênia se sabia do prazer que teria com esta visita? – perguntou Cássia desafiando-o com o olhar e retirando rudemente sua mão de entre as dele – Pelo que soube há quatro anos sabiam de nossa existência e não fizeram a mínima questão de fazer contato. Posso apreender disso que talvez estivessem esperando nosso fim para voltarem à nossa terra.
Agradavelmente surpreso com a animosidade de Cássia, sorriu e continuou:
– Creio que você sabe perfeitamente os motivos de vivermos na Grécia.
- Claro...
- De onde poderia apreender que vocês não queriam relacionar-se com o clã exilado por Vlad, por ainda persistirem as mesmas hostilidades do passado – continuou irreverente, interrompendo-a e desferindo um olhar intenso sob as negras e espessas sobrancelhas – Assim, como pode ver, ambos lados tinham motivos para temer um ao outro. Por isso, atendendo ao chamado de meu sobrinho Eric, vim pessoalmente esclarecer estes pontos. Acredito que, depois de tantos anos, possamos compartilhar experiências e conviver pacificamente. Tem a minha palavra de que nenhuma mágoa permanece, em relação ao que se passou, por parte de nosso clã. O que existe é a esperança de alguns romenos, ainda sobreviventes, como eu, de retornarem a sua terra, sem medo de retaliações.
A voz e a maneira como ele falava eram tão envolventes que ela não conseguia pensar numa argumentação. Além do mais, ele tinha razão ao dizer que o passado era passado. Não tinha sentido cultivar rancores na atual situação em que se encontravam. Aparentemente quem mais teria a lucrar eram elas. Talvez, no fundo, não quisesse admitir a perda da liderança.
- Você continuará a liderar, Cássia – ele também conseguia adivinhar ou ler seus pensamentos – Ninguém discutirá os seus direitos e, pelo que soube, você é uma líder sábia e benevolente.
- Arnold, a liderança não é tão importante quanto o risco de desaparecermos da face da terra. Esta tem sido a minha maior preocupação. Se realmente vocês falam a verdade, só teremos a ganhar com nossa união e minhas preocupações serão eliminadas – disse finalmente, encarando-o com firmeza.
Ele sorriu. Um sorriso que lhe trouxe um calor há muito esquecido. Por seu lado, Arnold intuía que aquela mulher bela e altiva diante dele começava a despertar-lhe emoções internas que já acreditava serem impossíveis de experimentar novamente.
- Minha cara, Cássia, agora que a névoa da discórdia sublimou-se entre nós, que tal sentarmos e deixar que eu conte sobre nossa comunidade e como temos sobrevivido.
- Será um prazer, Arnold Paole – acolheu a proposta dele com um sorriso afável, sem vestígios de desconfiança – Vamos sentar, por favor – disse indicando aos convidados o sofá e as poltronas da grande sala.
Gabriele e Monique trocaram olhares com Eric e Cristopher, respectivamente. Mal notaram a ausência de Luísa, que não aparecera para a reunião.


ARNOLD PAOLE





Espero postar a parte final deste romance antes do próximo final de semana. Obrigada pela paciência dos meus leitores, pelos comentário e recados carinhosos que tanto me estimulam a continuar. Beijos a todos!!!

domingo, 8 de novembro de 2009

Meu Doce Vampiro - O Reencontro (parte 7)

LUÍSA





O que está acontecendo comigo? Por que disse aquelas bobagens para Robert? Praticamente disse que o queria, quando deveria desanimá-lo quanto a um relacionamento entre nós. Onde estava com a cabeça? Além disso, posso estar colocando a vida dele em risco caso recupere a memória completamente. Não sei até que ponto Cássia pode chegar para nos defender. Por outro lado, dói demais vê-lo deste jeito, irritado, confuso, achando que está enlouquecendo. O que vou fazer?
Estes pensamentos atordoavam Luísa em sua volta ao alto da colina. Enquanto isso, Robert, atirado em sua cama, ainda vestido como estava ao chegar em seu quarto, maldizia-se por estar fazendo papel de bobo. Não entendia por que Luísa estava agindo como uma adolescente, temerosa de entregar-se ao “lobo mau”. Tinha a sensação de estar enlouquecendo, apaixonado por uma lembrança e querendo desesperadamente que Luísa fosse esta mulher do passado.
Foi então que se lembrou de Victor. Se realmente Luísa e ele tivessem se relacionado há quatro anos, o menino poderia ser seu filho. Ficou alarmado ao pensar nesta possibilidade, que não era de todo impossível. Lembrou de suas fotos na mesma idade e a semelhança era grande. De repente, sentou-se na cama, ao se dar conta de que este fato talvez pudesse explicar o temor dela em deixar-se reconhecer. Tinha medo que ele pudesse reclamar o filho e tirá-lo dela. Isto realmente seria uma loucura... Mas logo se deitou novamente, tentando relaxar, com as mãos sob a cabeça. Não podia admitir que isso fosse verdade. Devia estar imaginando coisas demais. O alto teor de álcool daquele vinho tinha afetado sua habilidade mental. Antes de dormir, vencido pelo cansaço, decidiu que daria a ela o tempo que pediu, mas tinha dúvidas se conseguiria manter-se à distância. Talvez fosse obrigado a tomar certas atitudes para forçá-la a uma decisão... Adormeceu, finalmente.

“Era noite. Ouvia o som das ondas lambendo as areias da beira mar. Estava numa praia, sob a luz do luar, sentado no chão. Percebeu um vulto aproximando-se dele. Era uma mulher com o corpo coberto apenas por um véu branco transparente. Era Luísa? Ela andava em sua direção. Quando estava muito próxima, ajoelhou-se a sua frente, tirou o véu e beijou-o. Um beijo quase real. Sabia que tudo aquilo não passava de um sonho, mas não queria acordar. Ela estava ali, ao seu alcance, nua... De repente, quando ia abraçá-la, ela se afastou chorando, sem alarde. Ia consolá-la, quando percebeu que as lágrimas eram de sangue.
- Por que está chorando?
- Por nós... – ela respondeu.
Ao dizer isto, ele a viu ser arrastada para a escuridão por mãos invisíveis. Sentiu-se paralisado e impotente para ajudá-la. Começou a gritar seu nome...”
Robert acabou por acordar banhado em suor, angustiado, tentando entender o significado daquele pesadelo.


- Bom dia, Robert! - cumprimentou Will ao encontrar seu amigo no salão onde tomaria seu desjejum – O que aconteceu esta noite para ficar com estas olheiras e este ar de morto-vivo. Está querendo dispensar o maquiador?
- Não dormi muito bem – respondeu mal-humorado.
- Podemos rodar as suas tomadas amanhã, se não estiver se sentindo bem.
- Não. Ficarei bem depois de tomar um café forte. Não se preocupe comigo, Will... Obrigado.
Nunca vira o ator naquele estado, mesmo depois das maiores noitadas, mas resolveu aceitar suas desculpas e manter a sua planilha de trabalho.

GABRIELE




O amanhecer era recente e Gabriele já retornara ao seu quarto. Deixara Eric, depois de mais uma maravilhosa noite de amor, preparando-se para iniciar seu trabalho. Agora estava plenamente convencida das boas intenções do clã grego. Estava feliz e decidida a levar as boas novas às suas irmãs naquela noite. Ainda tinha certa preocupação sobre qual seria a reação de Cássia, mas eles haviam-na tranquilizado quanto a isso. Fechou as cortinas de sua janela com um sorriso ao verificar que o grupo de Will Fetter já começava a chegar e que, certamente Eric estaria entre eles. Mas ela podia esperar um pouco mais para encontrá-lo. Tinha de recuperar suas forças para mais tarde.

MONIQUE




Monique, curiosa em ver a movimentação daquela gente estranha invadindo os jardins de sua morada, colocou-se discretamente entre algumas das árvores frutíferas cultivadas ali. Lana ainda dormia, depois de uma noite de brincadeiras com seu amigo Victor, que ficara sob sua responsabilidade na noite passada para que Luísa pudesse encontrar-se com Robert. Sabia que a amiga estava passando por uma situação extremamente delicada, martirizada por não poder revelar seus sentimentos e angústias ao homem que amava. Muitas vezes pensou em aconselhá-la a jogar tudo para o alto e ficar com seu amor. De certa forma invejava a amiga, que conseguira viver uma grande paixão. Mas Cássia não permitiria que isso acontecesse de novo. Isto poderia significar perder a única chance de uma descendência. Victor e Lana eram esta esperança e nada poderia interferir nela. Não fosse isso, Luísa tinha chance de poder levar uma vida praticamente normal com Robert. Mas Cássia fizera questão de esconder-lhe alguns detalhes de suas origens e das possibilidades decorrentes delas. Tudo pelo medo desesperado da extinção da espécie. Aquele tipo de orgulho os tinha mantido afastados da raça humana. Considerava aquilo uma maldição e sonhava em levar uma vida normal, compartilhada com humanos.
Filosofando consigo mesma, enquanto tentava ver alguma coisa das atividades mais adiante, subitamente sentiu uma presença atrás de si. Instintivamente, aguçou seus sentidos e já se preparava para defender-se, quando ouviu uma voz grave e aveludada próxima ao seu ouvido.
- Gostaria de observar-nos mais de perto? Daqui não se consegue ver quase nada.
Com o coração disparado, virou-se rapidamente para ver quem a surprendera daquela maneira e quase deu de cabeça no amplo tórax do estranho. Seus olhos tiveram de elevar-se para que pudesse identificar o rosto do homem que lhe falava.
- Quem é você? – exclamou, dando um passo para trás, tentando esconder sua agitação diante dele. Seu rosto era quadrado e de maxilares largos. Sob a testa grande, um par de olhos negros a olhava intensamente, saboreando o efeito que estava provocando nela com sua presença. A boca e lábios finos, mas bem desenhada e sensual, compunha um belo visual com o queixo partido.
- Desculpe se a assustei, mas não pude resistir ao vê-la aqui sozinha e tão curiosa. Meu nome é Cristopher e sou um dos atores que está invadindo seus jardins e tirando o sossego de sua família... E você é?
- Eu sou Monique – respondeu com voz trêmula – Você sempre costuma chegar assim sorrateiro, silenciosamente?
- Não. Geralmente eu sou mais direto, principalmente com mulheres bonitas como você.
Ele lhe pareceu bem convencido. Gostaria de poder ignorá-lo, mas a sua presença e o seu olhar lhe provocavam um calor incomum através do corpo e uma estranha inquietude.
- Você não deveria estar trabalhando com os outros?
- Ainda não iniciaram a filmagem de minhas cenas. Estão apenas fazendo tomadas do cenário por enquanto. Não gostaria de ir até lá e ver tudo de perto? Dar-me-ia grande prazer – disse de forma insinuante, sem desviar um milímetro sequer aqueles olhos penetrantes dos dela..
- Infelizmente não posso. Tenho tarefas a cumprir e uma filha para cuidar – falou numa tentativa de esfriar o clima de sedução que ele estava criando
- Tem uma filha? Gostaria de conhecê-la. Vamos ficar um bom tempo por aqui e certamente nos encontraremos com frequência.
- Não conte muito com isso...
- Pois eu tenho certeza que sim ... – afirmou, pegando sua mão repentinamente e beijando a sua palma, o que lhe provocou um arrepio agradável que correu do braço a nuca – Conto com isso.
Aparvalhada com as sensações que ele estava provocando, retirou sua mão da dele bruscamente e disse, antes de virar-se e sair pisando duro na direção de uma das portas secundárias da fortaleza:
- Adeus.
- Até breve... Muito breve... – murmurou agradavelmente impressionado com a graciosidade no caminhar de Monique, mesmo quando pretendia parecer durona.
Ela o ouviu, mesmo a distância, e percebeu que seria muito difícil manter-se afastada dele nos próximos dias.

LISA



Lisa Weber chegara no dia anterior para juntar-se aos colegas que atuavam na produção dirigida por Fetter. Detestou o hotel, os serviços de quarto e, sobretudo a falta de vida noturna, segundo já fora advertida por um dos assistentes da maquiagem e o cabeleireiro. De qualquer forma agradecia aos céus por não ter ficado em um dos trailers que abrigavam uma boa parte da equipe. Concluiu de imediato que a cidade não tinha a mínima infra-estrutura para recebê-los. Imaginava onde estaria Fetter quando escolheu aquele fim de mundo para filmar. Não fosse pela presença de Robert, que sempre sabia como animar uma locação, já teria desistido de tudo. Também ficara agradavelmente surpresa com Eric Paole. Não o conhecia pessoalmente, mas gostou do seu jeito e de sua aparência. Teve a manhã para descansar da viagem. Chegou ao castelo no início da tarde, juntamente com o pessoal do catering que levou o almoço para o grupo que lá estava.
- Lisa! Que prazer, minha querida! – exagerou Will na recepção à atriz que ele considerava antipática e esnobe, mas que, tinha de reconhecer, sabia como atuar divinamente.
- Não vejo a hora de acabar minhas cenas e ir embora daqui.
- Que bom que você aprovou minha escolha, meu anjo – ironizou, com um sorriso falso no rosto.
- Onde está o Robert? – perguntou, ignorando a ironia do diretor – Só ele pode salvar o meu dia.
- Talvez esteja descansando um pouco. Ele sabe que terá cenas com você hoje. Deve estar se preparando – continuou com as ironias.
Ela o fulminou com o olhar.
- Ainda não sei por que você me aceitou em seu filme.
- O produtor me obrigou... – esclareceu sério, para logo em seguida esgaçar um meio sorriso e completar – Você sabe que a convidei porque reconheço o seu ótimo desempenho como atriz... Apesar do seu mau humor.
- Sempre gostei da sua sinceridade, Will – disse, simulando um sorriso de satisfação.
- Lisa! – a voz rouca do ator principal ecoou nos jardins – Que bom que você chegou.
Só Robert para fazer o milagre de tornar Lisa um pouco mais semelhante aos outros seres humanos, pensou Will, revirando os olhos para cima, entediado.
Robert aproximou-se dela e a abraçou carinhosamente, sendo correspondido com um beijo na boca. Continuaram conversando, de braços dados, enquanto ele a levava a um passeio pelos jardins. Lisa nem notou quando ele lançou um olhar de esguelha para o alto, na direção de uma das janelas do castelo, onde alguém se escondeu rapidamente atrás de uma cortina de veludo.
Luísa o observava a algum tempo, achando que não havia sido notada. Perguntava-se sobre quem seria aquela mulher que era tão bem recebida por Robert. Um estranho sentimento envenenava seu coração. Pensar nele com outras mulheres não a tinha deixado tão ferida quanto vê-lo com uma. Subitamente lembrou-se de Victor. Distraída como estava, não percebeu que ele saíra do quarto onde estava com ela. Percorreu o ambiente com os olhos atentos, na esperança de achá-lo escondido em algum lugar, como às vezes fazia. Certamente ele sentira a movimentação de estranhos no exterior. Curioso como era, provavelmente gostaria de averiguar pessoalmente o que estava acontecendo. Tomara que estivesse errada.
- Victor! – gritou ao sair de seus aposentos, na esperança de encontrá-lo ainda dentro de casa. Foi em todos os locais possíveis de esconderijo para um garoto de quatro anos, mas não teve sucesso. Não poderia estar nos andares superiores ou nos porões, pois estes eram trancados pela falta de uso. Só poderia estar lá fora. Lembrou da última vez em que Victor quase se fora devido a sua arteirice. Cruzou com Monique que vinha entrando por uma das entradas secundárias.
- Monique! Você viu Victor lá fora?
- Não... O que houve? Ele está aprontando de novo?
- É o que parece. Descuidei-me alguns instantes e ele desapareceu do quarto.
- Imagino o que a fez descuidar-se – comentou com ar crítico.
- Por favor, sem reprimendas – rogou, já afogada em culpa – Ajude-me a procurá-lo. Onde está Lana?
- Está dormindo. Eu ajudo você, é claro. Eu cubro a parte da frente e você os fundos.
- Certo. Obrigada.
Separaram-se para o início das buscas ao travesso. Tentava chamá-lo num grito sussurrado, através dos arbustos, para não chamar a atenção de indesejáveis. Depois de alguns minutos, já pensava em ir atrás de Monique, esperando que ela tivesse tido mais sorte e que já estivesse de posse do fujão, quando ouviu uma voz masculina sua conhecida a poucos metros de onde se encontrava.
- A sua mãe deve estar preocupada com você, Victor. Onde ela está? – falava com extrema doçura.
- Este tipo de mãe não devia ter filhos. Deixar uma criança solta por aqui é um perigo – disse uma voz entediada de mulher.
Luísa engoliu em seco as palavras maldosas da outra e a sua vontade de esmurrá-la, e conseguiu dizer com voz firme e imperiosa:
- Victor, venha comigo.
Dois homens a olharam com um brilho de admiração ao ouvirem-na. Victor e Robert.
- Mãe! – exclamou o menino sem medo de censura, correndo para ela.
Ela abaixou-se até o nível de poder olhá-lo nos olhos, colocando suas mãos sobre os ombros de filho.
- Porque você saiu sem me dizer aonde ia? Mamãe ficou preocupada – disse com calma e suavidade na voz, enquanto tentava recompor-se do desespero interior.
- Tem umas pessoas diferentes por aqui. Queria ver... – respondeu baixando a cabecinha, olhando para os próprios pés.
- Ele estava apenas curioso – defendeu-o Robert, recebendo um olhar fulminante de Luísa, que o fez pensar se era apenas por sua interferência no caso de Victor ou se ela o repreendia por algo mais. Sorriu internamente, imaginando se a presença de Lisa já estava causando algum efeito.
- Você a conhece, querido? – perguntou a atriz, enfatizando o adjetivo.
- Vamos, Victor. Temos que conversar – disse austera, quando sentiu uma mão forte segurá-la pelo braço.
- Não seja muito severa com ele. É apenas um garotinho esperto e curioso – rogou Robert.
- Quem é você para me dar conselhos sobre a educação de meu filho? – retrucou com indignação.
- Ainda não tenho certeza até onde podem ir meus direitos neste caso.
Ele notou a rápida mudança de indignação para medo nos olhos dela, o que durou frações de segundo. Logo, eles voltaram a expressar frialdade.
- Direito algum. Solte o meu braço... Por favor – pediu, quase tornando visíveis as fagulhas ao encará-lo.
Ele ainda continuou a olhá-la intensamente, a procura de mais algum indício de que ele poderia estar certo quanto a suas desconfianças, mas ela já colocara um escudo entre eles. Soltou-a, desfazendo lentamente o nó em torno de seu braço.
Luísa virou-se, pegando Victor pela mão, saindo da vista do casal em passos decididos.
- O que está acontecendo aqui? Será que perdi alguma coisa? – perguntou Lisa com um sorrisinho irônico.
- Nada. Não está acontecendo nada – respondeu asperamente – Melhor voltarmos para junto dos outros.
Largou Lisa, atônita com a reação dele, sozinha em meio ao jardim. Teve de sair andando em passos rápidos para poder alcançá-lo. Assim que ele se acalmasse ia querer saber exatamente o que estava se passando. Estaria ele sendo finalmente fisgado por uma provinciana? Gargalhou para si mesma, pensando na fama de conquistador de Robert, de quem já fora vítima no passado. Agora o considerava apenas um bom e divertido amigo. Mas ainda duvidava que ele algum dia pudesse ser conquistado por alguém.




Mircea




Castelo


Espero que tenham gostado de minhas escolhas para as personagens. Queria agradecer à Tânia, à Ly, à Carel e à Cris, minha amigas queridas, que mandaram várias sugestões de nomes de atrizes. A mais difícil foi a Luísa, pois ela não poderia ser menos bonita ou menos sensual que as outras amiguinhas vampiras.
Aguardem o próximo episódio... Beijos!!!


PS: Meus agradecimentos à Tânia que mandou as fotos do Castelo de Bran e da cidade onde ele se localiza na Romênia, em que foram inspirados Mircea e o castelo das vampiras. Beijos, querida!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Meu Doce Vampiro - O Reencontro (parte 6)





Voltei! Desculpem a demora em postar a continuação deste romance. Volto com algumas novidades. A pedido da Carel, vou colocar algumas fotos que representem alguns dos personagens nesta estória, da mesma maneira que fiz em "Um Amor no Deserto". Ainda estou na dúvida de quem seria mais indicada para o papel de Luísa. Aceito sugestões, queridas! Também deixarei dois vídeos com músicas que aparecerão nesta postagem. Mais uma vez agradeço pela paciência em esperar pela continuação e pelos comentários e recadinhos.
Beijo grande a todas vocês!

ROBERT







Os últimos raios de sol despediam-se dos vales dos Cárpatos, refugiando-se atrás de pesadas nuvens cinzentas, que anunciavam uma tempestade de verão que deveria chegar no meio da noite. O movimento nas ruas de Mircea começava a diminuir, os poucos comerciantes já davam por encerrado o seu dia de trabalho e as luzes das ruas e de algumas casas já começavam a reverenciar a noite. Robert assistia a este bucólico espetáculo tentando apaziguar a ansiedade que segurava no peito. Temia que Luísa não aparecesse ao encontro. Não se lembrava de ter ficado desta maneira antes de qualquer outro compromisso com qualquer outra mulher. Não conseguia explicar a si próprio esta agitação íntima. Olhou o relógio de pulso pela enésima vez e constatou, finalmente, ser hora de descer ao saguão para esperá-la. Ao sair no corredor, encontrou com Eric e Cristopher.


ERIC



CRISTOPHER



Parece que temos um compromisso a frente, não é Cris? – falou Eric sorrindo zombeteiramente, indicando Robert com a cabeça.
- E não deve ser com nenhum cavalheiro... – respondeu Cris, com um meio sorriso.
- Está tão aparente assim? – reagiu rindo, olhando para baixo, num gesto que simulava estar conferindo o seu visual.
- Conseguiu encontrar aquela dama misteriosa? – perguntou Eric.
- Este é o meu compromisso de logo mais. Pelo menos assim espero – respondeu enquanto desciam as escadas juntos – E vocês?
- Estamos aguardando a chegada de um velho amigo, que vem nos visitar.
- Ele é daqui?
- Ele é romeno, mas mora fora do país há muitos anos... Na verdade ele está de passagem e, sabendo que estávamos aqui, resolveu desviar-se de sua rota e nos ver – esclareceu Cris.
Tão logo chegaram à recepção, Robert olhou para todos os lados a procura de Luísa. Havia apenas um homem desconhecido conversando com o gerente, provavelmente fazendo uma ficha de hóspede. Ficou decepcionado.
- Bem, parece que o nosso amigo conseguiu achar Mircea – disse Eric, expressando satisfação ao ver o recém-chegado – Venha, Robert, quero apresentá-lo.
Depois de feitas as apresentações, Eric e Cris acompanharam seu amigo até o apartamento, deixando Robert sozinho com sua ansiedade a espera de Luísa junto a entrada do hotel. Já passavam quinze minutos das oito, quando a porta principal se abriu e ela entrou, chamando a atenção dos pouco homens que ali estavam. Linda e elegante, trajava um vestido preto ajustado ao corpo esguio, sem mangas e com um discreto decote quadrado, que tentava esconder seus seios fartos. Os cabelos castanho-escuros estavam presos à nuca, revelando o pescoço delgado, adornado apenas por um fino cordão de ouro. Tinha porte nobre, mas um olhar doce e sensual. O rosto de feições delicadas lembrava aqueles retratos de camafeus antigos. Assim que o viu, encaminhou-se para ele.
- Boa noite. Desculpe o atraso, mas Victor teimou que queria vir junto. Até eu convencê-lo que era um encontro de adultos... – explicou-se, sorrindo timidamente.
- Não tem problema. Não está tão atrasada assim... – tranquilizou-a – Você prefere jantar aqui no hotel ou sugere outro lugar?
-Oh! Eu já jantei... Mas posso acompanhá-lo à mesa – tentou redimir-se ao notar a expressão de desalento no rosto dele.
- Não tem problema. Não estou com muita fome mesmo. Podemos sair, conversar e dançar um pouco. Que tal? Conheço um lugar ótimo – disse animando-se e sorrindo interiormente ao lembrar-se do bar que conhecera no primeiro dia em Mircea. Talvez naquela noite fosse diferente e a frequência de casais aumentasse, aquecendo um pouco a pista de dança que havia lá. Teria música adequada ao que estava imaginando? lembrou repentinamente e corrigiu-se – Talvez não tão ótimo assim...
- Será que existe algum lugar novo por aqui que não conheço? – riu divertida, tentando buscar na memória onde haveria um lugar para se dançar no vilarejo.
- Você me dirá quando chegarmos lá – seu olhar brincou com o dela, fazendo-a arrepiar-se.
Intimamente, Luísa ainda lutava para não se deixar levar por seus desejos e carências, mas já sentia que seria presa fácil daquela armadilha caso não conseguisse manter Robert à distância.
- Estou curiosa em conhecer esta novidade de Mircea – falou, conseguindo disfarçar o tremor da voz, ao mesmo tempo em que aceitava o braço oferecido por Robert para que ela o acompanhasse.
-Vamos, então...

As nuvens densas do entardecer já alcançavam o espaço sobre a cidade, tornando o ar mais pesado e úmido, anunciando o mau tempo nas próximas horas. Já se podia sentir uma aragem quente e abafada circulando entre as ruas e becos, quando eles chegaram ao local escolhido por Robert, despertando uma risada de Luísa, ao ver o seu já conhecido ponto alto da cidade.
- Você conhece algum lugar melhor por aqui? – perguntou ele, um pouco sem jeito pelo sarcasmo percebido naquela risada, mas ao mesmo tempo fascinado ao vê-la sorrir tão descontraidamente. Poderia passar o resto da vida tentando fazê-la rir daquele jeito só para admirar as covinhas em torno da sua boca e o brilho de seus olhos.
- Perdoe-me, Robert. Não queria deixá-lo envergonhado, mas é que ... Deixe para lá. Bobagem minha. Temos que reconhecer que nossa cidade não está muito bem adaptada para vida noturna. Não é uma tradição aqui os casais saírem para divertirem-se à noite, nem mesmo nos finais de semana. As festas locais costumam ser ao ar livre e as danças mais comuns são as folclóricas.Talvez porque a população jovem parta muito cedo daqui, à procura de oportunidades nos centros maiores.
- Se quiser ir para outro local... – falou com certa irritação. Seria bem diferente se estivessem em Londres.
- Não – ela o interrompeu, apertando mais o seu braço e puxando-o para dentro do bar – Vamos entrar e conversar. Não é isso que você quer?
- É... – confirmou, seguindo-a.
O movimento no interior da casa noturna não era maior que o da noite em que Robert estivera lá, a não ser pela presença de duas mulheres de aspecto suspeito, maquiagens pesadas e saias mais curtas que o habitual. Assim como Gabriele, Luísa chamou a atenção em sua entrada, mas logo foi esquecida pelos olhares curiosos.
Ele escolheu a mesma mesa em que sentara com Eric e Cris, por estar vazia e por encontrar-se próxima à pista.
- Parece que você está determinado a dançar hoje. Não sei se eles terão músicas adequadas ao que você deve estar acostumado
- Pode ser que eu ainda tenha chance de contar com minha sorte hoje...
Ela retribuiu o seu sorriso, apesar de tentar fugir daquele olhar que a desconcertava.
Aborrecido, após receber a notícia de que não havia nenhum tipo de espumante na casa, acabou por decidir-se por uma das duas opções de vinho oferecidas pelo garçom. Pediu o vinho branco, Sauvignon Blanc, produzido na região e, para acompanhar, uma tábua de queijos romenos, dos quais que já ouvira alguns elogios. Feito seu pedido e dispensado o garçom, Robert voltou sua atenção para Luísa.
- Queria te agradecer por ter aceitado meu convite.
- Não precisa agradecer. Você salvou a vida do meu filho e vou ser eternamente grata a você.
- É só por isso que você aceitou vir encontrar-se comigo?
- Teria algum outro motivo? – perguntou, baixando o olhar para suas mãos que estavam perdidas sobre a mesa, evitando encará-lo e demonstrar que tinha inúmeros motivos para estar ali, sendo que todos lhe eram proibidos.
- Luísa, sei que vai parecer uma cantada antiga e sem graça, mas tenho a nítida impressão de que já nos conhecemos. Você não sente isso também? – perguntou colocando sua mão sobre as dela.
- Não. Eu nunca saí da Romênia – mentiu.
- Tem certeza? Nunca viajou para a Grécia?Não fez nenhum cruzeiro há alguns anos?
Luísa sentiu a alma gelar. Como ele podia lembrar-se?
- Certeza, Robert. Nunca nos vimos antes – foi categórica.
Ele a fitou, frustrado com as suas respostas, apesar de desconfiar que ela escondesse alguma coisa. Resolveu mudar de assunto, pelo menos momentaneamente, para não pressioná-la. Não queria estragar aquela oportunidade de tê-la tão próxima.
- Você nunca pensou em sair daqui?
- Sair? Por quê? Eu gosto muito do lugar onde moro. Adoro sentir a natureza ao meu redor. Não sei se me acostumaria com o movimento das grandes cidades. Além disso, sou pintora e gosto de colocar em minhas telas as cores e os movimentos destas paisagens.
- Não me lembro de ter visto nenhuma galeria de arte por aqui. Seria frustrante não ter onde expor o seu trabalho.
- Tenho um marchand, o senhor Zimbro, que me ajuda com a divulgação de meu trabalho. Eu mando as telas para ele em Budapest e ele as encaminha para exposições de arte lá e em outros locais da Europa.
- Você havia me dito que nunca saíra da Romênia.
- Eu o conheci quando fazia o meu curso de Artes na nossa capital e ele fazia o seu tour anual para descobrir novos talentos artísticos.
- Adoraria conhecer o seu trabalho.
- Claro. Podemos combinar um dia em que você esteja numa folga das filmagens – sugeriu, rogando para que ele esquecesse o convite – Você deve ter uma vida bem agitada com a carreira de ator – tentou mudar de assunto.
- Como sabe que sou ator?
Luísa percebeu que devia cuidar com o que dizia. Rapidamente pensou numa desculpa para o seu conhecimento. Delicadamente desprendeu suas mãos das dele, jogando-se para trás, ficando ereta junto ao espaldar da cadeira.
- O que mais seria tendo em vista que está acompanhando uma equipe de filmagem em nossa terra?
- Eu poderia ser fotógrafo, cinegrafista, diretor ou produtor...
- Na verdade, quem me falou sobre o seu trabalho foi Cássia – disse, sorridente e aliviada por lembrar o encontro dele e do diretor Fetter com Cássia à tarde. Tinha ouvido as apresentações e a conversa entre eles.
- Cássia e você são parentes?
- Somos primas e herdamos o castelo de nosso tio.
Foram interrompidos pela chegada do vinho e das taças. Robert ocupou-se em servi-los, dispensando o atendente.
- Vamos fazer um brinde? – sugeriu, erguendo a taça na direção dela.
- Vamos brindar a quê? – perguntou elevando a sua taça também e sorrindo surpresa.
- Ao início de uma amizade ou... de algo mais?
- À amizade – brindou, esforçando-se para conter o tremor dos joelhos, e deu uma bebericada de sua taça.
- Quem é o pai de Victor? – indagou enquanto colocava um pedaço de queijo de cabra na boca. Esta era uma pergunta que insistia em incomodá-lo desde que soube que o garoto era filho dela.
Luísa contraiu-se toda ao ouvir a pergunta direta, deixando cair a taça de vinho, que ainda segurava, sobre a mesa. Foi pega de surpresa e sua mente tentava achar uma resposta desesperadamente.
- Era. Ele morreu – foi o que conseguiu responder, enquanto buscava compor um suposto pai para seu filho e secava o vinho derramado com os guardanapos de papel que estavam ao seu alcance, com a ajuda de Robert – Não era daqui. Veio passar as férias na Romênia e nos conhecemos. Não chegou a saber que eu estava grávida. O avião em que voltava para sua terra caiu. Nossa, que história mais dramática, pensou.
- Sinto muito. Ele era de onde?
- Era francês – inventou na hora – De Paris.
- Sorte sua não ter voltado com ele.
- Foi uma aventura de verão, que resultou em algo muito bom.
- Não consigo imaginá-la como mulher para uma simples aventura, Luísa.
Ela engoliu em seco. Agora ele a tomaria por promíscua. Talvez fosse melhor assim, refletiu.
- Aconteceu. Não deverá acontecer mais – disse olhando para ele o mais friamente possível.
- Isto é um recado para mim?
- Talvez. Acho que sim, se é o que tem em mente... Uma aventura de verão.
- E se eu não pretender apenas uma aventura?
Luísa começava a ficar nervosa com o andamento daquela conversa.
- Robert, sei onde pretende chegar, mas já lhe aviso que posso ser apenas sua amiga enquanto estiver aqui. Não tenha nenhuma outra pretensão – seu peito parecia prestes a explodir, tanto desejo e amor contidos por aquele homem a sua frente, mas que não podia deixar transparecer.
- Não pretendo forçá-la a nada, Luísa. Estamos apenas conversando. Relaxe. Você me parece muito tensa – disse tocando-lhe a mão novamente – Que tal dançarmos um pouco? Vou ver o que eles podem nos oferecer em termos musicais.
Levantou-se e foi até o balcão. Conversou um pouco com o proprietário do bar e pareceram entrar em algum tipo de acordo. Voltou a mesa e, ainda de pé, ofereceu sua mão para ajudá-la a levantar-se.
- Vamos dançar?
- Eu tenho como negar? – Luísa estremeceu ao lembrar a noite em que dançaram juntos pela primeira vez no cruzeiro e das palavras trocadas, idênticas às de agora.
- Não – intimando-a, teve novamente a sensação de que já tinha vivido semelhante momento com ela no passado.
Na pista, tornaram-se alvo dos olhares do reduzido público presente no bar. Foi quando começou a tocar a música de Frank Sinatra, “Fly Me To The Moon”. Robert segurou-a pela cintura e aproximou-a de seu corpo. Sorrindo, disse num sussurro junto ao seu ouvido, provocando-lhe cócegas:
- O mais próximo de músicas para dançar que ele tinha aqui era um CD de Frank Sinatra. Um pouco brega para o meu gosto, mas interessante. Você gosta?
- Gosto... – respondeu, iniciando a sua viagem para a Lua nos braços de Robert.
Tentou fugir daqueles olhos azul-esverdeados que não cansavam de analisá-la, mas não resistiu. Acabou perdendo-se no olhar e na música, que parecia ter sido escolhida de propósito para ela. Flutuando ao seu ritmo, a letra da canção traduzia o que ela mais gostaria de dizer e fazer. Já sem forças para resistir àquele chamado, acabou deitando a cabeça sobre o peito de Robert, que a cingiu um pouco mais forte. As pessoas, as mesas, as cadeiras, as ruas, as trovoadas e raios, que clareavam a noite a intervalos cada vez menores, desapareceram no ritmo da dança. Quando os acordes e a voz de Sinatra chegaram ao fim, Robert beijou seus cabelos acima da testa, tirando-a de seus devaneios e fazendo-a olhar para ele, com expressão lânguida. Ele foi aproximando-se lentamente de seu rosto, até que seus lábios se tocaram. Notando que ela não apresentava resistência alguma, aprofundou-se, tornando o leve roçar, num beijo mais intenso, caloroso e invasivo. Luísa não pode mais evitar que suas mãos se unissem em torno do pescoço de Robert, depois de contornar os músculos de seus ombros, acariciando-os. Sentiu as carícias dele em suas costas, apertando-a contra si, como se quisesse fundir-se a ela.
Nunca tinha sentido tamanha atração por uma mulher. Luísa lhe tirava o fôlego e a sanidade mental. Desejava-a mais do que nunca. E não era apenas por uma noite ou uma aventura de verão...
Então começou a música seguinte do CD – My One and Only Love. Imediatamente Luísa reconheceu a melodia que ela dançara naquela noite no baile do comandante do transatlântico, na viagem às ilhas gregas. Olhou para Robert e notou que ele também se lembrara de algo. Ela sentiu medo do que estava por vir. Seu temor foi encoberto pela forte trovoada que se fez ouvir muito próxima. O vento nas ruas aumentou e a tempestade era iminente.
- Acho que é melhor irmos embora. A chuva não tarda – rogou-lhe Luísa, parando de dançar e colocando as mãos em seu peito para afastá-lo.
- Não. Vamos continuar aqui – insistiu, mantendo-a junto a si - Ainda não terminamos o vinho e, se sairmos agora, certamente acabaremos molhados. Já me disseram que este tipo de tempestade dura apenas alguns minutos. Além disso, a nossa noite apenas está começando...
Sem forças para resistir, ela acabou concordando.
Ao fim de mais dois sucessos românticos de Sinatra, Robert só pensava em ficar sozinho com Luísa.
- Vamos para o hotel? – perguntou com voz mais rouca que o habitual.
- O quê? – perguntou inebriada. Já sentia o efeito das duas taças de vinho que havia se forçado a tomar para acompanhar Robert.
- Quero ficar com você a sós.
- Não acho uma boa idéia... – disse, sentindo que seu autocontrole já estava em frangalhos. Talvez fosse hora de despedir-se. Seria o mais sensato a fazer.
- Do que você tem medo?
- Tenho medo do que sinto por você. Acho que estamos indo muito rápido. Eu preciso de um tempo...
Irritado com a recusa dela, que lhe caiu como um balde de água fria, tornou-se sério.
- Raios, mulher! – esbravejou com a boca semicerrada – Você me deixa a ponto de querer possuí-la em público e agora me descarta?
Fechou os olhos tentando controlar suas emoções e acabou por dizer:
- Não vou incomodá-la mais. Saberá onde me encontrar esta semana. Quando estiver livre de seus medos, me procure – disse com rispidez.
- Robert... – ela balbuciou, surpresa com a mudança de humor que provocara nele.
- Onde está o seu carro?
- Está na rua defronte ao seu hotel – respondeu de imediato.
- Eu a levo até lá. Aguarde-me um momento – ordenou secamente.
Ele a deixou no meio da pista de dança e foi até o balcão para encerrar sua conta. Seguiu-o cabisbaixa e logo estavam na rua, a caminho do hotel.


FLY ME TO THE MOON



MY ONE AND ONLY LOVE


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Meu Doce Vampiro - O Reencontro (parte 5)

Gabriele resolveu dar um de seus passeios noturnos com a esperança que pudesse atrair Eric. Ele não voltara a encontrá-la e começava a ficar preocupada. Não deixara de pensar nele e nem tivera coragem de avisar sua família da existência dele. Precisava sondar o terreno antes, para saber quais eram suas legítimas intenções. No passado, clãs de vampiros haviam sido rivais e brigavam por seus espaços. Não acreditava que isto ainda pudesse acontecer, tendo em vista a devastação de sua raça, mas precisava ser cautelosa.
- Perdida, minha cara? – soou a grave e rouca voz de Eric, logo atrás dela.
- À sua espera, meu caro – respondeu sorrindo, virando-se para vê-lo.
- Pensei que estivesse a procura de outra pessoa.
- Depois da última vez que nos vimos, achei que minha procura havia terminado... – disse, sedutora.
O desejo de Eric inflamou-se, levando-o a aproximar-se ainda mais de Gabriele e a envolvê-la em seus braços.
- Como podia saber que eu viria? – sussurrou próximo ao ouvido dela, provocando-lhe um arrepio.
- Eu sabia... - segredou-lhe, inebriada com seu cheiro, desafiando-o com olhar cálido e deixando os lábios entreabertos convidando-o para um beijo.
E este veio, violento e arrebatador, a pressionar seus lábios com força. A língua ansiosa, macia e ágil invadiu sua boca, provocando-lhe um prazeroso arrepio que lhe percorreu todo o corpo, tornando-a indefesa aos carinhos que as mãos experientes dele iniciavam, até extrair-lhe um gemido suspiroso. Logo, após frações de segundo de separação e um olhar afetuoso, ele tornou a beijá-la, agora mais calmo e carinhoso, explorando seus lábios e língua, docemente.
Recobrando um pouco de sua consciência, Gabriele afastou-o, delicadamente, e conseguiu dizer:
- Eric, nós precisamos conversar. Você ainda me deve algumas explicações, assim como eu a você.
- Tem razão, minha querida – concordou, ainda com os olhos semicerrados, tentando controlar seus instintos – Vamos conversar.
Ele a levou para o hotel onde estava e, sem que ninguém percebesse, foram para o seu quarto. Depois de certificarem-se que estavam isolados, Gabriele começou a buscar as respostas aos seus temores.
- Eric, estou curiosa para saber se existem outros além de você e onde estão. Pensávamos que nossa espécie estava limitada aos muros do castelo.
- Nós já sabíamos a um bom tempo que vocês viviam aqui, mas não quisemos nos aproximar, devido a temores antigos, causados por desavenças entre nossos antepassados.
- Como vocês sabiam? Desde quando? – perguntou espantada.
- Desde que a sua família esteve na Grécia procurando humanos para procriação, sem saber que estávamos morando lá. Lembra de Eros, o menino que as guiou durante um passeio? Era um dos nossos. Ele foi quem nos alertou sobre a sua presença em nossas terras.
- Não acredito... E por que não nos procuraram?
- Nossa família descende de um grupo exilado pelo Príncipe Vlad há centenas de anos. Ele não concordava com algumas idéias progressistas de um de seus vassalos. Este vampiro, que posteriormente tornou-se nosso líder, acreditava que podíamos conviver pacificamente com os humanos. Após a expulsão, ele e outros simpatizantes de seus ideários foram para a Grécia. Muito tempo depois, meu tio, Arnold Paole tomou a liderança do grupo, mantendo vivo o propósito do antigo líder. Este foi o motivo principal para não haver aproximação maior de vocês naquela época. Temiam que os descendentes de Vlad ainda cultivassem algum tipo de animosidade contra os vampiros gregos.
- E você estava lá?... – perguntou tristonhamente.
- Não. Eu não estava na Grécia naquela época. Já estava trabalhando como ator e minha carreira não me permitia ficar em meu país muito tempo. Quando vocês partiram, decidiram por manter tudo como antes.
- Mesmo imaginando que estávamos desesperadas a lutar contra nosso fim?
- Não foi uma decisão minha, Gabriele. Quando eu soube de tudo, já havia se passado um bom tempo. Quando surgiu esta oportunidade de atuar num filme que seria rodado aqui, resolvi aproveitar a oportunidade e conhecê-las mais de perto e saber se ainda havia algum rancor contra nosso clã.
- Como poderíamos ter qualquer sentimento contrário a algo que nem sabíamos que existia?
- Agora sabemos disso.
Gabriele sentia-se indignada com tudo que havia ocorrido. Há quatro anos sujeitara-se a deitar com um humano para perpetuar sua espécie, enquanto que muito próximos estavam seres iguais a ela que não fizeram questão de aproximar-se e tranquiliza-las sobre seus medos.
Eric podia notar o ressentimento de Gabriele, por isso aproximou-se com cuidado e a abraçou carinhosamente por trás. A princípio sentiu uma resistência, mas que acabou desaparecendo em seus braços.
- Eu entendo a sua mágoa. As coisas poderiam ter sido diferentes se eu estivesse lá e a conhecesse antes. Eu não permitiria que você se violasse daquela maneira – consolou-a, enquanto beijava suavemente a curva tênue de seu pescoço e seus ombros.
- Eu perdi o filho gerado lá e isso me fez tanto mal que acabei me virando contra minhas próprias irmãs. Principalmente contra Luísa. Tem sido horrível desde então. Até agora...
Eric virou-a para si, abraçando-a novamente. Segurou em seu queixo, obrigando-a a olhar para ele.
- Estou aqui para que esqueça tudo isto e comece uma família comigo.
- Não é tão fácil assim, Eric. Ainda não estou certa que não existam mais rancores
contra nosso diminuto clã por parte do seu ou mesmo de você – disse desvencilhando-se dele.
- O que eu posso fazer para provar isto?
- Não sei... Preciso pensar. Talvez conversar com minha família.
- Eu entendo... – disse cabisbaixo.
- Fale mais sobre vocês. Como sobrevivem? Quantos são? – perguntou, ainda curiosa, afagando o rosto de Eric e animando-o a contar sobre seu povo.
- Somos cerca de cem. Arnold ainda vive, mas deixou a liderança para meu primo, Dimitri. Meu pai, Petre Paole, perdeu a vida há anos atrás. Alguns dos nossos estão espalhados pelo mundo afora, como Stefan, outro filho de Paole, que atualmente mora no Brasil, ou como eu próprio. O sonho do antigo líder de certa forma tornou-se realidade. Meu tio, depois de muitas pesquisas e experiências, descobriu o sangue artificial. É com ele que conseguimos sobreviver, deixando de ser caçadores ou depender de bancos de sangue. Queremos e vivemos em paz. Nada mais de desejos de vingança ou cultivo de ódios antigos. Você tem de acreditar no que eu digo.
- É o que eu mais quero, Eric... – replicou, lançando-lhe um olhar apaixonado, pois intuiu que a atração que sentia por ele era mais forte do que suas dúvidas.
- Gabriele... – murmurou, puxando-a de encontro ao seu corpo, beijando-a com avidez.
Sentindo que ela compartilhava de seu desejo, foi aumentando a intensidade de suas carícias, sendo plenamente correspondido. Já não conseguiam segurar a vontade de se entregar àquela paixão. Aos poucos, suas roupas foram sendo deixadas de lado, caídas ao chão. Gabriele não conseguia mais pensar em nada, que não fosse a sensação de prazer provocada pelo deslizar das mãos de Eric sobre sua pele. Ele a tomou cuidadosamente e a colocou sobre a cama, admirando suas formas perfeitas, que lhe tiravam o fôlego. Ela o aguardava ansiosa, pronta para ser sua. Logo sentiu o peso dele sobre si e envolveu-o com suas pernas, em torno de sua cintura, mexendo com os quadris para acomodá-lo mais facilmente. Com as unhas, arranhava-lhe as costas, extraindo-lhe gemidos extasiados. O ritmo do amor acelerava-se de tal forma, que suas presas logo se tornaram visíveis. Quando as ondas orgásticas atingiram seu ápice, Eric jogou-se sobre a jugular de Gabriele, arrancando-lhe um grito de puro deleite. Gabriele estremeceu em seus braços, de olhos fechados, entregue ao seu senhor. Tão logo se recuperaram, os movimentos recomeçaram e voltaram a acariciar-se, até que chegou a vez de Gabriele satisfazer sua sede. Sentada sobre o quadril de Eric, que a mantinha segura pela cintura, encaixada perfeitamente sobre seu órgão ereto, estimulava-o com as mãos, deslizando-as vigorosamente sobre seu abdômen e tórax, enquanto remexia-se ritmicamente, arrancando gritos roucos de seu par. Foi quando se lançou sobre ele, com as presas a mostra. Agora estavam completamente unidos. Já confiava plenamente nele. Restava convencer Cássia e as irmãs de raça a confiar também.


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Não conformado com a falta de notícias de Luísa, Robert resolveu voltar ao castelo, antes do tempo previsto para o início dos trabalhos por lá. Seguia sua intuição de que talvez Gabriele soubesse algo sobre a misteriosa mulher que o ajudara naquela noite. Aproveitaria para indagar sobre o que tinha acontecido então, com a escolhida de Eric, que sumira como por encanto na escuridão das ruas, logo após ter ouvido o grito de Luísa. Seria a sua desculpa para explicar sua visita. Aliás, este parecia ser mais um lapso de memória adicionado a todos os outros. Talvez devesse procurar um médico em Londres que pudesse explicar o que estava acontecendo. Por sorte ainda conseguia decorar suas falas dos roteiros cinematográficos, pensou ironicamente, sorrindo para si mesmo.
Voltou a subir a colina num dos poucos táxis que faziam plantão na porta do hotel. Lá chegando foi recebido por uma outra mulher, que aparentava menos idade que as outras duas moradoras, mas não menos formosa.
- O que deseja? – perguntou, aparentando surpresa ao vê-lo.
As visitas não deviam ser muito freqüentes por ali.
- Meu nome é Robert e estou com a equipe de filmagem...
- Sim, eu sei – interrompeu-o – O que deseja? Que eu saiba vocês só começam a trabalhar amanhã, não?
- Ah, sim. Mas não vim a trabalho e sim para falar com a senhorita Gabriele.
Após um momento de silêncio, em que parecia refletir sobre o que fazer, acabou por convidá-lo a entrar.
- Vou chamá-la. Entre, por favor – disse, introduzindo-o na penumbra do espaçoso hall de entrada, sobre o piso em mármore negro, de onde podia vislumbrar uma escadaria, feita de idêntico material, com corrimãos em ferro trabalhado, e parte dos suntuosos salões daquele piso térreo, repletos de antiguidades e móveis finamente entalhados em madeira de lei, estofados em couro e tafetá. Pesadas cortinas de veludo vermelho pendiam do teto, da construção de altíssimo pé-direito, cobrindo as amplas janelas, formadas de vitrais coloridos, conforme ele pudera observar pelo lado de fora anteriormente. As paredes de pedra eram cobertas por quadros dos mais diversos tamanhos, com retratos de antigos habitantes e paisagens, pintados à óleo.
Enquanto aguardava Gabriele, imaginava a cara que Will faria se pudesse ver aqueles recintos. Seriam perfeitos para ambientar as cenas de seu filme. Como não houvesse mais ninguém ali, permitiu-se passear pela sala principal, quando avistou os janelões que se abriam para uma sacada. Dali podia ver uma parte dos jardins e o parapeito de onde se descortinava uma linda vista dos Cárpatos e do despenhadeiro abaixo. Foi então, que viu com admiração a presença de uma criança. Era um menino com cerca de quatro anos, que lhe pareceu incrivelmente familiar, correndo entre os arbustos. Parecia estar escondendo-se de alguém. Dirigiu-se para o alambrado de mármore e começou a tentar escalá-lo. O coração de Robert disparou ante a iminência de um grave acidente fatal. Rapidamente forçou a abertura das janelas da sacada e correu na direção do menino, tentando não gritar, para não assustá-lo, e alcançá-lo antes que o pior acontecesse. Quando já quase o tocava, ouviu-se um grito desesperado de mulher:
- Victor!!!
O menino, que já conseguira ficar de pé sobre o parapeito, virou-se ao ouvir o chamado de sua mãe e desequilibrou-se, tombando para o espaço vazio do penhasco. Não fosse a mão segura e firme de Robert, que o segurou naquele exato momento, Victor teria se lançado para a morte certa. Abraçando o menino, que começou a chorar devido ao susto, tentando consolá-lo e acalmar a ambos, ele viu Luísa aproximar-se correndo, com olhar aterrorizado, e arrancar o menino de seus braços.
- Victor! O que você estava fazendo? – gritou ainda em estado de pânico.
Assim que pode tê-lo em seu colo e sentir o seu frágil corpo seguro por ela, começou a chorar.
Quando conseguiu novamente encontrar a voz, articulou:
- Nunca mais faça isso... Quase o perdi, meu pequeno... – soluçava, agarrada ao filho, sem notar que era observada por Robert, que ainda se recompunha do sobressalto por que passara.
O menino, vendo o desespero da mãe, parou de chorar e, segurando seu rosto, tentando secar-lhe as lágrimas com as mãozinhas, disse:
- Desculpe, mamãe.
Um sorriso pálido abriu-se no rosto de Luísa, estreitando com mais força o menino e dando-lhe um beijo na face. Só então se lembrou que Robert ainda estava ao seu lado e que, se não fosse ele, poderia ter perdido Victor para sempre, pois ainda era vulnerável a qualquer tipo de acidente, como qualquer criança de sua idade.
- Preciso agradecer-lhe pela vida de meu filho.
- Foi sorte eu estar olhando para cá naquela hora.
- Sorte ou não, eu ainda o tenho em meus braços graças a você.
- O que aconteceu aqui? – exclamou Monique, que acabara de surgir no jardim.
- O Senhor Robert salvou o Victor de cair no precipício – elucidou Luísa.
Monique lançou um olhar de repreensão para o menino e voltou-se para Robert.
- Gabriele não está.
- Obrigado. Não era nada tão importante assim. Falo com ela em outra hora – disse, escondendo que já conseguira alcançar o objetivo de sua visita – Bem... Então vou embora... - disse vacilante, olhando para Luísa, esperando que ela reagisse de alguma forma a impedi-lo de ir.
Fez um afago na cabeça do garoto, que agora o mirava com seus imensos olhos verdes e um grande sorriso, e falou:
- Obedeça a sua mãe, Victor... Até mais – ordenou, retribuindo o sorriso infantil.
Já caminhava lentamente para a saída, quando ouviu a voz de Luísa:
- Espere! - chamou-o, logo após cochichar alguma coisa para Monique, entregar-lhe o menino e sair atrás de Robert.
Ele virou-se e, mais uma vez, teve a certeza de que já a conhecia de muito antes.
- Sim?
- Como posso lhe agradecer pelo presente que me deu hoje?
- Que tal um jantar à noite? – respondeu com aparente casualidade, disfarçando a ansiedade – A sua companhia será a minha recompensa.
Luísa tentou esconder seu estremecimento diante daquele pedido e daquele olhar.
- Eu o encontro no hotel às 20 horas – ajustou.
- Mas eu posso... – iniciando a objetar a determinação de Luísa.
- Não se preocupe. Não vai encontrar táxis disponíveis neste horário para me buscar – tranquilizou-o.
- Está bem. Eu a espero – disse vencido, aproximando-se dela e depositando um beijo suave em sua face – Até a noite, então.


ATUALIZAÇÃO:
Voltei para esclarecer de onde sairam alguns nomes citados nesta postagem. Stefan, Dimitri e Arnold Paole são personagens de meu outro conto, postado em Junho deste ano, neste blog, chamado "Encontro Noturno!, que se passa em São Paulo. Para quem ainda não leu e gosta de um vampirão, recomendo a leitura. Beijinhos!!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Meu Doce Vampiro - O Reencontro (parte 4)

Luísa ainda vagava entre as sombras do bosque próximo à cidade, buscando clarear as idéias entre o farfalhar das folhas e galhos embalados pela suave brisa noturna. Tudo tinha acontecido tão rapidamente. O ataque de Gabriele a Robert, o aparecimento do estranho que a levou, impedindo o pior, o seu reencontro... Ainda podia sentir o calor daquela mão ao pegar a sua, levando-a aos lábios. Quatro anos tinham se passado, mas as lembranças dos momentos em que estiveram juntos voltavam a dançar em sua mente. Ao lado disso, também recordava a dor da despedida, quando fora obrigada a fazê-lo esquecer de sua estória de amor. A imagem de Robert e seu último olhar lançado a ela, como se mal a conhecesse, ainda a afligia. Não fosse a certeza de que Victor já se encontrava em suas entranhas, teria largado tudo, enfrentado a ira de Cássia e das outras, e seguido com ele. O amadurecimento pelo passar dos anos tinham sido favoráveis a ele. Os cabelos mais curtos, o aumento do número de fios de cabelos grisalhos, algumas poucas e novas rugas na testa e em torno dos olhos, a barba rente ao rosto, sombreando suas feições... Detalhes que só o deixaram ainda mais atraente. O azul de seus olhos, que já a cativara uma vez, parecia mais intenso que antes. O olhar de Robert ainda a fazia trêmula... Quantas mulheres, depois dela, teriam sido seduzidas por aquele olhar? Por alguns momentos sentiu pontadas de ciúme ao imaginá-lo com outras, mas logo raciocinou que isto não tinha sentido, principalmente levando em conta que ela fora apagada da memória dele. Apesar de tudo, tivera a impressão de que ele a reconhecera de alguma forma. Apenas uma impressão. Isso não era possível, assim como não era possível ela aventar a possibilidade de relacionar-se com ele como no passado. Precisava, agora, era tentar achar Gabriele, conversar com ela e saber quem era o homem que arriscara a vida para salvar Robert. Mais que tudo, precisava pensar em como represaria todos aqueles sentimentos liberados por um olhar e um toque de mãos. Decidida, tomou o caminho de volta para o castelo, ainda atormentada por aquele emaranhado de incertezas.

Victor estava dormindo. Ele continuava tendo muito sono à noite. Acreditava que o lado humano dele ainda era o predominante. Isto também se refletia sobre seus hábitos alimentares, obrigando Luísa a dar-lhe vegetais e frutas semanalmente. Aguardaria a chegada da adolescência e suas modificações metabólicas.
Monique nada lhe perguntou, quando foi agradecer por ter cuidado de seu filho. Providencialmente, não encontrou com Cássia, de quem seria mais difícil ocultar o que ocorrera naquela noite. Resolveu que conversaria com Gabriele sobre o que acontecera, antes de qualquer coisa. Ficou a sua espera sentada numa das poltronas de seu quarto.
Quando ela finalmente chegou, não aparentou surpresa ao ver a amiga em seus aposentos.
- Estava a minha espera, então? – perguntou calmamente.
- Já estava preocupada, imaginando para onde aquele homem a teria levado e o que teria acontecido.
Gabriele não pode evitar um sorrisinho malicioso.
- Estou aqui e muito bem. Gostaria de ficar sozinha agora.
- Precisamos conversar. Depois do que aconteceu, temos que esclarecer algumas coisas.
- Gostaria de pedir-lhe desculpas por meu comportamento desta noite, Luísa – sua voz demonstrava sinceridade.
- O que deu em você, Gabriele, para atacar o Robert daquela maneira?
- Por favor, Luísa. Não quero falar sobre isso agora.
- E quando vamos poder falar sobre isso? Já não a reconheço mais como minha amiga, Gabriele. Não confio mais em deixar meu filho a sós com você, pois tenho medo que o machuque. Hoje demonstrou que não consegue controlar seus ímpetos mais selvagens. Não fosse por aquele estranho, você teria cometido um crime.
- Eu sei... Você tem razão. Eu tenho andado muito perturbada. Pensei sobre o que Cássia falou e acho que ela tem razão. A perda de meu filho me deixou com uma visão distorcida da realidade. Confesso que fiquei com inveja de você por ter tido a sorte de ter um rebento macho e, ainda por cima, de um homem a quem você amou. Senti-me terrivelmente injustiçada. Passei a invejá-la e a querer o mesmo que você tinha alcançado. Mas acho que isto passou.
- Assim? De uma hora para a outra? O que aconteceu para que você passasse a ver as coisas diferentes? Tem a ver com o estranho desta noite?
- Luísa, estou cansada. Conversaremos em outra hora – disse com tal firmeza que convenceu Luísa a não insistir mais.
Quando ela já estava perto da porta, ouviu Gabriele dizer:
- Uma última coisa... Eu jamais faria mal ao Victor. Sinto muito se a fiz pensar de outra maneira.
Em resposta, Luísa devolveu-lhe um meneio de cabeça e um tímido sorriso apaziguadores.
Ao sair, surpreendeu-se ao ver Cássia parada no corredor, como se estivesse à sua espera.
- Podemos conversar? – perguntou-lhe muito séria.
- Claro, Cássia. O que houve?
- Estou preocupada com esta autorização que Gabriele deu para filmarem no castelo.
- Pois eu acho que não teremos problemas. Devemos apenas nos manter a distância e...
- Você o encontrou? – lançou a pergunta, interrompendo-a – Não resistiu só vê-lo de longe, não é mesmo?
- Cássia, eu... – balbuciou, percebendo que era impossível esconder alguma coisa da amiga.
- Eu até posso entendê-la, Luísa, mas já parou para pensar se ele descobre que tem um filho com você. Certamente vai querer levá-lo ou, pelo menos, vamos nos incomodar bastante.
- Mas ele perdeu a memória daqueles dias. Eu me encarreguei disso. Robert não vai lembrar nem saber de nada – afirmou, já começando a ficar preocupada com o andamento daquela conversa.
- Assim eu espero, Luísa – disse, encerrando aquela conversa.
Luísa viu-a se afastando pelo corredor, como uma sombra melancólica e silenciosa. Cássia nunca deixava transparecer seus sentimentos. Sempre se mostrara amiga, confiável, com uma palavra tranquilizadora. Mas suas últimas palavras e a expressão aparentemente ameaçadora deixaram-na tensa. Sabia que, para sua líder, a perpetuação da espécie estava acima de qualquer outro sentimento. Por alguns momentos temeu pela vida de Robert, mas logo afugentou estes pensamentos. Na tentativa de mudar de foco, lembrou da figura noturna que levara Gabriele. Quem seria ele? Teria sucumbido nas mãos dela? Havia notado uma certa satisfação no seu olhar quando conversavam. Talvez ela tivesse saciado sua sede com ele e, com isso, deixasse Robert em paz. De qualquer forma, era preocupante pensar que alguém tivesse sido vítima de uma vampira. Isto seria uma ameaça à boa convivência que tinham naquela vila. As antigas histórias haviam sido guardadas, mas não esquecidas. Com o passar do tempo, a existência de vampiros tornara-se mais uma lenda. Não seria nada bom se este passado fosse relembrado. Tal e qual a memória de Robert... Fechou os olhos, exaurida por tantas preocupações e emoções para uma só noite. Ao abri-los, andou em direção ao seu quarto, onde vigiaria o sono de Victor.

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O dia amanhecera ensolarado. Os trigais, próximos à cidade, acariciados pela aragem da manhã, em contraste com o azul turquesa do céu poderiam remeter um apreciador das artes a um quadro de Van Gogh. Emoldurando-o, estavam as diversas tonalidades de verde das coníferas nos bosques, subindo as colinas, na direção do ancestral castelo. Este tinha sido o dia escolhido por Will Fetter para ter contato com os moradores do castelo a respeito do início das filmagens em seus jardins, que conhecia apenas através de fotos. Tentaria uma autorização para rodar no interior da residência, que imaginava fosse deveras interessante. Caso contrário seria obrigado a utilizar o interior de uma edificação inglesa, já devidamente escolhida e autorizada. O pedido de uso e a autorização tinham sido feitos por correspondência, através de um advogado de Bucareste, o que achara muito peculiar. Quem neste mundo ainda não tinha internet ou, pelo menos um fax, em casa? O documento levava a assinatura de Gabriele Tepes. Tentara contato telefônico, mas nem isso eles possuíam. Pelo menos, não faziam parte de nenhuma lista telefônica da região. Não sabia com quem estava lidando, por isso tentaria ser o mais polido e cauteloso possível. O dia anterior enviara uma mensagem escrita, através do serviço de mensageiro do hotel, avisando sobre sua visita, como exigia a boa educação. Pretendia iniciar as filmagens em um ou dois dias, já que as tomadas na cidade e arredores já tinham sido completadas.
Já estava na portaria do hotel aguardando sua condução, quando Robert surgiu. Haviam se encontrado no café da manhã, mas não chegara a comentar sobre a sua visita a seguir. Só então se lembrou que Robert havia falado sobre o encontro que Eric, Cris e ele tiveram com Gabriele Tepes.
- Vai dar um passeio, Will? – perguntou Robert, com aparência bem disposta.
- Não é bem um passeio. Vou até o castelo falar com os proprietários sobre o início das filmagens, para certificar-me que está tudo certo.
- Será que poderia acompanhá-lo? – falou, tentando disfarçar a curiosidade.Tinha esperança que Luísa morasse no alto da colina, já que não tivera sorte ao procurá-la entre os moradores do vilarejo.
- Claro! Acho que será de muita ajuda. Pretendo ampliar a autorização para a parte interna da mansão. Pode ser que seja mais interessante que a locação que conseguimos na Inglaterra – disse, imaginando que talvez o charme de Robert com as mulheres pudesse convencer a tal Gabriele a ampliar sua autorização.
- Ótimo – exclamou alegre, já abrindo a porta do carro, recém chegado, que os levaria até o alto da colina.
A estrada era de terra, íngreme, dificultando o acesso aos visitantes e curiosos, ladeada por grandes e vistosos pinheiros seculares. Logo chegaram ao um imponente portão de ferro, onde, no alto, centralizado, vislumbrava-se um brasão familiar, provavelmente pertencente aos Tepes.
Durante mais dez minutos subiram pela colina até que alcançaram os muros do castelo. Era uma construção magnífica, provavelmente datada do final do século 14, flanqueado por quatro torres pontiagudas, feito em pedra talhada, com inúmeros motivos góticos. Ao fundo podia-se ver os Cárpatos em toda sua majestade. Will estava fascinado e excitado com a riqueza do visual a sua frente. Depois de ultrapassarem um portão de madeira, finalmente chegaram à porta principal que se encontrava semi-aberta. À frente, lhes aguardava uma alta e elegante mulher, de cabelos negros presos à nuca, em um coque, de traços aristocráticos e olhar enigmático. Aparentava trinta e poucos anos e era muito bonita.
- Bom dia, senhora! – saudou Will, ao descer do veículo.
Ela respondeu apenas com um aceno de cabeça e continuou parada a espera de sua aproximação.
- Ela é a tal Gabriele? – sussurrou, ao virar-se para Robert, que estava logo atrás.
- Não. Esta eu não conheço.
- Ela não parece estar muito feliz com a nossa chegada – cochichou antes de voltar a encarar a bela dama.
- Meu nome é Cássia e sou a proprietária – disse com voz firme – Realmente não estou feliz com a sua presença aqui – continuou, surpreendendo à dupla visitante por sua tão excelente audição.
- Não entendo o porquê de sua infelicidade, senhora Cássia, já que anunciamos previamente nossa presença aqui, hoje, e temos autorização para atuarmos filmando e fotografando esta sua belíssima propriedade pelo prazo de uma semana – Will tentava ser o mais educado e sedutor possível, para vencer a aparente resistência de Cássia, ao aproximar-se dela – Mas, deixe que nos apresentemos. Meu nome é William Fetter, diretor de cinema e teatro, e este é Robert Neville, nosso ator principal.
Robert sentiu o olhar gélido de Cássia analisando-o, mas manteve-se impávido e retribuiu com um aceno de cabeça, semelhante ao que ela lhes dera ao cumprimentá-los.
- Considerando que foi um membro de nossa família que concedeu a autorização, vou acatá-la. Mas lhes aviso que não tolerarei que ultrapassem os limites da área externa para o interior da casa. Se isto acontecer, serão expulsos imediatamente e devidamente processados posteriormente.
- Pode ficar tranquila que não invadiremos sua intimidade e tentaremos terminar nosso trabalho no menor tempo possível – disse Will, tentando disfarçar a tristeza na voz por ver suas esperanças de rodar algumas cenas nos salões internos esvanecerem-se no ar.
- Sendo assim, fiquem à vontade. Com licença.
Sem mais palavras, Cássia retirou-se, fechando a pesada porta atrás de si.
- Que simpatia... – resmungou Robert, segurando o riso.
- Com isso, teremos que terminar de rodar na Inglaterra.
- Quem sabe ela não muda de idéia? Ainda temos sete dias pela frente. Com o seu poder de sedução, tenho certeza que conseguiremos... – disse sarcástico, desatando a gargalhar, e passando o braço sobre os ombros do amigo e diretor, tentando consolá-lo.
- Vá rindo...Vá rindo – retorquiu, esboçando um sorriso derrotado


À noite, durante o jantar, quando o diretor e parte do elenco reuniram-se para conversar sobre os próximos passos nas cenas externas do castelo, que começariam dentro de vinte e quatro horas, Robert contava alegremente sobre o encontro de Will com a dona da propriedade Tepes.
- ...Pelo menos poderemos rodar o filme na área externa. Depois de ter visto a expressão com que ela nos recebeu, achei que nem isso conseguiríamos. Não é, Will? Nem todo o charme do nosso diretor aqui, conseguiu abalar a mulher.
- Mas, como dizem que “a esperança é a última que morre”, ainda confio na sorte. Talvez ela mude de idéia – complementou Will, já mais alegre, com meia garrafa de vinho tinto romeno inundando-lhe o raciocínio, convidando a todos para um brinde, ao elevar seu cálice para o alto.
Quando a maioria já havia se retirado, Robert despediu-se dos remanescentes e foi até a varanda do hotel, de onde podia ver as muralhas do castelo ao longe. Seu pensamento não conseguia afastar-se da imagem de Luísa. Por onde ela andaria? Não a tinha visto pela manhã, durante a visita com Will. Sentia suas esperanças de encontrá-la cada vez mais abaladas.
Absorto em suas questões, não percebeu a chegada silenciosa de Eric.
- Aposto que está pensando numa mulher – disse.
- Ah! É você? – reagiu surpreso ao ver o amigo e colega, para logo voltar a observar a noite – Pode ser...
- Posso saber quem é?
- Garanto que não é a sua favorita – respondeu sorrindo.
- Alguém do passado?
- Talvez. Ainda não tenho certeza.
- Como assim? – perguntou Eric, curioso diante da resposta dúbia – Quer conversar sobre isto? Ou prefere ficar sozinho?
- Não... Talvez fosse bom conversar sobre isto. Pode ser que me ajude a lembrar.
- Sou todo ouvidos e prometo sigilo.
- Há alguns anos, trabalhava para um ensaio de fotos publicitárias durante um cruzeiro às ilhas gregas. Tenho uma vaga idéia de ter conhecido alguém que foi importante para mim nesta viagem, mas não lembro nem quem nem o porquê. É como se tivessem tirado a minha memória para determinados momentos daqueles dias. Com o tempo, fui deixando de dar importância a isso. Agora, conheci uma mulher que despertou algumas sensações, as quais acabei relacionando com o que tinha ocorrido naquele cruzeiro. Parece loucura, não?
- Como você a conheceu?
- Foi cerca de dois dias depois daquele em que fomos ao bar da cidade e conhecemos Gabriele. Eu resolvi dar um passeio para recuperar o sono perdido e... – repentinamente Robert lembrou-se que Eric estava interessado em Gabriele e não gostaria de saber que ela tinha se oferecido escancaradamente a ele – Bem, eu sofri uma queda na rua e esta mulher me ajudou. Trouxe-me até o hotel e sumiu na noite.
Ele não pode ver o meio sorriso de Eric, que escondido pela penumbra na varanda, lembrava-se também de seu encontro com Gabriele e notava, satisfeito, a preocupação de Robert em não magoá-lo.
- Você não a viu mais?
- Infelizmente não. Já procurei por quase toda a cidade. Hoje tive a esperança de poder encontrá-la no castelo, mas não aconteceu.
- Sabe ao menos o seu nome?
- Luísa.
- Tenho certeza que ela vai aparecer e esclarecer suas dúvidas.
- Espero que sim, pois não consigo tirá-la da cabeça.
- É, amigo. Parece que seus dias de solidão estão chegando ao fim.
Robert soltou uma risada nervosa e reagiu ao comentário:
- Falando assim até parece que está me rogando uma praga, Eric.
- Ou proclamando um epitáfio.
- Ei, você é meu amigo ou o quê? – exclamou rindo – Assim que a tiver na minha cama, a tiro da cabeça na manhã seguinte, com certeza – disse tentando disfarçar, em tom de escárnio, o que realmente estava sentindo.
- Não creio que vai ser tão fácil assim – observou Eric.
- E você e Gabriele? Voltaram a se encontrar? – indagou, tentando mudar o alvo da conversa.
- Apenas mais uma vez... Mas, como você, não vou desistir... Temo que, em breve, meu amigo, seremos dois prisioneiros, em admirável e prazerosa prisão perpétua – afirmou, batendo com sua mão direita sobre o ombro de Robert, rindo.
Aos poucos a inspiração está voltando, minhas queridas leitoras... O que vocês acham? Agradeço imensamente pelos comentários e recados carinhosos de vocês. É muito bom saber que tenho vocês a me prestigiar e estimular. Aguardem a continuação... Beijos!!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Meu Doce Vampiro - O Reencontro (parte 3)

Robert estava exausto. O dia fora corrido. Muitas cenas feitas e refeitas. Will era muito meticuloso. Por isso era considerado um dos melhores. Mas ao final ficava-se destruído. Jogado sobre sua cama, sem coragem de tirar a roupa e tomar um banho, ainda repassava tomada por tomada em que atuara. Todos estavam dando o melhor de si e o clima nas filmagens era descontraído.
Reuniu todas suas forças e foi banhar-se. Apesar do cansaço, não tinha sono. Por isso, depois do banho, resolveu dar uma caminhada pela cidade. A noite estendera seus braços há muito pouco tempo, mas estava agradável, cálida e, no céu, deixava entrever algumas nuvens esparsas. Não apresentava sinais de mau tempo, pelo menos nas próximas horas. A instabilidade meteorológica naquela região, segundo soubera, era característica. As tempestades vinham inesperadamente, assim como o sol. Era apenas 21 horas, e o movimento das ruas já se esvaziara. Apenas ele e os poucos postes de iluminação projetavam suas sombras sobre os casarões antigos e rústicos. Podia ouvir seus passos sobre as pedras irregulares das calçadas, ecoando nas ruas estreitas. Foi quando teve a sensação de estar sendo seguido. Não se lembrava de ter sido advertido sobre a questão de segurança nas ruas de Mircea, mas não acreditava que houvesse algum tipo de criminalidade por ali. Continuou no mesmo passo, sem alterar seu ritmo, mas ficou mais atento aos movimentos a sua volta. Todos seus músculos tornaram-se tensos, pois a presença tornava-se mais próxima, tanto que resolveu olhar para trás. Parou repentinamente e virou-se. Nada viu. Ao voltar-se e continuar o caminho em que estava, freou-se assustado com uma figura já sua conhecida. Ela estava parada a poucos passos dele, olhando-o fixamente, com estranha expressão. Era Gabriele. Respirou aliviado por perceber que tinha diante de si uma pessoa conhecida e não um marginal.
- Gabriele! – saudou-a alegremente – Por uns momentos pensei que ia ser assaltado. O que faz aqui, a estas horas? Pretende ir até o bar da outra noite?
- Não, Robert – falou com voz macia e provocadora – Ao vê-lo tão sozinho, resolvi fazer-lhe companhia.
- Será um prazer. Tem algum lugar onde possamos ir e tomar uma bebida a esta hora? Você deve conhecer onde os mirceanos distraem-se durantes as noites, não?
- Na verdade, não estava pensando em beber nada. Pensei que talvez você pudesse me convidar ao seu hotel.
Surpreso com tal convite inesperado, Robert só conseguiu sorrir e fazer-se de desentendido.
- Gabriele, creio que no hotel onde estou hospedado não tem bar ou restaurante onde possamos sentar e conversar a esta hora.
- Mas no seu quarto acho que podemos nos divertir bastante... O que acha? – disse ela, aproximando-se cada vez mais dele, em desviar o olhar.
- Você não acha que temos que nos conhecer melhor para este tipo de “divertimento”? – perguntou, tentando evitar problemas. Costumava farejar mulheres problemáticas com pequena margem de erro e Gabriele tinha uma grande chance de ser uma delas.
- Não imaginei que você fosse um homem tão... cuidadoso em suas relações – Dito isso, já praticamente colada a ele, continuou – Mas acho que podemos dar um jeito nisso.
Robert sentia estar perdendo seu poder de decisão, pois não conseguia reagir àquele assédio. Gabriele aproximava os lábios de sua boca com um sorriso quase selvagem, quando um grito se fez ouvir:
- Gabriele! Deixe-o em paz!
A dona daquela brado estava do outro lado da rua, envolta num manto que não deixava lhe ver o rosto. A Robert, a voz não lhe pareceu desconhecida, mas tinha dificuldade em identificá-la.
- Não se meta! Ele agora vai ser meu! – exclamou Gabriele com desespero, quando foi possível ver-lhe crescerem os caninos em meio aos dentes perfeitos.
Já se preparava para avançar sobre a jugular de Robert, que permanecia paralisado tentando reconhecer quem temia por sua segurança, sem perceber a transformação de Gabriele, quando outra sombra se fez real, surgida como por encanto, segurando-a pelos ombros e afastando-a, de um só golpe, de sua vítima. Pega de surpresa, agarrou-se a Robert, arrastando-o por cerca de meio metro de distância, até ser separada dele violentamente, deixando-o cair de bruços sobre o calçamento. Na queda, ele bateu com a testa, o que o deixou obnubilado.
- Cuide dele, que eu cuido de Gabriele – gritou para Luísa a alta e vigorosa figura que fazia Gabriele de refém.
Ainda aturdida com o repentino aparecimento daquele homem, que acabara de salvar Robert, viu-se impelida por sua ordem a correr e auxiliar o pai de seu filho.
Ajudou-o a levantar-se, ainda cambaleante, e verificou se não estava ferido de alguma forma. Apenas uma pequena protuberância começava a surgir no centro de sua testa.
- Você está bem? – perguntou trêmula e ansiosa.
- S-sim. Quem é você? O que aconteceu aqui? – perguntava incrédulo com o que sofrera em tão rápidos movimentos.
- Não importa quem sou. Eu estava passando por aqui e o vi caído.
- Mas eu a ouvi chamando Gabriele pelo nome e pedindo para que ela me deixasse em paz.
- Você deve ter imaginado isso. Não sei do que está falando. É melhor eu levá-lo para o seu hotel. Você ainda está tonto. Precisa colocar um gelo neste hematoma.
Ele a fez parar, segurando-a pelo braço, e olhou diretamente em seus olhos.
- Não estou enganado, não. Eu ouvi uma voz feminina gritando para Gabriele. Vai me dizer que não era você.
- Não era eu – mentiu encarando-o.
- E como você sabe que estou num hotel?
- Quem não sabe que você é um dos forasteiros que vieram filmar nestas paragens? Portanto é óbvio que você está num hotel, já que não pertence a este povoado. Eu conheço todos os moradores desta cidade.
Luisa tentava manter-se firme, não deixando transparecer a emoção a que se submetia diante dele.
- Está bem. Não vou mais discutir – falou vencido e sentindo uma tontura apoderar-se de seu equilíbrio.
Antes que fosse ao chão, sentiu-se seguro pelas mãos da mulher a sua frente.
Perguntou-se como alguém de aspecto tão frágil podia ter forças para contê-lo de pé. Mas, no momento, só podia agradecer por ela estar ali para ajudá-lo.
Seguiram até a entrada do hotel, quando Luísa lhe perguntou:
- Acha que está em condições de ir em frente sozinho? Tenho de ir para casa agora.
- Gostaria de lhe agradecer. Você nem me disse o seu nome – indagou Robert, agora podendo ver o rosto de sua boa samaritana à luz da entrada da hospedaria. Mais uma vez tinha a impressão de “déjà vu”. Ela teria um rosto angelical, não fossem a boca carnuda e sensual, que incitava a beijá-la, e os olhos amendoados de um negro abissal extremamente atraentes. Os longos cabelos castanho-escuros caíam-lhe sobre os ombros. Sob a capa, na qual se escondia, podia-se antever um corpo bem delineado e esbelto.
- Tenho de ir...
Antes que pudesse virar-se e ir embora, Robert segurou sua mão com força, levando-a até os lábios, onde depositou um beijo suave, olhando-a intensamente.
- Não ouvi o seu nome...
- Luísa – disse quase num sussurro.
Quase no mesmo instante, conseguiu desvencilhar a mão e partiu, perdendo-se na escuridão, deixando Robert a forçar a memória, numa tentativa de lembrar de onde conhecia aquela mulher misteriosa e encantadora. Não seria difícil encontrá-la novamente em Mircea entre seus escassos habitantes.

Bruscamente arrancada de uma situação que lhe era totalmente favorável a conseguir realizar seu plano de vingança e satisfação, lutava para libertar-se das garras de aço que ainda a seguravam. Encontrava-se jogada sobre um largo e rijo ombro, impedida de movimentar-se e de reconhecer seu algoz, que a mantinha presa pelas pernas e quadris. Só conseguia ver o chão que se deslocava rapidamente sob os pés dele. Inesperadamente fora levada para longe de Robert, deixando-o inteirinho para Luísa, que aparecera a última hora para atrapalhá-la. Não pretendia atacá-lo daquela maneira, mas não tivera outra escolha. Para submetê-lo mais facilmente a sua vontade e evitar que ele se encontrasse novamente com Luísa, não conseguiu pensar em outra atitude. Porém, não contava com o aparecimento daquele outro ser que a carregava agora como se quisesse afastá-la de tudo que conhecia naquele mundo. Perguntava-se quem seria ele, que tinha mais força física e podia deslocar-se tão ou mais rápido que ela levando o peso de uma mulher às costas.. Não conhecia nenhum humano capaz de realizar aquele feito, a não ser que...
- Solte-me! Aonde vai me levar? Já não acha que estamos afastados o suficiente da cidade?
Bruscamente, ele parou e finalmente a baixou do ombro, encarando-a de frente, sem deixar, porém de segurá-la firmemente pelos braços. Notou que ele mantinha a respiração tranquila, sem arquejar.
- Eric? – exclamou surpresa ao perceber que era o mesmo homem por quem se sentira atraída noites atrás.
- Ainda lembra o meu nome? – perguntou, sorrindo abertamente.
- Quem é você e o que lhe deu o direito de fazer o que fez? – questionou sem levar em conta a pergunta zombeteira que ele lhe dirigira.
- Nós já fomos apresentados, lembra? E fiz o que fiz para evitar que você mordesse o meu amigo Robert. Além do mais, eu já havia determinado que você seria minha.
- O que o faz pensar que eu vou querer ser sua, seu arrogante e prepotente?
- Porque você foi feita sob medida para mim, querida. Já pensava que não encontraria o meu par ideal, mas felizmente me enganei e renovei minhas esperanças quando a vi entrando naquela taverna – falava suavemente, enquanto seu olhar passeava pelo rosto e pelas formas de Gabriele.
- Você não tem idéia de onde está se metendo...
- Não só tenho idéia, como sei exatamente que eu sou tudo que você precisa no momento e pelo resto da eternidade.
Gabriele sentiu um estremecimento tomar conta de seu corpo. As palavras dele começavam a seduzi-la e um desejo quase incontrolável surgia daquela proximidade. Uma das mãos que a seguravam passou a envolvê-la pela cintura, enquanto a outra imobilizou sua cabeça, puxando-a pelos cabelos, forçando-a a expor seu alvo pescoço ao olhar sedento dele. Sentiu sua respiração quente e acelerada percorrer a linha tênue que separava a raiz dos cabelos à nuca. A língua úmida de Eric passou a brincar em seu colo, em movimentos lentos e deslizantes, a excitá-la. De olhos fechados, sentia aquele contato com um prazer como nunca sentira antes. A excitação sexual estimulou o surgimento de seus caninos mais uma vez e, para sua surpresa, ao abrir os olhos deparou-se com Eric em igual estado.
- Você?! Um vampiro?? –falou admirada.
- Por que a surpresa, querida? Achou que estava sozinha neste mundo? – respondeu-lhe em tom de gracejo – Mas não se preocupe, que ainda não chegou a hora de nos unirmos. Podemos esperar um pouco mais...
Ela estava pasma diante da descoberta de um vampiro macho que já acreditavam estar extintos. “E que vampiro...”, pensou.
- Primeiro vai ter que me explicar o porquê deste interesse no meu amigo Robert. O que pretendia com aquele ataque de agora a pouco. E qual o interesse da sua amiga que os espreitava ansiosa?
- É... Parece que temos muitos assuntos para colocar em dia. Mas não vou poder ficar aqui para conversar agora. Preciso voltar, senão corro o risco de ser expulsa de minha família.
Ele a apertou um pouco mais contra seu corpo, aproximando-se de seus lábios e disse:
- Isso é para que eu tenha certeza de que não vai mais pensar em outro – e a beijou com paixão.
Gabriele nem pensou em rechaçá-lo. Abandonou-se em seus braços, com a boca entreaberta para recebê-lo, respondendo com igual intensidade e desejo.
Ele não ofereceu resistência alguma quando ela o empurrou, afastando-o. Já normalizara a respiração e os dentes já mostravam a aparência normal.
- Sou uma pessoa muito paciente, Gabriele. Além disso, temos todo o tempo do mundo para conversar... – disse maliciosamente – Só quero que me prometa que vai ficar longe de meu amigo.
- Talvez eu não tenha mais motivos para acossá-lo novamente... – tranquilizou-o, sorrindo sedutoramente – Por enquanto...
- Assim espero... – foram suas últimas palavras antes de deixá-la partir.