sábado, 20 de junho de 2009

Anjo da Guarda - Parte Final

Naquela noite, fomos obrigados a descansar um pouco. No dia seguinte, Gerry tinha que ler uns roteiros mandados por alguns produtores, preparar-se para a noitada na inauguração. Eu tinha de organizar a agenda dele e comprar o meu vestido para a noite e mais algumas renovações para o meu guarda-roupa. Sendo assim, resolvemos nos comportar um pouquinho e ir para a cama sem "idéias" em mente. Foi difícil de conter, principalmente porque Gerry insistiu em dormirmos juntos. Uma tortura maravilhosa. Sentir sua presença, na minha cama, era extremamente confortante, maravilhoso, divino e todos os adjetivos superlativos que se possa imaginar. Não sei como consegui dormir, pois não conseguia deixar de admirar aquele homem e suas formas perfeitas. Perfeitas para mim.
Pela manhã, fomos acordados por um Alex surpreso em encontrar-me na cama de seu patrão. Nosso, aliás. Levei um susto ao ouvir sua voz invadindo o meu sono. Custei a localizar-me no tempo e no espaço. Aos poucos , lembrei que estava dormindo ao lado de Gerry , em seu quarto. Ainda bem, que havia dormido com uma camisola mais recatada... Será que isto ia melhorar a minha situação, no entendimento do que estava acontecendo, para o mordomo? Difícil.
Gerry acordou de ótimo humor.
- Bom dia, Alex! Como foi de folga? Foi visitar a sua priminha?
- Bom dia , Gerry. Gostaria de agradecer de novo a sua ajuda e pedir desculpas por aquela maluca. Esta minha família me coloca em cada situação. Prometo nunca mais lhe pedir favores deste tipo.
Eu não entendia sobre o que eles estavam falando. Ainda estava atordoada pelo sono.
- Bom dia, srta. Claire.
Este foi o único comentário que ouvi da boca de Alex, naquela manhã. Ele estava sendo muito discreto.
- Bom dia.
Quase cobri a cabeça com o lençol, para que ele não pudesse ver o vermelho em meu rosto. Ou, devo dizer, roxo? De vergonha.
Graças a Deus, logo ele saiu e nos deixou a sós.
Fiquei curiosa com os comentários sobre a tal prima de Alex e quis saber a respeito do que eles estavam falando.
- Ora, você a conheceu na nossa viagem para cá.
- Aquela mulherzinha, era prima do Alex?? Mas eu pensei que...
- O que você pensou? Que ela era minha acompanhante? – e soltou uma gargalhada - Eu teria que estar louco para pegar uma mulher como aquela.
Como eu continuasse com cara de espanto, olhando para ele, esperando uma explicação, ele continuou:
- Essa prima do Alex, parece ser a ovelha negra da família. Se meteu com um sujeitinho, que a levou para Londres e a deixou por lá, sem um tostão. Como eu ia para lá, por causa das filmagens, ele pediu-me para ajudar a trazê-la de volta. Por isso ele foi comigo, caso contrário, eu teria ido sozinho. Não costumo andar com um mordomo acompanhando-me por aí. Seria muita frescura. Não acha?
- Mas, e porque você foi sentar-se ao lado dela, no início da viagem?
- Porque nossos lugares, nos bilhetes, eram aqueles. Tentei mudar de lugar no início do vôo, mas a mulher não largava do meu pé e eu não queria ser grosseiro. Está explicado agora? Não me diga que você passou este tempo todo pensando mal de mim?
- Mais ou menos. Eu já vinha negando o fato há um bom tempo, mas que fiquei chocada quando a vi no aeroporto porque pensei que vocês estavam juntos, fiquei...
- Está mais aliviada, agora?
E já começou a se aproximar de mim, com aqueles carinhos por baixo dos lençóis, reacendendo o meu desejo.
- Gerry... Melhor não...aahh...Pára... Você tem as suas leituras e eu o meu trabalho, infelizmente. Seus lábios ficavam acariciando os meus, pouco a pouco, roçando e beijando de leve, de maneira tentadora, deixando seu hálito quente entrar em minha boca entreaberta. Quase ia perdendo as forças, quando ele parou, de repente, e disse:
- Tem razão! Temos trabalho a fazer!
Logo depois , lançou o seu olhar mais sedutor e disse, aproximando a boca de meu ouvido:
- A gente faz uma hora de recreio, mais tarde.
Resolvi ir para o meu quarto, para evitar mais tentações que pudessem desviar minha atenção. E, convenhamos... Ele era muito, muito tentador.
O dia estava lindo e Gerry pediu para que Maria servisse nosso café na sacada do apartamento, que era muito agradável e tinha uma linda vista da cidade.
Depois do café, fomos para o seu gabinete, que , além de uma bela escrivaninha em mogno e uma decoração sóbria, mas elegante, tinha um conjunto de estofados em couro, super confortáveis. Gerry insistiu para que eu ficasse trabalhando junto a ele, apesar de eu achar que poderia atrapalhar a sua leitura dos roteiros. A manhã transcorria calmamente, até que o telefone tocou. Como não atendemos no gabinete, logo em seguida, Alex entrou para dizer que o telefonema era para mim, de Londres. Fiquei surpresa, tentando imaginar quem seria, já que não tinha dado o número de lá para ninguém... Peguei o aparelho. Ao mesmo tempo, senti o olhar curioso e preocupado de Gerry, examinando meus movimentos.
- Alô?
- Bom dia , Claire!
- Sig??? Bom dia, Sig! Que surpresa boa!
Observei uma ruguinha de preocupação surgindo no meio da testa de Gerry.
- Liguei para saber com vão as coisas. Fiquei preocupado com o seu último telefonema. Está tudo bem?
- Claro! Tudo ótimo! Como você conseguiu este número?
- Esqueceu que eu tenho um identificador de chamadas no celular? Ele está aí do seu lado?
- Sim... - Gerry continuava com seu olhar atento sobre mim.
- Olha. Não quero atrapalhar você. Posso confiar que tudo se resolveu?
- Claro! Não se preocupe. Está tudo bem, mesmo. Pode confiar. É muito bom ouvir a sua voz.
- Então, está bem. Não quero atrapalhar mais. Qualquer coisa, me liga, viu?
- Está bem, Sig. Pode deixar que ligo.
- Um abraço, Claire!
- Outro, Sig! E obrigada!
Mal desliguei o telefone, Gerry perguntou, muito sério:
- Quem era?
- Um amigo - Tentei fazer um mistério, querendo deixá-lo com um pouco de ciúme. Além disso, não queria que ele soubesse que Sig era meu psiquiatra.
- Agora, surgem amigos em Londres. Você tinha dito que não havia ninguém. Por acaso, é aquela paixão platônica da qual você me falou? - notei uma certa irritação na sua voz.
- Não, não é a minha paixão platônica. É só um amigo.
- Porque ele estava tão preocupado com você? Você andou ligando para ele queixando-se de alguma coisa?
- Como você sabe que ele estava preocupado comigo?
- Pelo modo como você falou, que estava tudo bem e que ele não se preocupasse.
- Gerry, que falta de educação ficar prestando atenção na conversa dos outros - tentei brincar com ele, sorrindo, mas ele retornou com um olhar bem mal humorado, dizendo:
- Bem, se você tem motivos para não falar sobre isto, vou para o meu quarto, terminar de ler esta baboseira aqui.
- Gerry! Não seja bobo! Volte aqui!
Nem tive tempo de terminar meu apelo. Ele levantou-se num rompante e saiu pisando duro, terminando por fechar a porta com força.
Nossa, eu tinha conseguido tirá-lo do sério de novo. Nunca imaginei que ele pudesse ser tão ciumento. Bem que eu tinha lido , certa vez, que os escorpianos eram muito possessivos e desconfiados. De certa forma, aquilo fazia eu me sentir satisfeita, por ver que ele estava realmente interessado em mim. Por outro, tinha medo de vê-lo furioso como no dia do almoço, no "Dish". Resolvi deixá-lo a sós, para que esfriasse a cabeça. Distraí-me com o trabalho. Cerca de uma hora mais tarde, Alex veio avisar que o almoço seria servido na varanda. Ao chegar lá, notei que só havia um prato.
- E Gerry? Não vai almoçar? - perguntei a Alex.
- Não. Ele disse que ia ter de sair para resolver algumas coisas e que não viria almoçar.
Onde ele teria ido? O que estaria se passando naquela cabeça linda? Comecei a ficar preocupada.
Tentei não pensar mais naquele "assunto". Depois do almoço, em que não consegui comer quase nada, resolvi arrumar-me para sair e fazer compras. Já tinha decidido comprar o vestido vermelho que havia visto, na Rodeo Drive, no sábado. Saí e fui direto para a loja. O vestido parecia ter sido feito para mim. Direto do meu sonho para a realidade. Naquela noite, eu acabaria com o mau humor do Gerry, com certeza.
Além do vestido vermelho, acabei fazendo mais algumas compras para o dia-a-dia. Senti que meu lado feminino estava exacerbado e uma vaidade inusitada aflorava em mim. Gerry despertara a mulher que existia dentro de mim, e que estivera por tanto tempo abafada, num mundo muito solitário, apesar dos sonhos e fantasias que o infestavam.
Ainda tive tempo para passar num salão, cuidar das mãos e pés e dar um trato no cabelo.
Voltei para casa, já no início da noite. As luzes da sala estavam apagadas. Estava dirigindo-me para o meu quarto, triste por pensar que Gerry ainda não havia voltado, quando ouvi sua voz, vinda do sofá. Estremeci com sua presença inesperada. Aí, notei o brilho incandescente do cigarro que ele estava tragando.
- Por onde você andou? Já estava ficando preocupado.Estava com alguém?
- Gerry! Que susto! O que você está fazendo aí, no escuro?
- Estava te esperando. Esqueceu que temos um compromisso hoje? Foi o telefonema de hoje de manhã que te deixou atordoada? - falou irritado, apagando o cigarro com força no cinzeiro ao seu lado.
- Gerry, por favor! Pára de pensar bobagens. De onde você está tirando estas idéias?
Seu bobo! Passei a tarde fazendo compras, para tentar ficar mais bonita para você. Até num salão de beleza eu fui, depois de muitos meses.
Larguei as compras no chão e fui ao seu encontro, no meio da penumbra. Ele estava deitado no sofá. Ajoelhei-me ao seu lado, peguei seu rosto entre as mãos e dei um beijo naquela boca, que era uma tentação por si só. Ele não correspondeu. Não desisti. Comecei a explorar cada milímetro daqueles lábios, até sentir que vencia a sua resistência.
Finalmente, sua língua invadiu minha boca, ávida, com força, num beijo urgente, guloso, que parecia querer sorver minha alma. Minhas mãos passaram a segurar sua cabeça e a passar os dedos entre seus cabelos. Ao fim do beijo, ele me olhava com intensidade, ainda sério, como se quisesse ler meus pensamentos.
- Você está me deixando louco, sabia? Há muito tempo não sentia tanto ciúme de alguém. Tem certeza que não está me escondendo nada? Às vezes você parece tão misteriosa. Me deixa inseguro em relação a nós.
Imaginem ! Eu deixar Gerry inseguro quanto a mim... Eu devia ser a mulher mais sortuda desta galáxia!
- Gerry! Você não tem motivo nenhum para ficar inseguro. Você é tudo o que eu sempre sonhei. Não quero mais ninguém, a não ser você. Entendeu? Ou preciso ser mais clara? Neste ponto, resolvi brincar um pouco com a situação e comecei a fazer caras e bocas e a falar com a voz empolada.
- Sei que é difícil você acreditar que uma mulher tão linda, maravilhosa, esplendorosa, gostosa e, todos os "osas" que você puder lembrar, possa estar te dando atenção. Afinal , você não tem nada de atraente. Mas, até que eu acho você bonitinho.
Com esta fala ridícula, nem eu agüentei e caí na risada. Havia conseguido extrair um sorriso daquele rosto tão adorado.
- Ah, Gerry! Eu estou apaixonada por você, como nunca estive por ninguém antes.
- E o seu amor platônico? - disse, já com um sorriso maroto.
- Ah, seu bobo, pára de pensar nisso. Um dia eu vou te contar quem era esse "amor platônico" e nós vamos rir muito disso.
- Porque não diz agora?
- Porque agora, seu cabeça dura, nós temos que nos arrumar para a festa de logo mais e eu tenho de ficar deslumbrante, para conquistar os corações de todos os homens da nova casa noturna - disse isto com ar brincalhão - Mas, na verdade, o único coração que me interessa roubar, é o seu, Sr. Gerard James Butler.
Complementei a frase com um longo e ardente beijo, agora, prontamente retribuído. As pazes tinham sido restauradas.
Após mais alguns beijos e amassos, com dificuldade conseguimos nos separar antes que perdêssemos a noção da hora. Precisávamos nos arrumar para a festa de logo mais.
Depois do banho, resolvi fazer uma maquiagem que realçasse meus olhos e deixar os cabelos soltos, pois eles estavam com um cacheado bonito, graças aos cuidados do cabeleireiro, à tarde. Coloquei o famoso vestido vermelho e as novas sandálias de salto alto, compradas especialmente para a ocasião. Ao olhar-me no espelho, achei o resultado final muito agradável. Restava saber a opinião de Gerry.
Ao entrar na sala, quase perdi o fôlego, ao ver meu acompanhante, impecavelmente vestido com um smoking preto, camisa branca e gravata borboleta. Ele estava lindo, saído diretamente dos meus sonhos para a realidade. Só consegui voltar a respirar, quando ouvi sua voz:
- Claire... Você está deslumbrante... Uau!
Sentia aqueles olhos verdes devassando meu corpo. Imagine quando ele soubesse que eu não estava vestindo nada por baixo.
- Você também não está mal - disse com olhar guloso.
Ele se aproximou , pegando-me pela cintura :
- Que tal fazermos a festa aqui mesmo, agora?
Passei meus braços por trás de seu pescoço, apoiando-me na ponta dos pés, e, aproximando meus lábios da sua boca, falei:
- Infelizmente, a nossa festa vai ter esperar um pouco mais. Como sua assistente, tenho de fazê-lo respeitar o seu compromisso. Não fosse isso, você já estaria sem smoking, Sr. Butler.
- Claire! Você está ficando bem safadinha - falou, cheio de malícia no olhar.
- Você é o responsável por esta transformação. Mas, se você quiser, eu volto a ser aquela insossa de antes.
- Você nunca foi insossa para mim.
Dito isto, curvou-se um pouco mais e selou meus lábios com um beijo macio, doce e cálido. Quase mandei o compromisso para o espaço, mas consegui retornar a razão, assim que nossas bocas descolaram-se.
Ainda abraçada a ele, dei uma palmadinha naquele bumbum glorioso e disse:
- Vamos lá, sr. Butler, o dever vos chama.
Ao chegarmos à inauguração, comecei a ficar nervosa. Havia inúmeros jornalistas, paparazzis e curiosos, formando um corredor, ao longo de um tapete vermelho. Gerry ajudou-me a descer do carro e deu-me seu braço. Ele parecia muito natural em meio àqueles flashs, que espocavam sem parar, diante de nós. Eu devia estar quase cortando a circulação de seu braço, tal a pressão que exercia sobre ele, devido a tensão em que me encontrava. Quando pensei que já estávamos a salvo, quase chegando à entrada principal, uma repórter assanhada, praticamente jogou-se a nossa frente e lascou uma pergunta:
- Gerry! Ela é sua nova namorada?
- Não! É minha assistente! Com licença e obrigado - falou sem pestanejar, dando um sorriso teatral. Continuou andando, puxando-me firmemente pelo braço, até entrarmos, finalmente no salão principal.
Senti uma ponta de tristeza abater meu espírito. Achei que ele responderia que sim, eu era sua namorada e que ele estava perdidamente apaixonado por mim. Que bobagem! Como ele poderia dizer isto para uma estranha? Não sei como, mas a imagem de Sig, me olhando com ar de reprovação, surgiu naquele instante. Pude até ouvir a sua voz: “Está parecendo uma adolescente tola. Você acha que ele iria falar algo íntimo para a imprensa marrom? Pense, Claire!" Como sempre ele tinha razão. Era bobagem minha. Mas, uma ponta de incerteza, a respeito dos sentimentos de Gerry, voltou a assombrar-me.
- Claire, Claire... Está me ouvindo?
- Claro... O que é?
- Vamos nos sentar? Já indicaram nosso lugar.
- Ah! Está bem.
Fomos colocados numa mesa próxima à pista de dança. O local era enorme, ricamente decorado, com uma iluminação fantástica. Parecia um cenário de filme futurista.
Mal havíamos sentado, ouvimos a voz de Rosário.
- Ei! Meus queridos! - Ela vinha em nossa direção, acompanhada pelo agente de Gerry, o "simpático" James.
- Oi, Rosário! - falou Gerry, todo sorridente.
- Conseguiram sobreviver ao "corredor polonês"?
- Parece que sim. A Claire quase arrancou meu braço na passagem, mas acho que já está se recuperando, não é ? - falou, lançando um olhar risonho em minha direção.
- É, Claire. Vai se acostumando. Esta vida de celebridade não é fácil. Todos se acham no direito de meter-se na sua vida, de tirar suas fotos de todas as maneiras. O Gerry até agora tem conseguido manter sua privacidade, mas não sei quanto tempo isto vai durar, agora que ele está chamando mais a atenção da mídia, depois do "300".
Enquanto Rosário falava, senti os olhares de James sobre mim. Ele parecia me comer com os olhos. Comecei a sentir-me mal com aquele olhar. Gerry parecia não notar.
- Será que poderíamos sentar aqui, junto a vocês? - falou James, sem tirar os olhos de mim.
- Acho que temos de falar com o recepcionista. Os lugares devem ser marcados - comentou Rosário.
- Pode deixar que eu vou dar um jeito nisto. Tudo bem prá você, Gerry?
- Claro, Jim. Sem problemas. Será um prazer
- Já viram o "mala" que eu consegui para me acompanhar? Não reparem nele. Ele já andou bebendo um pouco antes de vir para cá - disse rindo, assim que ele virou as costas.
A conversa continuou animadamente, principalmente pela alegria de Gerry e de Rosário, que parecia ser tão piadista quanto ele. De repente, percebi que os dois realmente eram apenas amigos. O resto era fofoca e fotos mal intencionadas. Já o Sr. James continuava insinuando-se para o meu lado, apesar dos meus olhares congelantes. Logo, o jantar foi servido e ele pareceu distrair-se com a comida. Durante o jantar, os donos do night club fizeram seus discursos de boas vindas e estouraram uma garrafa de champagne em plena pista. A casa estava inaugurada. Logo a música alta invadiu o ambiente, convidando ao início das danças. Não demorou muito, eu já estava nos braços de Gerry. Neste momento, esqueci de tudo o mais. Minhas dúvidas, James, Rosário, a repórter. Só me importava a dança com ele, o meu amor. E ele sabia dançar como ninguém. Se sabia.
Voltamos à nossa mesa, onde James e Rosário continuavam sentados, conversando sem animação. James continuava bebendo. Logo que chegamos, ele convidou-me para dançar. Claro que recusei. Senti o seu olhar irado.
- Acho que vou ao toalete.
- Vou com você, Claire. Qualquer coisa vai ser melhor que continuar sentada, conversando com o Jim - falou em tom bem baixo, no meu ouvido.
A toalete ficava do outro lado do salão. De lá eu não conseguia ver Gerry em nossa mesa.
- Vocês formam um belo casal, Claire.
- Obrigada, Rosário.
- E, então? Não está mais com ciúmes de mim? O Gerry é um amigo muito querido. Eu o considero como um irmão que não tive.
- É. Realmente eu estava enganada. Sinto muito se fui grosseira com você em algum momento.
- Imagina! Eu entendo. Se eu estivesse apaixonada por ele, o cuidaria com "unhas e dentes". Não o deixe escapar. Faça-o feliz. Ele está precisando de alguém que o ame muito, principalmente agora que o sucesso está chegando e a necessidade de proteger sua privacidade vai fazer ele isolar-se um pouco mais. Ele vai precisar de um refúgio.
Aquela conversa, com aquela pessoa, naquele local, parecia tão surrealista para mim. De qualquer forma, era interessante ouvir a sua opinião.
Alguns minutos depois, assim que terminei de lavar as mãos, Rosário ainda estava ocupada. Resolvi sair e esperá-la do lado de fora, pois o banheiro estava muito cheio.
Ao sair, encontrei James, encostado na parede, em frente. Achei que estivesse sentindo-se mal.
- Você está bem, James?
- Porque você insiste em me chamar de James. É Jim, prá você, querida - e veio aproximando-se de mim, com os olhos vermelhos e embriagados. Quase podia sentir o seu hálito alcoolizado , apesar da grande circulação de pessoas por ali.
- Acho que não temos intimidade suficiente para isso, James.
- Mas, isso pode ser revertido agora mesmo.
Senti suas mãos sobre meus ombros, puxando-me contra si, aproximando rapidamente seus lábios finos dos meus. Comecei a lutar contra ele, o que o enlouqueceu. Uma de suas mãos foi parar em minhas nádegas, puxando-me mais violentamente, enquanto a outra forçava minha cabeça para frente, em direção ao seu rosto. Comecei a sentir-me nauseada com aquele ataque surpresa. Como não conseguia afastar-me, e já sentia o seu bafo fétido cada vez mais próximo, só pensei em afastá-lo o mais rápido possível. Desferi um golpe com meu joelho, em sua virilha. Apesar de não conseguir que ele me soltasse, a dor o fez desistir, momentaneamente, do beijo. O golpe não havia sido forte o suficiente e, assim, logo ele recuperou-se e passou a "vomitar" palavras desagradáveis.
- Quem você está achando que é? Você não é nada, garota! Se está achando que o Gerry vai ficar com você por muito tempo, está enganada. Ele vai fazer como sempre. Depois de sugá-la ao máximo, se cansará e a jogará na rua!
A maldade faiscava em seus olhos e o veneno escorria de sua boca retorcida, com fala bêbada. O pior de tudo, é que ele estava conseguindo romper totalmente a minha auto-estima, tão trabalhada nos últimos meses.
- Talvez, eu queira você, depois que o Gerry a chutar. Mas, nada impede que a gente possa desfrutar da companhia, um do outro, a partir de agora. Ele voltou a atacar-me. As pessoas em volta não pareciam estar preocupadas com o que estava acontecendo. Eu estava perdida. Não conseguia enxergar Gerry. Minha insegurança, agora, era total. Teria ele conversado com Gerry a meu respeito? Seria verdade o que ele estava dizendo? Eu só tinha vontade de correr, ir embora, chorar a minha mágoa, esconder-me de todos.
- Jim! Largue a Claire!! Ou vou chamar a segurança... Ou o Gerry!
- Nos deixe, Rosário! Vá cuidar da sua vida. Eu estou me entendendo com a Claire.
Neste momento, criei uma força maior e consegui desvencilhar-me daquelas garras e fugi. Fugi para longe daquele homem asqueroso.
Não tinha coragem de encarar Gerry, naquele momento. Eu tinha de repensar meus sentimentos. Minha auto estima tinha desabado. Fugi. Saí correndo do salão, direto para a rua. Quase chorando, pedi um táxi ao manobrista.
- A Srta. está se sentindo bem?
- Sim, obrigada. Por favor, o meu táxi.
Logo, eu adentrava um carro , que me levou para longe dali.
Desabei a chorar. Sentia o olhar preocupado do motorista, pelo espelho retrovisor.
Assim que chegamos, subi correndo. Por sorte, havia levado minhas chaves. Corri para o meu quarto, onde tranquei a porta e joguei-me sobre a cama, chorando desesperadamente. Todos os meus medos vieram a tona. A antiga Claire voltara. Medrosa, insegura, achando-se feia, incapaz de despertar o amor em alguém, muito menos em Gerry. Tudo havia sido um sonho, como sempre. Um sonho que, agora, acabaria. Seria melhor voltar para Londres, antes que ele a rejeitasse. Isto doeria demais. Melhor ir agora, quando as boas lembranças ainda eram vívidas.
Quando pensava que aquela agonia estava se acalmando, o choro voltava a desaguar.
Nisto, ouvi uma porta batendo, para logo em seguida, ouvir a voz dele:
- Claire! Claire!! O que houve? Abra esta porta!!
Ouvia ele forçar a fechadura. Tentei segurar o choro, mas ele parecia vir com mais força.
- Abra esta porta, Claire! Por favor, querida! A Rosário me contou o que aconteceu. Abra!! Eu não tinha forças para responder ou para mover-me.
- Se você não abrir, vou ser obrigado a arrombar. Abra, Claire! Você não pode ter dado ouvidos àquele bêbado arrogante!
Não sabia o que fazer. Sentia como se meu corpo estivesse anestesiado. Ele nunca havia dito que me amava. Ele seria capaz de amar alguém?
De repente, ele parou de gritar. Poucos segundos depois, ouvi o som de seu corpo jogando-se contra a porta. Uma... duas... três vezes. Até que ela cedeu e ele entrou com ar transtornado.
- Claire! Fale comigo!
Eu não conseguia parar de soluçar. Ele aproximou-se de mim, deitando-se ao meu lado, por trás, e puxando-me, abraçando-me, até que eu estivesse aconchegada ao seu corpo. Podia sentir a sua respiração ofegante e o calor que dele emanava.
- Claire, acalme-se, por favor. O que Jim falou para deixá-la deste jeito? Rosário contou-me o que aconteceu. Não acredito que você tenha acreditado nas palavras dele. Ele disse alguma outra coisa mais grave? Te machucou de alguma forma? Fale comigo, por favor. Sua fala, agora, era macia, carinhosa. Sentia aquele calor reconfortante, por trás de mim. Fui conseguindo acalmar-me, controlar o choro.
- Gerry, acho que vou voltar para Londres. Foi um erro vir para cá. Achava que poderia enfrentar tudo para ficar do seu lado.
- Claire, do que você está falando? Que idéia é esta ? Não vou te deixar sair da minha vida assim fácil. O que aquele canalha te falou? Pensei que a nossa relação fosse mais importante do que as palavras de um mau caráter que você só viu duas vezes.
- Ah, Gerry, me perdoa, mas eu sempre fui muito insegura. Depois que a gente começou essa relação, eu me tornei mais forte. Achei que nunca mais a Claire antiga voltaria.
- E como era esta Claire antiga? - sua voz soava como música em meus ouvidos, fazendo um arrepio gostoso percorrer todo meu corpo. Neste momento, ele me fez virar, de modo a ficar de frente para ele, ainda deitada, encarando-me com aquele belo par de olhos verdes.
- Ela era insegura, não se achava bonita, se achava incapaz de despertar qualquer sentimento no seu "amor platônico", de mais de 4 anos...Você.
- O quê?? Eu?? O seu amor platônico era eu? - ele quase riu, mas não quis interromper aquele momento de revelações.
Criei coragem para falar tudo que estava preso dentro de mim, nestes últimos meses. O seu abraço e seu olhar me davam coragem para expressar tudo que estava represado.
- Gerry, eu sou sua fã há mais de 4 anos. Eu só vivia em função de você, de longe, através da internet, viajando para onde você estivesse, nas filmagens. Nunca tive coragem de chegar perto, por medo, insegurança. Um dia , comecei a achar que aquilo era loucura, que não podia mais continuar a viver assim. Aí, conheci Sig, meu psiquiatra. Foi ele que me ligou naquele dia em que estávamos no gabinete. Ele conseguiu devolver um pouco da minha auto estima e ajudou-me a tomar uma decisão na vida. Então, resolvi tentar uma aproximação, através do trabalho. Soube que Guy estava precisando de assistente e pensei que esta poderia ser a minha grande chance. Além de te conhecer, também descobri que era capaz de uma vida útil, profissionalmente. Tinha medo de me decepcionar ao conhecê-lo, mas você só fortaleceu o meu amor. Aí você me contratou como sua assistente. Ao chegar aqui, tudo começou a acontecer tão rapidamente. Joguei-me de cabeça neste amor. Mas o medo e a insegurança estavam lá no fundo.Quando pensei que tudo estava indo bem e quase acreditando que você poderia me amar, aparece James, jogando-me no fundo, de novo. Fiquei imaginando que logo seria descartada .
Ele me olhava como se não acreditasse no que estava ouvindo. Pronto. Seria agora. Ele me rejeitaria. Mais uma maluca no seu pé. Fechei os olhos, esperando ouvir que ele realmente havia se enganado e que teríamos que acabar. Como ele continuaria esta relação com alguém tão desequilibrada, como eu?
- Claire... - sua voz continuava suave - Porque você não me contou tudo isto antes?
Comecei a chorar de novo.
- Claire, sua boba. Eu te amo. Todo este tempo, em que estamos juntos, eu pensava que você não ia ficar comigo por muito tempo. Aquela história de amor platônico, o telefonema, sua indiferença aparente. Você demorou tanto a se envolver comigo. Tanto que eu até pensei naquela bobagem de homossexualismo - ele começou a rir.
- Do que você está rindo?
- Da sua cabecinha enrolada. Pelo jeito não são só os cabelos que são enrolados .
Seu sorriso aberto, o seu abraço me envolvendo com força. Eu tinha ouvido direito? Ele me amava?
- Gerry... Você não está chateado comigo, por tudo isto que te contei?
- Porque eu ficaria? Só posso ficar envaidecido com todo este trabalho que você teve para ficar comigo. Agora , pára de pensar bobagens e me dá um beijo.
Quando seus lábios tocaram os meus, a sensação de bem estar era indescritível. Minhas forças rapidamente retornaram e o desejo por Gerry voltou com todo vigor. O passado estava sendo apagado completamente, ao ouvir aquelas palavras. Nos amamos mais intensamente, que da primeira vez. Agora tinha certeza de que ele era meu.

Depois daquele dia, Gerry trocou de agente. Eu continuo como sua assistente, porém, com uma pequena diferença. Uma aliança na mão direita, para que eu não esqueça do seu amor.
Hoje, estamos partindo para a ilha de Hichinbrook, na Austrália, onde ele irá filmar "Nim's Island". Assim que diminuir um pouco o ritmo de trabalho, talvez a gente possa ter um folga e pensar em mudar a aliança de mão. Mas isso, é outra história.


FIM

Que pena que acabou, não? Até eu fiquei babando com a sorte da Claire. Êta menina abençoada... Vocês não acham? ...rsrsrs...

Até o próximo romance, meus amigos! Beijos a todos!


sexta-feira, 19 de junho de 2009

Anjo da Guarda - Parte IV

Ele estava de costas, olhando o movimento da rua, através da janela da sala.
- Você queria falar comigo?
Ele se virou, ao ouvir minha voz, e sua expressão parecia cansada, mas tranqüila.
- Sente-se, Claire... Vamos conversar um pouco.
- Gerry... Eu sinto muito pelo que houve à tarde. Você foi tão gentil, levando-me para passear, e eu acabei sendo uma estúpida e estragando tudo.
- Claire. Você não precisa se desculpar. Eu é que perdi a razão, sem motivos - sua fala e seu olhar eram tristes - Vamos combinar que não se fala mais nisso. Não quero que isto interfira na nossa relação profissional. Não quero perder minha assistente antes dela começar o seu trabalho. Amigos, novamente?
Estendeu sua mão para mim, esboçando um sorriso, que me pareceu um pouco forçado. Pelo menos, ele queria continuar meu amigo. Já era alguma coisa. Eu continuaria ao seu lado, seja do que jeito fosse.
- Amigos.
Ele envolveu minha mão na sua, com um aperto firme e, ao mesmo tempo, suave, quente, que me deixou arrepiada. Ele continuava parecendo triste. Tive vontade de pular no seu colo e beijá-lo, mas me contive. Não era hora.
- Olha, eu vou sair com uns amigos e devo voltar tarde. Fique à vontade. A casa é sua. Vou deixar o número do meu celular, caso precise de alguma coisa.
- Não vou precisar de nada, obrigada. Quem tem de cuidar de você, de agora em diante, sou eu. Esqueceu? Seu "anjo da guarda". Gerry, prometo que você não vai se arrepender de ter me contratado.
- Tenho certeza disto. Boa noite.
- Boa noite. Meu querido, completei eu, em pensamento.
Depois que ele saiu, senti um vazio terrível, mas, ao mesmo tempo, um alívio por poder continuar como sua assistente, respirando o mesmo ar que ele. Sig tinha razão. Eu havia feito uma tempestade em um copo d'água.
Agora tinha de fazer o meu trabalho bem feito. Procurar uma consultora de moda e refazer meu guarda roupa. O plano era mudar a minha imagem gradualmente e tentar reverter aquele engano horroroso. Talvez eu estivesse imaginando coisas, mas acho que ele sentia alguma coisa por mim. Isto explicaria aquele mau humor. Será? Eu e minhas teorias.
Resolvi dar uma olhada na agenda de Gerry, fornecida por Tonya. Já tinha várias coisas para resolver, já na segunda feira. Depois de tomar um banho e comer uma salada, resolvi xeretar pelo apartamento. "A casa é sua", dissera ele antes de sair. Fui até o quarto dele. Era lindo, com uma grande cama de casal, decorado em tons pastéis, de muito bom gosto. O banheiro parecia um daqueles banhos romanos. Acho que tinha se inspirado no filme "Átila". Fiquei imaginando fazer amor com ele sobre aquela cama ou dentro daquela banheira , dentro de um banho de espuma perfumada. Sonhe, sonhe, Claire. Talvez você não passe muito disto.
Passeei por todos os cômodos. Realmente o apartamento era enorme e, extremamente bem decorado.
Bem, já estava ficando tarde. Ele não voltaria tão cedo, conforme suas próprias palavras. Assim, só me restava ir para cama, tentar ler um livro para chamar o sono e aquietar o coração e a alma.
Já devia estar dormindo há algum tempo, quando ouvi a porta de meu quarto abrir-se. Eu esquecera de fechar à chave, pois não tinha este hábito quando morava sozinha. Mantive meus olhos fechados. Senti alguém se aproximar da cama. Como estava muito quente, havia deitado totalmente nua, de bruços, coberta apenas pelo lençol de algodão. Podia ouvir a respiração ofegante dele, cada vez mais perto. Meu corpo já começava a reagir àquela proximidade. Senti seu hálito quente em meus cabelos, em minha nuca, em meus ombros...
Sua barba roçando minha pele, fazendo-me arrepiar inteira, enrijecendo meus mamilos, umedecendo minha vulva... Lutava para não gemer alto, para ele não perceber que eu estava acordada. De repente, ele começou a afastar-se, lentamente. Antes, ainda pude ouvir seu suspiro tristonho. Tive vontade de pular da cama, puxá-lo de volta e sufocá-lo com beijos e abraços. Mas, consegui segurar-me. Algo me dizia que ainda não era hora. Talvez ainda fosse o velho medo da rejeição. Será? Ah, Claire... Pára de filosofar e aproveita estes instantes em que ele ainda te olha e te deseja. Será que não estou sonhando? Mais um daqueles meus sonhos maravilhosos, mas que nunca se realizam? Vagarosamente, abri os olhos. Ainda pude ver a porta fechando-se devagar e a maçaneta voltando a sua posição estática. Não tinha sido um sonho. Gerry me desejara... Eu me sentia no céu. Eu não resistiria se ele fizesse isto novamente.
Naquela noite, o sono só venceu meus devaneios quando o sol já inundava o domingo, com seus raios de luz.
Já era muito tarde, manhã adentro, quando ouvi a voz de Rosa a chamar-me.
- Srta. Claire... Srta Claire. Bom tarde! A Srta. está bem? Já são quase duas horas da tarde. Gostaria que eu lhe preparasse alguma coisa para comer? Daqui a pouco está na minha hora de sair, por isso resolvi acordá-la.
Rapidamente, cobri-me, envergonhada, com os lençóis.
- Oh, Rosa! Boa tarde. Não, não precisa preocupar-se comigo. Se quiser, preparo algo para comer mais tarde. Pode ir embora, se quiser.
- Ainda tenho uma hora para terminar meu trabalho. Se precisar de algo, é só chamar.
- Obrigada, Rosa. - Quando ela fez menção de virar-se para sair, resolvi perguntar-lhe:
- Rosa... O Sr. Butler, já acordou?
- Há muito tempo. Falou que ia caminhar e talvez não voltasse para o almoço. Até agora, não apareceu. Parecia um pouco abatido. Acho que não dormiu direito. Mais alguma coisa, srta?
- Não , Rosa. Obrigada.
Depois do banho, fui até a cozinha, mas perdi a vontade de comer. Tomei um suco de laranja e resolvi que iria passear pelos arredores para conhecer um pouco do bairro. Não adiantava nada ficar em casa pensando em besteiras. De jeans, camiseta e tênis, saí à pé para fazer um reconhecimento da área onde iria morar, sabe-se lá por quanto tempo. Estávamos quase ao lado da Rodeo Drive, a rua mais famosa de Beverly Hills. Era para lá que eu iria. Estava no meio das lojas de grifes mais famosas do mundo. Aproveitaria para ver as vitrines e me atualizar com a moda. As ruas estavam cheias de flores, as vitrines muito elegantes, muita gente bonita e bronzeada na rua, curtindo o sol de domingo. Cheguei a sentir-me um ET, com minha pele muito clara. Andei por um bom tempo, olhando todos os detalhes, imaginando como ficaria em algumas daquelas roupas. Vi até um vestido vermelho, parecido com o de meu sonho. Quem sabe... Talvez eu pudesse comprá-lo e ir a alguma festa com o Gerry. Talvez o meu salário não fosse suficiente para a compra, pelo pouco que eu pude ver dos preços. Mas não custava sonhar, como sempre. Ainda o dinheiro que meu pai me deixara...
Estava distraída, quando ouvi uma buzina tocar ao meu lado. Era Gerry, em seu carro conversível. Ele estava de tirar o fôlego, dentro daquele carro preto, com a camisa azul aberta, deixando ver um pouco daquele tórax divino e seus poucos cabelos escuros. Os fios prateados de sua cabeça, brilhavam à luz do sol e o sorriso... Este tonteava até a mais celibatária das mulheres.
- Quer uma carona?
- Claro! Que bom! – “Se prometer não brigar comigo, vai ser ótimo” pensei, mas resolvi não falar. Chega de discussões tolas. Entrei no carro.
- Então resolveu fazer um reconhecimento do bairro?
- Pois é! É muito lindo e divertido aqui.
Antes que pudéssemos continuar a conversa, duas mulheres surgiram do nada, quase gritando, pedindo um autógrafo para ele. Apesar da situação, ele foi muito simpático, deu beijinhos, além dos autógrafos e despediu-se sorridente.
Fiquei olhando para ele, que continuava sorrindo. Ele realmente gostava de ser adulado pelas fãs, como eu imaginava. Por isso, o carinho com elas. Ou eu deveria dizer, conosco?Eu ainda era só uma fã ou mudara de categoria para assistente apaixonada?
- Você não se cansa deste assédio, de vez em quando?
- Está com ciúmes? Disse isso lançando um olhar estranho.Misto de esperança com ironia. Eu estaria vendo coisas?
- Claro que não. Sempre admirei este seu carinho com as fãs - Ooops! Falei o que não devia.
- Sempre?? Desde quando?
Ele estava surpreso com a minha afirmação. Como eu ia sair daquela situação? Pensa rápido, Claire!
- Ora... Eu... Eu disse sempre??
- Disse - agora ele estava com o seu sorriso zombeteiro, achando graça da minha confusão.
- Ah! Eu quis dizer, desde que o conheci, sempre tenho visto as fãs assediarem-no e você é sempre muito gentil com elas. Teve aquela vez em Londres, que eu tive de salvá-lo, senão elas iriam estraçalhar as suas roupas. Você estava sem coragem de dizer-lhes não, pelo que me pareceu.
- É mesmo. Lá em Londres. Aliás, eu continuo te devendo esta.
- Imagina - corei.
Ele deu a partida no motor e saiu, todo sorridente. Tinha notado meu rubor, com certeza. O que estaria se passando na sua cabeça. Como eu gostaria de saber.. Ele ainda era um mistério para mim. Um mistério delicioso...
- Vamos tomar um café? Que tal ir na Starbucks? Tem uma aqui perto.
- Claro! Vamos! Estou morrendo de fome!
Ai, eu iria tomar café com ele, na sua cafeteria predileta. Lembrei de como eu adorava tomar café na caneca, que adquirira em Londres, numa Starbucks, só para sentir-me mais próxima a ele, nas minhas manhãs e tardes solitárias.
Logo, estávamos entrando na cafeteria. Por sorte, conseguimos um lugar mais ou menos reservado. Pedimos café e alguns dos deliciosos "scones", especialidade da casa.
- Claire, posso lhe perguntar uma coisa? - estremeci, ao pensar que ele ia pergunta-me se eu era lésbica. Eu seria obrigada a desfazer aquele mal entendido. Talvez fosse melhor, mesmo.
- Claro, Gerry! Pergunte o que você quiser. Você tem todo o direto. Afinal, é o meu patrão.
- Não. Não quero perguntar como patrão, mas como amigo. Acho que posso me considerar seu amigo, ao menos?
- Lógico! - porque ele havia dito "ao menos"? Achei que não havia dúvidas sobre isso. Claro que eu o considerava muito mais que isso.
- Você não tinha ninguém lá em Londres? Mesmo? Quando fiz esta pergunta lá, no escritório do Guy, você disse que não. Era sério?
- Sim. Meus pais já são falecidos. Nunca tivemos grandes contatos com os parentes, pois a maioria é do interior. Depois que meu pai faleceu, há cerca de 4 anos atrás, passei a morar só, no nosso apartamento. Terminei minha faculdade há dois anos e passei a viver, como dizem, "de rendas". Meu pai deixou uma herança considerável, cujos rendimentos permitiam que eu vivesse confortavelmente, sem preocupação com trabalho. Até procurar emprego no escritório do Guy, vivia viajando, conhecendo lugares e pessoas. Mas, o tempo foi passando e comecei a sentir falta de uma ocupação. Como sempre gostei muito de cinema, resolvi procurar algo dentro da área. Quando soube que o Guy estava a procura de um assistente, pensei que esta seria uma ótima oportunidade - Eu estava quase ficando encabulada pela atenção que aqueles olhos verdes estavam dando a minha fala, examinando minhas expressões, estudando minha boca.
- E... Amigos, namorados?
- Não. Sempre fui um pouco reservada. Mesmo nas viagens, meu interesse era maior pelos lugares. Tinha alguns amigos na faculdade, mas cada um acabou seguindo seu caminho e nos separamos. Quanto a namorados? Há muito tempo não tenho ninguém. Estava apaixonada por alguém. Mas ele não sabia. Uma paixão platônica.
- Ele? Como não sabia? Você nunca disse a ele o que sentia?
- Ele nunca soube que eu existia - senti uma onda de tristeza se apoderando de mim e as lágrimas começaram a querer emergir de meus olhos.
- E, você ainda ama este cara?
Seu olhar, agora, me envolvia com ternura, querendo consolar-me. Que vontade de me abrir com ele, dizer que ele era o meu amor, reprimido tanto tempo dentro do peito. Não. Não podia fazer isto agora, ainda. Eu o assustaria com uma revelação destas agora.
Para minha sorte, algumas ex-colegas de infortúnio - fãs - chegaram até nossa mesa, para pedirem autógrafos. Isto desviou a sua atenção. Desta vez, ele parecia irritado com a interrupção. Demonstrou isto no tratamento mais seco que dedicou às garotas. Elas nem notaram, mas eu pude perceber. Aproveitei para recompor-me, respirar fundo e secar uma pequena lágrima que começara a brotar no canto do olho esquerdo.
Assim que elas saíram, rindo animadamente, foi a vez da garçonete chegar com o nosso pedido. Mais uma vez, fui salva de continuar com aquelas confissões, que nem eu sabia onde iriam parar.
Tão logo a garçonete virou-se para atender a outra mesa, ele voltou a fixar o seus olhos em mim, esperando que eu continuasse a minha triste história.
- Como você vê, a minha vida não tem nada de interessante, comparada com a sua, Gerry. Você é que deve ter muitas histórias para contar.
- Nem tanto assim - Ele percebera que eu estava tentando mudar o rumo da conversa e respeitou minha decisão, não insistindo em retomar o assunto.
- Não seja modesto. Você tem a sua família também, não? Sua mãe, seus irmãos.
- Como você sabe?
- Lembre que a sua vida está a disposição na Internet.
- E você foi procurar informações sobre mim, lá?
- Digamos que eu quis informar-me sobre as pessoas com quem teria de trabalhar.
Como eu conseguia articular todas aquelas palavras, não sabia. Devia ter alguma ajuda divina. De qualquer forma ele pareceu aceitar aquela desculpa esfarrapada. Para convencer um pouco mais, ainda falei:
- Foi graças a esta pesquisa que consegui te tirar daquela confusão em Londres, falando da sua mãe.
- Tem razão. Foi muito útil. - sorriu como um menino, lembrando do fato.
- Que mais você ficou sabendo sobre mim na Internet?
- O suficiente .
- E, o que é o suficiente?
- Ah, Gerry. Não me aprofundei muito, se é isto que você quer saber. Digamos que um breve currículo - menti descaradamente. Aí, não resisti e perguntei:
- Vi que você faz muito sucesso com as mulheres. Deve ter muitas namoradas - Porque eu falei isso? Sua maluca! O que eu quero que ele diga?
- Tenho muitas amigas, que a imprensa insiste em mostrar como relacionamentos íntimos.
Mas não é bem assim. Atualmente, estou sozinho, a procura de alguém - disse isto, olhando-me fixamente, como se quisesse saber minha reação. Minhas pernas pareciam ter sido dissolvidas, pois eu não as sentia mais e o coração teria saltado do peito, não fosse a caixa torácica que o envolvia. Em mais uma demonstração de "como disfarçar sentimentos", falei, arregalando os olhos:
- Hum! Estes scones estão uma delícia! Você já provou?
- Eles são ótimos! - continuava encarando-me, parecendo divertir-se com a situação. Parecia mais a vontade comigo. Tive a impressão que aquele mal entendido, sobre minhas preferências sexuais, estava se desfazendo.
A cada olhar dele, sentia-me dissolver um pouco mais. Ele já estava notando isso. Cada vez ficava mais difícil de disfarçar o modo como ele mexia comigo. Resolvi falar de seus compromissos para a semana, que iniciava no dia seguinte.
- Amanhã, você tem uma reunião-almoço com o seu agente, James. Depois eu confirmo o horário e o local.
- Você pode almoçar conosco?
- C-como? Mas não é uma reunião profissional?
- Sim. Exatamente por isso. Você, sendo minha assistente, pode participar. Se quiser dar palpites, também aceito. Além disso, você já fica conhecendo o Jim.
- Bem, se você acha adequado.
- Mais que adequado.
Quase me atirei naqueles braços, ao ver aquele sorriso e aqueles olhos, que me provocavam e incitavam a fazer loucuras.
- Então, está bem! Podemos ir agora?
- Por que a pressa?
- Não olhe agora. Mas tem um bando de fãs malucas, a caminho desta Starbucks, seguidas por dois fotógrafos, neste exato momento. Se eu fosse você, sairia agora pelos fundos. A não ser que você queira distribuir mais sorrisos e beijinhos, pousar para fotos e dar explicações para a imprensa sobre nós dois. Deixe que eu pago a conta.
- Está bem, meu anjinho. Te espero lá em casa. Não vá se perder! - deu-me uma piscada de olhos e saiu rapidamente, pelos fundos da cafeteria.
Quando o grupo chegou, vieram direto até minha mesa. Acabei tendo que me identificar como sua assistente e dar uma desculpa de um compromisso urgente, de última hora, que o havia forçado a sair. Ficaram muito decepcionados e tentaram tirar mais algumas informações comigo. Acabaram desistindo, pois minhas informações não tinham nada de novo. Esperei até que eles fossem embora e saí caminhando tranqüilamente em direção oposta a do apartamento. Quando vi que não havia mais ninguém, peguei um táxi e pedi que ele desse algumas voltas, antes de deixar-me no prédio de Gerry. Não tinha certeza se os paparazzi já haviam descoberto este endereço ou não. Acho que estava ficando meio paranóica.
Quase uma hora depois de ter me despedido de Gerry na Starbucks, voltei para casa. Ao entrar, ouvi vozes estranhas, rindo e falando alto. Entre elas estava a voz de Gerry. Pensei em entrar sem ser vista, mas fui chamada .
- Claire! Venha cá! Quero te apresentar para uns amigos.
Não estava muito a vontade para aquele tipo de apresentação, mas fui obrigada a cumprimentá-los.
- Boa tarde.
Gerry veio ao meu encontro, passou seu braço direito sobre meus ombros e puxou-me contra si.
- Esta é Claire, minha nova assistente.
Eram dois homens e uma mulher. Um deles eu já havia visto em muitas fotos junto com Gerry. Acho que era o seu companheiro de farras, na noite. Gerry o apresentou como sendo Burt. O outro se chamava Perry. A mulher parecia ser namorada de Perry e chamava-se Elisabeth. Todos muito simpáticos. Souberam que Gerry havia voltado para casa e resolveram convidá-lo para jantar e dar uma esticada até uma nova casa noturna. Pelo jeito, já sabiam do ocorrido na Starbucks e ficaram brincando com a situação, pelo fato de Gerry ter saído pelos fundos. Eles pareciam muito divertidos. Até demais. Talvez estivesse sendo severa demais com eles. No fundo, gostaria de ter ficado a sós com Gerry, na minha volta. Eu estava me sentindo estranha. Depois de nossa conversa naquela tarde, algumas de minhas barreiras estavam desabando e o desejo começava a tomar conta de mim. Claire... Vá com cuidado.
- Diz para ele, Claire, que vai ser bom. Este homem tem trabalhado demais. Tem que se divertir um pouco, senão pira - disse Burt.
- Eles têm razão, Gerry. Daqui a um mês, você já começa a filmar de novo. Aproveite. O seu primeiro compromisso, amanhã, é só no horário do almoço.
Pareceu-me que ele não estava querendo ir ou era impressão? Até me arrependi de ter dito o que dissera.
- A não ser que esteja cansado por causa da viagem , fuso horário, estas coisas - tentei consertar a minha falha.
- Você vem conosco? - teria notado uma súplica na sua voz? Não, devia ser impressão também.
- Receio que não. Amanhã é o meu primeiro dia de trabalho e não quero chegar atrasada - sorri, tentando descontrair a mim mesma.
Todos riram, menos ele.
- Além de bonita, tem bom humor. Você escolheu uma ótima assistente desta vez, Gerry. A Tonya era muito chata, às vezes - disse Burt.
- Vamos, Gerry! Vá trocar de roupa e vamos. Nós te esperamos.
- Está bem. Vocês venceram. Volto já.
Foi em direção ao quarto e, logo em seguida voltou em um de seus trajes favoritos. A calça jeans rasgada em pontos estratégicos e uma camisa branca de algodão, aberta até a metade do peito, para fora das calças. Tive vontade de dizer que não estava passando muito bem e pedir para ele ficar comigo. Não sabia o que estava acontecendo comigo.
- Vamos, então? Claire, tem certeza que não quer ir junto? - de novo aquele olhar de súplica.
- Não, Gerry. Obrigada, mas vou ficar. “Te esperando, meu amor”, pensei.
Não sei se ele reparou algo em meu olhar. Não sei se ainda conseguia disfarçar algum de meus sentimentos. Só sei, que ele se aproximou de mim, encostando seus lábios em meu ouvido e sussurrando:
- Não demoro.
Estremeci ao sentir aquele hálito quente em meu pescoço, lembrando do que ocorrera na noite anterior. Ele afastou-se, continuando com seus olhos verdes fixos nos meus e disse em voz alta:
- Boa noite, Claire.
- Boa noite.
- Tchau, Claire. Quem sabe da próxima vez você vai conosco, ok? Foi um grande prazer conhecê-la.
Todos se despediram alegremente. Não pareciam notar o clima de sedução que estava acontecendo entre nós dois.
Quando a porta se fechou, permaneci paralisada, tentando organizar minhas idéias, racionalizar o que estava acontecendo... Mas não havia nada para racionalizar. Era puro desejo o que tomava conta de mim. Desejo por aquele homem, que eu amava tanto. Sentia que ele também me desejava. Se sentia amor ou não, pouco me importava a esta altura. Eu só pensava em ser possuída por ele, de qualquer jeito. Tinha ficado por muito tempo reprimindo este turbilhão dentro de mim. Agora, de repente, a represa estava preste a ruir e extravasar tudo que eu guardava há tantos anos. O tempo continuava parado e senti que algumas lágrimas queriam aflorar em meus olhos. Uma vontade de chorar, que eu não sabia explicar se era de tristeza por ele ter saído ou se de alegria por ter-me libertado dos medos antigos. Eu me sentia capaz de qualquer coisa por ele.
Ainda estava estática, na frente da porta, sem ter noção de quanto tempo estava ali, quando ouvi o barulho de chaves na fechadura. Meu coração quase parou. A porta se abriu e Gerry surgiu, lançando um olhar surpreso ao ver-me ainda parada no mesmo lugar de antes.
- Você ainda está aí? O que houve? Você está bem, Claire?
- Não, eu não estou bem.
Ele aproximou-se, cautelosamente, preocupado.
- O que você tem?
- Falta de você.
Não conseguia mais ficar longe dele. Como se estivesse em transe, minhas mãos procuraram os botões da camisa branca e começaram a desabotoá-los, um por um, bem devagar.
- Eu também. Por isso voltei, Claire.
Ele gemia baixinho ao sentir minhas mãos passearem entre os cabelos de seu peito, contornando o tórax, até chegar na cintura, terminando de abrir completamente sua camisa. Novamente, as mãos subiram até seus ombros largos, descendo pelos braços musculosos e rijos, tirando a camisa com delicadeza. Já diante daquele torso forte e tão desejado, minhas mãos continuaram sua viagem, acariciando-o, envolvendo-o, subindo por suas costas, fazendo que ele dissesse meu nome em sussurros, de olhos fechados, aproveitando cada instante de meus carinhos. Não tendo mais a camisa para atrapalhar minha visão, foi a vez de dar mais trabalho às mãos. Elas passaram a abrir o botão e o fecho da sua calça jeans, lentamente. Mais gemidos... Já podia ver seu membro rijo através da cueca branca, último empecilho para minha ida ao paraíso. Resolvi tentá-lo mais um pouco e, acompanhando o trajeto das mãos , fui descendo, devagar , beijando-o suavemente, pouco a pouco, até chegar na linha abaixo do umbigo, onde um declive suave levava a grande elevação sob sua roupa íntima. Não resisti mais e cedi ao desejo de ver o que me aguardava. As mãos continuavam seu trabalho, agora o libertando daquele último pedaço de algodão que recobria seu magnífico corpo. Aí, ele não resistiu mais e foi a sua vez de agir. Senti suas mãos elevarem-me até que pudesse encarar-me. Seus olhos brilhavam e sua boca procurou avidamente a minha. Sedento, sôfrego...
Seus braços me envolveram com força. Agilmente, levantou-me no colo e seguiu para o seu quarto. Aqueles olhos faiscantes de desejo, ansiando por mim. Colocou-me sobre a cama. Foi a sua vez de despir-me. Como aquelas grandes mãos podiam ser tão delicadas...
Agora, era a minha vez de gemer, enquanto ele descobria meu corpo, vagarosamente, olhando cada detalhe , tantas vezes apenas imaginados.Sentia meu corpo incendiar-se sob aquele toque. Suas exclamações de prazer faziam-me estremecer. Queria me perder naquele corpo, naqueles olhos, naquela alma. Senti seu peso sobre mim, a rigidez de seu desejo em minha virilha, fazendo-me abrir as coxas para recebê-lo, enfim. Os movimentos ondulantes procurando o encaixe perfeito. A mistura de nossos suores, de nossos sussurros, de nossos fluídos. Os movimentos tornando-se mais rápidos e mais prazerosos. Não havia mais peso, não havia mais gravidade. Flutuávamos sobre a cama, rumo à grande festa, ao êxtase completo. Finalmente a explosão, os fogos de artifício, sua voz chamando meu nome, gemidos altos. Eu o tinha dentro de mim, quente, úmido, latejante e vigoroso. Não queria que aquele momento acabasse. Queria que durasse a eternidade.
Depois de tudo, a sensação de paz, relaxamento, lassidão.Estávamos abraçados como se fossemos um só , aproveitando o calor um do outro, as respirações se acalmando, pouco a pouco. Exaustos, mudos, aproveitando ao máximo aquela proximidade, aquela cumplicidade e intimidade total.
Eu não conseguia dormir. Ouvia a sua respiração ir e vir, como música em meus ouvidos. Parecia estar sonhando, mas não. Daquela vez não tinha sido um sonho. Ou seja, era a realização de um antigo sonho. Ele estava ali, ao meu lado, dormindo, com um ar de satisfação no rosto. Seu corpo desabado ao meu lado, perfeito, viril, forte. Veio a vontade de acariciá-lo, passear novamente por aqueles músculos, vê-lo arrepiar-se ao meu toque, ouvir o seu gemido. O calor voltou a incendiar-me. Sua devassa! Meu apetite ainda não tinha sido saciado. Será que algum dia seria?
Senti sua reação. Um sorriso malicioso pintou em seus lábios e os olhos abriram-se. Imediatamente, todo o fogo voltou e a volúpia tomou conta de nós. As mãos procuravam as áreas onde mais prazer poderiam provocar no outro. Foi a minha vez de ficar sobre ele, deslizando, roçando meu corpo contra o seu, arrancando suspiros roucos. Logo, estava sentada sobre seu quadril , contraindo minhas coxas contra ele, dançando sobre seu ventre, até poder senti-lo dentro de mim. Fui puxada por aqueles braços, forçando-me a deitar sobre ele, para logo em seguida ser rolada e colocada em posição oposta, sendo submetida, subjugada sob seu magnífico corpo. Ah, delícia! Não poderia querer mais nada da vida. Aqueles beijos, aquele calor, aquele hálito, seu perfume misturado ao cheiro de seu suor, para, finalmente, ser possuída com vigor e avidez, deixando as ondas de prazer fluírem, como correntes elétricas. O prazer total.
Mais uma vez, o abandono gostoso, as mãos ainda acariciando, certificando-se de sua presença, mostrando meu carinho e meu amor. Meu amor...
Só no meio da madrugada, desisti de lutar contra o sono e parei de olhar para o meu "oásis". Parei de pensar no que me aguardava nas horas seguintes, quando a noite fosse embora e a realidade do dia voltasse a dominar. Teria sido só uma noite para ele? Tinha medo de imaginar. Melhor não. Melhor deixar o sono tomar conta.
A manhã já devia estar na metade, quando acordei. Uma preguiça gostosa. Ao abrir os olhos, deparei com aquele rosto, de barba por fazer, as duas esmeraldas fixando-se em mim e um sorriso terno, de amolecer qualquer coração.
- Dormiu bem?
- Otimamente bem. E você?
- Eu não diria que dormi, mas que passei uma ótima noite, em uma bela companhia - falou com a voz rouca, fazendo cócegas em meu ouvido. Ele me considerou só uma companhia. Porque eu deveria esperar mais que isso?
- Porque este olhar triste, de repente? Em que você está pensando?
- Nada, nada...Bobagem!
A noite tinha sido maravilhosa. Eu que ficasse com aquelas lembranças na memória e me considerasse com muita sorte. Ai, que aperto no coração.
- Vamos tomar um banho? Juntos? – disse isso com carinha de safado.
- Porque não? Vamos!
Ele se levantou lentamente. A visão daquele corpo nu me fez estremecer todinha. Lá vinha aquela vontade de abraçar, arranhar e beijar ele por inteiro.
- Vem!
Ele estendeu sua mão para mim e lançou aquele olhar guloso. Este banho ia ser demorado. Lá vou eu. Aproveite ao máximo estes momentos, Claire.
Logo depois do banho, fomos obrigados a nos vestir, pois já era quase hora da reunião-almoço com James. Resolvi vestir algo um pouco mais feminino. Por isso, acabei vestindo uma saia levemente evasé, estampada e uma camiseta de manga cavada branca, ajustada ao corpo. Deixei os cabelos soltos, pois percebi que Gerry gostava mais desse jeito. Olhei no espelho e achei que tinha ficado um conjunto harmonioso. Pude comprovar isto, quando Gerry pôs os olhos em mim, já na sala. Sua aprovação foi imediata.
- Claire, você está linda! Você ainda vai me contar direitinho esta história de se vestir como um rapaz. Eu cheguei a pensar que você não gostava de homens.
- Sério? Imagina.
Me fiz de boba e fiquei rindo, satisfeita por ter conseguido o efeito que desejava.
- Se não tivéssemos este compromisso agora... - dizendo isso, enlaçou-me pela cintura, puxou-me contra si e começou a beijar-me no pescoço, indo em direção a boca, onde pressionou meus lábios com força, introduzindo sua língua , num beijo cheio de paixão. Era de perder totalmente as forças e voltar para a cama. Mas, a responsabilidade falou mais alta e fui obrigada a lembrá-lo do nosso almoço.
- Depois do almoço, nós temos a tarde livre, Gerry. - olhei-o com ar sedutor, sorrindo surpresa com a minha desinibição.
- Isto é um convite?
- Quem sabe? Vou pensar no seu caso.
Eu estava tão feliz. Será que ele também se sentia assim?
Neste momento, senti a presença de outra pessoa na sala. Era Rosa que entrara com dois copos de suco de laranja em uma bandeja. Tentei desvencilhar-me de Gerry, mas ele continuava todo sorridente e com os braços puxando-me mais fortemente contra seu corpo.
- Muito obrigado, Rosa. Já estamos de saída, mas um suco vai muito bem, agora. Estou morrendo de sede. Você não, Claire?
Eu estava morrendo de vergonha, isso sim.O que a Rosa ia pensar ao nos ver desse jeito? Num dia estava chorando por causa dele e, no outro, já estava me agarrando a ele, feito uma tarada.
- Claro, estou sim. Bom dia, Rosa - falei ,dando um belo sorriso amarelo.
- Bom dia, Srta. Claire. Pelo que vejo estão de muito bom humor, hoje. Fico contente em vê-la tão disposta, Srta. Claire.
Teria notado um olhar de reprovação em seu rosto? Ou era a minha fértil imaginação? Ah! Deixa prá lá!
Tomamos nosso suco e saímos, logo em seguida. O restaurante escolhido era próximo aos estúdios de cinema. Era sofisticado e muito bem freqüentado. Vários atores conhecidos estavam almoçando ali, naquela hora. Cheguei a sentir-me meio deslocada. As mulheres estavam super arrumadas, vestindo as grifes famosas. Apesar de não estar vestindo nada tão chique, notei que vários homens passaram a me olhar, assim que passamos para a mesa indicada. Pelo jeito, Jim, como Gerry o chamava, ainda não tinha chegado.
- Ele sempre está atrasado. Hoje, não estou achando isto ruim.
Sentou-se na cadeira, jogando-se para trás, como para admirar-me melhor. Senti-me ruborizar.
- Sabe, Claire, ainda estou surpreso com tudo que aconteceu nestas últimas horas. Você parecia querer ficar distante de mim e, de repente...
- É que, às vezes, eu tento disfarçar demais os meus sentimentos, até não poder mais. Aí...
- Bom dia! Desculpem o atraso! Olá, Gerry! E você deve ser a nova assistente, Carrie?
- Claire! O nome dela é Claire, Jim!
- Ah! Claro! Desculpe-me. Você tem muito bom gosto, Gerry.
Mais um que elogiava a minha aparência, como se isto fosse o essencial para minha função, e não minha capacidade intelectual.
- Ele só tem boa memória para as coisas que o interessam.
- Por isso, não esquecerei mais o seu nome, Claire - disse com jeito galanteador.
Gerry pareceu um pouco irritado com aquela amabilidade toda. Mas, seguiu de bom humor, contando como havia sido sua viagem à Londres, as filmagens de "Rocknrolla" e sobre algumas propostas que haviam surgido. Notei que não tocou no assunto de como havíamos nos conhecido . Resolvi ficar só ouvindo e observando. Às vezes, Jim lançava-me olhares "devoradores" , se é que este termo existe. Mas era esta a sensação que eu tinha. De uma caça pronta para ser devorada. Talvez eu devesse sentir-me lisonjeada, mas estava sentindo exatamente o contrário. Acho que Gerry já estava notando e, pelo seu olhar, não estava gostando muito da situação.
- Gerry, precisamos falar a respeito das filmagens de "Priest".
- Falar o que? Acho que já deixei claro que não quero mais este papel de justiceiro de cartoon. Em "300" foi diferente, havia uma história sólida por trás. O Andrew tem de procurar outro para o papel. Estou envolvido em outras produções mais interessantes. Não sei se poderei estar disponível para as filmagens. Se é que elas vão começar.
- Mas, vocês fizeram um acordo.
- VOCÊ fez um acordo! Olha, Jim, sei que suas intenções eram boas. Eu estava numa maré baixa e procurava um trabalho imediato. Mas, agora, as coisas mudaram. Não tenho mais certeza se este trabalho vale a pena.
Estava louca para dar meu palpite, baseada no que havia conversado com outras fãs e lido sobre o assunto. Achava que Gerry tinha razão e eu estava contente por saber que ele pensava daquela maneira.
- O que você acha disto, como assistente do Sr. Butler, Claire? - a pergunta pegou-me de surpresa, principalmente por ela ter vindo de quem eu menos esperava.

- Bem, eu li alguma coisa a respeito na Internet, vi a opinião de muitas fãs de Gerry sobre este filme. Não sei se minha opinião pode ajudar em alguma coisa, mas acho que Gerry tem razão.
- Bem, eu não poderia esperar outra coisa de sua assistente. Tenho certeza de que seu emprego está garantido, Claire.
Não gostei do modo como dissera aquilo.
- Não estou falando para agradar ao meu patrão, sr. James. Estou falando baseada na opinião das fãs dele, que não são poucas. Você sabe disso. A grande maioria só assistiria, a este tipo de filme, porque ele é o ator principal, não porque a estória seja interessante. Eu posso estar enganada, mas dependendo de quem dirigir e da forma como este cartoon será levado às telas, pode não passar de uma produção B. Desculpe se não o agradei com a minha resposta, mas foi o sr. que perguntou. Com licença, que preciso ir ao tolete.
Deixei-o lá sentado, ao lado de um Gerry satisfeito pelo meu apoio, com a boca semi-aberta, surpreso com a minha arrogância.
Fiquei alguns minutos a mais no banheiro, esperando que os ânimos se acalmassem. Para minha surpresa, ao voltar, encontrei Gerry sozinho.
- O que houve?
- James resolveu ir embora. Ele ficou meio chateado com a sua atitude - soltou uma gargalhada, ao dizer isto.
- Gerry! Eu sinto muito. Eu não queria ofender ninguém, mas eu não podia deixar de responder o que eu realmente penso. Não foi para agradar a você.
- Eu sei, meu bem. Não se preocupe. Você agiu corretamente. O James é que não sabe se portar bem quando é contrariado. Você fez muito bem. Gostei da sua atitude. Vamos pedir? – sugeriu, enquanto pegava o cardápio
Resolvi não pensar mais no assunto, já que Gerry estava do meu lado. O tal James que ficasse sem almoço. Só fiquei preocupada se aquela cena não ia interferir na relação profissional dos dois.
- Gerry, espero não estar prejudicando o relacionamento de vocês. Se você quiser, eu me desculpo com ele.
Eu odiaria fazer isto, mas por Gerry eu faria qualquer coisa.
- Eu já lhe disse, Claire. Não se preocupe. Ele já sabia a minha opinião. Acho que ele não está num bom dia, só isso. Posso fazer o nosso pedido? Estou morrendo de fome.
Senti sua mão, por baixo da mesa, subir por minha coxa, apertando-a de leve, enquanto seus olhos zombavam da minha falta de jeito.
- Pode... - falei com a voz quase sumida, lutando contra os arrepios que percorriam meu corpo.
Enquanto esperávamos nossos pratos, ele perguntou:
- Claire. Aquela estória sobre a opinião das fãs a respeito do "Priest", é verdade? Você havia dito que a sua "pesquisa" sobre mim tinha sido superficial.
- Ah! É que, durante a "pesquisa", acabei entrando no site de um de seus fãs-clubes e, por curiosidade, acabei lendo sobre este filme e as diversas opiniões das fãs, num dos fóruns. Aliás, você já entrou nestes sites? - tentava trocar de novo o enfoque da conversa.
- Olha, no início, eu acessava mais estes sites. Eram muito estimulantes. Infelizmente, ou felizmente, tem sobrado pouco tempo para isso. De qualquer forma me sinto envaidecido com todo este tipo de suporte. Tonya sempre dava um jeito de colocar-me em contato com as responsáveis, para troca de informações. Ela não lhe falou sobre isto?
- Acho que sim.
Tive que fazer-me de boba para desviar a sua atenção de mim.
Depois do almoço, estávamos de saída, quando ouvimos uma voz de mulher chamando-o, aos gritos:
- Gerry, Gerry!!
Era Rosário Dawnson! A mais odiada das suas "amigas". Não acreditei quando vi aquela bruxa. Veio se jogando para cima dele, como uma avalanche.
- Estava com saudade! - dizendo isso, pendurou-se no seu pescoço e deu-lhe um beijo na boca. E o pior... Ele correspondeu na minha frente. Senti o sangue ferver, ir para a cabeça e, ainda assim, consegui manter um sorriso estático no rosto. Acho que eu era um caso para estudos. Como eu conseguia fazer isso? Devia ser a tal fleuma britânica, tão falada. Os escoceses costumavam ser mais passionais. Eu teria provas disso mais tarde.
Assim que os abraços e beijos terminaram, Gerry, todo borrado de batom, virou-se todo sorridente e apresentou-me:
- Rosário, quero te apresentar Claire, minha nova assistente!
Para ela, eu era a assistente, também. Só isso.
- Oi, querida! Que prazer! Espero que esteja cuidando bem do Gerry. Não deixe ele se meter em encrencas.
Quase a achei simpática. Cuidado para não se deixar enganar, Claire. Alerta vermelho com esta aí.
- Gerry, quando você chegou?
- No sábado, pela manhã. Alguma novidade?
- Tudo igual por aqui. Aquela fogueira de vaidades, de sempre. Você foi convidado para a festa de amanhã?
- Que festa?
- É a inauguração de uma nova casa noturna ,em Santa Mônica. Acho que vai ser animada. Estava pensando em te convidar para ser meu acompanhante. Você sabe que eu odeio ir sozinha a estas festas.
- Nós recebemos algum convite, Claire?
- Na verdade, sim. Eu ia lhe falar, mas não tive tempo. Talvez seja uma boa oportunidade para você aparecer e quem sabe divulgar um pouquinho do "Rocknrolla". Acho que a imprensa, em peso, vai estar lá.
- Bem, Rosário, infelizmente, você vai ter de conseguir outro acompanhante, pois vou a esta festa com a Claire. Meu coração quase saltou pela boca.
- Hummm, estou vendo que temos alguma coisa por aqui. Estou com ciúmes.
- Rosário, você sabe que tem um cantinho reservado no meu coração, não sabe?
Aquela frase, fez com que eu engolisse o coração de volta. Ai, que ódio!! Cantinho no coração? Posso com isso?Que descarado!! Ele estava flertando com nós duas, ao mesmo tempo!! Não resisti e acabei dizendo:
- Se você quiser acompanhá-la, Gerry, não há problema - Gerry lançou-me um olhar incrédulo, e disse:
- Há problema sim. Eu quero ir com você! - Ele parecia irritado de verdade.
- Olha, Rosário, a gente se vê na festa amanhã. Temos de ir agora, ok?
- Por favor, gente , não vão brigar por minha causa.
- Ninguém vai brigar, não se preocupe - disse Gerry, dando-lhe um abraço e um beijo no rosto, despedindo-se.
Pegou-me pelo braço, com força, levando-me em direção ao estacionamento. Assim que entramos no carro, começou a falar, tentando conter a voz:
- Que história é essa de “não há problema” , “pode ir com ela"?? Você esqueceu do que está acontecendo entre a gente? - podia sentir a raiva na sua voz.
- Desculpe, Gerry, mas vocês pareciam tão íntimos, que achei que talvez preferisse sair com ela, que é sua amiga há mais tempo.
- Você disse bem: AMIGA. Ela não passa disso. Você não tem amor próprio? Nós acabamos de ter uma noite maravilhosa e já está me jogando nos braços de outra? Eu não estou te entendendo!
Comecei a tremer. Vi que tinha passado dos limites, de novo.
- Gerry, por favor, acalme-se. Você tem que me entender. Eu também achei a nossa noite maravilhosa. O meu medo é que, para você, não passe disso. Só uma noite. A sua fama de conquistador vai longe. Estou insegura com tudo isto que está acontecendo. Aí, surge esta mulher agarrando e beijando você daquela maneira. E você gostando. O que quer que eu pense? - minha voz foi ficando mais fraca e as lágrimas já insistiam em brotar. Ele percebeu e diminuiu a tensão da face e seu olhar suavizou-se. Aproximou-se de mim e levou sua mão ao meu rosto, erguendo-o para que eu o encarasse.
- Claire, o que aconteceu entre nós não é para uma só noite. Entenda que você é especial para mim. Não se menospreze. Venha cá, sua boba! - abraçou-me ternamente e me encarou com aqueles lindos olhos verde-azulados.
- A Rosário é só uma grande amiga. A gente sempre faz este espalhafato todo quando se encontra. Você vai ter de se acostumar com este meu jeito. Eu sou brincalhão e costumo tratar efusivamente as pessoas de quem eu gosto. Ainda não reparou nisso? Então, você ficou com ciúmes?
- O que você acha?
- Pois eu quero que você compre um lindo vestido para a noite de amanhã. Está combinado?
Seus lábios aproximaram-se dos meus e aquele calor gostoso tomou conta de meu corpo. Seu beijo me fez flutuar.
Ao chegarmos em casa, Maria e Rosa já tinham ido embora. O apartamento era todo nosso. Não conseguíamos segurar mais o nosso desejo. Parecia que a nossa pequena discussão havia tornado-o mais sedento. Suas mãos percorriam todo meu corpo com sofreguidão, tentando arrancar minha roupas o mais rápido possível. Logo, estávamos no tapete da sala, atracados como dois selvagens, gemendo e gritando de prazer. Não preciso dizer, que foi uma tarde maravilhosa.
Como Gerry não tinha mais compromissos, naquele dia, e Alex estava de folga até o dia seguinte, resolvemos curtir um pouco o final de tarde, de forma mais comportada. Ficamos ouvindo música, deitados no tapete macio da sala de estar, antes do jantar. Ele colocou o CD da banda islandesa, Sigur Rós. Eu já tinha lido em algum lugar que era uma das bandas que ele mais gostava. Realmente, a sua música era uma viagem relaxante ao espaço sideral ou às terras geladas da Islândia. Foi perfeito ouvir aqueles sons, naquele início de noite, deitada ao lado de Gerry, abraçada com ele. Não desejava mais nada desta vida. Ele falou que andava muito cansado da correria, por isso era bom parar um pouco e poder curtir a casa, boa música e a minha companhia.
Com certa dificuldade para sair de perto dele e de seus carinhos, resolvi dar uma olhada no que tinha na despensa da cozinha e mostrar um pouco de meus dotes culinários.
- Vamos jantar em casa?
- Você que sabe. Vai se animar a cozinhar? Não quer pedir alguma coisa fora?
- Não. A não ser que você não goste da minha comida.
- Só vou saber se experimentar. Eu vou arriscar - disse sorrindo.
Comecei a preparar a sobremesa, antes. Uma mousse de chocolate. Enquanto a preparava, Gerry chegou na cozinha, xeretando. Ficou observando-me, interessado em toda minha movimentação, fazendo alguns comentários sarcásticos de vez em quando, brincando comigo. Sempre piadista. Aliás , era outro lado dele que eu amava. O senso de humor. Eu me perguntava se tinha algum lado dele que eu não amasse. Difícil.
Depois de colocar a mousse para gelar, iniciei a preparação de uma massa à bolonhesa. Ele também devia estar faminto como eu, depois de tanto "exercício". Nada melhor que uma massa para repor as energias.
Coloquei a mesa na sala de jantar, com toalha e candelabros. Ele só me olhava e orientava-me sobre onde pegar o que eu solicitava. Coloquei nossos pratos nas cabeceiras.
- Porque tão longe de mim?
- Acho mais romântico, não acha?
Tinha visto uma mesa assim no primeiro filme do Batman, do Tim Burton, onde a Kim Bassinger sentava-se numa cabeceira e o Michel Keaton na outra.Tinha achado muito romântico, na época. Só não tínhamos o nosso Alfred, o Alex, como mordomo.
Sentamos. Vi Gerry comer com satisfação o meu prato principal. Senti-me orgulhosa de minha culinária ao ouvir os seus elogios. Dizem que se pega um homem pelo estômago. Se fosse assim, este já estava laçado. Quem me dera.
Chegou a hora da sobremesa. Fui até a cozinha para pegar a mousse, as taças e os talheres. Quando voltei à sala, qual não foi minha surpresa ao ver Gerry totalmente despido. A mesa havia sido esvaziada e só a toalha havia restado. Quase deixei cair tudo no chão. Ele aproximou-se de mim com um olhar demoníaco, me fez largar tudo no aparador próximo à mesa, e ordenou-me, em tom sussurrante, junto ao meu ouvido:
- Tire a sua roupa.
- Mas, Gerry...O que você está pensando em fazer?
- Adivinha? Comer a minha sobremesa. O que mais?
Sorria de um jeito, prá lá de malicioso, já mostrando sinais de excitação.
- Vem... Eu ajudo você - e começou a tirar minhas roupas, sensualmente.
- Agora, deite-se na mesa.
- Mas...
Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, pegou-me no colo e deitou-me sobre a toalha.
- Não se preocupe, que a mesa é forte.
- Você já a testou antes? - perguntei, tentando ser irônica, mas pensando se ele realmente já tinha feito isto com alguém antes.
- Com mousse de chocolate?... Não.
Era o próprio demônio me testando. Ele sentia prazer em me deixar enciumada.
- Vamos testar agora.
Após, começou a pegar pequenas porções de mousse com a colher, colocando-as, primeiramente, sobre meus seios, fazendo um caminho doce até o umbigo, terminando, com uma porção generosa, sobre meu púbis. A partir daí, passei, literalmente, a ser "devorada". Começou a lamber meus seios, mordiscando meus mamilos já rijos e, por fim, abocanhou-os, enquanto apertava-os com as mãos. A estas alturas, eu estava completamente enlouquecida, e meus gemidos eram altos, meu corpo quase convulsionava. Nem ligava mais para a superfície dura em que estava. A sensação de prazer era muito grande. Aí, ele começou a descida, sempre trabalhando com sua boca e língua, enquanto as mãos pressionavam outras áreas de meu corpo.
- Esta mousse está uma delícia. - dizia com a voz rouca e continuava me enlouquecendo...
Começou a explorar minhas partes mais íntimas, com movimentos cada vez mais rápidos da língua. Achei que não resistiria e desmaiaria. Nunca pensei em ter tanto prazer com alguém. Ele era um mestre. Antes que eu surtasse, ele parou e disse:
- Agora é a sua vez.
Bandido. Mas, ele merecia este prazer e eu faria de tudo para compensá-lo.
Trocamos de lugar. Ele era um banquete para os olhos, com seu corpo viril, forte, rijo. Todo a minha disposição. Repeti o ritual com a mousse, colocando-a sobre seu tórax, descendo ao umbigo e finalmente, uma porção generosa em seu membro excitado. Lembrei da frase que costumávamos dizer nas comunidades de fãs - "ele é melhor que chocolate" - ...muito melhor...
Agora, era a vez dele "sofrer" aquela tortura toda. Quando cheguei ao seu pênis, passando a língua devagar em torno dele e, finalmente, colocando-o dentro de minha boca, ele já estava ficando fora de controle. Iniciei com sucções leves e fui intensificando, até arrancar gemidos altos e ouvi-lo gritar meu nome. Agora, era finalizar o jantar.
Ele desceu da mesa, transtornado pelo desejo de me possuir. Pegou-me pela cintura, posicionando-se atrás de mim, dobrando-me sobre a mesa, empurrando minhas costas com uma das mãos e, com a outra, segurando meu quadril firmemente. Possuiu-me por trás, quase com violência, mas proporcionando-me um prazer indescritível.
Depois de tudo, exausto, curvou-se sobre mim, moldando-se ao meu corpo, ainda sem forças, sobre a mesa. Permaneceu assim por alguns minutos. Logo que recuperou um pouco o fôlego, levantou-se e puxou-me para junto de si, ainda atrás de mim, acariciando meus seios e meu ventre. Virei-me e o beijei , agarrando-me ao seu pescoço e aos seus cabelos.
- Ah, Gerry...Te adoro...
- Você é maravilhosa...
Enfim, o jantar fora um sucesso.



Gostaram? Enquanto vocês recuperam o fôlego, eu digo até amanhã. Prometo que volto com o final da estória.
Beijos!!

Anjo da Guarda - Parte III

Ainda tive o dia seguinte para ajeitar as coisas e para as despedidas. Foi emocionante sentir o carinho dos colegas e, principalmente de Guy. Até a Madonna, aquela safadinha, veio despedir-se de mim.
Já no meio da tarde, Gerry ligou-me para avisar que mandaria um carro me pegar em casa, na tarde do dia seguinte, às 15h, para levar-me ao aeroporto. Lá, ele estaria me esperando com as passagens. Tudo muito profissional. Tinha a impressão que o meu futuro chefe ficara mais frio e distante. Não... Devia ser apenas impressão. Acho que estava muito emotiva e, se alguém não se desmanchasse em carinhos comigo, acharia que esta pessoa não gostava de mim. Bobagem! Ele sempre tinha sido tão atencioso. Seria porque estava me "observando", como ele mesmo falou? Ah! Pára de analisar tanto a situação. Amanhã, vou estar dentro de um avião, ao lado de Gerry Butler, meu ídolo, a caminho dos EUA, para trabalhar ao seu lado. Yuhuuu!!!
Naquela noite, tive um sonho maravilhoso com ele.
"Havíamos chegado a Los Angeles e fui instalada numa suíte de um grande hotel. Sobre a cama encontrei um lindo vestido vermelho de seda, meias e um par de sapatos de cristal vermelho (referência à Cinderela? É possível), que, no sonho é claro, eram bastante flexíveis e confortáveis. Quando terminei de vestir-me, a campainha tocou e ao abrir a porta, lá estava ele, elegantemente vestido de smoking, alto, forte, com seus olhos verdes, mais brilhantes que nunca. Perguntou se poderia entrar. Assim, que a porta se fechou atrás dele, fui envolvida por seus braços, sentindo seu corpo emanar um calor intenso, que me fazia arder. Suas carícias foram me deixando quase sem ar e eu gemia como uma louca. Seus beijos foram descendo pelo meu pescoço, ávidos, molhados e quentes, procurando meus seios, que logo estavam em suas mãos grandes e calorosas. Depois das mãos satisfeitas, foi a vez da boca e dos dentes mordiscarem meus mamilos, fazendo-me arrepiar até o último fio de cabelo.
Minha genitália pulsava como nunca e parecia explodir, quando senti seus dedos a explorá-la, provocando uma grande onda de prazer. Senti o vestido ser arrancado, e, jogada sobre a cama, senti todo o peso daquele corpo másculo e vigoroso, já despido a esta altura, sobre mim."
Antes que o ato pudesse ser concluído, o telefone tocou. Era o serviço de despertar que eu mesma havia solicitado, antes de saber que teria aquele sonho delicioso. Eu estava acabada, quase como se tivesse acabado de transar sem finalizar. Apesar de não ter grandes experiências com homens, minha cabeça criava estas situações com Gerry com muita imaginação. E como.
Fui até o banheiro e olhei-me no espelho, coisa que não fazia com muita frequência. Nunca tinha sido vaidosa. Talvez estivesse na hora de ser. Agora, eu teria um objetivo. Conquistar o meu amor. Tinha sorte de ter pele e cabelos bonitos, ao natural. Os olhos azuis não precisavam de muito maquiagem para serem realçados. Eles eram grandes e vivos. Combinavam com os cabelos castanho-claros, longos e cacheados, que eu insistia em prender, sempre, criando uma imagem mais austera. Minhas roupas, em geral, não realçavam o meu corpo, minha cintura fina, os quadris arredondados e os seios proporcionais. Talvez eu devesse buscar uma consultora de moda em Los Angeles. Quem sabe? Eu teria de apresentar-me melhor em minha nova função, ao lado dele. O que diriam as pessoas sobre uma secretária de um ator famoso que se veste como um garoto? É, teria de rever os meus conceitos de moda.
Fiz minhas malas, com poucas peças de roupa, já pensando em remodelar meu guarda roupa. As ideias corriam soltas em minha cabeça. Quanta mudança.
Não consegui almoçar. Às 14:30h, o telefone tocou novamente. Era ele.
- Boa tarde, Claire.
- Oi, Gerry! Boa tarde!
- Você já está pronta?
- Sim, senhor!
- Ótimo! Estou passando aí para pegá-la em 30 minutos. Certo? Espere-me na entrada do seu prédio. Deixe-me confirmar o endereço.
Ele resolvera ir junto comigo para o aeroporto. Que bom! Juntei minhas bagagens, que não eram muitas - uma mala, uma sacola de couro grande e uma bolsa de mão -, fechei meu apartamento (sentiria saudades de minhas coisas) e desci para aguardar meu acompanhante. Uau! Como eu estava ansiosa. Meu coração parecia que ia saltar pela boca, quando o carro chegou e Gerry desceu para ajudar-me com as malas.
- Boa tarde! Como está a minha nova assistente? Pronta? - disse ele abrindo um largo sorriso, para meu alívio, pois estava preocupada com a frieza demonstrada nos últimos contatos.
- Sim, senhor! Prontíssima! - falei, apesar de toda insegurança que insistia em vir à tona a todo o momento.
- Então, vamos lá!
Seguimos para o aeroporto. Lá nos aguardavam um homem, um pouco mais velho que Gerry, e uma mulher, de aparência vulgar, espalhafatosamente vestida. Fui apresentada aos dois. O homem chamava-se Alex e, pelo que pude entender, era uma espécie de mordomo, que cuidava das roupas e acessórios de Gerry. A mulher chamava-se Jessica e, pelo que pude entender, era uma "amiga", aparentemente descartável, já que ele não demonstrou nenhum carinho por ela. Porque um homem como ele precisava andar com uma mulher daquelas? Isto eu não conseguia entender. Talvez ele pudesse explicar-me um dia.
No avião, fui sentada ao lado de Alex. Minha primeira decepção. Acreditei que fosse viajar ao lado de Gerry. Mas a premiada foi aquela perua de Natal. Que ódio!!
Para minha alegria, a mulher devia ser tão insuportável, que duas horas depois do avião levantar vôo, Gerry pediu para trocar de lugar com Alex.
- Por favor, Alex. Troque de lugar comigo, porque eu não aguento mais aquela mulher. Você me dá licença, Claire? - perguntou, dando aquele sorriso sedutor.
- Claro! Fique a vontade.
Depois de alguns minutos de silêncio, falamos, praticamente ao mesmo tempo:
- Podemos conversar? - e rimos da coincidência.
- Você fala primeiro, Claire. Quer me perguntar algo sobre o seu trabalho ou alguma outra coisa?
- É, eu tenho uma dúvida mais imediata. Onde vou ficar quando chegar em Los Angeles? Tem algum hotel ou apartamento próximo da sua casa onde eu possa ficar hospedada até alugar um lugar meu?
- Ah! Eu não lhe falei? Você não precisa se preocupar com isso. Você vai ficar no meu apartamento. Acho mais prático para o desempenho das suas funções, além de saber onde você está se precisar de alguma coisa.
Meu coração parou de bater por alguns instantes e o ar não queria entrar em minhas vias aéreas. Com muito esforço, consegui articular as palavras.
- No seu apartamento?? Mas eu pensei...
- O que você pensou? Não acha mais prático desta maneira? Vai facilitar muito o seu trabalho. Eu tinha falado sobre exclusividade, não? Quero você à minha disposição quando eu precisar.
Se eu estivesse ouvindo estas palavras de outra pessoa, pensaria que ele era um déspota, mas vindo de Gerry, consegui amenizar um pouco o impacto daquela situação, vendo até o lado positivo dela.
- Mas, você não acha que a minha presença vai tirar um pouco da sua privacidade?
- Não, creio que não. Além do mais o apartamento é bastante grande, o suficiente para ficarmos em áreas independentes. Você vê algum problema, Claire? Pareceu-me que você não ligaria para isso. Será que me enganei?
- N-não, claro que não. Por mim tudo bem. Se você não se importa, quem sou eu para dizer não.
Pensei ter visto uma pontinha de malícia naquele sorriso esboçado por ele.
Durante a noite, ele levantou-se várias vezes. Talvez fosse a falta do cigarro, pois era proibido fumar na aeronave. Levantou-se para ir ao toalete, para conversar com membros da tripulação e, até com a Jessica e com Alex.
Com esta atividade toda, não consegui dormir quase nada. E olha que eu estava cansada. Nosso vôo havia atrasado mais de três horas, tendo que aguentar a conversa de Jessica na sala vip, onde ficamos aguardando.
Finalmente chegamos a Los Angeles. Alex desempenhou suas funções, liberando as malas e resolvendo as questões rotineiras de alfândega.
Um luxuoso carro já nos aguardava para levar-nos para "casa". Para minha satisfação, Jessica foi despejada em seu apartamento, numa área menos charmosa da cidade. Depois de uma despedida seca de Gerry, seguimos para o que seria o meu novo lar.
Trinta minutos depois, estacionamos na frente de um lindo edifício em Beverly Hills.
O apartamento de Gerry realmente era enorme. Ocupava todo o 4º andar do prédio.
Ao chegar, fomos recebidos pelas duas empregadas: Rosa, a mais velha, responsável pela cozinha, e Maria, responsável pela limpeza. Ambas muito simpáticas.
- Maria, por favor, mostre a Srta. Claire o seu quarto e ajude-a a desfazer as malas.
- Não, pode deixar, imagina.
- Claire... Você deve estar tão exausta quanto eu. Portanto, deixe ela ajudar. Enquanto você toma um banho e relaxa, ela guarda suas roupas. Você precisa descansar. À tarde, combinei com a Tonya um encontro aqui, para vocês se conhecerem e trocarem informações, ok?
Estava me sentindo completamente deslocada naquele lugar, quase me arrependendo de minha decisão. Acho que era o cansaço. Depois de um banho e um bom sono, as coisas voltariam ao normal.
- Está bem. Aceito a ajuda. Realmente, estou super cansada. Não consegui dormir durante o vôo.
- Então está resolvido. Vou descansar também.
Surpreendentemente, ao dizer isso, veio em minha direção e beijou-me a face, sonolentamente, seguindo na direção do que deveria ser a sua suíte.
- Até mais, Claire.
- Até...
Desta vez, foi muito fácil pegar no sono. Não tive forças nem para vestir uma roupa de dormir, depois do banho. Caí naquela cama macia, enrolei-me nos lençóis brancos e perfumados, de puro algodão, e não vi mais nada.
Durante meu sono, pensei ter ouvido a porta do quarto abrir-se e senti alguém se aproximar da cama. Em minha sonolência, achei que poderia ser Maria que vinha me acordar ou arrumar alguma coisa. Mas, aquela presença, ficou apenas observando-me por algum tempo, que não soube definir quanto, para depois retirar-se, silenciosamente. Novamente, caí nos "braços de Morfeu" e só fui acordar quando Rosa entrou para avisar que a Senhora Tonya já estava a minha espera.
- A srta. quer ajuda para vestir-se?
- Não. Obrigada, Rosa. Pode deixar. Avise a sra. Tonya que já vou.
Rapidamente, levantei da cama, fui ao banheiro para lavar o rosto e escovar os dentes. Vesti a primeira calça jeans que me caiu na mão e uma camiseta branca mais justa . Dei uma ligeira escovada nos cabelos e fui ao encontro de Tonya. Quando entrei na sala, Gerry estava lá, de pé, junto a uma mulher de seus quarenta anos, loura, de aparência agradável. Senti o seu olhar surpreso, ao me ver, e notei um brilho diferente naqueles olhos verdes, que me fez estremecer. Parecia que ele estava me vendo pela primeira vez. Muito estranho, mas ao mesmo tempo, muito agradável.
- Ora, vejo que o descanso lhe fez muito bem, Claire .
Ao dizer isto, veio ao meu encontro, passando seus braços ao redor de meus ombros e apresentando-me à loura. Que sensação boa, poder sentir suas mãos me tocando.
- Tonya, esta é Claire, sua substituta. Espero que você a ajude nestes primeiros dias e mostre a ela como tudo funciona.
- Muito prazer, Claire. Gerry falou-me muito bem de você. Só não sabia que você era tão jovem e bonita. Tudo que eu puder fazer para ajudar neste início, farei. Pode contar comigo. O Gerry é um patrão meio exigente, mas tenho certeza que você vai conseguir desempenhar bem as suas funções.
- Bem, garotas, vou deixá-las a sós, para que possam conversar. Vou dar uma saída para caminhar. Fiquem a vontade. Até mais tarde.
Assim, que ele saiu, sentamos no confortável sofá da sala de estar. Tonya me olhava de um jeito estranho, que eu não conseguia definir o que era.
- Bem, Claire. O trabalho de assistente do Gerry não é tão difícil. Provavelmente vai achar mais tranquilo do que no estúdio do Guy. O Gerry é uma pessoa exigente, mas dentro dos limites de normalidade. Acho que você não terá problemas. Ele chegou a lhe dar uma idéia do que seria a sua função?
- Deu umas poucas pinceladas. Disse que teria de organizar a agenda dele, acompanhá-lo em alguns eventos, livrá-lo de algumas "frias". Enfim. Eu seria uma espécie de "anjo da guarda" . Falei sorrindo, pois esta imagem havia me agradado bastante.
- Mais ou menos isso. Vou lhe mostrar como funciona a agenda dele, deixar os telefones úteis, como dos agentes dele aqui e na Inglaterra. Terá que saber das preferências dele em termos de participação em eventos. Tem alguns que ele não participa de jeito nenhum. Outros , ele faz questão de ir. Tem também as instituições que ele ajuda, como a das crianças com câncer. Os contatos com os fã-clubes, tipo GBNet. Tudo isto vou repassar para você. Depois, o que você precisar de orientação, pode contar comigo. Vamos começar, então.
Ali, fiquei cerca de 2 horas, aprendendo como deveria realizar meu trabalho.
- Claire , acho que você vai desempenhar muito bem suas funções. Pode-se ver que você é muito inteligente e pega as coisas com facilidade... Claire?
- Sim? O que você quer perguntar, Tonya? Já senti, desde o início da nossa conversa que você está querendo saber alguma coisa e ainda não teve coragem de perguntar.
O que é?
- Pois é... É uma coisa muito pessoal, mas importante para o seu futuro convívio com o Gerry.
- Pois , então, pergunte!
Eu já estava ficando preocupada com aquilo. Será que ela tinha descoberto que eu era super fã dele e achava que isto seria ruim para o meu desempenho?
- Claire, por acaso você é lésbica?
- C-c-como? – quase cai para trás, não fosse o encosto do sofá, que evitou uma queda ao chão.
- Desculpe perguntar assim, mas é que o Gerry passou uma imagem sua que não condiz com o que estou vendo e percebendo. Você não leva nenhum jeito de homo.
- O Gerry te passou que eu era lésbica?? Mas, como?? De onde ele tirou isto?
- Bem... O que ele me disse é que você se vestia como um garoto, que nunca demonstrou interesse por ele. Como homem, quero dizer. E, sendo ele , o homem em questão, você há de convir que é , no mínimo estranho. Ele está acostumado com as mulheres tentando seduzi-lo o tempo todo. Parece que você estava sempre distante, ao lado dele. De certa forma, isto o irritou um pouco. Acho que afetou o seu ego. Aqui entre nós... Até que é bom ele ser um pouquinho desprezado, para não ficar tão presunçoso.
- Tonya, pois eu vou te contar uma coisa. Se você quiser contar para ele, depois, achando que eu não posso assumir este trabalho , eu não me importo. Eu sempre fui uma grande fã do Gerry. Tive a idéia de procurar este emprego com o Guy Ritchie por causa do Gerry, pois eu sabia que ele estaria no elenco. Venci meus medos e fui à luta. Sem querer, chamei a atenção dele e, consequentemente, ganhei este emprego. O que ele denominou de indiferente no meu comportamento, foi o meu esforço para não me jogar no seu pescoço. Talvez eu tenha exagerado um pouco no meu "disfarce". Foi tão bom, que ele achou que eu não gostava de homens. Bom, pelo menos, já sei que , se não der certo na carreira de administradora, poderei pensar numa carreira de atriz.
- Claire, não se preocupe, que eu não vou dizer nada a ele. Acho que você vai ser uma ótima assistente, apesar de fã. Você tem conseguido separar as coisas até agora. Espero que consiga continuar assim.
Neste momento, a porta da entrada se abriu e Gerry entrou, voltando da sua demorada caminhada.
- A gente termina o nosso assunto outra hora, Claire. Mas não se preocupe, que tudo vai sair bem. Além do mais, acho que você vai poder tirar proveito daquele "mal entendido". Ela falou quase cochichando, para Gerry não ouvir.
- Olá, meninas! E então? Entenderam-se? Resolvi demorar um pouco mais, para dar um tempo maior para vocês poderem conversar.
- Oi, Gerry! Foi muito proveitosa a nossa conversa. Não é mesmo, Claire?
- Acho que sim.
- Gerry, você não podia ter escolhido melhor substituta para mim. Tenho certeza que você vai ficar muito satisfeito com o trabalho da Claire.
- Que bom saber que você a aprovou, Tonya... Bem, vou tomar uma chuveirada. Que tal almoçarmos os três juntos? Estou morrendo de fome.
- Ah, Gerry! Infelizmente não vou poder. Combinei com o John de almoçar com ele. Não esqueça que hoje é sábado e o dia de folga dele. Claire, querida! Foi um prazer enorme te conhecer. Tem o meu telefone. O que precisar de mim, pode ligar. A qualquer hora, para qualquer assunto - deu uma piscada de olho, sem que Gerry percebesse e um abraço carinhoso.
- Vejo que se entenderam muito bem - lançou um olhar desconfiado para Tonya.
- Gerry, querido, sabe que continuo sua amiga. O que precisar de mim, pode ligar, ok?
- Claro! Pode deixar. Após uma breve troca de beijinhos, despediram-se e Tonya foi embora.
- Então... Agora somos só nós dois - disse isso com um brilho de sedução e, ao mesmo tempo,brincalhão, no olhar. Não sei como ele conseguia fazer isso. Senti um calor subindo ao meu rosto e tive de virar-me, para que ele não percebesse o meu rubor.
- Pois é. Acho que vou tomar uma ducha e aprontar-me para o almoço. Depois, se você não se importar, vou aproveitar para conhecer um pouco da cidade.
- Aí, eu faço questão de levá-la para passear por Los Angeles, se você não se importar.
- Claro que não. Eu vou adorar!
Achei que tinha exagerado um pouco na entonação do "adorar", pois vi um lampejo de esperança naqueles olhos verde-azulados. Resolvi sair rapidamente, dizendo um "até mais, então!".
Voltei ao meu visual de garoto, desta vez com a nítida intenção de me divertir com aquela situação. Lembrei das últimas palavras de Tonya, dizendo que eu poderia tirar proveito daquele engano. Não sabia bem o que estava fazendo, mas poderia ser divertido. Já tinha decidido procurar uma consultora de moda, para tentar mudar este visual, mas até lá, brincaria um pouco mais com Gerry. Agora, quase podia entender as crises de frieza, alternadas com os beijinhos sem graça, que começaram depois do nosso primeiro almoço em Londres. Será que ele tinha sentido atração por mim, no início, e, eu , com minha aparente indiferença, o tinha afastado com a idéia de que eu era gay?? Ele pode ter criado esta fantasia para explicar a rejeição de uma mulher que o havia interessado... Será?? Ah, Claire! Não fica inventando coisas. Depois pode "cair do cavalo", descobrindo que ele está dando graças a Deus de não precisar seduzir alguém tão sem graça quanto você... Ai... Nessas horas, precisava do Sig, para não deixar baixar tanto a minha auto-estima, de novo... Cabeça erguida, Claire! Vá em frente e seja o que a Santa Marylebone quiser.

Entramos no carro. Desta vez, ele nem fez questão de abrir a porta para eu entrar. Seguimos para um restaurante chamado "Dish", ao norte do centro de Los Angeles, onde serviam comida caseira americana, só que de forma requintada. O lugar era lindo. Parecia uma casa típica dos EUA. Na entrada, um lindo sofá de madeira, verde, com almofadas bordadas. O piso de tabuão, de madeira escura, mesas e cadeiras estilo country, paredes e teto de cor branca, com muitos detalhes. Uma imensa lareira de pedra, na parede lateral, com a bandeira americana sobre ela.
- Gostou daqui?
- Achei lindo. Se a comida for boa, já tenho um lugar preferido por aqui.
- É. Já vim aqui umas três vezes e nunca me arrependi.
Ele se dirigiu ao recepcionista e solicitou uma mesa de dois lugares. Logo, fomos encaminhados para perto de um janelão, onde se podia ver o jardim da "casa". Muito agradável. O ambiente era bem familiar, cheio de casais e seus filhos. Não era bem o tipo de restaurante que eu esperava que ele me levasse. Em todo o caso, gostei da escolha.
O almoço estava ótimo, em termos culinários, e superficial, em termos de conversa. Às vezes eu sentia que ele queria tentar uma aproximação mais íntima, mas logo desistia. Insegurança? Desmotivação?
Depois de almoçarmos, fomos passear pela cidade. Fomos a Hollywood, onde ele mostrou-me os estúdios mais famosos e algumas mansões de "colegas" de profissão. Quase no final do nosso tour, ele se dirigiu às praias, que estavam repletas, pois estávamos em pleno verão. Não resisti a brincar mais um pouco, e resolvi comentar a respeito das garotas de biquíni que passeavam por ali.
- As mulheres daqui são bem bonitas, você não acha?
- Algumas. A maioria é muito artificial. Tirando a maquiagem e o silicone, não sobra muita coisa - falou com ar sério e, visivelmente, chateado com aquele assunto.
- Você costuma admirar mulheres ? Homens, não?
Estava me segurando para não rir da cara que ele estava fazendo.
- Acho que ambos tem seus encantos. O que é belo é para ser visto, você não acha?
- Bem, eu não costumo olhar para homens e pensar neles como belos ou não.
- Você é preconceituoso, Gerry? Achei que os atores normalmente não deveriam ser assim, já que às vezes pode pintar um papel de homossexual nos roteiros.
- Não! Não sou preconceituoso. Tenho vários amigos gays. Não é isso. Simplesmente não sou atraídos por homens. Entendeu?? Por que este assunto, agora?
- Porque você está tão defensivo? Se esta conversa te desagrada, vamos trocar de assunto. Eu não queria te chatear... Me desculpa? – fiz o meu olhar mais doce possível e senti que ele reagiu com um certo arrependimento.
- Eu peço desculpas, Claire. Este assunto realmente me incomoda... É que desde que cheguei aqui e comecei a aparecer, a imprensa local insisti em querer saber minhas preferências sexuais e, frequentemente, insinuam que eu posso ser gay. É por isso que não gosto de falar nisso. Está explicado?
- Claro! E... você não é... É?
Depois de ter feito esta pergunta, arrependi-me profundamente. Havia ido longe demais.
- Claire!!! É claro que não!!!
Ele estava furioso com a minha insinuação. Tentei amenizar a conversa, dizendo:
- Perdão, Gerry! Eu estava brincando. Não queria te deixar tão furioso.
- Eu não estou furioso! E chega desta conversa ! É melhor a gente voltar. Outra hora, eu posso te apresentar para alguns amigos gays, que vão te mostrar a cidade de uma forma mais agradável para os seus olhos - disse isto lançando um olhar cheio de raiva.
Eu tinha passado dos limites. Só pensava numa maneira de voltar atrás. Ele estava me odiando. O que eu tinha feito? Tive de segurar o choro durante todo o percurso de volta para Beverly Hills.
Chegamos lá, fui largada na frente do prédio, com uma cópia da chave do apartamento nas mãos. Depois de um "até logo” seco, Gerry saiu com o carro, em alta velocidade. Aí, desabei em lágrimas. Mal cumprimentei o porteiro, e entrei no elevador quase correndo. Fui direto para o meu quarto, pensando em fazer minhas malas e voltar correndo para casa. Porque eu tinha feito aquilo? Tinha que ter alguma explicação. Eu estava afastando a pessoa que eu mais amava... Por diversão??? Estúpida!! Burra!! Idiota!!! Não conseguia parar de soluçar, sem importar-me se alguém ouviria ou não.
Depois de quase 20 minutos, chorando sem parar, resolvi que deveria ligar para o Sig e pedir uma orientação. Eu estava completamente perdida. Conseguindo controlar meus soluços, peguei o telefone e liguei para Sig. Ao ouvir sua voz do outro lado da linha, já comecei a ficar mais tranqüila.
- Alô?
- Sig? Sou eu, Claire!
- Claire!! Que surpresa! Como você está? Não resistiu a saudade e já quis ligar ou está com algum problema?
- Ah, Sig, desculpe estar ligando tão cedo, para te incomodar com as minhas bobagens, mas... – pensei que o choro fosse voltar.
- Não se desculpe, Claire. Apenas, fale.
Contei tudo que havia acontecido, desde a conversa com Tonya até o desentendimento com Gerry, em uma torrente de palavras que deve tê-lo deixado tonto, lá em Londres.
- Calma, Claire. Tente se acalmar. Respire fundo... Você está fazendo uma tempestade num copo d'água. Não vá desistir de tudo que você conseguiu até agora. Pense nos seus objetivos iniciais. Se você realmente quer este cara, se acha que ele vale a pena, vá atrás. Não fuja agora, por uma discussão boba. Além do mais, tem um bom emprego em jogo. Você mesma disse que muitas matariam por ele, não? Respire fundo e continue. Você pode desfazer este mal entendido, na hora que quiser. Você está me ouvindo, Claire? Claire??
- Estou... Estou ouvindo. Você tem razão. Não vou fugir, a não ser, que ele me dispense.
- Enfrente os acontecimentos. Não meta a cabeça num buraco, de novo.
- Está bem, Sig. Já estou me sentindo melhor. Pode deixar. Não vou desistir fácil. Obrigada. Foi muito bom falar com você. Fico devendo esta sessão telefônica.
- Ligue, se precisar, ok? Um abraço!
- Outro, Sig. Obrigada!!
Sua voz e suas palavras fizeram meu raciocino voltar ao normal. Eu não podia enfraquecer agora, por causa de um mal entendido e uma discussão idiota.
Fiquei em meu quarto, já mais calma, imaginando qual seriam meus próximos passos. Provavelmente teria de conversar com Gerry para acertar nossos ponteiros. Se ele não quisesse mais meus serviços, aí estaria tudo acabado. Mas se, ao contrário, eu teria de agir com cuidado para não afastá-lo completamente de mim. Seria insuportável não ter, ao menos, a sua amizade.
Já era quase noite, quando Rosa veio bater em minha porta.
- Já estou indo embora, srta. O Sr. Butler pediu-me que lhe avisasse que gostaria de conversar, lá na sala.
Abri a porta e vi uma Rosa com olhar muito preocupado.
- Ele está aí??
- Sim , Srta - baixando um pouco o nível da voz, perguntou:
- A srta. está bem? Não quer um copo de água? Conversar?
Ela havia escutado o meu choro.
- Não, Rosa. Obrigada pela sua preocupação, mas já estou bem. Pode ir tranquila para casa.
- Então, está bem. Até amanhã, então. Fique com Deus.
- Até amanhã, Rosa.
Fechei minha porta e fui ao banheiro lavar o rosto. Resolvi por um pouco de maquiagem para disfarçar as papuças debaixo dos olhos causadas pelo choro. Troquei o camisão por uma blusa mais leve e menos larga. Respirei fundo, dei mais uma olhada no espelho e abri a porta. Dirigi-me para a sala com as pernas ligeiramente trêmulas, com medo do que eu ia enfrentar.


Prometo postar ainda hoje a 4ª parte de Anjo da Guarda. Até mais...
PS: Calma, meninas... rsrsrs

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Anjo da Guarda - Parte II

Como um autômato, fui pega pelo braço, por aquela mão enorme e levada para um conversível preto. Quando dei por mim, estava sentada do lado esquerdo do homem da minha vida, indo com ele, sabe-se lá para onde.
- Prometo que te trago logo depois do almoço. Sei que vocês estão trabalhando muito e Guy, pelo jeito, está bem dependente de você.
- Não. Também não é tanto assim. O Guy exagera nos elogios.
- Você nunca havia trabalhado em cinema antes? É verdade?
- É. Na verdade, depois que saí da faculdade, ainda não tinha feito nada profissionalmente. Ainda bem que tive a sorte do Guy me dar esta oportunidade.
- É difícil alguém confiar um trabalho como este para alguém inexperiente. Você o deixou bem surpreso com a sua competência.
- Pois é. Eu mesma, ainda estou me surpreendendo comigo mesma – e como, pensei.
Seguimos por mais algumas quadras, quando ele estacionou em frente a um lindo bistrô em Notting Hill. Como um belo cavalheiro, correu para abrir minha porta e ofereceu-me sua mão para ajudar-me a descer. Não sei como estava minha cara, mas por dentro tinha um tsunami em ação.
Sentamos numa mesa afastada da janela, um de frente para o outro. Nos primeiros momentos, não conseguia entender o que ele dizia, ao chamar o garçom e fazer o pedido. Só voltei à realidade quando Gerry chamou minha atenção.

- Claire...Claire...Você está me ouvindo? Preocupada com o trabalho?
- Ah! Não, sim. Desculpe. O que você disse?
- O que você vai comer?
- Pode ser o mesmo que você.
- Então está certo. E duas Cocas?
- Sim.
Agradeceu ao garçom e ficou me olhando intrigado.
Eu devia estar com a expressão mais abobalhada do mundo. Ele ia pensar o quê de mim, se eu não tomasse uma atitude imediatamente?Respirei fundo e dei o meu sorriso mais encantador.
- Você deve estar achando que sou meio maluca, não? Um pouquinho talvez. Mas é que tenho andado muito estressada mesmo, com o trabalho. Não é fácil assumir isto tudo, sem experiência.
Pareceu-me que ele aliviou a tensão no rosto e retornou com um sorriso aliviado. Ele realmente estava duvidando da minha sanidade, céus!
- Pois é. Me conte mais sobre esta sua experiência.
Lançou um olhar de real interesse no que eu teria a dizer. Assim, resolvi contar como eu gostava de cinema e do desejo de trabalhar nesta área. Claro, que não falei nada sobre o verdadeiro motivo. Sou louca, mas nem tanto. Falei sobre a estória de Tom Wilkinson, que tinha tido muita sorte, de ter lido uma pequena nota, no jornal, naquela manhã. Contei sobre a ajuda de meu professor e da vontade de ser realmente eficiente naquilo que fazia, pois certamente, teria muita gente querendo que eu “quebrasse” a cara. As mesmas pessoas que, agora, eram meus companheiros de trabalho.
E, assim, nosso almoço foi se desenrolando, com muita conversa, animadamente. Gerry realmente era uma pessoa encantadora. Apesar daqueles olhos me fitarem atentamente, o tempo todo, já não sentia a tormenta interior de antes. Ele conseguiu fazer-me sentir mais segura, prestando atenção no que eu dizia e fazendo comentários apropriados e, às vezes, bem humorados.
Ao terminarmos, parecíamos bons amigos. Eu ainda tentava manter certo distanciamento. Evitei falar sobre ele, apesar da curiosidade de fã me corroer. Tinha tempo para isso.
Saímos dali e entramos no carro.
“Ele deu a partida no motor e começou a seguir em direção oposta à do escritório de Guy. Quando vi, estávamos diante do prédio onde ele morava. Entrou na garagem. Ainda vi a cara do porteiro me olhando embasbacado, quando passamos. Estacionou, ajudou-me a descer do carro e, logo senti seus braços me envolvendo, com força, sua boca procurando a minha e suas mãos palpando todo meu corpo, que reagia com prazer intenso. Levantou-me no colo, levando-me para o seu apartamento, onde me despiu , rasgando minhas roupas e possuindo-me, ardentemente, no tapete da sala."
- Claire! Claire!
- Oooi! O que foi?
- Perdida em pensamentos de novo? Chegamos. Como eu prometi, está de volta ao seu trabalho.
- Ah, claro. Muito obrigada, Gerry. O almoço foi ótimo.
- Foi um prazer, Claire. Podemos repetir a dose. Em dois dias começamos as filmagens. Você vai estar lá?
- Sim. Vou ter de estar. Vou ser responsável por anotar todos os takes.
- Então, nos veremos.
Desceu do carro, ajudou-me a sair e depositou um suave beijo em meu rosto.
- Até mais, Claire. Obrigado pela companhia.
Vi seu carro sumindo na primeira esquina. Eu estava paralisada. Não conseguia sair da calçada. Pensava em tudo que havia acontecido, inclusive no meu devaneio, depois do almoço, enquanto voltávamos para o escritório, aquele beijo de despedida. Eu continuava apaixonada por ele, sem dúvida.
- O que você está fazendo aí parada, Claire?
Era Mike, que estava voltando do almoço, provavelmente.
- E então, já almoçando com as celebridades?
- Pois é. Ele é muito simpático.
- Acredito. Aposto que ficou dando em cima de você.
- Quem me dera... Quer dizer, não! Ah, Mike, deixa de ser malicioso. Ele foi muito educado e atencioso.
- Tá bom. Acredito. Vamos trabalhar, que rende mais.
Naqueles dois dias, Guy apresentou-me ao resto do elenco. Fiquei preocupada ao conhecer a Thandy Newton, pois ela fazia o tipo que mais agradava ao Gerry. Morena, bonita, quase seca (escorreu o veneno aqui...). Coitada. Parece que tinha enfrentado uma anorexia nervosa, no passado. Fiquei um pouco mais tranqüila quando soube que ela era casada há mais de sete anos, e bem. Mas, que tem aquele ditado que "vaca amarrada também pasta..." ou algo do tipo. E, sabendo da fama do meu querido, não duvidava de nada. Teria de ficar atenta. Tom Wilkinson foi muito simpático, principalmente, depois de saber que eu tinha sido a responsável pela sua participação no filme. Apesar da correria, na véspera do primeiro take, estive com Sig. Ele parecia satisfeito com as minhas conquistas, apesar de tentar não demonstrar, como bom analista que era. Sugeriu que poderíamos espaçar mais as consultas e ver como me sentiria. Eu o veria só uma vez por semana. Que evolução! Estava orgulhosa de mim, também. Mesmo assim, continuava tensa com a idéia de reencontrar Gerry, no dia seguinte. Ele atuaria nas primeiras cenas. Tinha de controlar-me, pois tinha a responsabilidade de anotar tudo que ocorreria em cada take, para facilitar a montagem posterior.

Estava difícil dormir naquela noite. Não conseguia parar de pensar em Gerry, prá variar. Só que dessa vez era um pouco diferente das outras vezes...
"Estava quase pegando no sono, quando acordei com a campainha tocando. Estranho! Quem seria àquela hora da madrugada? Olhei pelo olho mágico e... Era ele! Abri a porta, surpresa com a visita inesperada. Ele entrou e, sem dar um olá, foi entrando e me agarrando com força. Apesar de tentar afastá-lo, ele insistia em me puxar contra seu corpo e beijar-me, começando pela boca, descendo pelo pescoço e, já tentando baixar minha camisola, percorrendo meus seios, com beijos úmidos e quentes, me deixando atordoada, mas louca de desejo. Um desejo crescente, que me fez começar a retribuir seus beijos e abraços, com intensidade. Logo estávamos caídos no sofá da sala, totalmente despidos, nos amando alucinadamente..."
- Honey, honey... Wake up, wake up...
Era meu celular despertando-me com aquela voz rouca, tão conhecida minha. Acordei completamente molhada, em todos os sentidos. Tinha de levantar logo. Não podia atrasar-me no primeiro dia de filmagens. Era responsável por várias coisas no set. Hoje seriam cenas dentro de estúdio e amanhã seriam feitas tomadas externas. Corri para o banho, ainda pensando no sonho daquela noite. Parecia tão real...
Fui uma das primeiras a chegar aos estúdios, quase na mesma hora que Guy. Os cenários tinham sido montados naquela semana. Logo em seguida chegou a equipe de maquiagem, o pessoal do catering, escolhido por mim. Aos poucos todos foram se reunindo para ver detalhes de última hora. Cerca de 1 hora mais tarde, chegaram os atores que fariam as primeiras tomadas. Ludacris, Jeremy Piven, Idris Elba e, finalmente Gerry. Pareciam bastante animados. Gerry parecia um pouco abatido, mas depois de passar pela sala da maquiagem parecia pior. Até um galo na sua cabeça tinham colocado. Mas ele estava sorridente como sempre, brincando com todos.
Um amor... Atenção, Claire. Nada de distração hoje. Você não pode deixar o patrão na mão.
Só ao sair da maquiagem, Gerry notou minha presença. Claro, que eu estava tentando fugir do seu olhar desde que o vira chegar. Acho que ainda era um hábito antigo, do qual pretendia livrar-me. Ele veio até mim e cumprimentou-me amigavelmente, dando um beijinho no rosto.
- Bom dia, Claire! Ainda não a tinha visto. Pronta para o início das filmagens? Eu sempre fico um pouco ansioso antes de começar. Depois, vou melhorando.
- Gerry!! - era Guy a chamá-lo.
- O chefe está chamando. Te vejo mais tarde?
- Claro. Boa sorte!
Quase derretendo por dentro, lá fui eu para as minhas tarefas.
Ao final da manhã, já estavam todos exaustos. A maioria das cenas tinham sido gravadas. Seriam revistas por Guy. Algumas, provavelmente teriam de ser refilmadas. O almoço foi servido ali mesmo, no estúdio. Parecia que todos estavam aprovando a minha escolha do catering. Tentei sentar meio afastada, para não chamar a atenção (de novo o velho hábito de me esconder de Gerry), quando ouvi sua voz:
- Porque está aqui, tão sozinha? Não quer se juntar à plebe?
- Imagina. É que fico com um pouco de vergonha. Tantos famosos reunidos.
- Deixa de ser boba. Posso sentar-me aqui?
- Pode. Aquele calor começou a subir. Tive medo de começar a tremer e ele perceber. Que desculpa eu daria?
- Então? Como está indo nos takes?
- Bem. Pensei que seria mais difícil.
E, assim, o almoço continuou, com uma conversa superficial. Mesmo desse jeito, eu estava nos céus. Quando que imaginei conversar com ele daquela maneira, no seu local de trabalho.
Assim, os dias foram se passando, as filmagens rolando, eu fazendo a ficha de filmagem, onde anotava todos os takes. Até Madonna, acabei conhecendo pessoalmente, já que ela tornou-se assídua frequentadora dos sets de filmagem.Só fiquei de cara com ela no dia em que resolveu dar uma de enfermeira e dar injeções de vitamina B12 em todo o elenco. Mais doida fiquei quando soube que Gerry tinha sido pego de calças arriadas, dentro da ambulância providenciada por ela para o "serviço". Acredito que ele não estava passando muito bem e foi parar, naquelas mãos abomináveis, inocentemente. Tadinho! Naquele dia, realmente eu tinha achado ele muito abatido, mas pensei que fosse alguma coisa do personagem que ele estava fazendo. Muitos ficaram doentes durante esses dias. Aí, minha patroinha querida resolveu arregaçar as manguinhas e aplicar injeções em todos. Deve ter se divertido muito, a engraçadinha. Coitado do Guy... Bem que queria ter sido eu a aplicar a seringa naquele bumbum maravilhoso. Bem, não seria bem uma seringa. Talvez um beijinho ou vários.
Fora estes acontecimentos lastimáveis, Gerry sempre vinha conversar comigo, amigavelmente. Parecia que eu não passaria de uma amiguinha na equipe. Isto chegava a doer fisicamente, pois ele era tudo que sempre imaginara : bem-humorado, agradável, educado e lindo! Eu não me enganara. Estava cada vez mais apaixonada, mas ele só me via como amiga.
Um dia, ele estava saindo dos estúdios, quando um bando de fãs
ensandecidas pularam sobre ele, querendo autógrafos, beijos, abraços, fotos. Até entendia, por ser uma delas, mas algumas começaram a querer pedaços da roupa dele. Ele ficou sem saída. Ou seria despido em plena rua ou seria grosseiro com elas. Quando o vi naquela situação, fui para a rua correndo e gritando o seu nome completo, para chamar a atenção.

- Sr. Gerard James Butler!! Sr. Gerard Butler!!
Elas pararam um pouco para prestar atenção em mim e eu pude fazer a minha encenação:
- Por favor, meninas! Eu preciso que ele atenda um telefonema urgente da Escócia. É a mãe dele que está doente. O efeito foi imediato. Falou na mãe do ser amado, todas respeitam. Imediatamente, ele foi liberado, desde que prometesse retornar com notícias de Margareth. Ele agradeceu a todas e saiu rapidamente atrás de mim. Assim que a porta da rua se fechou, ele me perguntou onde estava o telefone. Eu não consegui segurar o riso, ao ver sua expressão de preocupação. Ele realmente acreditara na minha atuação.
- Acho que vou pedir um papel neste filme, para o Guy. Você acreditou??
- Você estava mentindo? Mas a sua expressão de desespero era tão real que pensei que minha mãe estava realmente mal.
- Quem estava mal era você, no meio daquelas malucas lá fora. Ou eu as tirava de cima de você ou teria de conseguir uma toalha, rapidamente, para cobri-lo e evitar um ato de atentado ao pudor.
- É, realmente elas estavam passando do ponto. Nem sei como lhe agradecer.
Eu sabia, e como sabia. Talvez eu cobrasse em outra hora.
- Bem. E agora, quem vai dar notícias de minha mãe para elas?
- Você pode sair pelos fundos, que eu dou uma tranquilizada nelas e digo que você vai ter de esperar algumas ligações e vai demorar-se.
- Bem, Claire. Mais uma vez obrigado. Fico lhe devendo esta.
Naquele momento, ele curvou-se e me deu um beijo muito breve e estalado em meus lábios. Virou-se e foi embora, deixando-me em estado catatônico. Fora tudo tão rápido, mas de efeito devastador em minha pobre mente. Não sei como consegui terminar minhas tarefas naquele dia. Teria muito que falar com Sig, no dia seguinte.
Já estava tentando acostumar-me à ideia de continuar tendo notícias de Gerry apenas através da internet, jornais e revistas, quando, às vésperas de terminarem as filmagens com ele, fui chamada ao escritório de Guy Ritchie e lá o encontrei. Estava mais lindo que nunca, vestido com uma calça jeans azul clara, que realçava as suas coxas musculosas e uma camiseta verde musgo, não menos colante, que lhe moldava o tórax e os braços fortes. Eu não conseguia ficar indiferente àquele homem, não importava quantas vezes eu o visse no dia. Ele mexia comigo de uma maneira, acendendo um fogo interno, que nunca se extinguiria.
- Bom dia, Guy! Você me chamou? Oi, Gerry! Tudo bem? - falava tentando ser o mais casual possível, não demonstrando meus reais sentimentos.
- Acho que deve ficar melhor - disse ele, dando aquele seu sorriso malicioso.
Meu coração disparou, curioso para saber o que viria pela frente.
- Sente-se, Claire - falou Guy - O Gerry pediu-me para falar com você. Ele está querendo roubá-la de nós. Vai depender de você, aceitar ou não.
- C-como assim? O que está havendo?
- Claire, tenho observado muito você (ele me observando??) e sua eficiência em tudo que faz. Sei que não tinha muita experiência quando chegou aqui, mas pode-se ver que tem facilidade em aprender. Eu estou em vias de perder a minha assistente pessoal nos EUA. Ela não está mais conseguindo atender às minhas necessidades. Tem o marido, outras tarefas a cumprir. Enfim. Ela vai me deixar. Assim, pensei em você para substituí-la. Eu terei de partir em dois dias para Los Angeles e gostaria que você fosse comigo. Só preciso saber de alguns detalhes seus, para não termos problemas depois.
Isto sim poderia fazer-me ter uma síncope. Suas necessidades, ser a nova assistente pessoal, ir para os EUA em dois dias, discutir detalhes??? Era muita informação para uma pobre fã apaixonada... Calma, Claire! Você não pode deixar ele perceber esta sua ansiedade. Acalme-se! Respire fundo.
- Mas, Guy? E o trabalho que estou fazendo aqui? Não posso deixar a equipe na mão.
- Querida, não se preocupe. Você tem dois dias para passar o máximo de informações para o Mike. Se precisarmos de sua ajuda, certamente entraremos em contato. Creio que o Gerry não vai ficar chateado se lhe telefonarmos para solicitar orientação nestas primeiras semanas.
- Claro que não!
- Sua assistente pessoal? Qual seriam, exatamente, as minhas funções?
Faria qualquer coisa que ele pedisse, mas tinha de parecer hesitante, naquele momento. Pelo menos era o que meus poucos neurônios funcionantes, na ocasião, me diziam ser o melhor.
- Bem, meninos, podem ficar aqui à vontade, para discutir o seu futuro, que eu tenho muito trabalho a fazer. Bye! A gente se fala depois, Claire, ok?
- Ok, Guy! Obrigada.
Ficamos os dois a sós naquela sala. Se eu não estivesse sentada, provavelmente cairia no chão.
- Bem, Claire, a sua função vai ser de organizar meus compromissos, tanto sociais como profissionais, minhas contas, empregados, acompanhar-me em alguns eventos e, provavelmente, em viagens, como locações no exterior. Liberar-me de compromissos ou situações desagradáveis, como você fez no outro dia. Lembra? Ali eu comecei a pensar, seriamente, em contratá-la. Eu diria que você vai ser o meu novo "anjo da guarda". Tenho algumas condições, por isso gostaria de fazer-lhe algumas perguntas.
Eu nunca o tinha visto tão sério e imperativo.
- Quais?
- Você é casada ou tem algum companheiro que possa ter alguma objeção em relação a este trabalho?
- N-não... Não tenho ninguém...
- A sua família não vai por obstáculos?
- Eu não tenho família, Gerry.
Nesta hora, senti o seu olhar suavizar-se e ele voltou a ser o meu Gerry.
- Oh, sinto muito... Estou lhe perguntando estas coisas, pois vou precisar de uma pessoa com dedicação exclusiva. Posso lhe adiantar que o salário será muito melhor que o daqui. Sei que esta proposta ficou muito encima da hora, mas acho que tudo vai dar certo. Tonya vai estar disponível, no início, para lhe dar algumas dicas e lhe explicar as rotinas. O que você me diz? Aceita?
- Realmente. Foi uma surpresa e tanto. Fico muito envaidecida por você me escolher para sua assistente. Claro que eu aceito!
Achei que ele pudesse perceber alguma fumacinha saindo de minha boca, após a explosão atômica ocorrida em minhas entranhas.
- Ótimo! Vou providenciar a sua passagem. Amanhã ainda conversamos para os últimos detalhes. Acho que vamos nos dar muito bem, Claire.
Dizendo isso, finalmente deu-me um sorriso de propaganda de dentifrício, um até breve e foi-se embora.
Não sabia se ficava decepcionada pela falta de um daqueles beijinhos sem graça das últimas vezes ou se gritava de alegria por ter sido contratada para viver grudada nele.
Lembrei que esquecera de perguntar onde eu ia morar. Talvez em um hotel ou em algum apartamento próprio para este tipo de função, tipo um quarto e sala próximos ao local de trabalho. Ah! Depois eu veria isto. Precisava falar com Sig e contar-lhe as novidades. Ele ficaria de queixo caído ao ver a minha evolução. Assim que pude, liguei para ele e marquei minha provável última consulta. Consegui que ele me atendesse na hora do almoço. Realmente ficou muito surpreso com o convite que eu recebera, mas também receoso.
- Claire, você tem certeza que não vai se arrepender do que está fazendo? É uma mudança radical na sua vida.
- Eu sei, Sig. Mas acho que consegui o que queria. Ficar o mais próxima possível dele. Não sei como isso vai acabar. O mais provável é que eu me torne uma grande amiga e não uma amante. Mas já está de bom tamanho para mim.
- Claire. Cuidado com as desilusões. Pelo que você me conta, ele é do tipo garanhão. Portanto, prepare-se para vê-lo com outras mulheres, sem surtar. Você vai ser funcionária dele, não amiga íntima ou namorada. Você acha que está preparada para isso?
- Não sei, Sig. Só sei que, depois de chegar até aqui, não posso voltar atrás. Consegui me sair bem, até agora. Acho que consigo ir adiante.
- Se você precisar de mim, para um conselho profissional ou pessoal, sabe que pode contar comigo. Você tem meus telefones. Ligue! Não tenha pruridos. Acho que sou um "pouco" responsável por tudo isto que está acontecendo. Portanto, o que eu puder fazer para ajudá-la, mesmo que distante, eu farei.
Senti-me mais segura com aquela demonstração de apoio e afeto por parte de Sig. Estava pronta para seguir em frente. Será?? Bom, mesmo que não, agora não tinha volta. No mínimo, tinha de considerar que conseguira um emprego que muitas mulheres matariam para conseguir.
Despedi-me de Sig e, segurando a emoção, voltei para o escritório, onde encontraria Mike para orientá-lo no que fazer após minha saída.
Sabia que ele estaria muito feliz por voltar a ser o primeiro assistente de Guy, mas notei que havia um sincero pesar no seu olhar, quando falou que sentiria a minha falta.



Aguardem a continuação amanhã... Beijos!