sexta-feira, 12 de junho de 2009

Dia dos Namorados

Minhas queridas ( e queridos, se houver rapazes acompanhando este meu blog),
Hoje venho aqui para deixar os meus votos de felicidade e muito, muito, muito amor a todos os casais de enamorados, estejam eles apenas no início de sua relação ou já namorando firme, ou noivos ou recém-casados ou já casados há um bom tempo, mas ainda conservando seu coração ligado ao companheiro de muitos anos. Modéstia parte, eu me coloco entre este últimos. Vocês acham que só porque escrevo estas estórias românticas e tenho o Gerry como fonte inspiradora,não tenho o meu amor( que também me inspira, devo confessar)? É,tenho sim, e acabamos de completar 21 aninhos de casados, fora os 4 anos de namoro. Devo dizer que aquela paixão do início já não é a mesma, mas ainda pinta algum "incêndio" de vez em quando...rsrsrs. Também, com o trabalho, os filhos e outras tantas atribulações do dia a dia, nem sendo "Romeu e Julieta" para resistir. E olha, que mesmo sendo o famoso casal shakesperiano, duvido que se eles tivessem casado e levado uma vida conjugal normal ainda seriam o mesmo casal apaixonado da peça. Acho que o amor tem várias fases, cada uma com seus prazeres.
Bem, não vim para falar de mim, mas sim para desejar um maravilhoso e apaixonado Dia dos Namorados para todos. Para aqueles que ainda não encontraram um amor de verdade, digo uma coisa. Não desistam. Não importa quanto tempo demore. Não feche a porta. Esteja de olhos e sentidos bem abertos, que ele pode estar ao seu lado ou aparecer de uma maneira totalmente inesperada, mas ele vai estar lá. Não feche o seu coração nem se torne amargo. Isto pode matar a sua chance de ser feliz. Más escolhas podem acontecer, mas faz parte da busca pela felicidade.
A pedido da minha amiga Vanessa, vou colocar um outro pequeno romance que escrevi no ano passado, enquanto o novo ainda está no forno, só para não deixar o dia de hoje passar em brancas nuvens. Beijinhos, abraços e carinhos sem ter fim para todos!



A Repórter


Finalmente conseguira um emprego em Los Angeles. Não era exatamente a sua área de interesse, mas pelo menos estaria atuando dentro do jornalismo. Depois de tantos anos de estudo e batalha para conseguir seu “lugar ao sol”, lá estava ela, aguardando na ante-sala do diretor do Los Angeles Actor´s Report (LAAR). Era um programa de televisão muito conhecido por dar informações a respeito dos atores mais famosos ou dignos de notas na sociedade local. Tinha um dos maiores ibopes da TV a cabo. Eles também atuavam na Internet com um site no mesmo estilo do programa. Ela trabalharia na área de reportagem por detrás das câmeras, apesar de já ter sido sondada para o trabalho diante delas. Disseram que fotografava muito bem. Conseguira driblar o produtor e ficar longe do vídeo.
- Senhorita Lauren O’Brien? - perguntou a secretária, Marian, coquete e simpática, por trás de sua escrivaninha.
- Sim?
- Pode entrar. Fred a espera – falou com certa intimidade.
- Obrigada – agradeceu e levantou-se para adentrar no grande escritório do seu novo chefe.
Lá estava Frederick Lewinsky, o criador do programa e “ligeiramente” odiado no meio artístico, devido ao seu humor ácido e malicioso.
Ele a olhou de alto a baixo, com um sorrisinho irônico nos lábios finos. Lauren não se sentia muito a vontade perto dele. Já levara uma ou duas cantadas suas até agora, mas conseguira mantê-lo afastado.
- Então, Lauren, você sabe que o sucesso do nosso programa é o escárnio em cima dos atores em evidencia. Tudo que pudermos usar para mostrar a verdadeira face deste pessoal, deverá ser mostrado. Eu, pessoalmente, acho que são todos um bando de emplumados, tentando aparecer.
“Ele parece um ator fracassado, que morre de inveja de quem conseguiu o estrelato”, pensou Lauren, observando o olhar perverso de Frederick.
- Então? Pronta para atacar as feras e tirar o suco deles?
- Pronta, é claro! – respondeu Lauren retribuindo com um sorriso confiante, apesar de estar com medo do tipo de reportagem que teria de fazer. Mas era a sua grande chance e não podia deixar que suas dúvidas a impedissem de agarrá-la.
- Você já conhece o nosso estilo. Você vai começar com uma pequena coluna dentro do nosso site, que poderá ser utilizada para o programa na TV. Conforme seu sucesso, a coluna poderá ser ampliada. Após, você será transferida para as reportagens ao vivo, na TV a cabo
- Mas, Frederick...
- Fred, querida...
- Fred... Nós tínhamos combinado que eu não apareceria no vídeo...
- Bem, se você não está interessada em crescer dentro do programa, melhor nem começar. As coisas mudam, minha querida. Aqui tudo é muito rápido. Você tem um visual muito agradável. De qualquer jeito, você não aparecerá antes que nós possamos verificar se está agradando ao público na coluna. Portanto, não precisa ficar estressada antes. Pode ser que leve um pé na bunda antes disso – falou grosseiramente.
Como alguém podia ser tão estúpido. Apesar disso, Lauren respirou fundo e disse, de cabeça erguida:
- Tenho certeza que não vai se decepcionar comigo, Frederick. Posso sair agora? Tenho uma coluna para fazer.
- Assim que se fala, docinho. Ao trabalho. Vou estar de olho em você...
Ela podia sentir o olho dele sobre ela.
Lauren virou as costas, sentindo uma certa náusea, e seguiu para o seu pequeno escritório. Na verdade, era um box, separado do de outros colegas da redação por divisórias . Ali tinha um terminal de computador, uma impressora e uma pequena bancada, que eu poderia decorar ao seu gosto.
Assim ela iniciara a nova carreira, depois de ter rodado por jornais do interior, ter atuado como free-lance em algumas revistas de pouca importância. Sabia que tinha talento, mas tinha plena noção que só conseguira o emprego, principalmente, por sua aparência. Ela mandara seu currículo diversas vezes para vários jornais, revistas e canais de televisão, inclusive para o LAAR. Porém, só depois que uma amiga a aconselhara a colocar uma foto, feita em estúdio, anexada ao currículo, ela recebera vários chamados. O LAAR tinha sido o local mais interessante para trabalhar devido a sua maior circulação e público. Esperava ficar nesta vitrine até poder mostrar seu verdadeiro talento. Depois de conhecer o seu editor, começava a achar esta aspiração mais difícil. Para o trabalho que ele queria era necessário apenas conhecer gramática e um pouco de crueldade. Ela achava que podia aguentar isso.
Seus primeiros textos foram sobre Britney. Ela estava em grande evidencia devido aos problemas que andava enfrentando. Infelizmente, ela proporcionava muito material para as colunas de fofoca, sendo alvo fácil do sarcasmo e ridicularização da imprensa. Ela recebia as informações e os vídeos feitos pela equipe e fazia a sua crítica erosiva. Aparentemente, Frederick agradou-se de seu estilo. Logo sua coluna tinha ganhado mais espaço. O número de comentários recebidos era muito grande, tanto positivos quanto negativos. Isto não fazia muita diferença. Apenas significava que ela era lida por muita gente. O ditado “Falem mal ou falem bem, mas falem de mim” era o que estava valendo.
Foi nessa época, em que um ator, até então não muito falado, apesar de ter grande quantidade de fãs nos Estados Unidos, estava iniciando as filmagens de um filme de diretor americano, baseado em uma HQ de Frank Miller. Tudo parecia indicar que o filme seria um sucesso de bilheteria, devido ao seu enredo e ao modo como Silver, o diretor, pretendia filmá-lo. O nome dele era Gerard Burns. Era escocês e, apesar de ter em seu currículo diversos filmes, seu nome despontou com um filme: “O Fantasma da Opera”, baseado no musical da Brodway de Andrew Lloyd Weber. A crítica não tinha sido favorável, mas o público feminino parecia ter sido conquistado definitivamente pelos belos olhos verdes daquele homem, que em nada lembrava o terrível “Fantasma” original do romance de Gaston Leroux.
Ele seria o novo caçado por Lauren, entre outros, conforme determinação de Fred. Imediatamente ao saber disso, ela passou a pesquisar sobre o ator. Simplesmente não encontrava nada que pudesse ser colocado contra ele. O homem tinha uma história de superação de inúmeros problemas e estava conseguindo vencer os obstáculos e atingir seus objetivos. Grande quantidade de material começou a chegar sobre as filmagens, o treinamento físico dos atores, as dificuldades de atuarem sobre um fundo azul, sem cenários visíveis. Com uma certa dor na consciência, resolveu atacá-lo no condicionamento físico. Escreveu em sua coluna sobre o uso abusivo de anabolizantes em certos atores, insinuando que ele, Gerard, poderia estar entrando nesta lista. De outra vez, descobriu um homem que fazia próteses de abdômen, que eram usadas pela equipe de maquiagem nos estúdios para encobrir abdomens não tão sarados e deixar os heróis dos filmes mais atraentes fisicamente. Isto também foi usado numa insinuação que desmerecia completamente todo o trabalho de fisiculturismo do pobre ator.

- Calma, Gerry! Não fique tão irritado. Estes caras querem é incomodar e tentar tirar as pessoas do sério, só para terem mais assunto nestas colunas de fofocas.
- Quem é essa Lauren O’Brien? Quem ela pensa que é? Fica escondida atrás de uma tela de computador, usando as palavras como armas. Ela insinuou que todo este esforço do cão que tenho feito, o meu sacrifício para ter uma boa forma e poder encarnar a personagem de Leônidas, não é real?
Ele estava realmente irado.
- Se eu ficar frente a frente com ela,vou pedir algumas explicações e acertar alguns pontos com ela. Deve ser alguma solteirona mal-amada, que não tem mais o que fazer a não ser destruir imagens de pessoas que estão tentando trabalhar sério.
- Deixe prá lá, Gerry – pediu Mike, seu agente, mais uma vez.

Lauren ainda não conseguia sentir-se à vontade com seu trabalho, entretanto, quem mostrava sinais de estar muito satisfeito era Frederick.
Foi quando surgiu a festa de lançamento de um filme. Foram convidados atores, produtores e diretores conhecidos. O editor de LAAR, não podia deixar de comparecer. Se alguma produção de Hollywood caísse nas graças de Lewinsky, poder-se-ia dizer que o sucesso estava garantido. Portanto, ele sempre era convidado para este tipo de evento.
Para surpresa de Lauren, ela foi escolhida para acompanhá-lo, já que estava tornando-se uma das colunistas mais lidas. Ela ainda teria outras surpresas naquela noite.
Apesar de ele oferecer-se para buscá-la em casa, Lauren preferiu mantê-lo afastado , sem intimidades. Combinaram de encontrar-se no local da festa.
Quando chegou, como não o visse, resolveu entrar sozinha. Seu nome estava na lista de convidados. Encontraria Frederick lá dentro. Após cumprimentar alguns conhecidos, dirigiu-se ao dono da festa para parabenizá-lo. Ao seu lado estava um homem alto, forte, de barba, que ao notar sua presença, mirou-a com dois grandes olhos verdes brilhantes, com interesse e sensualidade. Aquele olhar a fez estremecer. A presença dele era marcante, sem necessidade de palavras. Lauren teve a impressão de já conhecer aquele rosto de algum lugar, mas não conseguia lembrar onde. Sem saber como, o produtor foi distraído por outros cumprimentos, deixando-os um na companhia do outro.
- Olá...Você está sozinha? – perguntou com uma voz rouca e envolvente.
- Não... Na verdade ainda não consegui achar o meu acompanhante. Talvez ele nem tenha chegado ainda, Estava a sua procura.
- Posso substituí-lo no momento, se você permitir...
Ela ainda procurava as palavras certas para responder, quando ele passou seu braço por sua cintura e convidou-a para dançar.
- Quando o seu amigo chegar eu a libero. Prometo...
- Você é meio pretensioso, não? – indagou, quando conseguiu encontrar a fala, com um sorriso tímido.
- Porque você acha isso?
- Quem disse que quero dançar com você?
- Seus olhos... Sua boca... Seu corpo...
Apesar de seus joelhos fraquejarem diante do charme daquele homem, ainda tentava resistir.
- Acho melhor procurar o meu acompanhante original.
- Você não vai me fazer esta desfeita, vai?
A combinação de olhar suplicante e um sorriso maroto, lhe tiraram todas as dúvidas.
- Está bem... Dançar um pouco com você não vai fazer mal... – disse, deixando-se levar pelas grandes mãos bem feitas e braços fortes que a conduziam para a pista de dança.
Ela sentiu-se flutuar no seu toque. A música romântica, que inexplicavelmente começara no momento em que iniciaram sua dança, permitiu uma aproximação maior. Lauren podia sentir o seu perfume, o seu hálito quente e aquele olhar que a devorava.
- Lauren! Você está aí! – a voz rude de Frederick despertou-a de seu transe.
- Lauren?? – disse Gerard, estupefato. A sua dança foi bruscamente interrompida. Ficaram no meio da pista, olhando-se. Lauren ainda não compreendia o que estava acontecendo.
- Ora, vejo que já foi apresentada ao “grande” Gerry Burns – continuava Frederick, usando seus termos de duplo sentido, maliciando sobre o físico avantajado de Gerard.
- Na verdade, ainda não tínhamos sido apresentados – disse Lauren, sentindo-se petrificar.
- Bem, então eu os apresento. Lauren O’Brien, este é Gerard Burns. Gerry, esta é Lauren. Caso não tenha me reconhecido, sou Frederick Lewinsky, da LAAR. Vamos, querida. Temos que cumprimentar outras pessoas. Quero apresentá-la para algumas pessoas importantes.
Lauren podia sentir o veneno escorrendo daquela boca fina e obscena.
Não houve tempo para que trocassem novas palavras, pois Frederick praticamente arrancou-a dos braços dele, deixando-o paralisado no meio do salão.
- Vejo que não perdeu tempo, senhorita Lauren. Assim que eu gosto. De cara já foi atacando a presa... E então, conseguiu alguma informação interessante?
Ela queria fugir dali. Sentia-se extremamente embaraçada com a situação. Como pudera não reconhecer o homem a quem vinha atacando sem piedade nas últimas semanas. E o pior, sentir aquela atração irresistível, que sentira por ele minutos atrás. Olhava para Frederick, mas parecia não entender o que ele dizia. Ele a levava para junto do diretor do novo lançamento hollywoodiano, segurando-a, como se ela não tivesse mais o controle de
suas ações. Talvez as tivesse perdido mesmo, ao ouvir o nome de Gerard. Evitou olhar para trás. Ainda não se sentia segura o suficiente para encará-lo novamente.
Não encontrou mais animo para dançar, apesar da insistência de Frederick, que parecia resolvido a mostrá-la como sua última conquista. Ela estava tão preocupada com o que estaria Gerard pensando a seu respeito que mal conseguia rebater as investidas do outro. Num momento, próximo ao final da festa, quando seu “algoz” a deixou por alguns instantes, sentiu alguém se aproximar ás suas costas. Ouviu a sua voz, agora com o sotaque escocês mais acentuado, provavelmente pela irritação que parecia ter tomado conta dele:
- Então você costuma falar mal de pessoas que nem conhece?
Ela respirou fundo e virou-se para enfrentá-lo. Encontrou outro homem, que já não era mais aquele com quem se envolvera romanticamente momentos atrás. O brilho de seus olhos já não demonstrava desejo, e sim raiva e ameaça.
- Desculpe se não o reconheci. O ambiente, a música, as roupas casuais me confundiram.
- Espero que não se confunda ao escrever a sua próxima coluna. Lançar calúnias pode gerar processos. Você devia ter mais cuidado com o que escreve.
- É o meu trabalho. Só devo satisfações ao meu editor. Que eu saiba, estamos num país com liberdade de imprensa.
Neste momento, Frederick retornava de mais uma “excursão” entre os convidados. Ao vê-lo, Gerard rociferou:
- È melhor você dar satisfações ao seu editor. Ele parece muito necessitado da sua atenção. Afinal, o seu emprego pode estar em jogo, se ele for ciumento.
Ao ouvir esta insinuação, Lauren teve vontade de gritar, mas conteve-se ao pensar que ele apenas estava retribuindo uma pequena parte dos insultos que tinha recebido.
- Vamos, Lauren. Esta festa já deu tudo que tinha de dar – disse Frederick, com ares de posse.
Gerard permanecia com expressão de escárnio e ressentimento, olhando-a, enquanto se afastavam. Pensava em como podia ter-se enganado tanto. Quando vira aquela bela mulher de olhar perdido e doce, pensou ter encontrado alguém diferente das outras. Que decepção! Do Céu, caíra no Inferno, abruptamente.

Apesar de recusar a oferta de Frederick para levá-la para casa, diante de sua insistência acabou cedendo. Quando estava entrando no carro, ainda pode ver Gerard aguardando a sua vez de pedir ao manobrista o seu BMW preto. Seus olhares se cruzaram mais uma vez. Ficou perguntando-se porque as coisas tinham de ser assim. Não conseguia tirar da cabeça aquele momento mágico que acontecera entre os dois antes de ser reconhecida como a vilã da história.
Ao chegarem em seu edifício, notou a insinuação de Fred para levá-la até a porta de seu apartamento, com a desculpa de beber um último drink.
- Eu não bebo, Fred.
- Bem, então um café. Podemos dar um final ainda mais agradável a esta noite. Que tal? – perguntou, lançando um sorriso pretensamente sensual para Lauren.
- Fred, você é meu chefe e o respeito muito. Mas acho que nossa relação não deve passar disso. Não quero misturar as coisas e espero que você também respeite estes limites.
- Acho que você está muito séria. Se as coisas podem ficar melhores, porque não tentar?
- Não creio que elas fiquem melhores do que estão – disse, querendo sair dali o mais rapidamente possível.
- Você parece ter ficado muito impressionada com o Burns. Estou enganado? – perguntou, segurando-a pelo braço, ao notar que ela pretendia deixar o carro.
- Eu me senti muito mal por não tê-lo reconhecido imediatamente e pela reação dele ao saber quem eu era. Só isso.
- Você esperava o quê? Na nossa área temos que estar preparados para o ódio que originamos com nossos artigos. Com o tempo vai se acostumar.
- Será que vou me acostumar? – falou, num sussurro quase que para si mesma.
- Será que notei algum outro tipo de interesse neste seu encontro com Burns. Ele tem fama de garanhão. Será que fez mais uma presa?
- De maneira alguma! Apenas fiquei chateada com a “saia justa” em que me meti.
- Espero que sim. Como você falou, não é bom misturar negócios e prazer. Mas... se mudar de idéia quanto a isto, pode me procurar. Estarei esperando... – dizendo isto, tentou aproximar-se de Lauren, pronto para abraçá-la.
- Até mais, Fred – disse friamente, afastando-se dele de imediato, virando o rosto e abrindo a porta para descer – Muito obrigada pela noite divertida.
Frederick sentia-se muito atraído por Lauren desde que a vira entrar em seu gabinete na primeira vez. Quando viu que ela não era só um rosto bonito, mas que também tinha talento jornalístico, a admiração só tinha aumentado. Era uma alma limpa, diferente das outras que o cercavam no seu dia-a-dia. Gostaria de tê-la antes que a lama a encobrisse. Ela tinha objetivos a alcançar. Ele sabia que o tipo de trabalho que ele lhe oferecia estava muito aquém do seu potencial. Talvez pudesse ajudá-la um pouco mais, mas isto dependeria do comportamento dela para com ele. Em sua arrogância sentia-se como Mefistófeles. Já tinha usufruído muito de seu poder para conseguir as pessoas que ele desejava. Todas partiam contentes para o seu brilhante futuro... Ou não. Mas todas, com a sua marca.
Sozinha em seu apartamento, Lauren ainda pensava no ocorrido e não conseguia tirar da memória aquele olhar magoado que vira nos olhos de Gerard. Mas como dissera Fred, era algo com o que teria de aprender a lidar. Já percebera que não seria uma coisa fácil.

Na semana seguinte, ao chegar na redação, foi recebida animadamente por Fred.
- Bom dia, Lauren! Tenho ótimas notícias para você.
- Bom dia, Fred. Que bom para iniciar o dia.
- O seu amiguinho fortão, Burns, vai dar uma coletiva falando sobre o seu novo filme. Eles acabaram as filmagens e estão ansiosos e dar conta disto. Acho que teremos um novo “blockbuster” por aí. Claro que teremos que colocar o nosso “tempero” em nossas perguntas e procurar alguma coisa mais apimentada que o habitual. Você sabe... Tentar tirar alguma polemica das palavras dele.
“Oh, Deus! Isto não”, apavorou-se Lauren com a perspectiva de ter que fazer mais uma coluna atacando Gerard.
- Quem vai até lá para as perguntas?
- Como quem? Você, é claro!
- Como eu??? Sempre é um dos seus repórteres de rua que vai atrás das informações. Eu apenas registro na coluna com o... “tempero” – Lauren estava desesperada com a possibilidade de ter que encontrar Gerard novamente e numa situação tão constrangedora.
- Lauren, estou te dando a oportunidade de você sair da redação e atuar diretamente com o seu alvo. Você poderá fazer as perguntas mais convenientes para a sua crítica, sem depender de outros. O que está acontecendo??
Ela sabia que ele tinha razão. Era uma oportunidade valiosa em qualquer outra situação. Mas não era o que sentia no momento.
- Não está acontecendo nada, Fred. È que fiquei tão surpresa com a novidade que ainda estou me recuperando.
- Ainda bem! Achei, por um instante, que você estava com medo de entrevistar pessoalmente aquele sujeito.
- Quando vai ser a coletiva?
- Amanhã. Você terá tempo para organizar suas perguntas. Também estarão presentes outros realizadores, como o diretor Silver. Você pode entrevistá-los também. Depois lhe dou a relação. Mas o nosso foco principal é o ator principal, Burns, como você bem sabe. Acredito que esta será a última coluna sobre ele. Este ano. Quero que você mire em outro alvo. Conversaremos sobre isso depois.
Ela precisava conseguir outro trabalho. Não acreditava que fosse agüentar muito tempo. Sentia-se repugnada a cada artigo seu. Agora precisava usar todo o seu sangue-frio para ir adiante com esta entrevista. Como seria recebida por ele? O que perguntaria a ele? O jeito era preparar-se para tudo.
As entrevista seriam feitas dentro dos estúdios onde foi realizado o filme. Os jornalistas foram levados a uma pequena excursão entre os cenários e foi explicada a técnica do cromaqui, onde os atores trabalhavam sobre um fundo azul. Na verdade, não seria uma coletiva. As entrevistas seriam em separado. Os entrevistados foram colocados em recantos diversos do estúdio e os jornalistas fariam um rodízio entre eles.
Logo que acabou a visita aos cenários, Lauren avistou Gerard, vestido com jeans e uma camiseta verde, que realçava seu magnífico corpo malhado. Ele transmitia força e sensualidade por todos os poros. Era impossível ficar impassível diante dele. Só conseguiu desviar os olhos dele quando notou que tinha sido reconhecida. Sentiu o seu olhar gelado penetrá-la como uma adaga muito afiada. Tinha que conseguir forças para encará-lo também friamente e agir como profissional que era.
Ele foi o seu último entrevistado. Permaneceu sentado a encará-la. Aquele olhar a intimidava e incomodava. Queria tanto ver novamente o olhar doce que a atingira na primeira vez que o vira...
- Bom dia, senhor Burns.
- Bom dia, senhorita O’Brien. Vejo que resolveu assumir sua posição no corpo-a-corpo e não ficar mais escondida atrás do seu teclado – disse, mostrando um sorrisinho de mofa.
- Bem, senhor Burns, não quero roubar muito do seu tempo, por isso gostaria de começar minhas perguntas.
- Fique a vontade. Pode perguntar.
Ele parecia estar se divertindo com o visível desconforto de Lauren, por mais que ela tentasse disfarçar.
Ela iniciou seu questionamento, com perguntas pertinentes e interessantes, que fez com que o clima entre eles ficasse menos tenso.
- Vejo que está tentando mudar o seu estilo. Que bom...
- Este é o meu estilo, sr. Burns. O outro é de acordo com o que meu editor exige. Infelizmente não posso fugir do que me é solicitado, tendo em vista que sou empregada.
- Só empregada? Me pareceu que vocês eram um pouco mais que isso naquele outra noite.
- As aparências podem enganar.
- Tenho certeza disso – falou com certa ponta de amargura na voz.
- Posso fazer minha última pergunta?
- Claro! À vontade...
- Como foi trabalhar por tanto tempo, em estúdio, com dezenas de homens seminus, e tanta testosterona no ar? Não se sentiu inibido? – perguntou, imaginando qual a intenção de Frederick quando sugeriu a pergunta.
- No início, é difícil sentir-se à vontade, vestido apenas com uma sunga de couro e uma espada na mão como únicas indumentárias, mas depois você se acostuma. O ambiente era muito agradável e um clima de grande camaradagem criou-se durante as filmagens.
Ela desligou seu gravador e fechou seu bloco de anotações.
- Já terminou? – perguntou ele, um pouco desapontado.
- Já. Está liberado.
- Podíamos almoçar juntos. O que acha?
- Não creio que seja uma boa idéia. Tenho muito trabalho a fazer e imagino que você também tenha seus compromissos. Fica para outra vez – disse, mas pensou que, depois desta última coluna a seu respeito, ele não ia querer vê-la nunca mais.
Lauren levantou-se e estendeu sua mão para despedir-se dele. Ele pegou suas mãos entre as suas, num toque cheio de calor e, olhando-a intensamente, disse:
- Espero que nos vejamos em breve, Lauren...
- Acho difícil... Mas quem sabe? – tentava fitá-lo nos olhos, mas tinha medo de ceder àquela atração que ele provocava nela. Por isso, usou o truque de olhar para o seu nariz e evitar os atraentes olhos verdes.
Puxou a mão rapidamente do conforto em que estavam e virou-se para sair. Estabanadamente, tropeçou na cadeira onde ficara sentada e quase caiu não fosse a agilidade de Gerard em segurá-la. Ele a puxou contra si e perguntou, parecendo estar se divertindo com a atrapalhação dela:
- Você está bem? Não se machucou? - perguntou, sem parecer ter a intenção de soltá-la facilmente.
- Estou bem. Pode me soltar. Obrigada – neste momento, não teve como escapar daquele olhar. Por um instante achou que ele ia beijá-la. Ansiava por isto, reconheceu. Mas não podia permitir que isto acontecesse. Tinha certeza que se isto acontecesse, estaria perdida... Irremediavelmente.
Conseguiu afastá-lo e recompor-se. Notou que ele também ficara desconcertado com a situação e que também tentava controlar-se.
- Adeus, senhor Burns.
- Até mais, senhorita O’Brien...
Quando chegou a redação, Frederick estava a sua espera para convidá-la para almoçar.
- Sinto muito, Fred... Não estou com fome. Vou tentar começar a escrever minha coluna. Que eu saiba tenho que entregá-la até amanhã, no máximo, não?
- È tem razão. Não quero atrapalhar a sua criação... Correu tudo bem na entrevista?
- Sim... Tudo – respondeu com displicência, como se tivesse sido algo corriqueiro.
- Que bom – disse ele desconfiado da indiferença com que ela estava tratando o assunto.
Quando terminou de escrever seu artigo, foi até a sala de Frederick para que ele desse o seu aval, como sempre.
- Lauren, o que houve com você? Isto aqui está um lixo?
- Lixo?
- Onde está a malícia que é característica de nossas colunas?
- Infelizmente, não achei nada em que pudesse me basear para criticar Burns.
- Você está amolecendo, menina. Não viu a deixa que lhe dei através daquela pergunta? O que ele respondeu?
- Nada demais. Apenas que o clima durante as filmagens foi muito agradável e de grande camaradagem.
- Camaradagem, é? Acho que você ficou mais impressionada com Burns mais do que aparenta, Lauren. Isto está tirando o seu senso crítico e a malícia necessária para escrever sua coluna em nosso site – ele estava começando a ficar irritado com a atitude de Lauren. Não queria perder a sua colunista nem tampouco a perspectiva de poder tê-la em sua cama.
- Sinto muito, Fred, se não estou agradando. O que você está querendo é que eu escreva um lixo. Eu não consigo mais fazer isto.
- Quem sente muito sou eu, Lauren. Ainda há tempo de voltar atrás. Reescreva este texto e esquecemos o assunto.
- Não vou reescrever o artigo.
- Vou ser obrigado a demiti-la por esta insubordinação.
- Não há necessidade. Se você não reparou, eu entreguei um envelope junto com o artigo. È a minha carta de demissão.
- Como?? – perguntou, quase tendo um acesso de fúria.
- Não consigo mais trabalhar desta maneira. A cada coluna que escrevo, me sinto corromper, indo contra meus princípios morais. Tenho vergonha do que escrevo. Acho que tenho talento para escrever material mais digno.
- Quem disse que você tem talento? – perguntou perversamente, indignado com Lauren – Eu a escolhi por suas belas pernas e seu rostinho de anjo. Você não escreve mal, mas talento? Ora, docinho, ponha-se no seu lugar.
- Eu entendo que esteja chateado comigo, Fred, mas não precisa apelar.
- Não estou apelando. Estou dizendo a verdade.
- Adeus, Frederick. Espero que você encontre outro redator mais talentoso que eu. Obrigada por ter agüentado a minha falta de talento tanto tempo – dizendo isto, foi virando-se em direção a porta do gabinete, de cabeça baixa.
Numa atitude raivosa, Frederick pegou Lauren pelos ombros e a virou de frente para si, e com os olhos queimando, falou:
- Você não pensa que vai sair daqui sem ao menos me dar um beijo de despedida? – dizendo isso, com expressão irônica na face, tentou beijá-la a força.
Lauren começou a lutar com todas as suas forças para escapar daquela boca odiosa e das mãos que tentavam imobilizá-la. Começou a gritar, pedindo que ele a soltasse.
Quando pensou que não conseguiria mais evitar aquele contato asqueroso, a porta se abriu e a secretária dele surgiu, com cara de espanto.
- O que você quer aqui??? Dê o fora! Quem a chamou??? – Frederick tinha perdido totalmente o controle.
Aproveitando aquele instante, Lauren libertou-se de suas garras e fugiu. Correu até seu pequeno escritório e começou a juntar suas coisas, que não eram muitas. Queria sumir dali o mais rápido possível.
- Você está bem, Lauren? – perguntou Marian, a secretária de Frederick, que tinha muita simpatia por ela, desde o início.
- Estou sim. Obrigada, Marian. Se você não tivesse entrado naquela hora, não sei o que poderia ter acontecido. Você me salvou daquele monstro.
- O Frederick ás vezes passa dos limites. Acho que a única que escapa das cantadas dele sou eu. Acho que não faço o tipo dele – constatou com um sorrisinho amarelo.
- Sorte sua.
- Você vai embora? – perguntou ao constatar que Lauren estava esvaziando suas gavetas- Ele a demitiu?
- Não, Marian. Eu me demiti. Vou procurar um lugar para trabalhar onde eu possa ser eu mesma. Pensei que conseguiria, mas não deu.
- Que pena, Lauren. Sabe que eu gosto muito de você, não sabe?
- Sei sim, querida. Você tem o meu telefone. Liga para que a gente possa conversar um pouco, fora daqui. Eu devo voltar amanhã á tarde para ir ao setor de pessoal para os acertos da demissão.
Despediram-se.

Na manhã seguinte, Mike estava em seu escritório, junto à tela de seu computador, lendo as últimas fofocas dos semanários locais, quando se deparou com a coluna de Lauren. Ficou pensando qual seria a reação de Gerry ao colocar os olhos sobre ela. Era melhor mantê-lo na ignorância. “Ainda bem que ele não tem o hábito de entrar na Internet”, pensou, tranqüilizando-se. Rápidamente clicou no controle para minimizar a tela.
- O que houve? O que tem aí que eu não posso ver?
- O quê? Do que você está falando? – perguntou Mike, tentando disfarçar.
- Eu vi que você desligou a tela para eu não ver alguma coisa. Não tente me enganar Mike. Se você não me disser, vou acabar descobrindo do mesmo jeito.
- Está bem – disse maximizando a imagem novamente.
Gerry começou a ler. Era a coluna de Lauren O’Brien. Seu rosto foi transfigurando-se na medida em que lia os comentários a respeito de sua entrevista. Não podia acreditar que ela tivesse tido a coragem de insinuar aquelas coisas a seu respeito. Ela baseou-se na resposta da última pergunta. Mas ela ia ver com quem estava lidando.
- Gerry! Aonde você vai?? - gritou Mike, tentando evitar que o amigo fizesse uma besteira - Não se meta com este tipo de imprensa. Só vai dar chance a eles de enlamear muito mais a sua imagem. Não vale á para pena.
- Não se preocupe. Sei muito bem o que estou fazendo.

Lauren acabara de resolver os tramites legais de sua demissão, dando graças aos céus de não ter encontrado com Frederick. Talvez tivesse o dedo de Marian ali. Ela sabia que Lauren ia passar por lá à tarde. Finalmente, podia respirar novamente. Nunca mais se deixaria levar pela vontade de um editor. Continuaria mandando seu currículo para outros jornais e revistas. Tinha certeza de que conseguiria um emprego melhor e mais saudável que este último. Teve a sensação de estar sendo seguida. Entrou em seu carro e dirigiu até sua casa. Deixou o carro na garagem do prédio e entrou no elevador. Mal começou a subir, a porta abriu no andar térreo. Algum outro morador devia estar chegando em casa. Não costumava encontrar-se muito com outros condôminos. Quando levantou os olhos para ver quem havia entrado, sentiu-se entontecer. Era ele. “Gerard Burns!... Ai, meu Deus!!”
Ele esperou que a porta se fechasse e encurralou-a junto à parede nos fundos do elevador, deixando-a totalmente sem ação. Mesmo sem tocá-la, eu olhar furioso e sua presença física deixaram-na sem ação.
- Senhor Burns! O que está fazendo aqui??
- Você não tem idéia do porque de minha presença?
- Se é sobre a minha última coluna sobre a nossa entrevista, não disse nada demais.
- Não disse nada demais?? Você praticamente afirmou que sou gay!!
- Não escrevi nada disso. Acho que está havendo algum engano... – ela tentava distraí-lo para tentar acalmá-lo, mas ele parecia irascível. Será que Frederick tinha tido a coragem de modificar o seu texto, mantendo a sua autoria? A porta do elevador finalmente abriu-se e ele a puxou pelo braço, na direção do corredor.
- Muito bem...Onde você mora? – ele tentava falar num tom baixo de voz.
- Você acha que vou deixá-lo entrar na minha casa? Se tiver alguma reclamação, dirija-se á redação e fale com o editor-chefe, Frederick.
- O seu amante??
- Ele não é meu amante!!
- Ah, então ele não vai ficar chateado se eu fizer uma demonstração ao vivo de minha masculinidade para a sua repórter difamadora
- O quê?? O que você está dizendo?
- Vamos logo para o seu apartamento antes que eu comece a fazer um escândalo aqui no corredor dizendo todos os adjetivos que já imaginei pensando em você e no que escreveu a meu respeito.
- Como se atreve?
- Eu que pergunto como você se atreve a difamar alguém. Cheguei a pensar que... Deixa prá lá - Por alguns instantes ela notou uma nuvem de tristeza rondando a sua face, mas logo a fúria voltou – Então, vai querer um escândalo aqui e agora?
- Está bem! Acalme-se! È aqui – identificou a porta de seu apartamento, enquanto procurava as chaves nervosamente. Finalmente as encontrou. Talvez conseguisse acalmá-lo, conversando em sua sala. Precisava saber o que Frederick escrevera. Mal abriu a porta, Gerard empurrou-a para dentro, sem largar o seu braço, e fechou a entrada com certa força. Imprensou-a contra a porta, passou os braços em torno do seu corpo e beijou-a violentamente. Lauren estava perplexa com o que estava acontecendo. Começou a debater-se, numa tentativa de escapar daquele abraço truculento, mas era impossível. Ele era quase o dobro de seu tamanho. De repente, a boca de Gerard diminuiu a pressão sobre a sua. Ele afastou o rosto, de forma a olhá-la dentro dos olhos, por alguns instantes. Ela o sentia tenso e tremulo, mas parecia que a raiva estava passando. Agora seu olhar apresentava outro tipo de brilho. Um brilho selvagem, demonstrando um desejo crescente. Lauren não conseguia lutar contra aquela sensação. Não conseguia ficar com raiva dele por causa da violência com que estava sendo tratada. Ele tinha o direito de ficar assim. Mexeram com os brios dele. Queria dizer-lhe que não escrevera nada que o desabonasse, mas achava que ele não acreditaria, naquele momento. Tinha apenas vontade de beijá-lo e abraçá-lo...
Mais uma vez, Gerard aproximou seus lábios da boca de Lauren e a beijou mais uma vez. Desta vez com desejo e sofreguidão. Não mais com estupidez. E foi correspondido.
Suas mãos passeavam por todo o seu corpo, estudando suas formas, abrindo o fecho de seu vestido, nas costas, tocando sua pele e incendiando-a. Quando ela começava a corresponder, esquecendo-se da situação que gerara aquele encontro, sentiu-o tenso de novo, tornando-se rude e afastando-a bruscamente. Mais uma vez a olhou, porém com desprezo, e disse:
- E agora, será que consegui demonstrar que sua teoria sobre minhas preferências sexuais estão erradas ou vou precisar ir mais fundo em minha demonstração?
Lauren sentiu-se desfalecer. Não acreditava que ele estivesse falando aquilo... Claro...ele era um ator, que tinha desempenhado muito bem o seu papel e, que por instantes, a fez pensar que ele realmente a desejava. Sentiu-se humilhada e indefesa. Empurrou-o para trás com as poucas forças que encontrou e gritou:
- Saia daqui! Seu grosso, estúpido! – e começou a bater em seu peito, com raiva, sentindo as lágrimas aflorarem em seus olhos – Saia!!
A vergonha por ter se deixado levar por Gerard era tão grande que ela não pode ver o momento em que o olhar dele abrandou e um lampejo de arrependimento passou em seus olhos verdes. No íntimo, ele lutava contra o desejo de possuí-la. Não por vingança, mas por desejo legítimo. Apesar de tudo que acontecera, apesar das palavras ferinas lançadas por ela em sua coluna, ele continuava a ansiar pela sua presença, por seu abraço e por seus beijos. No fundo, não podia acreditar que ela fosse tão vulgar como pareciam seus comentários. Gostaria de tê-la conhecido de outra maneira. Com estes pensamentos rondando sua mente, virou as costas e abriu a porta do apartamento, ainda tentado a abraçá-la e consolá-la. Porém, a razão falou mais alto e ele se foi, fechando a porta sem fazer barulho.
Lauren sentia-se fraca. O ar parecia lhe faltar. Só depois de alguns instantes, conseguiu soltar o choro. Um choro desesperado, angustiado. Jogou-se sobre o sofá da sala, perdendo a noção de quanto tempo ficou desaguando sua mágoa e sua humilhação, até que conseguisse recuperar-se e pensar mais objetivamente no que havia acontecido.
Gerard voltou para casa. Não tinha a sensação de alívio que pensou que teria ao humilhar Lauren. Sentia-se, isso sim, um canalha. A raiva passara e só ficara aquela sensação ruim de ter perdido alguém, que nem chegara a conhecer direito. Provavelmente fosse apenas sua imaginação... Ela não era diferente das outras. Estava batalhando seu lugar ao sol e venderia a alma ao demônio para conseguir sobressair-se sobre os demais. O melhor a fazer agora era esquecê-la. Não podia continuar iludindo-se.

Os dias passaram. Gerard já estava com sua viagem marcada para Toronto, onde iniciaria a filmagem de seu novo trabalho, com Pierce Brosnan. Ainda não conseguira tirar Lauren da cabeça. Naquela manhã, foi ao encontro de Mike para falar sobre futuros projetos que tinham em comum, quando o amigo e empresário perguntou-lhe:
- Não ouviu falar mais da sua repórter predileta? – disse em tom de brincadeira. Como todas as outras fofocas de Hollywood, aquela sobre Gerry já tinha sido esquecida. Tinha sido incomodado por mais um ou dois jornalistas sensacionalistas, mas o assunto já tinha sido esquecido, principalmente depois que algumas poucas cenas do filme com ele haviam sido veiculadas. Por isso já conseguia fazer graça
- Felizmente não – mentiu pesarosamente.
- Ela não escreveu mais sobre você nem sobre ninguém.
- Como assim? – perguntou repentinamente curioso.
- É o que eu estou falando. Lauren O’Brien sumiu do mapa. De duas uma. Ou ele foi despedida ou Frederick a adotou para ficar na casa dele – disse, soltando uma gargalhada, relembrando a fama de Frederick Lewinsky.
- Não vejo graça alguma nisso.
- Você ainda está pensando nela, Gerry? Depois de tudo que ela falou mal a seu respeito.
- Olhe, Mike, a conversa está ótima, mas acho que já terminamos o que tínhamos para resolver. Vou andando. Lembrei que tenho umas voltas para dar. Até mais! – despediu-se rapidamente, não querendo mais manter aquela conversa.
- Está bem, Gerry. Quando quiser conversar, sabe onde me encontrar. Até! – respondeu Mike, resolvido a não se intrometer nos sentimentos do amigo.
Gerard pegou seu carro e foi direto para a sede da LAAR. Ficou dentro do carro, no estacionamento. Em alguns instantes, tinha conseguido o telefone da redação.
- Los Angeles Actor’s Report, bom dia?
- Bom dia. Por favor, eu gostaria de falar com Lauren O’Brien.
- Um momento senhor...- falou a telefonista esganiçada, demorando alguns segundos para completar sua procura – Sinto muito, senhor. A senhorita Lauren O’Brien não trabalha mais conosco.
- Não trabalha mais? Desde quando?
Depois de mais alguns segundos:
- Desde há aproximadamente um mês.
“Um mês... Exatamente depois de seu último encontro com ela”, pensou. “Será que Mike tinha razão. Será que ela tinha deixado o trabalho para morar com o chefe?” Não conseguia aceitar aquela possibilidade. Mike tinha falado aquilo por brincadeira. “Será?”
- Teria como saber mais informações a respeito da senhorita Lauren?
- Um momento, senhor... Como é mesmo o seu nome?
- Gerard Burns.
- Vou transferi-lo para a senhorita Marian, secretária do senhor Lewinsky. Um momento, por favor...
Enquanto aguardava, os pensamentos mais terríveis o rodeavam. Perguntava-se porque ainda insistia em querer saber notícias daquela mulher.
- Alô? O que o senhor deseja? – perguntou Marian, em tom antipático. Ainda estava indignada pela maneira como este Burns tinha tratado sua amiga. Lauren contara tudo para ela logo após o incidente.
- Fiquei sabendo que a senhorita O’Brien foi demitida do LAAR e gostaria de saber onde está trabalhando agora.
- Para seu conhecimento, ela não foi demitida. Ela pediu demissão. Em segundo lugar, não estou autorizada a lhe dar maiores explicações. Tenha um bom dia, senhor Burns.
Ele achou estranho o modo como a mulher, que ele nem conhecia, o estava tratando. Parecia desprezá-lo.
- Por favor, eu...
A ligação foi cortada subitamente.
- Estava falando com alguém, Marian? Por que desligou tão rápido? É algum namorado? Você sabe que não admito este tipo de ligação aqui dentro.
- Não, Frederick. Era um chato querendo emprego.

Ainda com o fone na mão, Gerard perguntava-se o que teria acontecido. De qualquer maneira ficara agradavelmente surpreso em saber que ela pedira demissão. “Será que o ocorrido entre eles teria contribuído para isso?”, indagou-se. Precisava encontrar Lauren ou, pelo menos, esclarecer melhor as coisas. Talvez se fosse ao seu apartamento...
Saiu do estacionamento, dirigindo-se ao endereço de Lauren. “Será que ela o receberia? Talvez não. Ele fora muito cruel com ela. Talvez precisassem conversar sobre tudo que acontecera. Ela havia dito que não escrevera nada demais sobre ele. Seria verdade? Não dera chance a ela para explicar-se.”
Finalmente chegou ao prédio de Lauren. Havia um caminhão de mudanças estacionado bem em frente. Na portaria, ao perguntar por ela, ficou sabendo que não morava mais lá e que a mudança que estava acontecendo naquele momento era do novo inquilino que ocuparia seu antigo apartamento. Ninguém sabia informar para onde ela havia se mudado. Lembrou de Marian, a secretária de Lewinsky. Ela devia saber de alguma coisa. Tentaria falar com ela. Ligou mais uma vez para a redação do LAAR.
- Senhorita Marian, por favor, não desligue.
- Quem fala?
- Gerard Burns.
- Você de novo. Já não lhe disse que não posso lhe dar nenhuma informação?
- Por favor. Tenho certeza de que pode me ajudar. È importante. Preciso falar com Lauren para esclarecer algumas coisas que aconteceram.
- Eu sei o que aconteceu e devo dizer que o senhor foi bastante grosseiro.
- Eu sei. Por isso estou ligando. Pode me ajudar, por favor?
- Não posso falar daqui. Pode me encontrar no Joe’s? È uma cafeteria que tem aqui próxima, onde não há risco de eu ser pega em flagrante pelo meu patrão.
Gerard agradeceu e desligou, assim que pegou detalhes da localização do café e do horário do encontro com Marian.


- Obrigado por ter vindo, Marian – cumprimentou-a assim que a identificou como a secretária irritada que o tinha atendido ao telefone – Então você é amiga de Lauren.
- Ela é uma pessoa muito especial. Lamento que ela tenha ido embora. Mas acho que foi melhor para ela.
- Como assim, embora? Embora do emprego, não?
- Embora desta cidade maluca! Para ficar longe de malucos como você e o Frederick.
- Espere um pouco. Não me compare com aquele sujeito desclassificado.
- Vocês agiram muito parecido para com ela, que eu saiba.
- Parecido, como?
- Tentaram pegá-la a força.
- Espere um momento. Do que você está falando? Vamos começar do início. A última vez que vi Lauren eu havia perdido a cabeça por causa do artigo que ela escrevera sobre mim. Acabei me comportando muito mal, reconheço.
- Exatamente. Não foi ela que escreveu... Pelo menos, não com os comentários “indigestos”.
- Não foi ela que escreveu?
- Não. Ela havia escrito um texto elogiando o seu trabalho e sugerindo que em breve teríamos um novo astro em rápida ascensão.
Ele estava pasmo e sentindo-se muito mal ao pensar em como a havia tratado.
- Mas quem escreveu a parte “indigesta”?
- Quem você imagina que tenha sido? Frederick, é claro. Acho que ele estava com ciúmes de Lauren.
- Ciúmes?
- Já estou falando demais.
- Por favor, Marian, continue – pediu, impaciente.
- Quando ela mostrou o seu artigo a Frederick, obviamente ele não gostou. Disse que se ela não mudasse o conteúdo conforme o que ele queria, ele a demitiria. Só que ela já estava com sua carta de demissão pronta e entregue junto com o seu texto. Frederick perdeu a cabeça ao se dar conta disso e tentou pegá-la a força no seu gabinete. Ela havia sido a única funcionária, além de mim, é claro, que não havia tido um “flerte” com ele. Se é que me entende – disse, piscando o olho direito – A sorte é que eu a ouvi gritar e cheguei a tempo de evitar o pior.
Gerard sentia uma mistura de alívio e culpa ao mesmo tempo. Ela era realmente como ele imaginara, e ele havia sido tão estúpido...
- Marian, para onde ela foi?
- Não sei – disse – Não sei mesmo. Não adianta perguntar. Ela não disse porque tinha medo que Frederick pudesse saber e tentar prejudicá-la – confirmou sua falta de conhecimento ao enfrentar o olhar sério de Gerard.
- Está bem. Ao menos ela tem mantido algum contato com você?
- Às vezes ela me liga, quando dá tempo. Parece que está ocupada escrevendo muito. Acho que conseguiu um novo emprego, mas não sei nada além disso.
Pediria para que Mike procurasse na Internet pelo nome dela. Em algum canto ele iria achá-la.
- Marian, gostaria de te agradecer. Eu preciso me desculpar com Lauren.
- Acho que vai ser muito bom... Desejo boa sorte para você.
- Obrigado. Boa sorte para você também. Trabalhando com o Lewinsky, você precisa.
- Com certeza – disse com um grande sorriso.

Gerard foi para seu apartamento com a cabeça rodando com mil pensamentos. Teria que partir para Toronto em dois dias e lá teria de permanecer por cerca de um mês, até terminarem as filmagens
Antes de viajar, Gerard pediu a Mike que o avisasse sobre qualquer notícia que tivesse sobre Lauren.
- Nunca o vi tão interessado numa mulher como nessa. O que o impressionou tanto assim? Já estou curioso...
- Não sei, Mike. Acho que a situação mal resolvida entre nós é que está me incomodando. Sinto necessidade de esclarecer com ela tudo isto.
- Sei... Só esclarecer, não? Está bem. Vá tranqüilo. Ela ainda deve estar no planeta Terra. Quando a encontrar, o aviso. Não se preocupe mais com isso. Deixe a cabeça livre para o trabalho, que é o que realmente importa nas próximas semanas.
- Não se preocupe. Vai ser bom mudar de ares um pouco e trabalhar da forma mais usual, sem um cromaqui por perto – dizendo isso, conseguiu esboçar um tímido sorriso.

O término das filmagens demorou um pouco mais do que o previsto. Alan ainda não dera sinal de ter encontrado qualquer pista do paradeiro de Lauren.
Ao voltar para os Estados Unidos, Gerard decidiu que ficaria um tempo em seu apartamento de Nova Iorque, que acabara de ser reformado. Talvez se distraísse um pouco comprando peças para decorá-lo. O decorador já tinha lhe solicitado diversas vezes que o ajudasse na escolha de móveis e objetos de arte que complementariam o visual, mas ele nunca tinha disponibilidade de tempo ou vontade de ficar escutando as maluquices do seu decorador. Ele era uma excelente pessoa, mas ligeiramente obsessivo. Aproveitaria este período, em que estaria sem filmar fora do país, para dar-lhe uma atenção.
Ao chegar, lhe foi entregue uma pilha de correspondência, que ainda não fora encaminhada para Los Angeles por seu agente de Manhattam. Depois de tomar um banho quente e colocar uma roupa mais confortável, sentou-se para distrair-se olhando os envelopes recebidos. Vários convites para inaugurações, premieres, festas, muita propaganda e...um convite para o lançamento de um livro. Estranho... Não era citado o nome do autor. O título era bem interessante: “Fofoca em L.A. – O Lado Sórdido da Imprensa”. Tinha tudo a ver com a situação pela qual ele tinha passado nos últimos meses. A sessão de autógrafos seria em três dias. Talvez fosse até lá. Seria um programa diferente.
Dois dias depois, recebeu um telefonema muito estranho. Uma voz de mulher, que lhe soou familiar, ligou perguntando se ele confirmava a presença no lançamento do livro “Fofoca...”.
- A sua presença é importante neste evento.
- Quem está falando? – perguntou, tentando identificar a voz. Parecia com a de Lauren. Será que estaria imaginando coisas?
- O senhor confirma sua presença, senhor Burns?
Era ela! Resolveu deixá-la pensar que não a reconhecera.
- Confirmo, sim. Estarei lá, amanhã...
- Muito obrigada – agradeceu e desligou o telefone imediatamente.
Tinha quase certeza que era Lauren. Só não entendia porque ela não se identificara. Ficou imaginando se ela estaria trabalhando na editora que estava lançando o livro. “Ou será que?...” – seus pensamentos provocaram um riso de admiração. Mal podia esperar pelo dia seguinte.

A sessão estava programada para o final da tarde daquela sexta feira. O transito estava terrível. Acabou por atrasar-se, apesar de ter saído quase uma hora antes do horário. Quando conseguiu chegar à livraria, suspirou aliviado. O movimento ainda era grande. Tentou aproximar-se da mesa onde o autor estava autografando. Foi quando teve a agradável surpresa. Confirmou suas suspeitas. Lauren O’Brien era a autora do livro Estava linda, sentada, segurando uma caneta e distribuindo o seu lindo sorriso para todos que a cercavam. Permaneceu num canto onde ela não podia vê-lo. Notou que, com certa frequência, seu olhar era desviado para a porta da livraria, procurando a presença de alguém. Esperava que fosse por ele. Quando o movimento diminuiu, ele resolveu aproximar-se num momento em que ela estava distraída assinando seu nome para um dos últimos da fila de leitores. Quando ela levantou os olhos para entregar o exemplar com sua dedicatória, viu Gerard a observá-la com carinho. Seu rosto iluminou-se de imediato.
- O senhor deseja um autógrafo? – perguntou Lauren, ainda sorrindo.
- Muito...
- Onde está o seu livro?
Só então Gerard deu-se conta de que não tinha comprado o livro.
- Só um momento, que vou adquirir o meu exemplar e já volto.
- Gerard... Não há necessidade disso. Estava brincando. O seu já estava separado, á sua espera... – dizendo isso, abriu numa das primeiras páginas e apenas assinou o seu nome sob algumas palavras.
- Só a sua assinatura? Acho que merecia uma dedicatória melhor, não?
- Será?...Leia – disse alcançando-lhe o livro aberto na página que assinara.
Lá estava impresso bem no centro: “Para Gerard, fonte de coragem e estímulo para que este livro fosse escrito”.
- Sou tudo isto? – perguntou emocionado.
Ela apenas sorriu.
- Você aceitaria jantar com o homenageado deste livro?
- Aceitaria...
Ainda tiveram que esperar um pouco mais até que os últimos compradores do livro conseguissem seu autógrafo.
Já era 20 horas, quando saíram lado a lado da livraria, depois de Lauren despedir-se do representante de sua editora. Ainda permaneciam contidos em seus sentimentos. Não sabiam o que esperar um do outro. Entraram no carro de Gerard que a levou até um pequeno bistrô francês, localizado no SoHo, na Rua Spring. O nome já era sugestivo para o momento de fazer as pazes pelo qual estavam passando: “Les Amis”
Falaram muito pouco durante o trajeto.
- Parabéns pelo sucesso do seu livro.
- É... Acho que o tema atrai. Todos querem saber sobre este universo. Eu tinha um extenso material. Na verdade, eu comecei a escrever logo que comecei a trabalhar para Frederick. Também fiz algumas pesquisas sobre a história, de como começou este tipo de jornalismo. Serviu um pouco para exorcizar meus demônios...
- Você está trabalhando aqui em Nova Iorque?
- Sim. Consegui emprego num jornal de médio porte. Eles já tinham lido alguns artigos meus e gostado do modo como eu escrevia. Só tive de prometer de não fazer nenhuma fofoca. Foi do que mais gostei – disse rindo – Minha nova editora é uma pessoa maravilhosa, que se interessou pelo meu livro e me ajudou muito para que ele fosse publicado em tão pouco tempo.
- Você está linda... – elogiou, desviando rapidamente seu olhar da rua para fitá-la com um brilho nos olhos – Acho que os ares de NY estão fazendo muito bem para você.
- Também sinto isso. Aqui estou fazendo o que realmente gosto, longe de pessoas insalubres como Frederick.
- Como você sabia que eu estaria em NY esta semana?
- Eu parei de perseguí-lo, mas o resto da imprensa continua mantendo suas fãs bem informadas.
- Às vezes esqueço isso.
- Além disso, Marian andou me falando que você estava me procurando.
- Disse o motivo também?
- Sim.
Finalmente chegaram ao bistrô. Era discreto e muito aconchegante, com mesas, na maioria para duas pessoas apenas, cobertas por toalhas brancas, decoradas com pequenos vasos de flores e velas acesas. Tinha um clima muito romântico. Lauren pareceu aprovar a escolha de Gerard. Foram conduzidos pelo garçom até um recanto mais privado, onde sentaram-se lado a lado. Depois de fazerem sua escolha do menu, Gerard tomou a iniciativa para iniciar sua conversa:
- Quero saber tudo sobre você e o que aconteceu neste período em que fiquei procurando por você, me torturando com a culpa de tê-la acusado injustamente – pegou na mão de Lauren, que sentiu-se corar diante do toque daquela mão quente e macia, que cobria a sua por completo.
- Pensei que Marian havia lhe contado o que aconteceu.
- Contou, mas gostaria de ouvir a versão original...
Enfrentando aquele olhar de verde profundo que a deixava hipnotizada e prisioneira de seu dono, Lauren começou a contar sua história desde o início.
À medida que ela falava sobre sua luta para conseguir um bom emprego, o embate interno entre seus princípios e as exigências de Frederick, o desejo de poder ser lida e respeitada, coisa que jamais seria se continuasse naquele emprego. A cada palavra sua, mais a admiração de Gerard aumentava. Ela finalmente demonstrava que ele não estava errado quando a imaginou como sendo diferente das outras.
- Aí, eu conheci você naquela festa. Desde então, comecei a repensar sobre meu emprego, minas escolhas... Tudo. Já estava pensando em pedir demissão. Foi quando Frederick me indicou para fazer a sua entrevista. Escrevi um artigo muito diferente do que ele esperava. No fundo, eu não precisava escrever aquilo, mas eu queria que ele visse o que eu realmente pensava... Eu sabia que ele ia odiar, por isso entreguei a minha carta de demissão ao mesmo tempo. Acho que ele ficou mais furioso por causa disto. Ele não conseguiu ter o gostinho de me demitir. Chegou a ficar violento. Se não fosse a Marian chegar, eu teria apanhado.
- Que eu saiba ele quis te beijar a força.
- Como você... No dia seguinte – desta vez ela o olhou com um resquício de mágoa nos grandes olhos castanho-claros.
- Lauren, não sabe quantas vezes já me culpei por ter agido como um canalha.
- Não, você reagiu como qualquer homem normal teria reagido.
- Por que você não falou que o artigo não tinha sido escrito por você?
- Você não me deu chance. Além do mais, eu também me sentia culpada pelos outros textos que eu havia escrito antes. Mas, se isto o faz sentir melhor, eu te perdoei na mesma hora. Pode dormir tranqüilo de agora em diante e seguir o seu caminho. Está livre desta culpa.
- O que você quer dizer com isso?
- Você não queria só tirar esta culpa dos ombros?
- Lauren, eu não vim só por isso e acho que você sabe qual o motivo principal.
- Sei?
- Sabe... Na primeira vez em que a tive em meus braços, mesmo tendo sido por poucos minutos, senti algo diferente. Desde aquele momento não consegui mais tirá-la da minha cabeça, apesar de todos os mal-entendidos. A minha raiva foi maior no dia em que a segui ao seu apartamento, não só pelo comentário em si, mas por pensar que havia me enganado profundamente em relação a você. Quando soube que você havia pedido demissão minha esperança voltou. Por isto estou aqui. Eu só preciso saber se você sente o mesmo por mim...
Lauren estava paralisada e emocionada com tudo que acabara de ouvir. Com algum esforço, conseguiu falar:
- Gerard... Não sei o que dizer... – notou que ele pareceu ficar triste diante da sua insegurança em corresponder a sua declaração, pois abaixou a cabeça, desviando seu olhar.
Em vista disso, ela não teve mais dúvidas. Com as duas mãos, levantou o rosto dele, acariciando-o, fixando seu olhar no doce verde dos seus olhos e disse:
- Gerard, eu te amo... Muito. Não me olha assim que eu derreto por dentro.
- Lauren... – sussurrou, aproximando-se lentamente, até seus lábios tocarem-se, num beijo muito doce.
Beijaram-se ainda mais, até serem interrompidos pelo garçom, que perguntou se gostariam de uma sobremesa.
Ambos olharam-se, cúmplices e felizes.
- Você vai querer uma sobremesa? – perguntou Gerard, com expressão provocante.
- Agora... Não – respondeu Lauren, retribuindo o olhar ladino de seu companheiro
- Acho melhor irmos embora daqui, antes que nos expulsem por atitudes indecorosas. O que você acha? – disse Gerry, sorrindo.
- Acho que você tem toda a razão.
Rapidamente, Gerard pagou a conta e saíram.
Foram direto para o apartamento de Gerard.
Já não aguentavam mais a hora de chegar em casa para entregarem-se sem pudores um ao outro. Mal a porta da entrada fechou-se, abraçaram-se quase com fúria, com bocas que procuravam um ao outro com intensidade. Toda uma paixão, estancada por semanas e por diversas situações, encontrava o seu fluxo, correndo livre, através dos beijos molhados, mãos sedentas por descobrir o corpo, tantas vezes desejado, e finalmente descoberto. Havia uma urgência de fusão. Entre gemidos e suspiros, finalmente Gerard penetrou Lauren, tornando-a sua mulher, agora em espírito e corpo. Tudo acontecera tão rápido, mas de uma forma tão intensa e completa que eles se deixaram ficar abraçados sobre os tapetes da sala, temendo perder aquele momento de união tão prazerosa. Depois de vários minutos em silencio e repouso, Lauren murmurou:
- Gerard, eu imaginei este momento tantas vezes que perdi a conta.
- Então, ainda estou em débito com você. Seremos obrigados a repetir momentos como esse até perdermos a conta – disse, levantando-se do chão, para elevá-la nos fortes braços e levá-la para o quarto, com um belo sorriso nos lábios – Preciso lhe mostrar os outros cômodos da sua casa.


FIM

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A Camareira - Parte final

Durante a manhã, o despertador do celular de Gerry tocou às 10 horas para lembrá-lo do compromisso com Donatella. Olhou para Carol que dormia como um anjo e não teve coragem de acordá-la. Por sorte, aquele era o seu dia de folga no hotel. Poderia dormir até mais tarde. Vestiu o terno que havia deixado de reserva no apartamento e escreveu um bilhete combinando um encontro à tarde, ali mesmo. Seria a sua despedida e a decisão de suas vidas dali em frente. Antes de sair, depositou um beijo suave na boca de Carol e partiu para o seu compromisso.
Mal a porta fechou-se, Carolina abriu os olhos e começou a chorar. Esta tinha sido a última vez que o veria. Não suportaria nenhum outro tipo de despedida. Entre lágrimas, ainda leu o bilhete dele, deixado sobre a mesa de cabeceira.
“Carol, meu anjo
Deverei voltar após as 14 horas. Espere-me. Precisamos conversar antes de minha viagem. Não podemos acabar aqui.
Teu
Gerry”

Mais uma onda de choro a invadiu. Quando conseguiu controlar-se um pouco, foi tomar um banho. Arrumou-se, colocou as roupas de Gerry perfeitamente dobradas numa grande sacola, que deixou na portaria, e saiu a caminho do metrô, perdendo-se na multidão das ruas.
Quando Gerry voltou de seu compromisso, contente e desejoso de contar as boas novas de seus novos contratos com a grife Versace e a Vogue, não a encontrou. Tocou incontáveis vezes a campainha do apartamento. Foi à portaria indagar por ela, mas o porteiro apenas confirmou que ela havia saído e deixado um embrulho para ele. Nenhum bilhete. Nenhuma palavra. Por quê? Ele queria poder entender. Depois da noite incrível que tinham passado... Saiu sem conseguir tirar os olhos do chão, pensando onde ela teria se metido. Foi ao jardim onde tinham começado a se conhecer melhor, mas não a encontrou. Triste e desanimado, voltou ao seu hotel para preparar as malas para a viagem de volta a Los Angeles.
Enquanto isso, Carolina estava dentro do Museu do Louvre diante das esculturas de Michelangelo, lembrando a primeira vez em que viu Gerry naquela suíte do Ritz. Sua lembrança estaria guardada para sempre em seu coração.

O mês que se seguiu foi de trabalho intenso para Gerard e de dedicação exclusiva à arte para Carolina. Ambos tentavam esquecer os dias passados juntos em Paris... Como se isso fosse possível.
A produção de quadros de Carolina foi tamanha e de tal qualidade que surpreendeu aos seus professores da escola de artes. Como fosse impossível para ela levá-los para Portugal, deixou-os aos cuidados do organizador francês do curso, que prometeu conseguir uma exposição exclusivamente para eles. Isto a deixou muito feliz, principalmente porque toda a inspiração para estas obras tinham vindo de uma única e inesquecível pessoa. Fora a maneira que ela encontrara de expulsar sua tristeza e sua saudade. Apesar de tudo, a saudade permanecia... Enorme. Voltou para Lisboa determinada a terminar sua faculdade e começar a expor seu trabalho aos críticos de arte e marchands.
De volta a Los Angeles, Gerard jogou-se ao seu trabalho de ator e produtor de filmes como nunca. Várias propostas de atuação foram aceitas, deixando-o com sua agenda lotada até a metade do próximo ano. Conheceu várias mulheres interessantes e interessadas nele, mas nenhuma que pudesse competir com a história que vivera com Carol. Jamais a esqueceria, apesar da mágoa que ficara pelo modo como ela sumira sem despedir-se dele naquele sábado. Lembrava das inúmeras vezes que discara o telefone do seu apartamento, antes de pegar o avião, e os sinais de chamadas não atendidas soando como marteladas em seu peito.

Mais de um ano se passou...
Finalmente Gerard conseguira uma folga daquele turbilhão de compromissos, viagens e filmagens. Poderia passar alguns dias curtindo o seu apartamento de Nova York, que era a sua cidade favorita nos Estados Unidos, onde podia caminhar pelas ruas sem ser abalroado a toda hora por um paparazzi ou ser cercado por um bando de malucos a gritar seu nome. Estava resolvido a sair com alguns amigos que não via há um bom tempo, andar de bike pelos parques ou simplesmente ler um bom livro e ouvir música. Tinha que se dar este prazer antes que a maré de obrigações contratuais subisse novamente e o levasse de seu sossego.
Naquela manhã, enquanto tomava seu café, como sempre fazia, começou a ler o jornal, iniciando pela parte esportiva. Quando terminou, voltou sua atenção para o caderno de atividades culturais. Foi com surpresa que viu um nome sobressair-se entre os demais numa das colunas que indicava as exposições de arte do dia:
“A jovem e talentosa pintora portuguesa Carolina Rodrigues Alves estará entre nós inaugurando a mais nova galeria de arte de Nova York com uma belíssima exposição de suas telas...”
Não conseguia desgrudar os olhos daquele nome, nem acreditar que fosse ela, a sua Carolina. Seria muita coincidência... Pintora... Portuguesa... Carolina... Era ela, sem dúvida. E a inauguração seria logo mais à noite, na 16th street, em Chelsea.


Mal podia acreditar no que estava acontecendo. Tudo tinha sido tão inesperado e rápido. No dia em que recebeu o telefonema de Larry Gagosian quase caíra sentada no chão. Ele tinha estado em Paris e vira surpreso as telas dela numa pequena exposição na Escola Superior de Belas Artes de Paris. Disse que queria conhecê-la e avaliar mais de perto o seu trabalho. Após este contato, sua carreira como pintora evoluiu como uma avalanche. Larry passou a organizar exposições suas, não só em Lisboa, mas em várias capitais da Europa, como Roma, na galeria que ele havia inaugurado mais recentemente. Agora, com o sucesso de suas telas na Europa, expandia sua arte além-mar, chegando aos Estados Unidos. Aquela exposição em Nova York a deixara extremamente excitada e nervosa. Não só pelo fato de estar expondo sua arte em outro continente, para outro tipo de público, com exigências e gostos diferentes do povo europeu, mas por saber que lá vivia alguém que continuava em seus pensamentos. Certamente ele já a esquecera. Estava convencida que agira certo ao separar-se dele da maneira como fizera. Às vezes chegava aos seus ouvidos e olhos alguma notícia a respeito dele e seu sucesso em filmes românticos ou de ação. Ele merecia tudo isso e muito mais.

A exposição abriu suas portas em torno das 19h30min horas e os convidados e curiosos começaram a chegar. Um coquetel começou a ser servido às 20 horas. O movimento estava sendo como o esperado. Larry apresentava aos amigos do meio cultural nova-iorquino a sua descoberta, Carolina. Depois de dar a atenção solicitada e algumas explicações sobre os motivos de suas pinturas, texturas e cores, ela misturou-se ao público, indo na direção de uma de suas gravuras favoritas. Era um desenho em carvão vegetal, um dos poucos que criara, mas que tinha um grande significado para ela. Era o único que não estava à venda. Mostrava um homem de traços maduros, mas de olhar doce e suave, a contemplar seu espectador fora da tela. Era a expressão que a marcava mais profundamente e que conseguiu transpor para aquela folha de papel. Larry ficara bem impressionado com seu esboço e por isso fizera questão de colocá-lo entre as telas maiores para a exposição.
- Não prefere olhar para o modelo vivo? – perguntou a voz familiarmente rouca e grave, fazendo cócegas em seu ouvido.
Carolina sentiu-se estremecer. Devia estar tendo algum tipo de alucinação ou sonhando acordada diante de seu desenho. Virou-se lentamente, já sentindo aquele perfume que a seduzia um ano atrás.
- Gerry! – exclamou alegremente, tentando manter-se o mais natural possível – Que surpresa boa!
- É boa mesmo? – ele perguntou com um sorriso esmorecido.
- Claro que é... Por que não seria?
Carolina sentia a garganta seca. Ele estava mais bonito e charmoso do que nunca. O tempo parecia ter congelado e ela sentiu todas as emoções passadas ao seu lado voltando como um vento forte e quente.
- Pelo modo como você me deixou na última vez, achei que eu pudesse ter feito alguma coisa errada e ...
- Não... – cortou-o, não permitindo que ele se humilhasse - É claro que não... Você foi perfeito... Até demais... – falou com voz franzina e trêmula – Olhe, acho que aqui não é o local melhor para falarmos dessas coisas...
- Carolina! – a voz de Larry chegou até eles como uma ducha fria – Onde você se meteu, meu bem? Quero apresentá-la para alguns amigos que estão interessados em suas telas – falando assim, pegou-a delicadamente pelo braço e puxou-a na direção de um grupo de pessoas elegantemente vestidas que olhavam um dos quadros maiores – Pode nos dar licença, por favor? – pediu, mal olhando para Gerard.
Carolina tentou objetar, mas foi impedida pelo falatório animado de Larry, que passou a lhe contar animado quem eram os milionários interessados em suas telas. Ela conseguiu lançar um olhar suplicante para Gerry e implorar docemente:
- Você pode me esperar?
Ele apenas assentiu com a cabeça. Ficou olhando para ela, enquanto a via perambular pela galeria acompanhada por Larry, dando atenção a seus convidados. De vez em quando seus olhares se cruzavam.
Finalmente as pessoas começaram a ir embora e as últimas vendas estavam sendo concluídas. A noite tinha sido um sucesso.
- Por que esta ansiedade em que tudo termine logo, Carolina? – perguntou Larry um pouco irritado com a desatenção dela para com sua empolgação.
- Larry, por favor, sei que tudo correu maravilhosamente bem, graças a você, que é o melhor “marchant” que um artista pode querer. Mas preciso falar com alguém, urgentemente, senão vou enlouquecer.
- Vocês, artistas, estão sempre no mundo da lua... É aquele homem com quem você estava falando antes de eu “sequestrá-la”?
- Sim – respondeu, enquanto seus olhos procuravam aflitos por Gerry. Ela o tinha perdido de vista há vários minutos.
- Está bem. Você está liberada. Vá, querida.
- Obrigada, Larry – agradeceu, dando-lhe um beijo no rosto.
Resolveu esperar mais um pouco após a saída de seu descobridor. Talvez ele tivesse saído para tomar um ar e voltasse. As luzes da galeria começaram a ser apagadas. O funcionário responsável veio perguntar se estava à espera de alguém.
- Não... Eu já estou de saída. Desculpe... – respondeu tristonha.
Pegou sua bolsa e dirigiu-se à saída. Os olhos tornaram-se turvos enquanto tentava engolir o choro que insistia em vir à tona. Ficou parada na calçada, olhando a esmo, perdida, pensando em como tinha sido estúpida em Paris. Agora o perdera pela segunda vez. Ao longe, ouviu o som de alguns trovões. Não notara que as nuvens no céu estavam carregadas. Logo, a chuva começou a cair densamente sobre as ruas e transeuntes que tentavam escapar dos grossos pingos de água. Carolina continuava como que paralisada, mal sentindo suas roupas sendo encharcadas. Queria desmanchar-se ali no meio da rua, sumir...
- Está sentindo-se mal ou está tentando o suicídio por afogamento?
- Gerry! – gritou, lançando-se ao seu pescoço e abraçando-o como a uma tábua de salvação.
Quando se recuperou da crise de júbilo por vê-lo, tentou soltar-se dele, mas desta vez um braço possante segurou-a pela cintura, impedindo seu afastamento, enquanto a mão grande erguia o seu queixo, forçando-a a olhar os verdes olhos brilhantes de desejo.
- Desta vez não vou deixar você me escapar – foi a última coisa que ela ouviu a voz rouca dizer antes que seus lábios fossem selados por um beijo intenso e úmido.
O temporal parecia começar a amenizar, mas a tempestuosidade dos carinhos de Carol e Gerry só aumentava.
- Que tal se sairmos do meio da rua e irmos para um lugar seco? – perguntou ele, sorrindo, numa pausa entre os beijos.
- Vou para onde você quiser... – ela anuiu com olhar apaixonado.
Sempre abraçados, conseguiram parar um táxi e foram para o apartamento de Gerry.
Lá chegando, Carol tentou falar.
- Acho que precisamos conversar...
- Vamos deixar esta conversa para depois. Agora só quero matar esta fome que estava de você, que me consome há um ano e que só você pode saciar.
Seus olhos famintos não permitiram que ela falasse mais nada. Sucumbindo ao desejo de tê-lo mais uma vez, deixou-se levar pelas carícias de Gerry. Dedos ansiosos buscavam os botões da camisa social dele, ao mesmo tempo em que ele levantava seu vestido e acariciava-a com volúpia sob a calcinha de renda. Num instante, suas roupas já estavam jogadas pelos tapetes da sala e ele a levava para o seu quarto. Jogada sobre a cama, voltou a sentir o peso do corpo de Gerry mais uma vez. Intenso, viril, rijo e... Apaixonado. Uma paixão que os envolvia como na primeira vez. Em pouco tempo, o ato atingiu seu máximo e ambos puderam relaxar lado a lado, com expressões de felicidade indiscutível.
- Como eu pude deixar você partir daquele jeito, meu amor? – disse ela virando-se sobre o peito dele e acariciando-o – Eu estava com medo, insegura...
- Não precisa falar mais nada, Carol. O importante é que estamos juntos de novo. Este tempo de separação só serviu para me fazer ver que você é a mulher que eu quero pra mim. É você que eu vejo fazendo parte do meu futuro. Não vou permitir que nada nos separe novamente.
- Ah, Gerry... Como é bom ouvir você dizendo isso. Me perdoa por ter fugido de você daquele jeito lá em... – antes que ela pudesse terminar seu pedido de desculpas, ele cobriu seus lábios com a boca sedenta.
Após o beijo, disse:
- Não precisa desculpar-se por mais nada. Só preciso saber se você está certa de que quer ficar comigo, contra toda e qualquer dificuldade que houver.
- Não tenho a menor dúvida sobre isso.
- Carol... Eu te amo...
- Também te amo muito, meu querido...
Mais um beijo apaixonado desencadeou nova torrente de desejo e carícias íntimas, selando as promessas de amor e um futuro compartilhado entre eles dali para frente.


FIM


Pois é, minhas queridas... Infelizmente este pequeno romance chegou ao fim. Mas prometo que o próximo já está a caminho... Em breve.
Beijos!!

terça-feira, 9 de junho de 2009

A Camareira - continuação 2

Ele acercou-se ainda mais dela, olhando-a intensamente, como a enfeitiçá-la. Ele a queria muito e tinha certeza que ela compartilhava dos mesmos sentimentos de desejo. Logo estavam entrelaçados, a beijar-se ardentemente. Carolina cedeu em suas defesas, acreditando que ele estava certo. Eram poucos dias que tinha para ficar com ele. Por que não? Porque não se dar este prazer? Ele era lindo, charmoso, envolvente... Teria uma bela recordação destes momentos depois. Não teria tempo para apaixonar-se tão perdidamente por ele. Por que não aproveitar o ambiente e o momento?
“Chega de ter escrúpulos e analisar tanto a situação”, pensou ela.
Quando conseguiram separar suas bocas e diminuir a intensidade das carícias, ela o convidou:
- Que tal almoçarmos lá em casa? Podemos continuar esta conversa e você vai poder provar a melhor omelete que já comeu na sua vida. Topas?
- Adoro omeletes... – respondeu, Gerry, rindo do jeito de menina de Carol, finalmente cedendo à sua aproximação.
- Então, vamos pegar o metrô... Ou você acha que não é adequado andar neste meio de transporte? Afinal, para quem está acostumado a andar de limusine ...
- Vou adorar andar de metrô – sorriu.
De mãos dadas seguiram a caminho do Quartier Latin, onde ficava o apartamento da amiga de Carol, via subterrâneo.
A viagem acabou sendo divertida. Gerard aproveitou ao máximo o fato de não ser reconhecido por ninguém, como uma pessoa comum novamente. Carolina o olhava sorrindo, e pensando em como o desejava. Talvez não passasse disso mesmo. Desejo. Assim que estivessem saciados, cada um iria para o seu lado e... "c’est fini". Sem problemas ou crises existenciais. Ambos eram adultos e desejáveis. Por que não?
Chegaram ao apartamento.
- Sinta-se à vontade – falou, apontando para o grande sofá da sala de estar – Vou para a cozinha preparar o nosso almoço.
Antes que ela pudesse seguir sua intenção, ele a segurou pelos braços e a colou contra seu corpo, mantendo-a presa num abraço.
- Por que a pressa? Eu não estou com tanta fome assim.
Antes que ele a beijasse, ela o empurrou de leve para trás, fazendo-o afrouxar os braços.
- Vamos com calma. Eu o convidei para o almoço... – disse com expressão brejeira – Acho que temos de conversar mais. Você já sabe quase tudo sobre mim e eu não sei nada de você. Quem sabe você me conta tudo enquanto esperamos a fome chegar, aqui nesta sala, sentadinhos no sofá?
Ele resolveu entrar no jogo dela, mantendo distância, até que ela se sentisse mais à vontade com ele.
Sentaram-se. Ela tentou sentar distante, mas ele ficou ao seu lado, evitando a poltrona que Carol havia lhe indicado. Ela não pode deixar de achar graça no olhar de menino arteiro de Gerry.
- Acho que a minha vida está disponível na internet. É só acessar.
- Ah... Eu não gosto de computadores. Quem sabe se você me conta o que a internet não sabe...
- Bem ... Vejamos... – disse com expressão falsamente séria - A internet não sabe que estou no Quartier Latin, quase pronto para experimentar uma deliciosa omelete, feita especialmente por uma linda portuguesa, pela qual estou imensamente interessado – falou, agora sorrindo, envolvendo Carol com seu braço direito sobre os ombros e puxando-a contra si.
- Acho que vou para a cozinha fazer o nosso almoço. Espero que não se decepcione... – falou, desvencilhando-se daquele abraço, sorridente e já tentando levantar-se do sofá.
Quando pensou que conseguiria esfriá-lo, sentiu-se agarrada pelos quadris e puxada para trás, caindo sentada sobre as coxas de Gerry.
- Eu ainda não estou com fome... Que tal continuarmos a nos conhecer melhor? – cochichou roucamente, roçando os lábios na orelha esquerda de Carolina, que imediatamente arrepiou-se toda ao sentir aquele contato. Ele percebeu o seu estremecimento e sorriu satisfeito.
- Eu não tenho computador em casa para poder conhecê-lo melhor... – sua voz já tinha dificuldade em sair.
- O que eu quero que você conheça não está lá...
O desejo incendiou-se em Carol. Ela passou seus braços em torno do pescoço de Gerry e buscou a boca que já a esperava ansiosamente. Esqueceram-se de tudo, deixando o jogo de palavras para trás e entregando-se à paixão evidente. Com mão ágeis, logo estavam ambos sem roupas, amando-se sobre o grande e confortável sofá. Gerry era extremamente habilidoso em fazê-la sentir prazer. Seus dedos manipulavam seu sexo, enquanto a boca e a língua passeavam por seu pescoço, seus seios e abdômen, enlouquecendo-a. Por sua vez, ela o arranhava costas e braços, fazendo-o gemer. Agora, ela o desejava por inteiro. Só pensava em possuir e ser possuída por aquele homem. Jamais experimentara tamanho prazer no ato.
Ao perceber que ela já estava pronta para recebê-lo, Gerry introduziu seu membro rijo, provocando um grito de regozijo em Carol. Com calma e movimentos ondulantes começou sua posse. Aos poucos foi tornando-se mais vigoroso, sentindo que logo alcançaria o êxtase. Carol já gemia alto quando ouviu o grito de Gerry a ecoar pela sala, em meio ao ritmo frenético de vai-e-vem dentro dela.
Aos poucos entregaram-se àquela sensação gostosa após o gozo, atirados um nos braços do outro. Refeitos e satisfeitos, pelo menos naquele momento, Carol brincou:
- E agora... Está com fome?
Ele gargalhou. Um riso gostoso e confortante.
- Não sei... Talvez um pouco mais de “exercício” seja necessário – sorriu matreiro – já começando a percorrer o corpo de Carol com a pontas de seus dedos, excitando-a novamente.
- Talvez você tenha razão...Um “exercício” a mais pode fazer bem...
E mais uma vez amaram-se.
Já eram 15 horas quando decidiram que a fome finalmente chegara e que a omelete era necessária.
Carol levantou-se, vestiu apenas suas roupas íntimas e, depois de dar um beijo em Gerry, seguiu em direção à cozinha.
Enquanto preparava sua especialidade, sentiu aqueles braços fortes envolvendo-a e provocando-lhe uma sensação maravilhosa de conforto e intimidade que nunca tivera nem com Leon. Sentiu um pouco de medo dos sentimentos que a invadiam.
- Se você ficar me pegando assim, eu não garanto a qualidade da omelete – gracejou, experimentando uma felicidade ignorada até então.
- Está bem. Pelo bem do nosso almoço eu me afasto – e imediatamente a soltou – Posso pegar um pouco de água?
Ela percebeu que ele continuava completamente nu e quase deixa cair no chão a espátula que segurava.
- Os copos estão aqui – disse atrapalhada, apontando para o armário aéreo sobre o balcão de mármore – e a água está numa jarra dentro da geladeira.
Ele continuava o seu passeio despido entre os móveis da cozinha, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
-Você quer um pouco também? – ele perguntou, assim que achou os copos.
- Q-quero sim. Por favor...
Ele parecia estar fazendo aquilo de propósito só para tentá-la. Ela sempre fora um pouco envergonhada com as questões de exibir o corpo, apesar de não ter motivos para não gostar do seu. Talvez a educação em colégio de freiras e o fato de não ter tido a mãe sempre ao seu lado, já que esta falecera quando ela era pequena.
- Tome – disse ele, oferecendo-lhe o copo com água e percebendo as faces de Carol ruborizadas – O que houve? – perguntou carinhoso.
- Nada... É que não estou acostumada a ver homens pelados na cozinha enquanto faço as minhas omeletes.
Ele deu novamente aquela gargalhada sonora e envolvente. Aproximou-se dela e deu-lhe um beijo um beijo na bochecha.
- Então é bom acostumar-se, pois eu adoro andar pelado dentro de casa.
De repente ela ficou triste, pensando que não teriam tempo suficiente para que ela se acostumasse à sua presença naqueles trajes dentro do apartamento.
Ele percebeu o que tinha provocado nela e a abraçou novamente, por trás, confortando-a, mas sem dizer palavra alguma.
Não tocaram mais em assuntos que envolvessem uma possível continuidade de seu relacionamento. O domingo prolongou-se prazerosamente, terminando com um jantar romântico e um passeio às margens do Sena de mãos dadas. Como Gerry tinha um compromisso cedo no dia seguinte, deixou Carol em sua casa e foi dormir no hotel.
Depois deste primeiro encontro íntimo, passaram a encontrar-se diariamente, tentando aproveitar ao máximo o tempo que dispunham antes da viagem de Gerry para Los Angeles. Carol continuava com seu trabalho de camareira, evitando encontrá-lo no hotel, e suas aulas de arte, enquanto Gerry cumpria sua agenda de compromissos sociais. Encontravam-se à tarde, se houvesse alguma brecha, e reservavam a noite para ficarem juntos no apartamento de Carol. Seus encontros continuavam intensos e apaixonados. Tentavam evitar pensar no futuro, mas ambos já sofriam intimamente com a separação que se aproximava.
Na sexta, aconteceria uma grande festa vip da grife italiana Fendi. Gerry convidou Carol para ser sua companheira no evento, ao qual ele não poderia faltar. A princípio ela ficou na dúvida, mas acabou aceitando, tendo em vista que aquela seria sua última noite juntos, pois ele partiria na noite seguinte. Buscou no guarda roupa de sua amiga um traje adequado para a festa. Achou um elegante vestido azul, longo, acinturado, com um lindo drapeado sobre o busto e uma saia com um lindo e leve caimento.
Gerry chegou no horário combinado para buscá-la. Haviam concordado que não falariam sobre o dia seguinte. Fariam daquela uma noite muito especial.
Ele estava elegantíssimo em um terno escuro Armani, camisa branca e gravata azul, do mesmo tom do vestido de Carol, por pura coincidência.
- Você está linda, Carol. Vou ficar com ciúmes quando todos ficarem olhando para você... Acho que vamos ficar em casa – exclamou, admirado e sorridente,olhando para sua companheira.
- Quem está de tirar o fôlego é você. Não vou suportar ver todas aquelas peruas dando em cima do meu parceiro.
- Só vou ter olhos para você, minha princesa.
- Gerry... E se alguém estiver hospedado no hotel e me reconhecer? Vou morrer de vergonha.
- Claro que ninguém vai reconhecê-la. Não lembra sua teoria quando conversamos pela primeira vez. Estava certa. Ninguém presta muita atenção num funcionário de hotel. No máximo podem ficar, como eu fiquei, achando que a conhecem de algum outro lugar.
Ficou olhando para ela encantado e sem dizer mais palavras. Após alguns segundos de observação, Carol disse sorrindo:
- O que foi? Desistiu mesmo de sair?
- Quase... É que estou louco de vontade de lhe beijar, mas acho que vou estragar a sua maquiagem. Aí seremos obrigados a ficar aqui.
- Não se preocupe... Eu posso retocar o batom depois... – disse, enquanto envolvia o pescoço dele com suas mãos, aproximando-o de seus lábios – Também estou louca para te beijar – sussurrou, antes de cumprir a “ameaça”.
Depois de refazer praticamente toda a maquiagem depois dos vários beijos que se prolongaram por vários minutos, Carolina e Gerard saíram de casa e foram diretamente para a festa onde Karl Lagerfeld estaria de anfitrião.
Há muito tempo Carol não participava de uma festa assim. Desde que abandonara sua vida de dondoca da alta sociedade. Gostou de experimentar novamente o gosto da movimentação, do desfile de vaidades, olhares e fuxicos que dançavam pelo ar. Não que isso a atraísse como antes. Agora só achava tudo muito curioso. Na verdade gostaria de estar à sós com Gerry. Notou que ele flanava com elegância pelo ambiente, cumprimentando e sorrindo para todos. Ele era extremamente simpático. Achou que ele devia gostar da exposição, até que ele segredou em seu ouvido, como se tivesse lido seus pensamentos:
- Começo a achar que deveríamos ter ficado em casa. Participar de festas deste tipo só para fim de marketing mesmo.
- Na sua profissão isto é necessário, não? – cochichou, sentindo-se aliviada por ele estar pensando da mesma maneira que ela.
- Infelizmente – respondeu, colocando mais um sorriso sedutor nos lábios ao ver Donatela Versace aproximar-se.
- Olá, belo! Como está? – perguntou a ele, mas com o olhar a devorar a figura de Carol – E quem é esta beldade? Não a conheço das passarelas, mas vejo que tem muito bom gosto, tanto para vestidos como para homens. Como é seu nome, caríssima?
- Carolina – respondeu, tentando não fazer uma cara de espanto diante da plástica terrível a que a mulher a sua frente havia se submetido. Quem teria sido o açougueiro que conseguira fazer aquilo com a pobre coitada?
- Lindo nome! Gostando da festa?
- Muito – respondeu Gerry, tentando ser gentil.
- Depois temos que teminar a nossa conversa do outro dia, caro mio. Tenho um convite a fazer e tem que ser antes da sua volta à América. Você poderia vir ao meu escritório amanhã pela manhã?
- Posso sim. Meu retorno está marcado para a noite, às 20 horas.
- Ótimo! Então venha às 11 horas ao meu encontro. Vou deixar avisado com o meu secretário. Vou deixá-los agora. Aproveitem a noite, meus caros. Aproveite bem ele, caríssima – terminou por dizer, dando uma piscadela com olho e um sorriso meio torto na boca de lábios exageradamente preenchidos.
- Pode deixar – Carol assentiu com outra piscadela de olho.
Pensou: “Até que ela é simpática... Às vezes as aparências enganam... Ou a plástica...” Tentava não pensar nas palavras de Gerry ao falar do horário de sua partida no dia seguinte. Tinha medo de começar a chorar. Ela não tinha ficado com ódio dele, como ele imaginara no dia em que se entenderam no Jardin des Tuleries. Aqueles últimos dias tinham sido maravilhosos e só a fizeram gostar ainda mais dele.
- Vamos dançar, querida? – ouviu aquela voz máscula e sensual fazer cócegas em seu ouvido e sorriu. A pista de dança fora aberta para os convidados lançarem-se ao som da música do DJ mais famoso da cidade.
- Vamos sim... – confirmou, dizendo para si mesma que ia aproveitar com Gerry até o último minuto antes da despedida final.
Dançaram muito, até que, cansados e ansiosos para terminar a noite no apartamento de Carolina, seguiram para lá em torno de uma hora da manhã.
- Gostou da festa?
- Gostei, mais do que eu imaginara que gostaria.
- Que bom. Está convidada para as próximas – ao dizer isto, arrependeu-se, por notar a tristeza assumir lugar na face de Carol e lembrar que ele rompera o trato deles ao falar de coisas além do limite dos últimos cinco dias – Desculpe, eu não queria ter falado isto, mas é o que sinto e o que gostaria que acontecesse.
- Melhor não falarmos mais sobre isso, Gerry. Sabemos que isso é praticamente impossível. A partir de amanhã cada um vai seguir sua vida e...
- seus olhos ficaram marejados de lágrimas.
- Por que você tem que ser tão radical? – exclamou ligeiramente irritado, amenizando o tom de voz quando percebeu que ela estava começando a chorar - Nós podemos dar um jeito nisso...
- Prefiro não ter esperanças. Quero ficar com você nas minhas melhores lembranças a fazer planos para um futuro que pode não acontecer.
- Está bem, meu anjo. Você é que sabe. Não quero estragar nossa última noite com discussões que não levam a nada. Eu entendo o seu medo.
Prosseguiram em silêncio até o apartamento. Lá chegando, antes de ultrapassar a porta, pegou-a no colo, roubando-lhe um grito de surpresa e uma gargalhada quase infantil.
- Gerry, o que está fazendo, seu louco? – sem conseguir parar de rir.
- Tentando fazê-la feliz...
Assim que atravessou do corredor do prédio para o interior do apartamento, fechou a porta com um dos pés e levou-a para o quarto. Deitou-a delicadamente na cama e, após fitá-la por alguns segundos, começou a tirar o paletó, a gravata e por fim a camisa branca social. Debruçou-se sobre ela, que estava como que paralisada sobre o leito a admirar as belas formas masculinas de seu amado. Com as mãos, ele buscou o fecho de seu vestido em suas costas, enquanto a boca beijava e mordiscava de leve o seu pescoço.
- Gerry...- ela murmurava, sentindo o desejo aumentar lentamente, proporcionalmente aos carinhos dele.
Logo, ele foi baixando as alças do vestido azul e deixando os seios de Carol à vista, o que provocou uma interjeição suspirosa de sua parte. Ele não cansava de admirar toda aquela beleza. Sua pele clara e delicada, seus cabelos castanhos escuros que caíam despretensiosamente sobre seu colo, os seios arredondados e feitos na medida certa para suas mãos... A cintura fina e o ventre ligeiramente roliço que ele adorava beijar, levando-o ao monte de Vênus, aquela pequena elevação, sob a qual ela o aguardava latente e úmida... As coxas e pernas bem torneadas, que sabiam como envolvê-lo e prendê-lo como nenhuma outra.
- Você me deixa doido, Carol – disse com voz enrouquecida, antes de lançar-se sobre ela para beijá-la com ardor.
Terminou por tirar o vestido e as roupas íntimas de Carol, beijando-a por inteiro, enquanto ela estremecia de prazer em seus braços, sentindo as mãos gananciosas de Gerry passeando por seu corpo. Ao sentir o desejo de Gerry tomar forma sobre suas coxas, forçou-o a deitar-se de costas, invertendo suas posições. Queria poder ver aquele corpo magnífico clamar por ela. Extasiada diante daquela visão, pôs-se a percorrer com os olhos e mãos espalmadas o seu tórax amplo e viril, os braços fortes que buscavam por ela, o abdômen de músculos rijos... Chegando ao membro ereto, que tanto prazer lhe proporcionava, não pode resistir e o acariciou, beijando-o e lambendo-o suavemente, arrancando mais gemidos de Gerry.
Ambos já não podiam mais esperar para a finalização daquele ato. Foi quando Carol sentou-se sobre a virilha de Gerry, colocando-o para dentro de si e iniciando uma dança sensual de idas e vindas sobre ele. Ele segurava sua cintura com ambas as mãos, ajudando-a em seus movimentos cíclicos, e jogava seu quadril contra o dela cada vez mais veementemente. Tão logo alcançaram o clímax, Carol caiu relaxadamente sobre o peito de Gerry, podendo ainda ouvir o coração agitado e a respiração cansada dele. Estavam mais uma vez no paraíso. Ele a rolou delicadamente para o seu lado e a abraçou com carinho. Começava a sofrer também com a separação iminente. Ainda amaram-se muito madrugada adentro, até que dormiram abraçados, exaustos.

Amanhã vocês terão a parte final deste romance. Estão gostando? Será que eles vão ficar juntos? Ainda não tenho ceteza, pois não escrevi o final ainda...rsrsrs.
Obrigada para todas vocês que têm deixado seus comentários aqui ( e também para quem não conseguiu colocar, mas me mandou seu recado para o meu email... ) Beijos!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

A Camareira - continuação

Carolina não saía da sua cabeça. Não a viu no dia seguinte no hotel. Não quis perguntar por ela para não prejudicá-la. À tarde, enquanto se dirigia para um compromisso com Donatela Versace, a viu sentada diante de um cavalete na frente de La Madeleine. Pediu que o motorista parasse o carro e foi falar com ela. Aproximou-se sem que ela percebesse. Parecia estar muito concentrada em seu trabalho.
- Você me surpreende cada vez mais. É pintora também?
Assustada por ter sido tirada de sua distração por aquela voz conhecida tão repentinamente, virou-se para confirmar o seu interlocutor. Abriu um sorriso encantador.
- O que você está fazendo por aqui?
- Tentando desvendar os seus mistérios.
- Mistérios? Eu? – começou a gargalhar e voltou a atenção para a tela.
Ele ficou em silêncio, observando-a pintar, até que não resistiu e falou:
- Quero encontrar com você hoje.
- Nós já estamos nos encontrando agora.
- Quero dizer, quero sair para jantar com você, hoje à noite. Adoraria ficar conversando agora, mas tenho um compromisso inadiável neste momento – disse olhando para o relógio de pulso.
- Não sei se vou poder. Acho que já tenho um compromisso – disse sorrindo disfarçadamente.
- Se você não aceitar, vou ser obrigado a pedir o seu endereço no hotel e procurá-la em sua casa até você se dignar a me dar atenção.
Aí, ela pareceu ficar irritada com aquela insistência e disse, olhando-o firmemente:
- Afinal, o que você quer comigo? Você está agindo assim porque eu não caí aos seus pés como as outras? O que um homem como você quer com uma camareira? Melhor me deixar em paz e procurar alguém do seu meio – ela vociferou em voz baixa.
- Eu apenas quero conhecer você. É pedir muito? Por que sente tanta aversão por mim? – sua voz era quase de súplica, bem como seu olhar.
Não podia acreditar que ele ainda quisesse ter alguma conversa com ela depois do que ela havia dito. Ao vê-lo praticamente suplicando por um encontro, foi obrigada a baixar a guarda e considerar seu pedido.
- Não. Não tenho aversão alguma a você – pensou um pouco e assentiu – Está bem. Que tal amanhã, à noite? Hoje realmente eu já tinha combinado uma saída com alguns amigos.
- Onde eu a encontro?
- Na frente do hotel, na Place Vendôme, às 20 horas, junto ao obelisco.
- Excelente! Até amanhã, então.
Satisfeito com a combinação, após uma troca de olhares e tímidos sorrisos, despediram-se.
Ele correu para o seu compromisso, para o qual já estava atrasadíssimo, e ela voltou a olhar para a sua pintura em andamento. Até o final do dia não conseguiu pintar mais nada, pois se perdeu em questionamentos a respeito do compromisso marcado com Gerard. Talvez não devesse ter combinado nenhum jantar. Eles não tinham nada em comum. Não podia negar que ele a atraía muito. Por isso mesmo tinha muito medo de não conseguir resistir a ele. Não queria machucar-se de novo. Há dois anos havia se apaixonado por um ator de teatro que saía com o seu grupo de amigos. Foram seis meses de grande paixão, até que um dia ela o pegou com uma colega do teatro. Teve vontade de morrer. Entrou em depressão, da qual só conseguiu sair após muitas conversas com seu analista. Desde então só mantivera relacionamentos curtos e sem maior importância. Tinha muito medo de apaixonar-se novamente. E agora, este homem surgia inesperadamente. Também ator e tremendamente cativante. Talvez fosse melhor cancelar o encontro ou simplesmente não aparecer. Ele provavelmente não ficaria muito mais tempo na cidade. Seus compromissos acabariam e ele voltaria para Hollywood, esquecendo-a num piscar de olhos. Talvez fosse melhor assim...

Gerry chegou ao obelisco pouco antes do horário combinado, andando por ali até quase 21h30min. Seus sentimentos variaram desde a ansiedade, passando por uma irritação crescente até a raiva por ter sido feito de bobo, mais uma vez.
“Isto não vai ficar assim. Ela vai ter que me explicar os seus motivos para me tratar desta maneira ridícula”, pensava ele.
Voltou à recepção do hotel, pediu algumas informações sobre o horário do serviço de quarto e fez uma solicitação.
Naquela manhã, esperou que seu pedido fosse atendido e ficou esperando a chegada de Carolina para fazer a limpeza de sua suíte, deixando o aviso solicitando arrumação pendurado no trinco da porta. Qual não foi sua surpresa quando outra camareira entrou, sendo surpreendida por ele.
- Eu havia pedido por outra pessoa para arrumar meu quarto.
- Perdão, senhor, mas a menina sentiu-se mal e pediu-me que a substituísse.
- Onde está ela?
- Deve estar saindo do hotel. Ela pediu para sair mais cedo, devido à sua indisposição.
Ele podia imaginar qual era o motivo desta “indisposição”. Correu para os elevadores e desceu até o subsolo. Havia sido informado que a saída dos funcionários era feita por uma passagem na garagem do hotel. Chegando lá, viu a sua camareira “indisposta” despedindo-se de alguém e caminhando em direção à saída, que ficava logo após alguns carros estacionados.
Ele correu até ela e, quando estava bem próximo, a chamou:
- Carolina!
Ela virou-se e, ao reconhecê-lo, tentou fugir. Mas ele foi mais rápido e alcançou-a, segurando-a pelo braço, puxando-a e encurralando-a entre um dos carros estacionados e ele.
- Agora você vai me explicar o que está acontecendo. Não gosto de fazer papel de bobo.
A expressão dele deixou-a assustada. Ela ainda tentou escapar daqueles braços poderosos, sem conseguir.
- Me largue... Por favor.
- Só se você concordar em falar comigo – falou um pouco mais calmo.
- O que há com você? Por que não desiste. Já não percebeu que não quero nada com você?
Ele pareceu ter levado um balde de água gelada no rosto ao ouvir aquelas palavras.
Afrouxou o laço em torno dos braços de Carolina e, cabisbaixo, com expressão cansada, disse:
- É... Você tem razão. Sou um estúpido mesmo. Já devia ter percebido isso... – Soltou-a e voltou a falar – Sinto muito. Não vou mais incomodá-la.
Ao vê-lo tão derrotado e tristonho, não conseguiu resistir:
- Gerard – chamou-o, tocando em seu braço – Espere...
Ele continuou andando na direção dos elevadores, sem olhar para ela.
- Espere, por favor!... Está bem! Não é verdade que não quero nada com você. Eu confesso que estou com medo de você.
Ele parou subitamente, ainda sem olhá-la.
- Por favor...? – suplicou – Você tem razão. Precisamos conversar...
Ele finalmente virou-se e a encarou.
- Medo? Medo de mim? Por quê?
Vendo-o assim totalmente desarmado e com olhar de menino machucado, não resistiu à tentação de fazer-lhe um afago no rosto.
- É que sou meio doida... Vamos conversar?
Ele pegou sua mão e a beijou. Este carinho acendeu o desejo de ambos e o abraço e o beijo que se seguiram foram inevitáveis. Ele a puxou contra seu corpo.
- Se você queria me deixar louco, conseguiu.
Colou sua boca nos lábios de Carolina, beijando-a com intensidade, rompendo-lhe as últimas defesas.
De repente ouviram uma voz rompendo o silêncio do local e a sua troca de carinhos.
- Quem está aí? – perguntou o vigia do dia.
- Oi, Pierre! Sou eu, Carolina. Encontrei um amigo. Já estamos de saída.
- Amigo, é? Se o gerente te pega, você sabe o que acontece, não? Ainda bem que sou seu amigo. Melhor sair logo daqui.
- Obrigada, Pierre. Até amanhã.
- Até!
Saíram do estacionamento, seguindo pela rampa reservada aos pedestres, ainda meio sem jeito.
- Que tal se caminhássemos um pouco até o Jardin des Tuileries?
Ele não respondeu. Apenas a seguia de perto, com medo que ela lhe escapasse de novo. Carolina seguia envergonhada pelo que tinha feito na noite passada e pela forma como o tratara minutos antes. Como explicaria à ele o que a levara a fazer aquilo
Parecendo ler seus pensamentos, Gerard quebrou o silêncio, sugerindo:
- Primeiro quero saber o que aconteceu ontem. Por que você não apareceu ao nosso encontro? E que medo é este que você falou? Não entendo...
- Gerard, depois de combinar aquele jantar com você, comecei a pensar se valeria à pena conhecê-lo melhor... Quero dizer... Fiquei com medo de gostar mais de você do que devia. Pronto! Falei.
- E qual seria o problema de gostar de mim?
- Você tem a sua vida lá nos Estados Unidos, está num meio glamoroso, cercado de atrizes e modelos lindas. Que futuro eu teria junto a você? Nenhum. Então, para que começar algo que já está fadado a terminar?
- Você não quer nem ser minha amiga? – perguntou com um olhar maroto, enquanto continuavam andando lado a lado.
- Acho que depois daquelas demonstrações na garagem, nem eu nem você estamos com intenções apenas de amizade. Você não acha?
Ele não pode deixar de sorrir.
- Bom, “depois daquelas demonstrações na garagem” não temos mais como negar que estamos a fim um do outro. Se vai ser um relacionamento duradouro ou não, isto já é outra história.
Ela finalmente conseguiu olhar nos olhos dele e sentiu perder o chão sob seus pés. Ela nunca pensou que pudesse se apaixonar novamente... E agora...
Sentiu um calor gostoso quando ele pegou sua mão e pressionou-a carinhosamente.
- Que tal você me falar um pouco mais da sua vida? Estou curioso sobre as três Carolinas que conheci.
- Três? Como assim? – perguntou surpresa.
- A camareira, a mulher elegante que vai a desfiles da Versace e a artista que pinta telas ao ar livre.
- Ah! Isso. Tem certeza que tem tempo para ouvir uma longa história?
- Tenho a tarde inteira... – disse isso, olhou em frente e fez um ar complacente.
Ela finalmente sorriu. Resolvida a deixar-se levar por aquele homem e não pensar mais nas consequências disso, dispôs-se a contar sobre sua vida.
- Como já deve ter notado pelo meu sotaque, sou portuguesa. Estou fazendo o último ano da Faculdade de Artes Plásticas em Lisboa. Soube que haveria um curso de aperfeiçoamento de técnicas de pintura, com duração de três meses, aqui em Paris, e resolvi me inscrever. Meu pai pagou pelo curso, mas eu queria poder ficar independente economicamente dele no restante do tempo. Por isso juntei algumas economias e pedi emprestado o apartamento de uma amiga que está de férias fora daqui. As roupas que você me viu vestindo no desfile eram dela. Roupas como aquelas não caberiam na mochila que me acompanhou na viagem de trem até aqui. Meu pai é um empresário do setor de construções e mercado imobiliário em Portugal. Quando resolvi estudar artes plásticas, ele foi meu maior incentivador. Eu sempre tive tudo que quis. Até que eu conheci o Leon...
“Ele frequentava a mesma roda de amigos da alta sociedade lisboense que eu. Leon era um jovem ator de teatro em franca ascensão. No dia em que fomos apresentados senti o que deveria ser um amor à primeira vista. Achei que não poderia mais viver sem ele. Durante seis meses me senti no paraíso, até que... – surpreendentemente não veio a vontade de chorar que sempre aparecia quando falava sobre suas descobertas sobre Leon – Até que descobri quem ele era de verdade. Um oportunista, narcisista e mulherengo inveterado. Descobri isto da pior maneira possível. Ele tinha estreado uma nova peça no teatro e resolvi fazer-lhe uma surpresa. Ele pensava que eu estava na faculdade naquela noite. Assim que encerrou-se o último ato, fui até os camarins para encontrá-lo e dar-lhe os parabéns por mais um sucesso. Quando abri a porta, o encontrei agarrado com a atriz principal, aos beijos. Quando ele percebeu a minha presença, apenas lançou-me um sorriso sarcástico e disse:
- Ora,ora...Você aqui, minha bela? Não tinha aula hoje à noite?
Eu não conseguia encontrar as palavras para demonstrar toda a minha decepção e raiva diante daqueles dois, que me encaravam como se nada houvesse acontecido.
- Nós estávamos fazendo um pequeno ensaio, não é mesmo, Dinah?
Ela apenas me olhou. Um olhar de comiseração, como se eu fosse uma idiota qualquer.
- Querido, vou ao meu camarim para tirar a maquiagem. Depois falo com você. Acho que vocês têm de conversar – deu-lhe um beijo na face e saiu altiva, passando por mim como se eu fosse nada.
Tive vontade de bater nela e dizer-lhe os maiores impropérios, mas estava guardando minhas forças para Leon.
- Então? Que surpresa foi esta? – disse aproximando-se de mim e fazendo menção de beijar-me. Eu o repeli e olhei dentro de seus olhos, a procurar onde estava a vergonha dele.
- Gostou da peça?
Estava impressionada com o cinismo daquele homem que eu achava conhecer.
- Você não tem nada para me dizer sobre a cena que acabei de ver? – perguntei, tentando segurar o choro.
- Mas já lhe falei. Estávamos ensaiando – respondeu com o mesmo sorriso de antes.
Aproximei-me dele e desferi um tapa em seu rosto, com toda a força que consegui arranjar.
Mal recuperado do susto, pois nunca pensou que eu pudesse fazer uma coisa como aquela, seus olhos semicerraram-se e me olharam com desprezo.
- Quem você pensa que é para chegar aqui desta maneira e bater em meu rosto, sua garota mimada!
- Eu pensei que você me amava – minha voz era quase inaudível.
- Carol, você é muito ingênua. Amor é uma coisa que só existe nas peças de teatro, nos romances e no cinema. Você é uma graça de pessoa, linda e desejável, mas daí a me apaixonar... Sinto muito que você tenha pensado errado em relação aos meus sentimentos. Mas tenho certeza que seu pai vai ressarci-la por este triste acontecimento. Talvez uma viagem ou um vestido novo?
Eu não conseguia acreditar no que ouvia.
- Você me acha tão fútil assim?
- Fútil eu não diria, mas inexperiente, fechada numa redoma de vidro e pensando que o mundo está os seus pés. Você tem muito que aprender. Não vou dizer que não gosto de você. Foi um ótimo passatempo tê-la em meus braços durante estes últimos meses. Acho que poderíamos ficar mais tempo juntos, se você quiser. Mas quero estar livre para me encontrar com outras amigas. Você sabe como somos nós os artistas. Não podemos nos sentir engaiolados.
Onde estava o Leon que ela conhecera antes? Não conseguia acreditar que se enganara tanto com ele. Talvez ele tivesse razão sobre a redoma de vidro. Talvez ela tivesse servido como barreira para não deixá-la ver a realidade a sua frente.
Não queria que ele me visse chorar por sua causa. Por isso me virei e saí correndo de lá. Não conseguia falar mais nada. Estava desesperada demais para poder reagir àquela situação. Leon tinha conseguido a sua melhor atuação fingindo-se de apaixonado por mim. E eu tinha sido a sua platéia mais crédula.”
Depois desta noite, tive que fazer algumas visitas a um psiquiatra para poder superar a minha desilusão. Enfim... Acabei chegando à conclusão de que tudo isto tinha sido benéfico. Eu abri os olhos para uma realidade até então desconhecida. Eu podia vislumbrar o mundo muito além dos muros daquela vidinha de socialite que tinha antes. Jurei que nunca mais me deixaria levar pela paixão. Também comecei a tentar conquistar minha independência. Comecei a trabalhar nas horas vagas, muitas vezes em empregos subalternos, como este em que você me encontrou, para desespero de meu pai. Parei de frequentar as rodinhas sociais. Poucos amigos sobraram daquela época. Já fazem quase dois anos que tudo aconteceu. Também tive poucos relacionamentos neste período. Namoricos sem importância. Agora, você aparece assim, de repente, numa hora em que estou me sentindo quase independente, e revira o meu mundo de pernas para o ar.
- Eu não sabia que eu tinha provocado tal confusão em você...
- Não era para saber mesmo. Agora a boca grande aqui falou tudo que não devia. Mas não precisa se sentir dono da situação porque eu não vou permitir.
- É? E o que você vai fazer a respeito? - ele perguntou zombeteiro.
- Nós vamos parar por aqui e fazer de conta que nada está acontecendo. Você vai voltar para a sua vida de estrelato e eu vou terminar o meu curso e voltar para Lisboa. Cada um continua com sua vida normal, sem turbulências de percurso.
Ele permaneceu olhando para ela, achando graça da forma simplória como ela tinha resolvido abafar seus sentimentos.
- É isso, então?
Eles haviam chegado ao Jardim, próximo ao Museu do Louvre. Carolina não conseguia olhá-lo nos olhos por medo de fraquejar.
- Vamos sentar aqui – pediu ele, indicando um dos bancos do lugar, sob um imenso plátano.
Sentaram-se e ficaram olhando a sua frente.
- Isso aqui é lindo, não? - continuou ele.
- É... Eu amo Paris – respondeu ela, lançando um olhar contemplativo sobre as belezas que os cercavam.
- Carol, por que você não relaxa um pouco e aproveita só o momento? Agora sabemos que o sentimento de atração é recíproco. Que tal nos dar uma chance para nos conhecermos melhor? O que vai acontecer depois... É depois – disse, aproximando-se um pouco mais dela – Estamos em Paris, conhecida como uma cidade cheia de romantismo. Por que não aproveitar este clima? Ainda vou ficar aqui por mais cinco dias. Pode ser que depois destes dias você me odeie...
Ela podia sentir o calor do corpo de Gerard. Olhou para ele e deparou-se com aquele olhar meigo, da cor do mar, e sussurrou:
- O pior é que duvido muito disso...




Prometo que continuo amanhã...rsrsrs...Beijinhos!

domingo, 7 de junho de 2009

VOLTEI!!

Não pensem que esqueci deste blog. Não. Jamais! Posso demorar um pouquinho a postar, mas, como já disse antes, mulher que trabalha fora, tem marido e filhos pequenos ou "aborrecentes" como eu, encontra uma certa dificuldade em manter uma vida paralela como aspirante a escritora. A gente faz o que dá. Mas, hoje pretendo colocar aqui a primeira parte de um novo conto. Inédito para quem já está cansada de reler minhas estórias antigas. Não vou me prolongar muito mais. Este romance foi inspirado no sonho de uma grande amiga portuguesa, que o contou e o colocou à disposição de quem estivesse interessada em torná-lo uma estória mais longa e substanciosa. Assim, a amiga aqui o fêz. Espero que ela e tooooodos os leitores deste blog apreciem.



A Camareira

“Como esta gente é desleixada... Só porque estão num hotel deixam tudo jogado no chão. Até lixo! Será que em casa também fazem isso? Fazem a maior bagunça e a gente tem que penar para limpar tudo. Que horror! Ainda bem que é um emprego provisório e de meio turno. Não posso reclamar. Este dinheiro veio bem a calhar...”
E assim, perdida em seus pensamentos, Carolina terminava a limpeza da suíte 505 daquele famoso hotel em Paris.
Ela saíra de Lisboa há cerca de um mês, apenas com uma mochila, poucas roupas e muitos sonhos, para tentar aproveitar ao máximo suas férias e o curso de pintura no qual conseguira uma vaga na capital francesa. Como o dinheiro que economizara para este fim acabara o jeito foi conseguir este emprego provisório como camareira. O curso já estava pago, pois fora financiado por seu pai, que era seu maior incentivador. Mas precisava comprar material para realizar o seu trabalho e... comer. Estava quase acabando sua faculdade de Artes Plásticas em Lisboa e já pensava em conseguir um patrocínio para uma exposição de seus quadros. O curso em Paris estava sendo muito interessante, pois modificara algumas noções que ela tinha de traços e cores. Ansiava por sua independência financeira. Esta experiência longe das asas de seu pai estava sendo extremamente gratificante... Tirando a parte ruim de seu atual emprego.
- Uggghh ! – exclamou ao entrar no banheiro da suíte.
Nesta época do ano, estavam acontecendo alguns eventos na cidade. Entre eles, uma fashion week. Por isso conseguira mais fácil este trabalho. Com os hotéis lotados, a necessidade de mão - de - obra aumentava. Daí a facilidade para conseguir o seu ganha-pão interino. O salário não era nenhuma maravilha, mas ela não era uma pessoa de grandes gastos.
Naquele dia, saía cansada de sua manhã de trabalho, quando notou a movimentação de fotógrafos e jornalistas diante da entrada principal do Ritz, na Place Vendôme.
Uma limousine preta estava estacionando diante do hotel. Dela, saiu um homem alto, de porte atlético, cabelos curtos e desgrenhados, ligeiramente grisalhos, de óculos escuros, trajando jeans e uma camiseta verde clara. Ele parecia estar meio mal-humorado. Talvez fosse apenas impressão, por não poder ver seus olhos. Quem seria ele? Algum ator ou cantor famoso, para chamar tanto a atenção da mídia e fazer aquele estardalhaço todo.
Carolina seguiu seu caminho na direção de seu apartamento, emprestado por uma amiga designer que estava de férias no Brasil. Lá trocaria de roupa e sairia para passear por Paris. Logo esqueceu o ocorrido diante do hotel e distraiu-se a pensar se encontraria facilmente a tal livraria na Île de St. Louis que lhe indicaram e onde esperava encontrar algum livro de arte interessante. Fora isso, queria explorar a cidade à procura de lugares para pintar.

Na manhã seguinte, de volta ao trabalho remunerado, verificou que o gerente já distribuíra as tarefas entre as funcionárias. Pegou as chaves dos apartamentos para os quais fora designada e foi para o elevador de serviço. Vários já estavam vazios, na maioria de hóspedes que haviam partido na madrugada. De qualquer maneira, sempre tinha o cuidado de verificar se o apartamento estava aberto ou com o aviso pendurado na maçaneta da porta, solicitando a limpeza.
Na suíte 602 nada havia indicando a presença de hóspedes em seu interior, por isso abriu a porta e foi entrando. Abriu as cortinas e começou a arrumar a cama. Respirou aliviada por ter finalmente encontrado um hóspede menos bagunceiro. Foi quando ouviu um ruído na porta do banheiro, que se abriu repentinamente, assustando-a. Carolina virou-se, já temendo a reação do hóspede. Foi então que viu uma escultura viva de Michelangelo saindo do banheiro. Ele estava enrolado numa das toalhas brancas do hotel, amarrada à cintura, com o corpo e os cabelos ainda úmidos. Sentiu os olhos verdes faiscando de raiva ao vê-la de pé no meio do quarto.
- O que você está fazendo aqui? Quem lhe deu permissão para entrar?
- Desculpe senhor, mas a porta não estava trancada e o aviso de “Não perturbe” não havia sido pendurado. Por isso pensei...
- Você deveria ter mais cuidado!
- Perdão... Voltarei mais tarde... – disse com o olhar voltado para o chão, com vontade de chorar, tal a humilhação que estava sentindo.
Ele pareceu perceber o mal estar causado por sua grosseria e falou, em tom de desculpas:
- Desculpe a mim. Realmente eu deveria ter colocado o aviso ou trancado a porta... Por favor, volte mais tarde. Tenho um compromisso dentro de uma hora. Devo sair logo.
- Não tem nada a desculpar. Serei mais cuidadosa na próxima vez. A culpa foi minha. Volto depois – respondeu encabulada com a situação.
Começou a recolher seu material de limpeza, enquanto ele continuava parado na porta do banheiro, exalando um cheiro delicioso. Passou por ele, sentindo que ele não despregava os olhos dela, mantendo o olhar sisudo. Isso a fez sentir-se ainda pior com o que havia ocorrido. Provavelmente seria despedida no dia seguinte.
Passado o incidente, pensou que até que seria interessante ter um corpo daqueles como modelo para um belo nu artístico...Ou para mais algumas coisas... “Só eu mesma para ficar pensando estas coisas do cara que vai me fazer perder o emprego...”, pensou rindo de si mesma. Mais tarde ficou sabendo que o homem era um ator nglês, fazendo carreira nos Estados Unidos e com milhares de fãs no mundo inteiro. Tentou não pensar mais no assunto. Sempre havia a alternativa de trabalhar nas ruas fazendo retratos dos turistas. Tinha muitos colegas que sobreviviam assim. Resolveu voltar o pensamento para o compromisso que teria à tarde, na Fashion Week. Conseguira um convite para assistir a alguns dos desfiles com sua amiga, dona do apartamento em que estava. Naquele início de tarde teria a apresentação da Versace. Não era bem a sua área de interesse, mas achou que seria curioso sentir o clima num evento daqueles em Paris, o reino da alta costura. Provavelmente veria muita gente diferente, interessante ou esquisita. Tentou vestir-se o mais fashion possível, com as poucas roupas que levara em sua mochila. Não conseguiu. Chegara a pensar em comprar alguma coisa nova, mas não queria ter mais este gasto. Apesar de seus protestos, a amiga deixara seu guarda roupa à disposição. Como elas vestiam o mesmo número, acabou por escolher uma calça preta “cigarrete” e uma blusa de seda branca com finas listras vermelhas verticais. Um colar de pedras pretas, com brincos combinando e sapatos Prada vermelhos. Soltou os cabelos que costumava trazer presos sob a touca de seu uniforme no hotel. Olhando-se no espelho, realmente não lembrava nem de longe a pobre camareira de algumas horas antes.
Ao chegar, sentou em seu lugar reservado na segunda fila à direita da passarela. Foi quando viu a editora da Vogue americana chegar, acompanhada por ninguém menos que o famoso ator inglês, Gerard King, com quem se indispusera pela manhã. Quando seus olhares se cruzaram, ele correspondeu com o sorriso mais charmoso do mundo, fazendo-a arrepiar-se. Porém, ela ficou com a impressão de que ele não a reconhecera. Durante toda a atividade, notou que ele volta e meia lhe lançava olhares cheios de curiosidade, como se buscasse na memória de onde a conhecia.
O desfile foi um sucesso. Ao final, Carolina levantou-se e, já estava encaminhando-se para a saída, quando sentiu uma mão forte segurando-lhe o braço, e uma voz rouca e sensual, muito próxima ao seu ouvido, a dizer-lhe:
- Espere um pouco. Quero conversar com você.
- Como? – ela perguntou aparvalhada.
- Por favor... Eu tenho certeza que a conheço de algum lugar, mas não consigo lembrar-me de onde.
- Esta é uma cantada muito antiga, meu caro – disse ela, rindo internamente, tentando esgueirar-se dele. Seria possível que ele não a tivesse reconhecido?
- Não, não é cantada. É sério. Por favor, vamos tomar um café juntos. Você tem tempo? – seu olhar era quase de súplica.
- Na verdade tenho um compromisso dentro de uma hora, mas ... Está bem, aceito o convite para o café – disse, tentando fazer-se de difícil.
- Ótimo... Ah! Deixe-me apresentar-me. Meu nome é Gerard, mas pode me chamar de Gerry. E o seu é...?
- Carolina, mas pode me chamar de Carol – respondeu sorridente.
Ele não pode deixar de rir da imitação que ela fizera dele.
- Então venha, Carol. Venha para refrescar minha memória – disse, pegando-a delicadamente pelo braço e conduzindo-a para fora do salão de desfiles – Tem uma cafeteria fora de série aqui perto.
- Vamos lá! Você tem certeza que não sabe de onde me conhece?
- Você sabe?
- Faço alguma idéia... – disse tentando segurar o riso. Talvez pudesse salvar seu emprego.
Atravessaram uma multidão de gente, alguns muito bem vestidos e outros, pretensamente fashions, mas ridiculamente adornados.
Finalmente sentaram-se numa das mesas ao ar livre do “Deux Margots”, fizeram seus pedidos e olharam-se.
- Tenho a sensação de que você está brincando comigo – falou ele, meio desconfiado da expressão de galhofa estampada no rosto de Carolina.
- É que sempre me surpreendo ao ver como as pessoas que nos prestam serviços são tratadas. Principalmente aquelas que vestem um uniforme. Parece que elas foram produzidas em série só para servir aos seus “patrões”. Nem olhamos para os seus rostos. Acho isto muito triste.
- Do que você está falando?
- De você, de meu pai, de mim mesma, enfim. Nós não olhamos realmente para um empregado ou serviçal. Não importa se a pessoa tem sentimentos, família ou um rosto. Não o culpo, não. É assim que é. Só agora vejo isto e sinto na própria pele.
- De que, diabos, está falando? – disse exasperado.
Foi então que Carolina levantou os cabelos atrás da cabeça e disse, olhando para baixo:
- “Desculpe, senhor, mas a porta não estava trancada...”
O rosto dele anuviou-se.
- Você é... Não acredito... Você é a camareira de hoje de manhã?? – ele não podia acreditar que Carolina e a camareira fossem a mesma pessoa.
- Pois é... A vida tem destas coisas.
- Mas como é possível? Como você está neste desfile, vestida assim? Você pegou “emprestado” de alguém? – perguntou em voz baixa, olhando para os lados.
- Realmente, é mais fácil pensar que eu roubei alguma hóspede do que pensar que eu possa estar apenas fazendo uma pesquisa sobre comportamento humano, ou quem sabe tentando sobreviver fora do jugo financeiro familiar? – ela não conseguia esconder sua indignação com a pretensa acusação dele.
- E em qual destes modelos você se encaixa? – perguntou, começando a se interessar por aquela jovem linda e determinada, que tentava lhe dar uma lição.
- Não sei se vale a pena lhe contar – respondeu, encarando-o desafiadoramente.
Ele sorriu e resolveu aceitar a provocação.
- Quem me garante que você não está tentando me intimidar para evitar que eu fale com o seu gerente e descubra que você cometeu algum deslize?
- Você tem toda a liberdade para fazer o que quiser – agora ela estava realmente furiosa.
Ele a olhava intensamente, cada vez mais admirado com o jeito provocativo da garota. Então, resolveu acabar com aquela arrogância toda.
- Olha, vamos parar com isto. Que tal você me dizer quem é e começarmos a conversar direito?
- Quem começou isto foi você, quando me convidou para tomar um café.
- Você é sempre assim? Ou está se fazendo prá cima de mim? Eu a convidei porque a achei uma mulher interessante, que eu achava já ter visto em algum lugar e quis ser gentil. Só isso. Não esperava ter que receber lições de moral de uma camareira.
- Viu o seu preconceito? Viu?
Gerard teve vontade de levantar-se e deixar Carolina falando sozinha, mas algo mais forte o impediu, forçando-o a respirar fundo e suplicar:
- Olhe, aqui entre nós... Eu adoro todas as camareiras de hotéis. Na verdade eu a reconheci de cara e... Quanto ao café? Era uma cantada sim. Adoro transar com camareiras. Está satisfeita? – falou rispidamente, ficando com expressão bastante séria ao terminar a frase, olhando-a fixamente.
Após quase um minuto interminável de olhares circunspectos de ambas as partes, os risos explodiram sobre a mesa, chamando a atenção dos fregueses a sua volta.
- Desculpe... Eu às vezes encarno a antiburguesa, defensora dos fracos e oprimidos, e me deixo levar muito longe na indignação – Conseguiu dizer quando começou a diminuir a vontade de rir.
- Eu só acho que você está sendo muito dura comigo. Coloque-se no meu lugar, mal tendo acordado, saindo do banho, só enrolado numa toalha e dar de cara com uma estranha mexendo em minhas coisas. Eu também fui surpreendido.
- Já pedi desculpas...Você tem razão ...
- Que tal se começarmos tudo de novo? – pediu ele, humildemente.
- Desde “o meu nome é Gerard, mas pode me chamar de Gerry”? – ela sorriu.
- Acho que podemos pular esta fase de apresentações – disse retribuindo o sorriso.
- Bom... – ela olhou o relógio de pulso, espantando-se com a hora – Infelizmente vou ter de ir embora. Tenho uma aula agora e já estou ficando atrasada. Acho que vamos ter de deixar esta conversa para outra hora.
Deu mais uma bebericada em sua taça de café e foi pegando sua bolsa para sair.
- Não... Espere! Vamos combinar um novo encontro, então.
- Você já sabe onde eu trabalho. Procure-me se realmente quiser continuar esta conversa – olhou-o com doçura e continuou – Eu confesso que não ficaria chateada de encontrá-lo novamente.
Deixou-o sem ação, com um sorriso amarelo nos lábios, enquanto a via sumir no movimento da rua. Que tipo de garota era aquela, que trabalhava como camareira pela manhã, à tarde estava vestida com roupas de grife e tinha aulas no final da tarde? E ainda por cima era linda...


Gostaram deste início? Desta vez vou deixar vocês na curiosidade e postar um pouco mais amanhã. Quem sabe se como uma novela, não aumento a minha audiência? Hihihi!
Por favor, comentem. Estimulem a sua amiga aqui a continuar... ou não, com este blog.
Beijos!